22 de Dezembro de 2010 – Nova política, precisa-se

Cada vez mais chegamos à conclusão de que os sistemas políticos que vigoram se esgotaram. Em última análise, verifica-se o que a programação da «Odisseia nas Imagens», da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, preconizava. Na altura dizia-se estamos «a caminho da crise do capitalismo», uma ideia que parecia excessivamente «esquerdista», há cerca de 10 anos. Actualmente, nem por isso. Contudo, as alternativas ainda não se apresentam muito eficazes. As iniciativas da dita «sociedade civil» são muito ténues, e acabam por esbarrar no imobilismo das «máquinas» partidárias, que, sabemo-lo, legislam, primeiramente, a seu favor. Já sabemos do que precisamos: de uma nova política. Falta agora «operacionamentalizacionar» a coisa.

21 de Dezembro de 2010 – Há coisas que deviam ser repetidas até à exaustão

Devia ser possível instalar um sistema audiovisual em «loop» contínuo, até à exaustão, em frente dos que não são sérios. É por causa disto, e não de qualquer outra coisa, que Portugal está como está, à mercê dos «mercados» internacionais. Porque quem nos governa não é sério. Porque quem nos governa não corresponde às nossas expectativas. Porque quem nos governa sabe que não pode prometer, mas, ainda assim, promete. Porque quem nos governa fá-lo com base nas agendas da comunicação social. E nós ainda acreditamos que é possível acreditar neles.

20 de Dezembro de 2010 – Estrada para lado nenhum

A melhor reflexão sobre os acontecimentos do dia de hoje está contida na música dos «Talking Heads» que se chama «Road to Nowhere». Ou seja, estrada para lado nenhum. Sabemos para onde queremos ir, mas parece que não sabemos muito bem onde temos estado. Sabemos o que queremos, porque o futuro é certo. Mas o que é facto, é que estamos numa estrada que conduz, precisamente, a lado nenhum. Foi nesta estrada que embarcámos no preciso dia em que se decidiu ir por aqui. Contra tudo e contra todos. Depois vieram os vendedores de ilusões, que nos garantiram que íamos ter estrada. Agora, a culpa não é de ninguém. É da crise. É dos políticos. É dos outros. Mas nós é que estamos na estrada para lado nenhum. E nem nos passa pela cabeça de que boa parte da culpa também é nossa. Porque fomos nós que escolhemos esses outros.

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«Road to Nowhere» | Talking Heads

19 de Dezembro de 2010 – Orfeão de Arouca no Colégio Salesiano de Mogofores

Hoje, o Orfeão de Arouca, brilhantemente acompanhado pela Orquestra de Sopros da Banda Musical de Arouca, participou num concerto de Natal, promovido pelo Coral Oásis, de Sangalhos. O concerto decorreu na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, no Colégio Salesiano de Mogofores, espaço de gratas memórias. Este ano, em particular, o Orfeão tem tido o grato prazer de mostrar o seu trabalho um pouco por todo o país, e, desta vez, o prazer foi redobrado. Porque a casa era conhecida. Porque as obras a apresentar o proporcionavam. Porque a companhia da Orquestra de Sopros da Banda Musical de Arouca é altamente enriquecedora. Muito obrigado a todos, especialmente aos músicos da Banda e ao seu Presidente, que nunca regatearam falta de disponibilidade para nos acompanharem. E fizeram-no magistralmente. Como é hábito, de resto.

18 de Dezembro de 2010 – Auto de Natal

A noite estava fria. Demasiado fria. O gelo já se fazia sentir nos passeios. Mas nada demoveu o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas de levar à cena, em pleno Terreiro de Santa Mafalda, o segundo acto do Auto de Natal, que prepararam, especialmente para os arouquenses, este ano. Pouco público, mas com o calor possível. Com o mais alto profissionalismo, o grupo narrou os episódios que precederam o nascimento de Cristo, terminando o acto com o presépio composto, enquanto os pastores glorificavam a Deus, e pediam paz na terra para os de boa vontade. Poucos quiseram saber do presépio. Poucos quiseram saber de reviver este nascimento. O que é pena. Porque o trabalho desta gente deve ser reconhecido, porque devemos relembrar-nos da humildade em que Jesus nasceu. Foi pena, mas valeu a pena pelos muitos momentos de calor que se (re)viveram, apesar do frio.

17 de Dezembro de 2010 – (Re)escutar Stravinsky

Confesso. Redescobri o «Pássaro de Fogo» de Stravinsky. É, hoje, para mim, uma música diferente. Visual. Corporal. Mais nítida. Impressionante, como uma melodia com pouco mais do que dez notas (algumas delas repetidas) se fixa no pensamento. Impressionante, também, como se desenvolve. Como tudo, às vezes a música revela-se complicada. Mas tem este dom, quando aparece sem avisar, de se  instalar sem pedir licença. E ainda bem.

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Suite «Pássaro de Fogo» – Final
Leonard Bernstein; New York Philharmonic

16 de Dezembro de 2010 – A urgência da estrada

As novas tecnologias deram-me o grato prazer de reencontrar o meu primo Miguel Ângelo Quaresma Brandão, actualmente a prosseguir os seus trabalhos de investigação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A distância e o tempo fizeram-nos falar de vários assuntos de forma voraz, e acabámos por desembocar no tema «variante». Para nós, que vivemos em Arouca, a visão das coisas nem sempre é tão objectiva e assertiva como devia. Vamo-nos acomodando aos compromissos políticos, vamo-nos conformando com a nossa dificuldade em fazermo-nos ouvir, e as coisas teimam em passar-nos ao lado. Deixámos que esventrassem o vale de Rossas, teimosa e autoritariamente. Permitimos que a construção deste lanço se fizesse com partes perigosas, especialmente com gelo, nas épocas de Inverno. Agora, temos o que temos. O Miguel, como amante de Arouca que é, teve a amabilidade de contribuir para que na «Wikipedia» se pudesse saber mais sobre Arouca. Mais sobre a sua identidade. Mais sobre o que deveria ser a sua identidade. Mais sobre a urgência de termos uma estrada condigna.

Arouca é um concelho da Grande Área Metropolitana do Porto, região Norte (Portugal), tendo pertencido à antiga província do Douro Litoral: apesar de fazer parte do distrito de Aveiro, a identidade autóctone do concelho de Arouca insere-se na identidade dos municípios do distrito do Porto, a cidade de referência dos arouquenses sempre foi o Porto, onde têm a maioria dos familiares radicados em espaços urbanos e onde os jovens arouquenses frequentam, na sua grande maioria, o Ensino Superior, e onde os arouquenses se deslocam, frequentemente, para consultas médicas mais especializadas que não existem em Arouca, sendo comum muitos arouquenses terem uma casa secundária no Porto ou viverem no Porto durante a semana e durante o fim-de-semana em Arouca, havendo transportes diários de autocarro entre o Porto e Arouca: num passado recente, os expressos rodoviários eram comummente denominados ‘Expresso Arda-Douro’, o que indica a forte ligação dos arouquenses com o Porto. Também é comum serem proprietários de estabelecimentos comerciais na cidade do Porto, do qual é exemplo a célebre Padaria Ribeiro. O Porto sempre foi a cidade principal que escolhem para adquirirem a cultura erudita e urbana, há vários séculos. Foi, na cidade do Porto, que muitos arouquenses ilustres alcançaram cargos profissionais de muito prestígio quer na estrutura do Estado quer em instituições privadas. A parte noroeste do concelho, que faz fronteira com o de Gondomar, encontra-se, em linha recta, a cerca de 10/15 Km do Porto. O contacto dos arouquenses com a cidade de Aveiro é fugaz, escasso e meramente administrativo, em relação à qual os arouquenses não manifestam qualquer sentimento de pertença. Perante esta situação real, torna-se um paradoxo que o concelho de Arouca, até ao presente, ainda não tenha uma ligação rodoviária moderna e funcional até à cidade do Porto, que sempre foi a sua cidade de referência, para além de também ser paradoxal o facto do poder autárquico de Arouca, o Município e as Freguesias, ainda não se ter empenhado no abandono administrativo do concelho de Arouca do distrito de Aveiro com a sua consequente integração, em termos definitivos, no Distrito do Porto, ao qual, pela sua natureza, pertence.

(Wikipedia: Miguel Brandão)

15 de Dezembro de 2010 – Carlos Pinto Coelho: «E assim acontece…»

«É uma pena que Carlos Pinto Coelho continue afastado dos ecrãs. O programa «Acontece» foi sempre uma “pedrada no charco” no panorama cultural nacional, mostrando, de uma forma altamente bem feita, como se pode fazer cultura em televisão. Depois disso, nada (ou quase). Como se não bastasse, o seu projecto “Tele 5”, que pretendia ser o quinto canal nacional generalista, foi chumbado, o que, a acreditar nas palavras de Pinto Coelho, é necessariamente mau para todos nós. O debate que se gerou foi sempre em torno das viabilidades económicas, dos volumes de publicidade ou das empresas que tutelavam os projectos. Mas nunca ninguém falou do que Carlos Pinto Coelho falou. Que o desejo era o de se fazer algo de muito melhor do que se tem feito, proporcionando condições dignas a quem trabalhasse nesse projecto. Hoje, Pinto Coelho foi convidado no “5 para a meia noite”. Algumas razões (suficientes) para lamentarmos a ausência de Carlos Pinto Coelho».

Isto foi escrito, aqui, a 15 de Janeiro, muito longe de sabermos que hoje, 15 de Dezembro, sem avisar, Carlos Pinto Coelho terminou mais a sua emissão, talvez com o habitual «E assim acontece».

14 de Dezembro de 2010 – Talvez nunca mais…

Ser trabalhador/estudante tem destas coisas. Hoje, das 9:00 às 17:30, o dia foi completamente reservado aos exames. Primeiro composição, depois arte contemporânea, depois análise, depois psicologia da música. O dia nunca mais chegava ao fim, e cada teste parecia mais complicado que o anterior. A certa altura, as matérias já se cruzavam, e o caos parecia reinar. Talvez nunca mais alinhe numa «brincadeira» destas…