12 de Setembro de 2011 – Back to school

Hoje foi dia de regressar à escola. Um dia em que nos apercebemos de que o tempo vai ficar mais curto, que vai ser necessário ler, tocar, praticar sobre outros temas. A música contemporânea e a importância da improvisação e da utilização de padrões que mais facilmente reconhecemos vão ser, tudo indica, os primeiros temas a abordar e a reflectir, para além dos estudos do contraponto e da orquestração. O desafio é prometedor, e a banda sonora que, de imediato, vem à memória, é «School», dos Supertramp.

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«School» | Supertramp

11 de Setembro de 2011 – Nova Iorque, 9/11

Ele tinha acabado de fazer 21 anos, sem grande tempo para festejos. Saiu já tarde, depois de ter estado a trabalhar num projecto de documentário sobre os cafés do Porto, com dois grandes amigos. Pouco festejou. Dormiu o que pôde, pouco. Acordou já tarde. Voltou ao trabalho, mas já nada era como dantes. Colegas de várias nacionalidades já estavam «colados» ao televisor, enquanto falavam sobre Bin Laden e um suposto ataque terrorista ao World Trade Center. Naquela hora, sentiu que estava a presenciar algo que ia mudar o mundo, mas a vertigem do tempo quase o fez pensar que talvez não fosse assim tão importante. Chegaram mesmo a pensar que talvez aquilo não fosse verdade, que talvez fosse outro golpe à Orson Welles. Mas não. Foi mesmo o dia que mudou o mundo. Com ou sem teorias da conspiração sobre se terá sido a própria américa a auto-flagelar-se, à imagem de um presidente com aspecto esquizofrénico como Bush. A partir daquele dia, nada seria como antes. E ele voltou a lembrar-se disso. Dez anos mais tarde.

10 de Setembro de 2011 – 31

No fundo no fundo, o dia em que nascemos não deixa de ser um dia igual aos outros. O sol nasce, a vida recomeça, tudo se movimenta, há alegrias e surpresas, e depois o ocaso e a noite, até outro dia. Contudo, seja porque há sempre amigos a desejarem-nos felicidades para mais um ano de vida, seja porque um grande amigo se casa, seja porque temos a oportunidade de estarmos com gente de quem gostamos imenso, é sempre um dia diferente. Ora então, há 31 anos nascia esta bela estampa, na sala de operações do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Arouca, local de visita habitual, durante muitos anos, como que para tentar perceber melhor o que é isto de nascer e ficar dentro deste corpo. Este será, portanto, o 31.º ano em que terei oportunidade de continuar a andar por aqui, a descobrir tudo isto melhor. De mão dada, abraçado, lado a lado com todos aqueles que hoje se lembraram (ou mesmo se esqueceram, sem querer).

9 de Setembro de 2011 – Ovelha Choné

A «Ovelha Choné» («Shaun the Sheep»), é uma série de animação em «stop motion», produzida pela britânica Aardman, conhecida, entre outras produções, pela «Fuga das Galinhas» ou «Wallace & Gromit». Cada episódio mostra as peripécias de uma ovelha constantemente metida em trapalhadas, a maioria delas absolutamente hilariantes, das quais sai sempre com jogadas inteligentes, muita criatividade e com a colaboração das suas colegas e do fiel amigo do seu dono. Hoje foi dia de diversão, com as aventuras desta ovelha, absolutamente «choné».

8 de Setembro de 2011 – Festa de Nossa Senhora da Mó

Diz-se que os homens foram construindo eremidas no cimo de alguns montes para aí ficarem mais perto de Deus. Independentemente disso, o que é certo é que, daí, temos sempre belíssimas vistas, e ambientes convidativos à reflexão, mas também ao convívio. O monte de Nossa Senhora da Mó é um desses locais, onde o povo da freguesia de Arouca foi criando a tradição do convívio, mas também da oração, tendo sempre a paisagem dos vales de Arouca e Moldes como fundo, até à Freita. Quem ali parar, em dias limpos, pode ver como o Porto é ali tão perto. Ontem e hoje, o povo organizou-se, de forma mais ou menos informal, levando as suas merendas e orações, para louvar Nossa Senhora da Mó, no dia em que a Igreja celebra o nascimento da Virgem Maria. Apesar de a tradição já ter vivido melhores dias, ainda se consegue sentir o ambiente de festa, a tradicional «bacalhoada», os papagaios de papel. Há quem diga que a tendência é para que estas festas se extingam. Esperemos que não.

7 de Setembro de 2011 – Como chegar a acordo com 13 sindicatos de uma só profissão?

Os professores portugueses têm 13 sindicatos a representá-los. E é com esses 13 sindicatos que o Ministro da Educação está a tentar chegar a acordo em relação ao método de avaliação. Contudo, com a intransigência habitual, será muito difícil chegar a acordo com Mário Nogueira, da FENPROF. Mediaticamente, o sindicalista não pode dar-se ao luxo de aparecer como derrotado, nem que, para isso, tenha de prejudicar os que diz defender. Culpa da comunicação social ou não, o que é facto é que não se conhecem as propostas de Mário Nogueira. Aparentemente, só negoceia com base em propostas que lhe sejam apresentadas, para poder ter o gosto de recusar, e ter direito a mais alguns 15 minutos de fama. Vale a pena? É correcto? É justo?

«Na sexta-feira, espero que o ministério tenha propostas novas. Para caminharmos no sentido de um acordo e para mudarmos aquilo que tem de ser mudado».

(Mário Nogueira, em declarações aos jornalistas)

6 de Setembro de 2011 – Os pinguins

Acabo de ser surpreendido por um documentário, transmitido pela RTP2, sobre pinguins. Não sei se será pelo facto de se parecerem com os músicos das orquestras, quando todos formais, se será pela forma de andar. O que é certo é que tenho um carinho muito especial pelos pinguins. Não de modo a perceber totalmente os seus hábitos, a saber tudo sobre as várias  espécies. Apenas um carinho especial. Por um animal sempre «em fato de gala», com uma forma «castiça» e quase desajeitada de andar, com aparente bom humor. Há quem se dedique à preservação desta e de outras espécies, respeitando e reequilibrando os espaços naturais que habitam. Respeitando e reequilibrando a natureza, o mundo, que, cada vez mais temos de nos consciencializar, não é, de todo, nosso.

5 de Setembro de 2011 – Alberto João: o 8 e o 80

O principal problema (e talvez sorte) de Alberto João Jardim é o facto de nunca sabermos se está do lado do 8 ou do 80. O mesmo político que nos chama «bastardos do continente», consegue assumir posições de autêntico estadista. O homem que sempre associámos a uma possível independência da Madeira, tanto se distancia de Portugal como exalta as virtudes patrióticas do seu «condado». A mesma pessoa que reclama contra a forma como é gerido o país, contrapondo com o seu modelo de gestão, pede agora ajuda. Na sua forma de projectar o futuro da região que literalmente o idolatra, é absolutamente necessário fazer obra, independentemente dos efeitos nefastos para a economia. A situação chegou a um ponto quase sem retorno, em que Alberto João tem mesmo de «dar a mão à palmatória», sob pena de, a partir do «buraco», a Madeira voltar a ser levada na enxurrada. Porque os líderes vão, mas o povo e tudo o resto fica.

«O País é um só, continente e regiões autónomas. Os sacrifícios são iguais para todos. Também os benefícios da política de recuperação financeira, que está em curso, têm que ser igual para todos».

«Quando as pátrias entram em completo choque, não encontram consensos no seu interior, corre-se o risco de se quebrarem por dentro».

«[A Madeira] não tem culpa do estado a que o País chegou».

«Temos o dever patrioticamente de ajudar a recuperação do País. O que não temos é obrigação de ajudar os outros quando os outros não nos querem ajudar».

«Não ia deixar de fazer os investimentos que a tempo tinha de fazer, apenas para fazer a vontade política de outros ou cair em jogos políticos que não trariam qualquer tipo de utilidade para a Madeira».

«Neste país, tudo o que é positivo é deturpado e, como estamos a ver, a comunicação social é uma arma utilizada mais para combate político e diversos tipos de estratégia do que para cumprir missão de informar».

(Alberto João Jardim, em declarações aos jornalistas)

4 de Setembro de 2011 – Subir a uma montanha dentro de nós

Como Sísifo, mesmo que, no cimo da montanha, a pedra volte a rolar, há sempre aquele momento de satisfação e realização da chegada ao cimo. Fazemos as contas do deve e do haver do esforço feito. Retemperamos forças. Saboreamos o silêncio. A paisagem. O facto de podermos, mais facilmente, ver tudo. De onde vem, para onde vai, onde está. Há alturas em que é preciso subirmos à montanha dentro de nós. Abrir os braços. Sentir que, se quisermos, podemos ser quem quisermos. Se quisermos ser nós próprios. No abraço apertado daqueles de quem mais gostamos. Hoje. Em dias especiais. Todos os dias.

3 de Setembro de 2011 – «Zeitgeist»

A expressão pode significar «sinais dos tempos», e dá origem a um documentário, um pouco ao estilo «teoria da conspiração», mas que, ainda assim, merece ser visto. Data de 2007, e começa, de forma um pouco estranha, por nos fazer pensar no que aproxima os homens da religião, e das consequências que isso pode ter, bem como da inspiração religiosa em ritos pagãos. Evolui, depois, para uma «teoria da conspiração» sobre o 11 de Setembro, sobre a qual vale a pena reflectir. A propaganda é perigosa, tal como a manipulação, mas os dados que nos são apresentados servem, no mínimo, para reflectirmos sobre eles.