Nos últimos dias, tenho desenvolvido uma crescente saudade do meu rádio. Há cerca de cinco anos que tenho, progressivamente, deixado de ver televisão, tendo, desde então, sido o rádio o meu principal meio de informação. Contudo, há quase quinze dias que tenho estado privado dessa saborosa audição, das notícias, das entrevistas, dos programas informativos, daqueles exercícios engraçados de tentarmos descobrir como será o rosto daquelas vozes acolhedoras, daquelas peripécias do género do «Radio Days», de Woody Allen, em que era a Rádio que comandava os momentos de ócio familiar. Entretanto, há a leitura, há a internet, há «A Minha Agenda». Mas nada substitui a magia do rádio.
20 de Julho de 2009 – Man on the moon
Há 40 anos, foi proferida a célebre frase «One small step for man, a giant step for mankind». O homem tinha chegado à Lua. Uns afirmam ser verdade, outros desenvolveram uma teoria da conspiração que se tratou de um embuste na guerra dos «media» durante a Guerra Fria. O que é certo é que a Lua sempre desenvolveu nos homens um certo mistério, um certo magnetismo. As colheitas, a fertilidade feminina, os ciclos menstruais, as marés, a fertilidade dos solos são associados às fases da Lua. A Lua dos «aluados» e dos «lunáticos». À semelhança do «acaso» da vida na Terra, a Lua foi também um «acaso», na nossa órbita. E continua a irradiar luz e a desenvolver o seu mistério e os seus encantos. Daqui a algumas décadas, talvez estejamos a celebrar a chegada do homem a Marte ou a ouro local qualquer, ou tranquilamente a fazer turismo na Lua, ou algures no Universo. Mas apesar de tudo, de todo o conhecimento que possamos ter acerca da Lua, esta magia, este magnetismo, não vamos conseguir quebrar.
19 de Julho de 2009 – As promessas de Sócrates
O actual Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do Partido Socialista, cujas funções, nos tempos que correm, se vão confundindo (o que é normal, não estivessem as eleições próximas), voltou a centrar o debate político onde ele menos interessa: no campo das promessas. O discurso político é fértil nestas coisas, e, mas tarde ou mais cedo, resvala para aqui. Apesar de se tratarem, efectivamente, das tradicionais promessas, os líderes apressam-se em mudar-lhe o nome, e passam a chamar-lhe propostas. Sócrates afirmou categoricamente que o dever de um líder político era fazer propostas e apresentar programa. O mesmo Sócrates que prometeu 150 mil postos de trabalho. O mesmo Sócrates que prometeu a retoma económica, mesmo sabendo que não dependeria só dele, nem tão pouco só do país. É certo que nem só de promessas não cumpridas vive a política, mas, feitas as contas, no que diz respeito à vida de todos os dias, as que ficam por cumprir, mesmo que sejam menos, afectam-nos muito mais do que as cumpridas. Assim sendo, o ideal seria acabarmos com estas conversas de surdos, para irmos ao que realmente interessa. Ainda só temos um terço da campanha eleitoral deste ano decorrida e já estamos fartos…
«O dever de um líder político é fazer propostas e apresentar o seu programa, e não esconder as propostas».
18 de Julho de 2009 – Concerto final do Curso Internacional de Arte Orquestral
Depois de uma semana de intenso trabalho e aprendizagem, hoje decorreu o concerto final do Curso Internacional de Arte Orquestral, ministrado pelo grande maestro Ernst Schelle. «Egmont», de Beethoven; «Concerto para Violino e Orquestra», de Tchsikovsky; Abertura de «Forza del Destino», de Verdi; «Sinfonia em 3 movimentos», de Stravinsky; «Espagna», de Chabrier; e «Rapsódia Húngara n.º 2», de Liszt, foram as obras executadas pela Orquestra Filarmonia das Beiras, sob a direcção dos alunos e do maestro Schelle, com a prestação fantástica do violinista Daniel Bolito. Como corolário de uma semana intensa de aprendizagem, ainda me calhou a «sorte grande» de ser percussionista em algumas obras. Foi bom…
16 e 17 de Julho de 2009 – Prossegue a mais recente aventura na música
Entramos agora na recta final do Curso Internacional de Arte Orquestral. Apesar de uma participação ainda pouco activa, a aprendizagem tem sido muita, bem como a percepção cada vez mais clara de que estamos, de facto, longe de muita coisa. De qualquer forma, o esforço é compensado, nem que seja, por enquanto, aprendendo com os erros dos outros. Ao mesmo tempo, reforçam-se amizades, num meio em que, frequentemente, as rivalidades, críticas gratuitas e maledicências são constantes. Esperemos que, com actividades como esta, estejamos a construir um meio musical diferente, onde a alegria, a qualidade, o fazer com, que a música pede, possam sobrepor-se a outro tipo de coisas que não fazem parte desta partitura.
15 de Julho de 2009 – Música na Universidade de Verão
Uma das características interessantes do projecto da «Universidade de Verão» da Universidade do Porto, que, por estes dias, decorre em Arouca, é o proporcionar um contacto directo com aquilo que se está a aprender. Um dos módulos que está a decorrer em Arouca chama-se «Arte nos Caminhos de Cister em Portugal», sob a coordenação do Prof. Manuel Joaquim Moreira da Rocha. É claro que uma temática destas não podia estar, de modo algum, «divorciada» do nosso Mosteiro, da sua riqueza, das suas vivências, da sua história e das suas histórias. Mas também da cultura e da arte que sempre apoiou e fomentou por estas paragens. Desta forma, fui convidado a participar, modestamente, com um pequeno concerto de órgão, onde se procurou mostrar não só a evolução estilística musical entre os séculos XVI e XVIII, mas também as diferentes sonoridades do instrumento, para além da sua beleza formal. Hoje, o dia destes estudantes foi dedicado às sensações. Primeiro com alguma música, depois com a fabulosa doçaria conventual. A tarde não podia terminar da melhor forma.
14 de Julho de 2009 – Curso de Direcção de Orquestra com Ernst Schelle
A posição de maestro, ao contrário do que possa parecer, tem, para além do imensamente gratificante que é conseguir-se fazer música com outros e ter, ainda por cima, o privilégio de ser o primeiro a saber como vai resultar; mas, dizia eu, é uma posição extremamente complexa. Não basta abrir os braços, e deixar os músicos darem o melhor (ou o pior) de si. Acima de tudo, passa pelo estudo da partitura, pela busca de um carácter, de uma mensagem, de sentimentos a transmitir. E depois, pela comunicação que se faz com os músicos. Uma comunicação sobretudo de emoções e de expressividades, mais do que muitas palavras que possamos usar. A música tem essa característica, que é o não precisar de grandes explicações para se fazer sentir, para transmitir, para comunicar. É o que temos aprendido nestes dias, isto e muito mais, da melhor forma possível, que é com quem realmente sabe do que fala, e que o diz da forma mais simples, e, muito frequentemente, mais bela que podemos imaginar.
13 de Julho de 2009 – «Verão Total» em Arouca
Foram quase seis horas de emissão, que puseram Arouca nas ondas hertzianas da RTP, através do programa «Verão Total». A partir da Praça Brandão de Vasconcelos, as paisagens, as actividades e instituições, a gastronomia e doçaria, as gentes e tradições de Arouca foram dadas a conhecer a todo o mundo. Para a memória, ficam alguns dos retratos do dia.
12 de Julho de 2009 – Música para a Confraria da Água
Sendo Arouca uma terra por onde os rios ainda vão correndo límpidos, fazia sentido haver uma actividade como esta (o Capítulo da Confraria da Água), que trouxe a Arouca muita gente importante e amante destas «andanças» das confrarias. No meio de todo o cerimonial, houve tempo para alguns acordes no órgão de tubos do Mosteiro. A música, por vezes, tão ou mais límpida que a água, pelo que fico com a esperança de ter conseguido um mínimo de «limpidez» nos acordes que fiz soar esta manhã.
11 de Julho de 2009 – Pacheco Pereira e o funcionamento dos partidos
Hoje começo o meu primeiro curso de direcção de orquestra, embora apenas como «estudante», com o eminente maestro Ernst Schelle, em Aveiro. Fruto das mudanças recentes, por causa das obras lá em casa, e para estar em «perfeita forma» para o arranque de mais esta aventura, levantei-me cedo e resolvi ler o jornal. Sorte das sortes, ou azar dos azares, cruzei-me com o artigo semanal de Pacheco Pereira, no «Público». Confesso que já não o fazia há algum tempo, mas achei que valeu a pena. Começando a «história» pelo fim, Pacheco Pereira começa por lançar a questão acerca da responsabilidade «partidária» pelos crimes que os seus dirigentes terão cometido. E mais ou menos a meio, há dois parágrafos, quanto a mim, cruciais, e que não resisto a partilhar, para reflexão acerca da razão pela qual a política deixou de ser interessante e até mesmo verdadeira, muito fruto do que os seus protagonistas vão fazendo com ela, ou à custa dela. Entretanto, vou continuar a aprender a dirigir uma orquestra…
«No actual estado de degradação das estruturas partidárias, em que a militância desinteressada e a adesão político-ideológica é quase irrelevante em relação à carreira aparelhística, os partidos no seu interior são verdadeiras escolas de tráfico de influências, de práticas pouco democráticas, como os sindicatos de voto, de caciquismo, de fraudes eleitorais, de corrupção. É duro de se dizer, mas é verdade e nessa verdade paga o justo pelo pecador.
Um jovem que chegue hoje a um partido político por via das “jotas” entra numa secção e encontra imediatamente um mundo de conflitos internos em que as partes o vão tentar arregimentar. Ele pode esperar vir para fazer política, mas vai imediatamente para um contínuo e duro confronto entre uma ou outra lista para delegados a um congresso, para a presidência de uma secção, para uma assembleia distrital, em que os que lá estão coleccionaram uma soma de ódios. Ele entra para um mundo de confrontação pelos lugares, que se torna imediatamente obsessivo. Não se fala doutra coisa, não se faz outra coisa do que procurar “protagonismo” e “espaço político”».














