http://vimeo.com/25858682
Tiago Pereira é cineasta, e tem-se dedicado a viajar pelo país, à procura de tesouros «imateriais», que valha a pena arquivar, para memória futura. Mas com uma ressalva. Este material pode, e deve, na sua óptica, ser usado. Reutilizado. Reinventado. Tiago Pereira quer pôr a música portuguesa a gostar dela própria, porque a música popular não é mais do que a celebração da vida, no fim de um dia de trabalho. E canta-se, dança-se, celebra-se como em mais nenhum lado. Tradição, património, o que lhe queiramos chamar. Não podemos é deixar que morra. Como estes «trava línguas», que, se não fossem ditos por estas senhoras, talvez não tivessem o mesmo encanto. Assim, vão ganhar (nova) vida. E ainda bem.

O Prof. Nicolas Roger é o principal responsável pela «ressurreição» do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca. Apaixonou-se à primeira vista pelo seu «bebé», e, num verdadeiro acto de amor, preservou-o e lutou como pôde para que lhe dessem a vida que merecia. Hoje, o órgão vive, e vive bem. Prova evidente disso, foi o concerto de hoje, com algumas pérolas da música ibérica, pensada para órgãos com estas características. Aqui, essa música ganha nova dimensão, porque este instrumento não é um instrumento qualquer. É um instrumento imponente, pela beleza da sua construção e pela suave força dos seus sons. E encontrou as mãos certas para o manusearem. O Prof. Roger demonstrou, hoje, mais uma vez, e sem ser necessário, que o seu «bebé» está mais vivo do que nunca. Porque se revê também na figura paterna de alguém cujo coração é imenso.
Há muito mais sobre Charlie Chaplin que um chapéu de coco, um pequeno bigode, bengala e sapatos grandes, pantominas e movimentos rápidos e desastrados ao som do piano. Chaplin era um verdadeiro ídolo das multidões, um «quase herói», venerado e «amassado» pelas massas por todo o lado por onde passava. Neste livro, é quase enternecedora a forma como ficamos a conhecer o homem por trás de Charlot, um homem com as suas idiossincrasias, com os seus medos, com as suas inseguranças, com a sua forma de encarar as relações sociais, com a sua extrema timidez, ao contrário do que pudesse parecer. O livro é quase mágico, quase tão mágico como o cinema parecia ser naqueles tempos. Um verdadeiro diário, em que Chaplin nos conta como, depois de sete anos de trabalho extenuante, pôde, a custo, encontrar o refúgio do anonimato em alguns locais da Europa, continente pelo qual nunca escondeu o seu fascínio. A viagem começa ainda em Los Angeles, e passa por Nova Iorque, Chicago, Londres, Paris e Berlim. Uma outra forma de ver o mundo, pelos olhos de um homem que vale a pena conhecer melhor.
Hoje a «Moody’s» resolveu mandar Portugal para o lixo. Baseada nos seus critérios, certamente rigorosos e nada especulativos. Certamente que sem qualquer tipo de interesse em interferir nos mercados. Até porque não tem qualquer interesse económico em fazê-lo. É irónico que, quando parece que o país tem todas as condições para iniciar o (longo) caminho da recuperação, alguém resolve baralhar e voltar a dar. É frustrante, mas é também um alerta. Um alerta para o facto de, com mais ou menos indignação da nossa parte, e já antes de chegarmos ao «lixo», os problemas estarem aí, para os resolvermos. Há que pôr no lixo o que é do lixo. Porque a indignação tem um tempo. Proporcional ao de arregaçarmos as mangas para sairmos o mais rapidamente possível desta situação, para fazermos a nossa parte na construção desse outro Portugal.
Fernando Nobre ficará, certamente, para a história mediática nacional como um dos exemplos da pior utilização possível dos «15 minutos de fama». Fernando Nobre, enquanto cabeça de lista, obteve uma larga vitória no distrito de Lisboa, onde o PSD há algum tempo não conseguia ganhar. Tinha, portanto, recebido um amplo e efectivo mandato, por parte dos eleitores, para que os representasse, enquanto personalidade independente, eticamente correcta e exemplo de cidadania. Acontece que, hoje, Fernando Nobre resolveu deitar tudo isso borda fora, descredibilizando quem ainda acreditava que era possível aproximar os independentes e os «cidadãos livres» da política, despartidarizando-a. Com os seus «ziguezagues» e intervenções quase inflamadamente loucas, durante a campanha eleitoral para as presidenciais, e com a sua posterior aproximação ao PSD, o cenário já não parecia animador. Hoje, Fernando demonstrou ser pouco nobre, e acabou por se descredibilizar, ao atirar para o lixo os votos de confiança de pelos menos 398.789 eleitores, que em si confiaram.
A estreia de Nuno Crato, novo Ministro da Educação, no Parlamento suscitou uma agradável surpresa em quem pôde acompanhar a sua prestação. Com calma, de forma directa, simples e sem grandes truques parlamentares, o novo Ministro anunciou as medidas que quer implementar, e não se deixou enredar pelos truques oratórios. A julgar pelas suas palavras, vai ser preciso, no entanto, muita acção, o que não será, certamente, fácil, a julgar pelo tamanho da «máquina», e pelo facto de, como disse, ser um Ministério que se julga «dono» da Educação. Esperamos, agora a acção. Nuno Crato provou, hoje, que, mesmo em termos retóricos, é possível ser diferente. Para melhor, sem dúvida.