10 de Julho de 2009 – «Tempestade perfeita»

george-clooneyJosé Sócrates definiu o seu período de governação como uma «Tempestade Perfeita», no que os especialistas e «opinion makers» convergiram tratar-se de uma clara alusão ao filme homónimo, protagonizado por George Clooney. Raciocinando um pouco, ainda que, eventualmente, com dificuldade e risco de erro, o que Sócrates fez foi, no fundo, «colar» a sua imagem à de Clooney, aquele que todas as mulheres adoram, pelo seu charme de experiência feito. Sucede que Francisco Louçã levantou uma questão pertinente, de seguida. No filme «Tempestade Perfeita», o navio de George Clooney afunda-se e não sobrevive ninguém. É sempre interessante quando a discussão política parte para a metáfora cultural, como o famoso «Concerto para Violino de Chopin», ou, agora, esta «Tempestade Perfeita» cinéfila. Na busca de uma bonança para este «tempo alteroso», aconselha-se a audição do mais recente trabalho de estúdio de Rodrigo Leão, «A Mãe». Normalmente, nestas alturas de «tempestade», fica sempre a vontade de se voltar para a barriga da mãe. Pois bem, esta é uma boa forma de tentar (e, quem sabe, conseguir) fazer essa viagem ao contrário. Até que a «tempestade» passe…

9 de Julho de 2009 – Cansaço…

cansacoHá coisas que, por mais que tentemos explicar, são difíceis de dizer. Coisas em que pensamos abstractamente, coisas que sentimos. Uma dessas coisas é, precisamente, o cansaço. Há alguns dias que o sinto, e que o tento explicar, inclusive a mim próprio, mas não consigo. Consigo definir que estou cansado, mas não em que medida, em que aspecto, em que grau. O nosso espírito latino faz-nos sempre sentir saudades do «dolce fare niente». Sinceramente, nunca pensei muito nisso, mas parece que a malta, de vez em quando, precisa de férias. Cheguei a essa conclusão recentemente, quando me perguntaram por elas e eu não sabia onde as tinha guardado. Numa das últimas viagens pela internet, encontrei uma frase que talvez me ajude a explicar este cansaço inexplicável. Li, portanto, algures, que «o cansaço não é o nosso corpo a atacar-nos. É o nosso corpo a dizer-nos que algo tem que mudar». Pois muito bem, metade do trabalho está feito, que é o diagnóstico. Falta agora a resposta ao problema.

8 de Julho de 2009 – Já lá vão 180 «posts»

180Os dias têm sido acelerados, como resposta a alguma calmaria que se vinha instalando aos poucos. Há várias coisas para fazer, algumas que correm melhor, outras pior, e nem sempre «A Minha Agenda» tem sido prioridade. À parte de tudo isso, o texto anterior foi o 180.º. O que significa 180 dias de actividade ininterrupta. Aos 143 comentários, 7.256 visitantes desde Janeiro e todos os que foram passando sem se fazerem ouvir, os agradecimentos da praxe e a promessa de continuar a tentar agradar-vos na leitura, para que voltem mais vezes.

7 de Julho de 2009 – Um festival de música de rua

fernando-alves-tsfNa edição de ontem dos seus «Sinais», na TSF, Fernando Alves deixou a ideia ao próximo presidente da Câmara de Lisboa: a organização de um Festival de Música de Rua. De facto, a exemplo do que o cronista relata, o ser-se «lançado» à rua obriga a outro engenho e arte, como o provam «El Pibe», que, como Fernando Alves diz, recusou uma música a Salvador Dalí, ou até mesmo Jorge Palma, por exemplo. A crónica fez-me reflectir sobre a necessidade de se voltar a trazer, de facto, a arte para a rua. Para que, assim, possamos voltar a trazer as pessoas para a rua. Para que possa voltar a haver interacção, e contacto, e convívio entre as pessoas. Para que possamos voltar a ser comunidade. Seria possível plagiar a ideia, e criar uma extensão deste festival em Arouca?

6 de Julho de 2009 – Uma questão de nome

nomeSegundo noticia o jornal «Público», os nomes mais «exóticos» estão, cada vez mais, em desuso. Têm diminuido as «Cátias» e as «Vanessas», e têm aumentado as «Marias», por exemplo. Pelo que nota o Instituto de Registos e Notariado, nos rapazes destacam-se «João», «Rodrigo», «Martim», «Diogo», «Tomás» e «Afonso»; nas meninas, «Maria» (cada vez mais usado sem nenhum complemento ou «segundo nome»), «Beatriz», «Ana», «Leonor», «Mariana» e «Matilde». Longe vão os tempos, portanto, em que ter um nome «exótico» era quase «chique», ou então fruto de uma vida passada no estrangeiro, ou, ainda, de uma vinda para Portugal, oriundo de outras paragens, para aqui fazer nova vida.

Segundo se pode ler também no texto do «Público», a famosa recusa dos serviços de Registo Civil em aceitar determinados nomes pode ser refutada, e, muitas vezes, com sucesso. Apesar de existir uma lista, mais ou menos elaborada, do que deve e do que não deve ser admitido, há formas de refutar essa possível recusa. Há especialistas a quem se pode recorrer que podem avaliar a admissibilidade de um nome, analisando-o do ponto de vista da cultura, da sociologia, do grafismo e da morfologia, custando este serviço apenas 50 euros.

Ainda segundo o «Público», a lista de nomes mais comuns em 2008 deverá ser mais ou menos esta, tendo como base um universo de 105 mil nascidos:

Menina
Maria (4497)
Beatriz (2897)
Ana (2897)
Leonor (2374)
Mariana (2374)
Matilde (2131)

Menino
João (3189)
Rodrigo (3074)
Martim (2443)
Diogo (2128)
Tiago (2088)
Tomás (2043)

4 e 5 de Julho de 2009 – «Arouca, uma Recriação Histórica»

As monjas preparam-se para o jantar, acompanhado pela leitora-mor, e convidam-nos a participar. Mais tarde, vivem-se momentos de pânico, a que só a intervenção divina de Santa Mafalda porá fim. O Mosteiro, o coração de Arouca, está em chamas, e é preciso salvar este tesouro. É aqui que se abre a porta do tempo, para uma viagem ao passado. Junto ao Mosteiro de Arouca, camponeses e artesãos convidam-nos a apreciar o cheiro, a cor e o sabor da fruta e da doçaria conventual. Há sons de um povo que trabalha. Ferreiros, sapateiros e carpinteiros mostram as suas peças. Passam nobres, de carruagem puxada a cavalo, para visitarem familiares no Mosteiro, deixando a esmola aos mendigos. No interior do Mosteiro, as freiras tecem um silêncio devoto, por entre orações, cânticos e trabalhos, e recebem os «filhos da roda». Cerca de 200 figurantes, oriundos de 20 associações do concelho, dão vida a este regresso ao passado, com direcção artística da Panmixia. Uma boa ocasião para se fazer parte da história de Arouca.

3 de Julho de 2009 – «Fahrenheit 451» à portuguesa

fahrenheit-451Em 1966, François Truffaut transpôs para o cinema o livro «Fahrenheit 451», de Ray Bradbury, uma história em que todos os meios de conhecimento (isto é, os livros) são completamente eliminados, para que não reste qualquer opinião própria, qualquer rasto de cultura, qualquer memória futura. Os 451 graus Fahrenheit serão a temperatura a que os livros podem arder «como deve ser», dizia um professor de outros tempos. Agora, nós, por cá, estamos prestes a ter uma situação parecida. Segundo parece, a Imprensa Nacional Casa da Moeda poderá ter de destruir várias centenas de milhares (sublinhe-se: várias centenas de milhares) de livros, editados de há alguns anos a esta parte. Se os autores não os adquirirem ou não for encontrada uma forma de «escoar» este espólio, a destruição será o destino mais certo. Ao que tudo indica, estão a ser feitos esforços no sentido de encontrar instituições ou bibliotecas a quem se possa doar parte deste excedente, mas esta solução acaba por criar outro problema: os livros tinham (e têm) como objectivo a venda, pelo que a doação não pode constituir uma regra. Pela parte que me toca, estou disponível para receber alguns, se sobrarem…

2 de Julho (add) – «Pino is back»!

pinoJá tínhamos saudades das fabulosas intervenções de Manuel Pinho, do seu estilo absolutamente único e irrepetível. Pois bem, ele está de volta. «He’s back!» No debate parlamentar de hoje, reservou um momento para uma «performance» original, em resposta ao deputado Bernardino Soares, do PCP, o que levou os vários grupos parlamentares a pronunciarem-se sobre o incidente, lastimando-o, como é óbvio. O Primeiro-Ministro viu-se obrigado a pedir desculpa pelo indesculpável, e o presidente da Assembleia da República sublinhou que o que aconteceu foi lastimável e não devia ter ocorrido. E pensar que temos gente como esta a governar-nos… Temos, não. Tínhamos. Porque enquanto estas linhas vão sendo escritas, foi confirmada a demissão do Ministro (agora ex-Ministro). Era o mínimo que podia acontecer…

2 de Julho de 2009 – Lino, «jamé»!

linoHá algum tempo, a dupla «Pino/Lino» ficou famosa pelas «gaffes» e por um certo «pandeguismo» na forma como foram conduzindo os seus respectivos ministérios. Com o aproximar do final da legislatura, depois das desgraças da «Qimonda», da «Autoeuropa», da «Peugeot/Citroën» e outras, «Pino» eclipsou-se. Lino tentou a mesma estratégia, mas é mais difícil. Como diria Manuela Ferreira Leite, começa a ser «gato escondido com o corpo todo de fora». Por cá, também temos razões de queixa. Depois de várias promessas, verificamos, agora, que quase de certeza serão adiadas. Só que o argumento invocado não colhe validade. Mal corria se um governo se deixasse conduzir pela crítica às obras públicas por parte da oposição. Os governos são eleitos para representarem os cidadãos, para pugnarem pelo seu bem-estar, pelos seus recursos, pela coesão do território. Não para faltarem ao prometido, como parece que está a acontecer em relação à Área Metropolitana do Porto. Foi escrito em vários documentos que a via estruturante Arouca/Feira era uma prioridade, e que o «QREN» atenderia a tal facto. Houve, inclusive, intervenções públicas sobre o assunto, aquando da visita do Secretário de Estado Paulo Campos e de técnicos do instituto Estradas de Portugal a Arouca. Bastava ao governo cumprir o prometido. Agora, em verdadeiro frenesim eleitoral, quando toda a gente anda preocupada quase exclusivamente com isso, parece ser tarde. As declarações de António Costa, ex-ministro deste governo, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e «insuspeito apoiante», esclarecem-nos quanto à natureza do problema. E o problema é o Ministro das Obras Públicas, o tal do «jamé». Por isso, o grande objectivo do momento deverá ser «Lino: “jamé”»!

«Articular  internamente  a  AMP  na  sua  rede  de  estradas  em  pontos críticos,  promovendo  a  coesão  territorial  e  garantindo  uma  acessibilidade interna mais  homogénea,  aos  centros e  aos espaços  de  protecção  ambiental, nomeadamente concretizando a  ligação de Arouca ao nó da Feira, das variantes às  EN14  e  EN104  na  Trofa e  Santo  Tirso,  IC29 e  suas  ligações em Gondomar, construção  da A32  S.  João  da   Madeira-Feira-Carvalhos,  ER327- Ovar  (IC1)-S. João da Madeira (IC2) e o plano integrado de acessibilidades de Vila do Conde e Póvoa de Varzim».

Quadro de referência estratégica nacional 2007-2013; Área Metropolitana do Porto: Prioridades de Desenvolvimento

«Eu creio que sou insuspeito de não ser apoiante do actual Govero, e, como disse, no melhor pano cai a nódoa. Infelizmente, com o Ministério das Obras Públicas, as nódoas têm se repetido, em matéria de incumprimento de compromissos».

António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em declarações à TSF

1 de Julho de 2009 – Os 30 anos do «Walkman»

walkmanNuma altura em que sobem de tom as tricas políticas, em que, na maioria das vezes, o diálogo é de surdos, e apenas vai aumentando de volume, sem qualquer sentido, a solução é capaz de ser colocar os auriculares e carregar no «play» do «walkman». Hoje, talvez seja praticamente impossível fazê-lo, porque há os leitores de mp3, e até mesmo os telemóveis (a «Nokia» tem já várias soluções dessas) permitem uma utilização similar. O «walkman» foi o primeiro aparelho móvel de música minimamente «confortável» (substituindo os enormes rádios a pilhas, famosos entre os «breack-dancers»). Era barato, prático e foi uma espécie de «golpe de génio» publicitário da «Sony». No fim do primeiro mês de vendas, os resultados estavam muito aquém do esperado (só 3000 unidades vendidas), ao que a «Sony» respondeu com uma acção de «marketing» poderosa, oferecendo aparelhos a pessoas famosas e incentivando os funcionários das lojas a usarem-no e a aconselharem-no. Os funcionários da «Sony» andavam pelas ruas com «walkmen». As vendas multiplicaram-se dez vezes. Depois disso, vieram o «discman», e o «minidisc», que nunca foi um sucesso confirmado. Agora há os «iPod» e tecnologias semelhantes.

Uma das vantagens do «walkman» no meio desta «barulheira» é que podemos sempre colocar o outro lado da cassete…