12 de Julho de 2011 – Trava línguas

http://vimeo.com/25858682

Tiago Pereira é cineasta, e tem-se dedicado a viajar pelo país, à procura de tesouros «imateriais», que valha a pena arquivar, para memória futura. Mas com uma ressalva. Este material pode, e deve, na sua óptica, ser usado. Reutilizado. Reinventado. Tiago Pereira quer pôr a música portuguesa a gostar dela própria, porque a música popular não é mais do que a celebração da vida, no fim de um dia de trabalho. E canta-se, dança-se, celebra-se como em mais nenhum lado. Tradição, património, o que lhe queiramos chamar. Não podemos é deixar que morra. Como estes «trava línguas», que, se não fossem ditos por estas senhoras, talvez não tivessem o mesmo encanto. Assim, vão ganhar (nova) vida. E ainda bem.

11 de Julho de 2011 – Lotaria para reduzir carros mal estacionados


O autor da ideia chama-se Henrique Sanchez, estudante, e o que se pretende é reduzir o número de carros mal estacionados. Para motivar os condutores a não prevaricarem, haveria uma espécie de lotaria, com o objectivo de premiar quem estaciona correctamente, sendo que os prémios seriam pagos com o dinheiro das multas. Independentemente da praticabilidade ou não da ideia, ela não deixa de ser estimulante. Sobretudo para quem já cumpre.

10 de Julho de 2011 – O pasquim

Um pasquim. Uma exposição pública, anónima, aparentemente artesanal, quase difamatória. O método é antigo, mas parece continuar a funcionar. À medida que as caixas do correio e as frinchas das portas foram recebendo as fotocópias A4 com as «denúncias», o burburinho foi-se espalhando, até chegar às conversas de quase toda a gente. Começa por apontar o dedo à Câmara Municipal, e depois passa por algumas instituições e pessoas, prometendo continuar, no próximo número, com associações e juntas de freguesia. É uma forma de denúncia, como outra qualquer. Talvez sem outra consequência mais do que o falar-se disso, porque o anonimato e a superficialidade das acusações impedem algo mais. Há quem diga que o importante é que se fale, mesmo que seja mal. A ser assim, esperamos pelo segundo número.

9 de Julho de 2011 – O órgão está bem vivo

O Prof. Nicolas Roger é o principal responsável pela «ressurreição» do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca. Apaixonou-se à primeira vista pelo seu «bebé», e, num verdadeiro acto de amor, preservou-o e lutou como pôde para que lhe dessem a vida que merecia. Hoje, o órgão vive, e vive bem. Prova evidente disso, foi o concerto de hoje, com algumas pérolas da música ibérica, pensada para órgãos com estas características. Aqui, essa música ganha nova dimensão, porque este instrumento não é um instrumento qualquer. É um instrumento imponente, pela beleza da sua construção e pela suave força dos seus sons. E encontrou as mãos certas para o manusearem. O Prof. Roger demonstrou, hoje, mais uma vez, e sem ser necessário, que o seu «bebé» está mais vivo do que nunca. Porque se revê também na figura paterna de alguém cujo coração é imenso.

8 de Julho de 2011 – «Something Borrowed»


É uma comédia simples, mas que nos mostra que, de forma simples e leve, pode pensar-se nas coisas mais facilmente, quase sem se pensar. É um pouco o que se consegue ao ver «Something borrowed» (na tradução portuguesa, «Empresta-me o teu namorado»). Porque às vezes não se diz ou não se faz o que se quer (ou o que se deve) no tempo certo, e se deixa passar a oportunidade. E o tempo passa. Mas o passar do tempo não nos impede de, a qualquer momento, refazer as coisas, de modo a levá-las ao rumo certo. Mesmo que possa parecer tarde demais. Mas mais do que reflectir muito, vale a pena ver. Descontraidamente.

7 de Julho de 2011 – Chaplin em viagem pela Europa

Há muito mais sobre Charlie Chaplin que um chapéu de coco, um pequeno bigode, bengala e sapatos grandes, pantominas e movimentos rápidos e desastrados ao som do piano. Chaplin era um verdadeiro ídolo das multidões, um «quase herói», venerado e «amassado» pelas massas por todo o lado por onde passava. Neste livro, é quase enternecedora a forma como ficamos a conhecer o homem por trás de Charlot, um homem com as suas idiossincrasias, com os seus medos, com as suas inseguranças, com a sua forma de encarar as relações sociais, com a sua extrema timidez, ao contrário do que pudesse parecer. O livro é quase mágico, quase tão mágico como o cinema parecia ser naqueles tempos. Um verdadeiro diário, em que Chaplin nos conta como, depois de sete anos de trabalho extenuante, pôde, a custo, encontrar o refúgio do anonimato em alguns locais da Europa, continente pelo qual nunca escondeu o seu fascínio. A viagem começa ainda em Los Angeles, e passa por Nova Iorque, Chicago, Londres, Paris e Berlim. Uma outra forma de ver o mundo, pelos olhos de um homem que vale a pena conhecer melhor.

6 de Julho de 2011 – Portugal no lixo

Hoje a «Moody’s» resolveu mandar Portugal para o lixo. Baseada nos seus critérios, certamente rigorosos e nada especulativos. Certamente que sem qualquer tipo de interesse em interferir nos mercados. Até porque não tem qualquer interesse económico em fazê-lo. É irónico que, quando parece que o país tem todas as condições para iniciar o (longo) caminho da recuperação, alguém resolve baralhar e voltar a dar. É frustrante, mas é também um alerta. Um alerta para o facto de, com mais ou menos indignação da nossa parte, e já antes de chegarmos ao «lixo», os problemas estarem aí, para os resolvermos. Há que pôr no lixo o que é do lixo. Porque a indignação tem um tempo. Proporcional ao de arregaçarmos as mangas para sairmos o mais rapidamente possível desta situação, para fazermos a nossa parte na construção desse outro Portugal.

5 de Julho de 2011 – «Papier krieg»

Temos de continuar a sonhar, pelo menos (e sobretudo) enquanto não pagar imposto. Enquanto tivermos capacidade de nos surpreendermos com os nossos próprios sonhos, mais facilidade teremos em concretizá-los. Às vezes, para se ser feliz não é preciso muito. Apenas alguma arte, os recursos suficientes e uma boa dose de imaginação. A partir daí, é só deixar que as coisas aconteçam. De preferência, sem guerras nem competições estéreis. Não vá a coisa ganhar vida própria, e ainda se rebelar contra nós…

4 de Julho de 2011 – Nobre, mas pouco

Fernando Nobre ficará, certamente, para a história mediática nacional como um dos exemplos da pior utilização possível dos «15 minutos de fama». Fernando Nobre, enquanto cabeça de lista, obteve uma larga vitória no distrito de Lisboa, onde o PSD há algum tempo não conseguia ganhar. Tinha, portanto, recebido um amplo e efectivo mandato, por parte dos eleitores, para que os representasse, enquanto personalidade independente, eticamente correcta e exemplo de cidadania. Acontece que, hoje, Fernando Nobre resolveu deitar tudo isso borda fora, descredibilizando quem ainda acreditava que era possível aproximar os independentes e os «cidadãos livres» da política, despartidarizando-a. Com os seus «ziguezagues» e intervenções quase inflamadamente loucas, durante a campanha eleitoral para as presidenciais, e com a sua posterior aproximação ao PSD, o cenário já não parecia animador. Hoje, Fernando demonstrou ser pouco nobre, e acabou por se descredibilizar, ao atirar para o lixo os votos de confiança de pelos menos 398.789 eleitores, que em si confiaram.

3 de Julho de 2011 – Deixar de ser dono da educação

A estreia de Nuno Crato, novo Ministro da Educação, no Parlamento suscitou uma agradável surpresa em quem pôde acompanhar a sua prestação. Com calma, de forma directa, simples e sem grandes truques parlamentares, o novo Ministro anunciou as medidas que quer implementar, e não se deixou enredar pelos truques oratórios. A julgar pelas suas palavras, vai ser preciso, no entanto, muita acção, o que não será, certamente, fácil, a julgar pelo tamanho da «máquina», e pelo facto de, como disse, ser um Ministério que se julga «dono» da Educação. Esperamos, agora a acção. Nuno Crato provou, hoje, que, mesmo em termos retóricos, é possível ser diferente. Para melhor, sem dúvida.

 

«Há muitas coisas que se conseguem fazer com pouco dinheiro, desde que haja determinação e vontade».

«A avaliação não pode ser feita com provas que não se sabe exactamente o que vão avaliar, que mudam o grau de dificuldade de um ano para o outro e que não se centram no essencial».

«[Há quem defenda que] para facilitar a vida aos filhos dos pobres é preciso diminuir exigência: eu sou exatamente partidário do contrário. [Se não houver o mesmo grau de exigência para todos,] são os filhos dos mais ricos que têm hipóteses alternativas».

«O Ministério da Educação é uma máquina gigantesca que, em muitos aspectos, se sente dona da Educação em Portugal. Eu quero acabar com isso».

(Nuno Crato, Ministro da Educação, no seu primeiro debate no Parlamento)