18 de Fevereiro de 2015 – Visita Presidencial

10991572_1025700264114299_7834574844221969575_oFinalmente chegou o dia. Os preparativos foram feitos com todo o cuidado, mas, sabemos bem, o imprevisto é algo com que temos de contar, e já alguém dizia que o melhor improviso é o que já está estudado. Há sempre qualquer coisa que podia ser melhor, qualquer coisa que, depois de vermos, talvez fizéssemos de forma diferente, qualquer coisa que estava prevista, mas não se concretizou. Mas já está. O Presidente passou por cá, e nós fizemos o nosso trabalho. Fizemo-lo bem, por muito que nem sempre encaremos estas coisas com o ânimo que deveriam requerer, porque (sabemos) não temos os políticos ideais. Mas estes são os que temos, e já não são tanto políticos, senão instituições que estão aqui representadas. Nós demos uma boa imagem do que somos e do que fazemos diariamente. Missão cumprida.

17 de Fevereiro de 2015 – Chegar ao teclado como a uma folha em branco

pianoTalvez haja um ponto em que sons e palavras ficam em pé de igualdade. Quando olhamos para uma folha em branco, a sensação é mais ou menos a mesma que quando nos acercamos de um instrumento, e há aquele momento de silêncio, até alguma coisa acontecer. Por uma fracção de segundos, parece que passam por nós todas as palavras, todos os sons, tudo o que há em nós para transmitir. E às vezes, parece que tudo flui. Tudo é natural. Tudo faz sentido. Outras vezes, é preciso procurar. Alinhar, realinhar, tentar, falhar e voltar a tentar, até ficar mais próximo do desejado. Ou desistir. Há dias assim. Em que perante a folha em branco ou o teclado, a melhor solução é mesmo o silêncio.

16 de Fevereiro de 2015 – Tem confiança, Maria

Young woman lying on small waterfallTem confiança, Maria. Tem confiança, Maria. Conheci demasiado bem todos os homens que há para conhecer. Conheci-os o suficiente para não querer sair mais de dentro de mim. Não encontrei qualquer graça diante de Deus. Nem talvez do diabo. Quando fui procurar, a única coisa que encontrei foi a mim mesma, dentro de mim. Vazia. Escura. Capaz de fazer ecoar a minha própria voz dentro de mim. Não fui capaz de gerar vida. Não concebi, nem dei à luz. Nem pus qualquer nome a nada que tenha criado. Dentro de mim, só este som melancólico de uma espécie de silêncio rendilhado. A preto e branco.

Um dia, hei-de fazer alguma coisa com este texto…

15 de Fevereiro de 2015 – 1500

1500As rotinas podem ser traiçoeiras. Quanto mais não seja, porque o imprevisto facilmente as contorna. Assim foi. Muitas vezes. Mas, contadas as vindas aqui, esta é a 1500.ª vez que alinho palavras. É um número redondo, nada mais. Até porque, frequentemente, o assunto não interessa a ninguém, ou nem sequer existe. Mas, como diz ali ao lado, o espaço é «pessoal e transmissível» (acima de tudo, pessoal). Já deu algumas voltas, já se acendeu e apagou, e apagou e acendeu. Porque a vontade de dizer alguma coisa é sempre maior. E então, dá-se um jeito. A «culpa» disto, em primeiro lugar, é do meu amigo Rui Gato, que resolveu dar-me espaço. E, depois, a culpa é minha. Porque encho isto de palavras. Às vezes sem sentido. Mas vai havendo quem leia, o que é outro «problema». Que se resolve com mais palavras. Mesmo que com menos sentido. 1500 estão. Depois vê-se…

14 de Fevereiro de 2015 – As mãos

maosVolto às mãos de Neruda. A essas mãos, de que reconheço o toque. A essas mãos que parece que corremos o mundo, a procurá-las. E que, depois da mais longa viagem, estão sobre o meu peito. Não sei de quem são, se são minhas. Olho-as, perfeitas. Abertas para tocar tudo o que existe, até a estrela mais brilhante, ao longe, que cabe entre dois dedos. Volto a essas mãos que partiram sem deixar um bilhete de despedida, mas que a memória não deixou sair daqui. Às mãos que são do tamanho de um rosto, e o cobrem, e o aquecem. A essas mãos que se alargam, e distanciam, e aproximam, a preto e branco. Volto a essas mãos que não são minhas. Que não são de ninguém. Às mãos que me fazem falta, para poderem tocar-me os olhos fechados sem eu esperar. Essas mãos que me prendem, mesmo não estando aqui, mas segurando, lado a lado, o mundo inteiro.

13 de Fevereiro de 2015 – Real Confraria do Frango Frito

E eis que aquilo que começou como uma “brincadeira” chegou à televisão. Há uns tempos atrás, resolvemos criar a Confraria do Frango Frito, que mais não é do que um grupo de amigos que se junta na Casa Testinha para saborear a especialidade. Sem grande formalismo, que é para não dizer sem formalismo absolutamente nenhum, a única preocupação é chamar a atenção para uma iguaria tradicional, num espaço que é conhecido por várias gerações, e que, até certo ponto, se confunde com a história da vila de Arouca. Hoje, chegámos ao Porto Canal, mas isso não é o mais importante. O mais importante, é que este sabor se mantenha. Como diz um grande amigo meu, co-fundador desta “brincadeira”, o importante é o convívio.

12 de Fevereiro de 2015 – ‘West Wing’ no terreno

radar-01Até estes dias, a mística vivida nos bastidores da Casa Branca e na política americana era uma espécie de modelo. Nestes dias, por sorte e alguns ossos do ofício, estamos a viver numa espécie de antecâmara da Ala Oeste, à respectiva escala. Ao contrário do que possa parecer, a preparação de uma visita presidencial ainda tem que se lhe diga. Pequenos grandes detalhes que podem fazer toda a diferença. Cada vez mais, a parte verdadeiramente interessante da política é esta. Porque trata, efectivamente, de coisas práticas. Porque é concreta. Porque faz. Porque torna coisas possíveis. No futebol, aos construtores de jogo umas vezes chamam “maestro“, outras “carregador de pianos”. Por causa de outros ossos de outros ofícios, identifico-me com a segunda. O maestro tem de confiar no som dos outros. O carregador de pianos sempre pode furar o esquema e tocar umas notas…

11 de Fevereiro de 2015 – Perguntar. Arouca. Futuro.

logo-ddÉ antiga a máxima que diz que, mais do que as respostas imediatas, devemos procurar as perguntas certas. Mas nós continuamos a ter demasiada pressa em encontrar respostas. De preferência rápidas. Curtas. Concisas. De aplicação imediata. Que nos permitam, em poucos segundos, resolver um problema e passar ao seguinte. Independentemente da complexidade do problema, temos é de o resolver depressa e de forma simples. E quando nos perguntam sobre o futuro, é também assim que respondemos.

Por isso, também, é que os políticos raramente decidem a pensar no impacto que as suas decisões têm, a prazo. Decidem no imediato. Sem planearem devidamente. Pressionados por esta pressa colectiva. E é por isso que também nós, cidadãos, devemos procurar travar essa tendência imediata para a resposta, e substituí-la pela urgência da pergunta.

Este foi apenas um dos muitos desafios lançados aos arouquenses pelo professor João Ferrão, na conferência «Construir o futuro em Arouca», que proferiu recentemente, a convite do Círculo Mais Democracia. De facto, a actividade desta nova plataforma de acção cívica não poderia ter começado melhor. Arouca ganha se encontrar uma forma sustentada de questionar o seu futuro, de abrir a todos a participação na sua construção. E é, no fundo, isto que pretende este novo Círculo, que nasce da vontade de lançar este debate, por parte de alguns insignes académicos que aqui nasceram ou que aqui têm raízes fortes. E a semente chegou a vários arouquenses, e são mais de cem os que, hoje, fazem parte do Círculo Mais Democracia, que continua aberto a quem quiser dele participar.

Normalmente, não gostamos muito de complicar as coisas, e é por isso que, muitas vezes, nos parece descabido, desproporcionado, inútil mesmo, lançarmos um debate muito profundo sobre o que deve ser feito. É mais simples esgotarmos a nossa responsabilidade num boletim de voto, e resguardarmo-nos na posição segura da crítica fácil e, não pouco frequentemente, desinformada.

Mas, em Arouca, somos diferentes. E é por isso que esta gente, que pouco mais tem a provar a quem quer que seja, cujo percurso académico, profissional e científico fala por si e que encontra aqui a terra onde sente a sua raiz, merece que os acompanhemos. Para continuarmos a fazer as perguntas certas. Para fazermos algo pela Arouca que desejamos. Por um futuro construído de forma participada.

10 de Fevereiro de 2015 – O ilusionismo ou a magia de Woody Allen

Aquilo a que chamamos magia, às vezes não passa de ilusionismo. Mas, às vezes, o ilusionismo pode resultar em magia. Woody Allen resolveu baralhar e voltar a dar (como, de resto, é seu costume), a partir destes dois conceitos, no seu mais recente “Magic in the Moonlight”. A magia ao luar pode muito bem ser essa do ilusionismo, aquela que só resulta no palco, com luzes especiais, com truques estudados ao pormenor e que, mesmo que corram um bocadinho mal, estão tão ensaiados que parecem perfeitos. Mas pode também aparecer de surpresa, sem contarmos, a encaixar em cada espaço que deixamos. Às vezes, também essa capacidade de adequar a magia à necessidade de a viver é forjada. Mas pode ser forjada de falsidade, e rapidamente descoberta, ou forjada de construída na forja. É que, às vezes, a magia pode dar mais trabalho do que o que parece.

9 de Fevereiro de 2015 – Da Antologia de Humor e do regresso a “O que diz Molero”

antologia-humor-portuguesHá livros que aparecem quando e de onde menos se espera. Este, já estava na prateleira há algum tempo, à espera de ser digerido com calma, com tempo para saborear. Mas não se conteve, e saltou para a cabeceira. Folheia-se com particular curiosidade, até porque contém alguns dos mais bem escritos textos de humor em português, ainda por cima com breve enquadramento da obra do respectivo autor. Fui andando, andando, e voltei a Dinis Machado, e a um excerto de “O que diz Molero”, um livro fascinante, repleto de empurrões para o imaginário, quase para o sub-consciente ou até mesmo para inconsciente. E não resisti. Depois de ter visto a peça, representada de forma sublime por António Feio e José Pedro Gomes, o livro foi uma descoberta fabulosa. Era, de facto, obrigatório estar aqui. Mas há mais. Muito mais autores para serem lidos. Com graça.