Depois de um dia carregado de palavras (escritas, ditas, usadas, alteradas, ouvidas), a única coisa que me apetecia era chegar a casa, acender a luz, e ter um imenso palco com a Anna Netrebko a cantar só para mim. Antes, estes pequenos milagres só poderiam acontecer se eu tivesse um DVD, ou suporte semelhante, que colocaria interminavelmente a funcionar, até adormecer. Agora, há uma alternativa interessante: o Classical TV. Trata-se de um «canal de televisão pela internet», que funcionará (pelo menos parcialmente) em regime de «pay-per-view» (pagar para ver), mas que está ainda em fase de experiências. O objectivo é ter disponíveis bailados, óperas, peças de teatro, concertos, etc. Estão já asseguradas as colaborações do «Bolshoi» e do «Marinsky», da «Oper Zürich», da «Paris Opéra» e da «Metropolitan Opera» de Nova Iorque.
Neste momento é possível ver, sem custos, «La Bohème», de Puccini, pela English National Opera. É uma óptima solução para varrer da mente todas as palavras de um dia. Pena que esta versão é em inglês, retirando algum do brilho que o «bel canto» italiano confere à ópera, que, quando não tem esse sabor a Mediterrâneo, não nos satisfaz totalmente. Valha-nos a recompensa de podermos também ver um documentário do «backstage» e de podermos ficar a saber mais sobre esta ópera e o seu compositor. Um «site» a ter em conta.
Já agora, para se perceber o porquê da referência a Anna Netrebko, para além da magnífica voz, fica o «site» pessoal da cantora.
Do Livro do Levítico (Lev 13,1-2.44-46)
Estou a pensar seriamente em propor a oficialização de uma «contra-corrente» ao dia dos namorados: o dia dos «sem namorada». O objectivo é, por um lado, manifestar uma enorme inveja pelos que, neste dia, podem passear as suas belíssimas namoradas, devidamente apetrechadas e altamente apresentáveis, fazendo inveja aos amigos e inimigos; e, por outro, repudiar veementemente os que passam os restantes 364 dias do ano sem «passar cartão» à sua cara-metade, guardando todo o amor para o dia em que, efectivamente e com propriedade, têm de ser namorados. O manifesto incluirá, ainda, uma forte reprovação aos que são casados e, por esse facto, deixaram de namorar.
Hoje, supostamente, é dia de azar. Pelo andar da coisa, não deve, portanto, ser um dia muito diferente dos outros. Pelo menos para mim. Da forma que as coisas têm andado, quase toda a gente pode dizer que mais azar do que o que tem tido será praticamente impossível. Em 2009, contas feitas, vamos ter mais duas sextas-feiras 13: uma em Março e outra em Novembro. É dose.
Perturbou-me a ideia de se voltar a trazer ao debate a eutanásia. E perturbou-me, porque parece que há outros problemas que merecem prioridade. Talvez a eutanásia seja importante depois de se resolverem os cerca de 20 mil casos de violência doméstica, depois de se resolverem as dificuldades que imensas famílias têm em conseguir o que comer no dia seguinte, depois de se resolverem as dificuldades que muitos portugueses têm em encontrar trabalho digno com salário digno. Aí sim, talvez possamos falar sobre eutanásia com outra propriedade.
Um estudo recente conclui que, enquanto lemos, não estamos a desenvolver uma actividade que, à partida, poderia parecer monótona e passiva. O que este estudo nos diz, é que, enquanto lemos, o nosso cérebro está a criar uma imagem de cada novo quadro que nos está a surgir. Cada estímulo aos sentidos, cada sugestão de movimento, som ou sabor estimula precisamente as mesmas partes do cérebro que são estimuladas quando verdadeiramente o fazemos.


Job é o exemplo de como se pode passar do 80 ao 8. De como é fácil, num sopro, perdermos tudo, perdermo-nos, ser-nos tirado o que nos foi dado. De como às vezes parece que Deus se esquece do mundo. Job personifica a dificuldade que temos em lidar com o que de mau nos aparece. De como nos é fácil dizer que quando alcançamos o bem, o alcançamos sozinhos, e de como quando o perdemos, pensamos que o perdemos por causa de Deus. A paciência, por outro lado, é o saber esperar pelo que de bom há-de vir. O saber que o mal não é eterno, mas parte do processo. Job passou do 80 ao 8 e ao 80 novamente. É por isso que dizemos que é preciso «ter paciência de Job». Porque, mais tarde ou mais cedo, algo de bom acontece. Porque não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Porque «a vida não passa de um sopro».