2 de Julho de 2011 – «Pigeon Impossible»

Um pouco de imaginação, alguma criatividade e uma boa dose de tecnologia conseguem produzir coisas destas. Uma curta-metragem de animação, da «Martell Productions», sobre um pombo que se transforma, sem querer, numa espécie de anti-agente secreto dos Estados Unidos. Uma forma jocosa e simples de demonstrar que, talvez de vez em quando, as grandes acções do «gigante do mundo» são fruto do acaso, e são esses acasos, precisamente, que demonstram, na sua «fortaleza», o quão fracos podem ser.

1 de Julho de 2011 – Pessoa escreveu cinema

Soube-se hoje que Fernando Pessoa deixou argumentos cinematográficos escritos, ao que tudo indica para filmes mudos. Seria estranho que poeta que foi vários, que tantas imagens criou a partir das suas letras, palavras, frases, poemas, reflexões, não tivesse pensado em escrever para imagens, quando o cinema começava a ser mais do que uma mera novidade ou um apanhado de actualidades. Ficámos a saber que, em breve, os seus argumentos cinematográficos (seis no total) serão publicados. Mais vale tarde que nunca. Ficou-se também a saber que, apesar da aparente «aversão» à sétima arte, Pessoa tinha mesmo a ideia de fundar uma produtora, a «Ecce Films», para a qual tinha já pensada uma morada e um logótipo, desenhado por si. Vamos ficar a conhecer os textos, e ver que imagens nos sugerem. E quem sabe um dia não veremos Pessoa, quase em pessoa, no grande ecrã.

30 de Junho de 2011 – Entregar os filhos ao Estado

As comissões de protecção de crianças e jovens são, frequentemente, o «salva vidas» de muitas famílias desestruturadas, pondo fim a ambientes de violência, adicções e disfuncionalidades várias. Trabalhando, na maioria dos casos, quase no anonimato, protagonizam, muitas vezes, verdadeiros actos heróicos, devolvendo a muitas crianças e jovens a sua infância e juventude, ainda que apoiados por uma instituição, mas fora de um ambiente familiar que não lhes permitiria uma vida e um desenvolvimento condignos. Mas outra situação bem diferente, e que também se tem vivido recentemente, é a vontade de muitos pais entregarem os filhos a estas comissões, porque não conseguem educá-los. Demitem-se das funções paternais. Não porque não conseguem ter conforto financeiro ou familiar para educar. Mas pura e simplesmente porque não conseguem (ou já não querem) ser pais. «Atira-se» o que não se quer para o Estado, como se o Estado não fôssemos nós também.

29 de Junho de 2011 – As chaves para descodificar Chávez

Hugo Chávez, diz-se, sofre de cancro na próstata, e o seu estado de saúde terá piorado consideravelmente nos últimos tempos, a ponto de ter sido operado ao que chamaram um «abcesso pélvico», em Havana, Cuba, há dias. Mas Chávez, ao contrário do que acontece com a maioria dos Presidentes, não deixou de exercer o poder, mesmo no estrangeiro e mesmo em suposto risco de vida. Envolto em secretismo e em informações muito escassas e nunca comprometedoras, continuou, a partir de Cuba, a exercer, cabalmente, de forma aparente, pelo menos, as suas funções presidenciais. Não delegou em ninguém os seus poderes, não foi dado qualquer prognóstico de retorno a Caracas, não se sabe ao certo do que padece. São estas as questões para as quais era preciso ter chaves, para se poder descodificar o que pretende dizer (ou não) Chávez.

28 de Junho de 2011 – A ténue diferença entre o estar e o não estar mais

Nos dias em que se hesitava entre a vida e a morte de Angélico Vieira, perguntava José Alberto Carvalho a uma neurologista presente em estúdio, para falar sobre o conceito de morte cerebral, se se expressava correctamente quando dizia que a morte cerebral é uma linha ténue entre a morte e a vida. Surpreendentemente, a resposta não podia ser mais clara, concisa e verdadeira. A linha que separa a vida da morte é ténue. A um determinado quilómetro da estrada, ou algo se mete ao caminho, ou o caminho escolhido é outro, ou outra coisa qualquer. E deixa-se de estar, para não se estar mais. É, no fundo, por esta linha contínua, que depois passa a descontínua, e que depois deixa de existir, que nos vamos guiando.

27 de Junho de 2011 – Grécia, política e povo

A Grécia é o berço da política. O primeiro local do mundo em que os cidadãos, considerados como tal, foram chamados a participar activamente na gestão da sua cidade (pólis). Basicamente, o primeiro local em que o povo foi também político. Agora, na era da globalização, a Grécia entra-nos pela casa dentro, pela televisão, mostrando o terrível divórcio entre o povo e a política. Perto da bancarrota, o Governo grego teve de lançar mão de medidas verdadeiramente draconianas, no sentido reorientar o país no sentido da Europa. Curiosamente, em 621 antes de Cristo, foi Drácon quem redigiu o sistema legal ateniense, com base nas leis orais, após um golpe de Estado. Passado todo este tempo, num dos berços da civilização ocidental, nem Drácon conseguiria aplacar a ira do povo contra a política, que os seus antepassados fundaram.

26 de Junho de 2011 – River Plate com descida histórica

O clube argentino conhecido como «La Máquina» ou «El Millionario» acaba de descer à segunda divisão. O «Club Atlético River Plate» já não vai poder protagonizar grandes duelos com o «Bocca Juniors», e desce à «segunda» pela primeira vez, em 110 anos de história. Com 34 títulos de campeão, não chegou sequer a terminar o último jogo, em que estava a conseguir um mero empate, e os jogadores, à boa maneira sul-americana, tiveram de sair do campo escoltados pela polícia. «Belgrano de Córdoba» é o nome do clube que conseguiu esta proeza, e alcança, agora, o escalão principal argentino, apesar do quarto lugar na segunda divisão. Os campeões também são derrotados, e por vezes de forma bem inglória.

25 de Junho de 2011 – XXX Aniversário da ABARCA

O Orfeão de Arouca apresentou hoje, com a Orquestra de Sopros da Banda Musical de Arouca, em Barrô (Águeda), a Missa Brevis de Jacob de Haan. O convite foi-nos lançado, amavelmente, pelo Orfeão de Barrô, por ocasião do 30.º aniversário da ABARCA (Associação Barroense de Recreio, Cultura e Assistência). Foi com grande prazer que nos associámos a este aniversário, bem como à homenagem feita ao Comendador Almeida Roque. Barrô recebeu-nos muitíssimo bem, e nós tentámos, dentro das nossas possibilidades, retribuir com boa música. Um forte abraço de agradecimento e amizade ao meu colega Sérgio Brito, maestro do Orfeão de Barrô, e que ali vem desenvolvendo um trabalho notável. Um abraço, também, de profunda amizade aos meus colegas da Banda Musical de Arouca, sempre disponíveis para estas «aventuras».

24 de Junho de 2011 – Maldita cocaína

É notícia hoje que Portugal é o terceiro país da Europa onde se pode comprar cocaína mais barata. Na Noruega, custa cerca de 150 dólares. Em Portugal, cerca de 60. Torna-se curioso que um produto ilícito seja tão profundamente estudado, e acessível. A Europa hoje quase consegue competir, em termos de produção, com a América, tornando os preços substancialmente mais baixos. Como todas as drogas, começou por ter uma aplicação mais prática e até mesmo medicinal, mas rapidamente levantou problemas, como a dependência, levando a efeitos nefastos nas vidas de quem a consome. E, com preços mais baixos, talvez esse peso negativo aumente.

23 de Junho de 2011 – Face(s) oculta(s)

Há notícias, evidências, sobre as quais não vale a pena dissertar muito, porque elas falam por si. Muito se falou (e não se falou) sobre o processo «Face Oculta», até que alguém investido de autoridade ordenou que se destruísse tudo o que dissesse respeito ao então Primeiro-Ministro. Com razão ou sem ela, foi o que foi decidido, com gente reputada a favor e contra a decisão. Agora, a notícia é que houve partes do processo (em papel) que desapareceram, porque foram literalmente cortadas à tesoura. Curiosamente, as partes que continham transcrições das escutas de José Sócrates. A ordem de destruição veio do Supremo Tribunal de Justiça, e foi cumprida. A próxima palavra, e última, será, tudo indica, do Tribunal Constitucional.