Por vontade própria, passo ao lado (mas mesmo muito ao lado) do congresso do PSD. A gestão do «conclave» começou logo mal, com a vida muito dificultada a quem pudesse, de algum modo, querer apresentar críticas à actuação do «aparelho», nomeadamente ao excessivo «relvismo» a que o PSD (e, por arrastamento, o Governo) tem estado sujeito. Houve momentos em que o «relvismo» estava a tornar-se tão exagerado, que se começava a pensar que Passos Coelho já não «mandava» em Portugal. Veja-se o que aconteceu com a «aproximação» a Angola e com a proposta de reforma administrativa. Sucede que este congresso tornou-se uma (boa?) surpresa. Miguel Relvas passa a ter de estar mais concentrado no Governo (deve ser essa a explicação oficial), e deixa de estar no «aparelho» do PSD. Se isso significar que Relvas vai ser melhor Ministro, tanto melhor. Se, por outro lado, significar ser menos PSD e mais Ministro (ou excessivamente Ministro), menos bom.
23 de Março de 2012 – Concerto de Páscoa, a 31 de Março
Nunca foi uma tradição muito assumida, talvez porque a música não é tão apelativa ou alegre como a de Natal. Mas houve um tempo em que se tentou fazer do Concerto de Páscoa uma marca cultural de Arouca. De forma intermitente, foi-se organizando, mas já de há dois anos a esta parte que não se realiza, pelo menos com esse nome. Depois de terminado o cd, o Orfeão de Arouca resolveu «juntar» as coisas, e apresentá-lo num concerto de Páscoa, em que o foco estará no «Stabat Mater», de Josef Rheinberger. A música é sublime, não tão triste como talvez seja hábito encontrar-se nas obras próprias desta época. Mas é aí que está o essencial, na época. Há coisas a que não podemos fugir, e a Páscoa não é o Natal. Seja como for, a 31 de Março vamos fazer música, com a Orquestra de Gaia e o nosso organista titular do Mosteiro de Arouca, prof. Nicolas Roger, com quem temos tido a honra de trabalhar com regularidade. A música, esta música vale a pena. E talvez possa ser um passo mais para que se possa, com pequenos gestos, criar mais um momento na vida cultural da nossa terra. Quem sabe.
22 de Março de 2012 – Uma teoria da conspiração para Toulouse
Todos nós já vimos, de certeza, aqueles filmes baseados na teoria da conspiração. E, normalmente, a conspiração envolve sempre alguém mais acima na hierarquia política. Por estes dias, assistimos, pela televisão, a esta «novela» de Toulouse, que se vai desenrolando, aos olhos do mundo, exactamente ao mesmo tempo que Nicolas Sarkozy ultrapassa François Hollande nas sondagens para as eleições presidenciais. O enredo tem tudo para dar certo. Um político que não pode partir nenhum dos seus saltos altos. Um terrorista islâmico mesmo à mão de semear, para servir de mártir. Uma pose de Estado, para melhorar a imagem. Ou então não, e foi tudo verdade verdadinha. Mas que fica a dúvida, fica.
21 de Março de 2012 – Prelude 4 (5) flugels
Comecei, recentemente, a compor (ou a tentar, pelo menos) uma peça para cinco flugelhorns. Em português, e no meio filarmónico, chamamos, habitualmente, a estes instrumentos, fliscornes. Parecido com o trompete, o «flugel» tem um som mais aveludado, que convida à introspecção. É uma experiência com sons próximos (tons e meios tons) tocados em simultâneo, e as mesmas linhas melódicas tocadas desfasadamente, com diferença de um tempo. São experiências, para a disciplina de Introdução à Composição. Já se pode ouvir cerca de um minuto e meio, que pode não ficar assim, que pode desenvolver-se de forma diferente. Mas começou assim. Um prelúdio (ou espécie de) para cinco «flugels», brincando com o termo «prelúdio e fuga», subvertendo-o. A apresentação da «obra» será a 16 de Maio, e talvez até venha a ser tocada nos Estados Unidos.
[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2012/03/Prelude-4-5-flugels.mp3|titles=Prelude 4 (5) flugels]«Prelude 4 (5) flugels»
20 de Março de 2012 – Livros, na Escola Secundária
Hoje foi dia de falarmos de livros a uma turma do 9.º ano, na Escola Secundária. Foi um desafio grande, sobretudo pelo facto de vir de uma turma de gente ainda muito nova, a quem talvez outras coisas possam dizer mais do que os livros. Falámos dos acasos, dos acasos com que os livros nos entram na vida, vêm, vão, reaparecem, nos deixam. Falámos de Bernstein, Mann, Camilo, Alex Ross, Caetano Veloso e Chico Buarque, de livros que deram filmes, de filmes que deram livros. E terminámos com «A Saga das Mãos» e o testemunho de João Carlos Martins, maestro e pianista brasileiro, que foi perdendo a sensibilidade nas mãos, mas que nem por isso deixou de lutar pela sua música, pela sua vida. Terminámos a falar sobre a diferença entre os acasos que se cruzam connosco. E de como, com os livros e com a vida, não podemos ficar simplesmente à espera que venham ter connosco. Num tempo de oportunidades e de tantos meios à disposição, temos de ir à procura. Também de nós mesmos.
19 de Março de 2012 – Quero concorrer a dirigente
Encontrar o nome de Miguel Relvas na mesma linha de uma boa notícia, é coisa rara. Por isso, há que festejar. Lê-se, hoje, por aí, que o Governo quer, a partir de Dezembro de 2013, recrutar os dirigentes da Administração Pública por concurso, em vez da habitual nomeação. A ideia, segundo o «super-Ministro», é fazer com que a Administração Pública possa funcionar de forma independente do funcionamento (político) do Governo, sobrevivendo, assim, às nomeações. Ditas assim as coisas, de forma tão simples e directa, apetece mesmo começar a preparar as coisas para concorrer. Pela qualidade da maioria dos dirigentes que conhecemos, pode ser uma excelente oportunidade. Porque é só disso que, às vezes, é preciso. Uma oportunidade. O resto, com trabalho, consegue-se. E era tão bom ser dirigente. Vou começar a pensar nisso.
18 de Março de 2012 – Orfeão de Arouca no Estoril

Foto: José Cerca
A convite do Coro ESSA (Escola Salesiana de Santo António), do Estoril, o Orfeão de Arouca deslocou-se hoje àquela instituição, para um concerto, integrado no ciclo de música sacra «Tesouros dos Sons». Pela primeira vez, apresentámos o «Stabat Mater», de Josef Rheinberger, com o fantástico acompanhamento do professor Nicolas Roger, ao órgão. Viveram-se belos momentos musicais, num espaço muito agradável, depois de termos sido lindamente recebidos pelo coro anfitrião. Foi um privilégio fazermos música num sítio como este, com gente como esta, para um público como este. Obrigado ao Coro ESSA, e até breve, esperamos.
17 de Março de 2012 – A música que não me sai da cabeça
Mozart escreveu um dia, numa carta, que a música lhe surgia, muitas vezes, em verdadeiras torrentes, na cabeça. Não conseguia influenciá-la, nem controlá-la. As ideias de que gostava, guardava, ampliava, iluminava, dava vida. Encontrava a música. Fazia-a. Moldava-a. Tornava-a obra-prima. A música não me sai da cabeça, especialmente quando tenho de a fazer. Vou relembrando fragmentos de partituras. Melodias. Sensações. A música tem destas coisas. Porque é a arte suprema. Não consigo ser um génio como Mozart. Mas consigo deixar-me surpreender pela música. E isso basta.
16 de Março de 2012 – Comunicar o Turismo, assim não
Hoje fomos ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa, com o fito de participar no que prometia ser uma conferência muito interessante sobre como comunicar turismo. Sucede que as coisas começaram logo mal. A acreditação funcionou atabalhoadamente, mas pronto. Ainda estava a começar. Mas, depois, as coisas continuaram a seguir a lei de Murphy. O primeiro painel não apareceu, e, em desespero de causa, a organização virou-se para o público, tentando lançar um debate de uma forma absolutamente caótica. Salvou o dia a participação do presidente da Região de Turismo do Centro, Pedro Machado, que deu uma verdadeira aula de Turismo, estratégia, proactividade e qualidade de trabalho. O resto foi uma passagem por lugares-comuns. Mais, uma aula sobre como não fazer. Foi pena, porque podia ter sido melhor. Mas valeu a tentativa. E a(s) companhia(s). E os pastéis de Belém.
15 de Março de 2012 – Escrevo pouco
Escrevo pouco. Mal. Menos do que gostaria. Escrevo o que sai, e sai pouco. Talvez esteja a ficar com a síndrome da folha em branco. Talvez esteja a deixar-me escravizar pelo tempo e a sucumbir à velocidade dos dias. Não sei. Sei que escrevo pouco. Invejo quem escreve livros. Por escrever muito. Quero escrever muito. E bem. Mais do que o que escrevo. Alinhar a musicalidade das palavras. Escrever uma sinfonia. À mão. Desenhando cada letra, como cada som. Mas escrevo pouco. Mal. Menos do que gostaria. Escrevo o que sai, e sai pouco. A curva do tempo vai apertando, apertando, e não consigo dobrá-la. À espera da linha em branco. Recta. Vazia. Perfeita. À espera das palavras.