12 de Dezembro de 2010 – Orfeão de Arouca em Condeixa-a-Nova

O dia amanheceu calmo (com a calma possível), em Celorico da Beira, onde fizemos uma pausa para descanso, no meio da «mini-tournée» do Orfeão de Arouca. Após um pequeno passeio até ao castelo de Celorico, para desentorpecer, alguém descobriu um pequeno (mas muito acolhedor) anfiteatro a céu aberto, onde nos alinhámos e fizemos, logo ali, um breve ensaio que se revelou fundamental para aclararmos as ideias. Depois, o almoço, a viagem, a chegada a Condeixa-a-Nova, onde os nossos amigos do Orfeão Dr. João Antunes nos esperavam. Fomos os primeiros a fazer música. E, confesso, aqueles minutos constituíram uma das mais ricas experiências musicais que já tive. Obrigado, portanto, ao Orfeão de Arouca, por permitir que, passo a passo, continue a minha (modesta) construção enquanto músico.

11 de Dezembro de 2010 – Orfeão de Arouca em Aldeia do Bispo (Guarda)

Este fim-de-semana é marcado por uma «dupla jornada» do Orfeão de Arouca, fora de portas. Hoje tivemos a oportunidade de conhecer a Aldeia do Bispo, na Guarda, onde fomos acolhidos de uma forma que só os aldeões sabem acolher. Para além de podermos apreciar a traça genuína das construções e de respirar o ar puro da Serra da Estrela, pudemos ficar a saber mais sobre a importância da castanha e do castanheiro nestas povoações, e saboreámos os saberes destas gentes. Tudo isto, no final, regado com boa música e muita alegria. Amanhã, mais um dia nestas andanças. Sabe bem estar na companhia destas gentes. A de Aldeia do Bispo e, claro, a do Orfeão de Arouca.

10 de Dezembro de 2010 – Momentos

A linguagem das imagens tem destas coisas. Não há uma gramática universal. Nada está formatado. Em nenhum de nós causa as mesmas reacções. Por «e-mail», chegou-me a ligação a estes «Momentos», filmados numa rua do Porto, e que podem dizer-nos muito mais do que muitas palavras que possamos usar. Que elas fiquem, por entre os «Felizes Natais» e os «Prósperos Anos Novos». Porque, às vezes, mais importante do que as palavras, são as intenções, são os gestos, são as imagens.

9 de Dezembro de 2010 – Somos cada vez mais corruptos

Segundo um estudo hoje conhecido, para 83% dos portugueses a corrupção tem sido crescente desde 2007.  Para os portugueses, os militares, os professores e os religiosos são as menos corruptos. Sem grande espanto, a classe política foi considerada a mais corrupta. De facto, 75% da população nacional entende que os governantes não são eficientes no combate à corrupção, e 3% dos inquiridos admitiram já ter praticado suborno. A passividade e o reconhecimento de impunidade, patente no «e o que podemos nós fazer», continua a permitir que quem alcança uma posição de um mínimo de responsabilidade, possa pôr e dispôr das facilidades do poder. Por isso não temos os políticos que gostávamos de ter. Por isso não temos os serviços que gostávamos de ter. Por isso não temos o desempenho e o desenvolvimento que gostávamos de ter. Ou seja, é por isto que somos o país que somos.

8 de Dezembro de 2010 – Wikileaks

No início, tinha a sua «piada» e o seu interesse. Saber-se dos segredos diplomáticos, do que terá estado por trás de algumas barbaridades e de alguns gestos políticos menos compreensíveis. Mas, com o tempo, perdeu-se o controlo, e começa a sentir-se que a guerra se vai abrindo. Uns, a favor da liberdade de expressão e do direito à informação. Outros, a favor do respeito pelos segredos diplomáticos e pelo bom-nome (se é que, na quase totalidade dos casos, é possível tê-lo). De repente, era preciso deter o fundador do «Wikileaks», o portal que ia divulgando verdadeiras «bombas» noticiosas. Depois de «silenciado» o portal, uma sucessão de ataques a «sites» de referência lançou o pânico na internet. Está, portanto, aberta uma nova «frente de guerra» que vai dar que falar. E sobre a qual vai ser muito difícil optar por um dos lados da barricada sem reconhecer razão ao outro.

7 de Dezembro de 2010 – Bach, a complexa simplicidade

Estudar música sem estudar de uma forma minimamente aprofundada a obra de Johann Sebastian Bach, é impossível. Se a música fosse matemática, Bach era o responsável pelos números e pelas proporções. Se a música fosse arquitectura, Bach seria o responsável pelos seus fundamentos, projectos e desenhos mais pormenorizados. Se a música fosse uma ciência, Bach seria o seu inventor. Bach é o principal responsável por tudo isto, na música. Os fundamentos estruturais de toda a música, como hoje a conhecemos, devemo-la a este génio. Uma música que parece simples, mas rica de ornamentação, imagem sonora do barroco, é, no fundo, muito bem construída, sobre alicerces estruturais firmes e sem qualquer mácula. Bach é assim. Fluido, inspirado, prolífero em obra. Mas o que parece simples, ao ouvido, é, no fundo, de bastante complexidade. Porque, como num edifício, numa estrutura, nada está ali por acaso.

6 de Dezembro de 2010 – Carlos César perdeu o juízo?

O presidente do Governo Regional dos Açores crispou-se, porque do Continente surgiram vozes contra a sua manobra para não reduzir os salários aos funcionários públicos (como acontece no resto do país). Há quem ache que se trata de uma manobra eleitoralista, coisa de que César se apressou a acusar o Presidente da República. Nessa altura, e nos termos em que falou, com os símbolos do PS atrás, César parecia ter perdido o juízo. Não era necessário recorrer-se a um nível mais baixo de «politiquês» para afirmar a sua razão. Se não vai custar nada ao Estado, se se trata de uma compensação pela insularidade e se tem o apoio da sua maioria, deixai-o ir. Sócrates e o PS não deverão permitir que César «caia» por causa disto. Só não era preciso fazer tanto ruído à volta disto. Carlos César prova, assim, que (ainda) não é capaz de lidar com a pressão política e mediática. Logo, (ainda) não está pronto para ser um político de «carreira nacional».

5 de Dezembro de 2010 – Sá Carneiro, ontem e sempre

Sá Carneiro morreu, fez ontem 30 anos. Aquando da sua morte, eu não teria ainda completado três meses de vida, mas acabei, como todo o país, de resto, por crescer e viver com o mito sempre presente. Francisco Sá Carneiro viveu sempre depressa de mais, inconstante demais, sempre no futuro e não no agora, tanto em termos políticos como pessoais. A democracia era ainda e apenas um princípio de qualquer coisa que ninguém sabia muito bem o quê. Sem ser orador brilhante, era um pensador e um estratega atento e de rara visão. Galvanizava multidões. Morreu como viveu, depressa de mais e com impacto. Ninguém lhe ficou indiferente. Uns, criaram em torno de si uma imagem de um novo D. Sebastião. Outros, fizeram estourar foguetes poucos minutos depois da sua morte. Atentado ou acidente, persiste a dúvida. Nove Comissões Parlamentares de Inquérito e um sistema de justiça que viu aqui a oportunidade de se credibilizar a qualquer custo não conseguiram chegar a uma conclusão consensual. Sá Carneiro fará, ontem e sempre, como em vida, ressuscitar as nossas dúvidas, acerca do país que poderíamos ser se não tivesse morrido. Sobre o país que somos e podemos ser. Ontem, e sempre.

4 de Dezembro de 2010 – «Clapping Music»

Numa altura em que estudo a música minimal, que aprecio, veio-me, literalmente, parar às mãos este «Clapping Music», de Steve Reich, um dos expoentes máximos do minimalismo. Aqui, o que é curioso, é como a repetição reiterada de padrões, a utilização do próprio corpo como instrumento (as palmas) e uma certa subversão da relação público/artista (quase transferindo e regulando o aplauso a partir de cima do palco) são pontos curiosos de uma obra que vale a pena ouvir.

3 de Dezembro de 2010 – Convívio dos «Amigos da Garrafa»

Não, não é o que parece. Convém que se explique. Ao longo deste ano, um grupo de amigos, no trabalho, foi armazenando, no interior de garrafas de água vazias, os trocos de poucos cêntimos que sobravam dos lanches em hora de pausa. O objectivo era promovermos um convívio, simples mas significativo, e que convidasse à confraternização, antes do Natal. Das várias garrafas que conseguimos encher, à custa de muitas moedas (maioritariamente de 1, 2 e 5 cêntimos), apurou-se a quantia de 98 euros. Seguiu-se o trabalho de «marketing» e relações públicas, no sentido de convocar todos os amigos, as encomendas, junto da Casa Testinha e do restaurante Manjar, e pronto. Deu-se hoje o convívio dos baptizados «Amigos da Garrafa». Uma breve história de alguma poupança, muita criatividade e um pouco de extravagância. O que, tudo misturado, resultou num saboroso convívio entre amigos e colegas de trabalho.