O dia de hoje começou bem cedo, com os preparativos da apresentação da Feira das Colheitas no programa «Praça da Alegria», da RTP. À tarde, visita da Ministra da Agricultura, visita inaugural, algumas imagens dos espaços, e, à noite, José Malhoa ao vivo, na Praça Brandão de Vasconcelos. Hoje é uma espécie de primeiro dia do resto das nossas vidas, sendo que este «resto» é a Feira das Colheitas. Ainda a começar.
21 de Setembro de 2011 – «Os amigos do Gaspar»
http://www.youtube.com/watch?v=p0Ba-ZMf_ak&feature=channel_video_title
Entre 1986 e 1989,a RTP Porto produziu uma série infantil/juvenil que ficou na memória de todos quantos a viram. Uma espécie de «Muppets», com o habitual «low cost» português, mas com muito boa música, com bons textos e personagens-tipo bem escolhidas. A encenação era da responsabilidade de João Paulo Seara Cardoso, que também escrevia parte dos textos (em parceria com Jorge Constante Pereira). Os bonecos e a cenografia eram de Carlos Dias e Rui Anahory. A musica, de Jorge Constante Pereira, tinha letras (imagine-se) de Sérgio Godinho. E a realização era da responsabilidade de Adriano Nazareth e Ângelo Peres. Bons tempos, os dos «Amigos de Gaspar». Com quem se passou muitas tardes. Com quem se aprendeu. Hoje, os tempos são outros, as tecnologias outras, e os interesses outros. Mas isto ficou. Com qualidade suficiente para ser revisitado. Quanto mais não seja, na internet.
20 de Setembro de 2011 – De Viseu, 32 alunos para Medicina
Trinta e dois alunos da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, vão ser, no próximo ano lectivo, alunos das faculdades de Medicina. É, por si só, motivo suficiente para orgulho. Por um lado. Por outro, levanta algumas questões. Não será demasiado redutor associar-se a inteligência e o orgulho à medicina? E as restantes profissões? Portugal precisa de excelência na economia, na gestão, na ciência, na arquitectura, na arte, no ensino. Concentrar a «inteligência» na medicina pode ser um erro. Até porque não sabemos se todos eles fizeram esta escolha por vocação, se todos eles concluirão o curso, nem tão pouco se, no final, encontrarão trabalho.
19 de Setembro de 2011 – «Midnight in Paris»
http://www.youtube.com/watch?v=atLg2wQQxvU
E se de repente, com a cidade das luzes como fundo, andássemos para trás no tempo, para vivermos na época que sempre quisemos viver, junto das personagens mais famosas? «Midnight in Paris» é mais ou menos isto, ou talvez mais. Chegar a um filme de Woody Allen é sempre uma surpresa. Nunca sabemos o que vai acontecer. Da sua personalidade de judeu nova iorquino, frenético, neurótico, inadaptado, tudo pode surgir. «Midnight in Paris» é uma história de alguém que queria viver nos loucos anos 20, e consegue, de forma inesperada e na sua cidade de sonho, realizar o desejo. Verifica, contudo, que há quem, em plenos anos 20, preferisse ter vivido na «bellle époque». E é aqui que nos apercebemos que, se pudéssemos, de facto, andar para trás, talvez quiséssemos regredir até não podermos mais. Eventualmente, ou pelo menos, até voltarmos a ser semente.
18 de Setembro de 2011 – Feirense, à conquista
Independentemente de ter sido contra o FC Porto ou não, a exibição de hoje do CD Feirense foi absolutamente surpreendente. Com alguma sorte à mistura, é certo, mas se a sorte protege os audazes, este foi um bom exemplo disso. Mesmo sem estar a jogar no seu estádio, (o jogo decorreu em Aveiro) o Feirense conseguiu arrancar um empate ao Porto, praticando um bom futebol, chegando mesmo, a espaços, a ameaçar as redes dos «dragões». As equipas que chegam de novo à primeira Liga, são as que mais provavelmente a abandonam no ano seguinte. Mas, por vezes, há excepções. E esta poderá muito bem ser uma delas.
17 de Setembro de 2011 – EUA relançam, Espanha taxa os ricos, nós temos vergonha
Três notícias, em três países, esboçam o retrato destes tempos. Barack Obama está a fazer tudo para relançar a economia dos Estados Unidos, com um projecto legislativo que permita mais emprego confortável à classe média. Em Espanha, cerca de 160 mil cidadãos, considerados «ricos por auferirem rendimentos a partir dos 700 mil euros anuais, vão ter a carga fiscal mais pesada, com um «imposto para ricos». Por cá, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, afirmou ter vergonha de Portugal, porque se os mais «pequenos» não têm lugar à «mesa comum», os poderosos são «cúmplices». Três riscos na actualidade, sobre os quais vale a pena reflectir.
«O primeiro problema para as pessoas que eu encontro é como voltar ao trabalho, empregos criados para a classe média que paguem bem e ofereçam alguma segurança».
(Barack Obama, sobre o seu projecto legislativo para relançamento do emprego)
«[O decreto-lei] refere também que é essencial a aplicação do princípio de equidade para que haja uma maior contribuição para a saída da crise por parte de quem tem maior capacidade económica».(Agência Lusa, sobre a «lei dos ricos» espanhola)
«Se nos dizemos Igreja, servidores do mundo, devemos sentir-nos cúmplices e não devo dormir descansado perante toda esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias e a quem as promessas vão no pior sentido».(D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, à «TSF»)
16 de Setembro de 2011 – Um buraco no jardim da Madeira
Correm notícias de que foi descoberto um «buraco» nas contas da Madeira. O conceito é «duro», e vai certamente ser muito usado, ou não fosse a Madeira um «jardim», com as devidas metáforas que daí podemos construir. Segundo o «Jornal de Negócios», a ocultação de dívida terá impactos nos défices de 2008 a 2010. Em 2008, de 139,7 milhões de euros (0,08% do PIB), em 2009 de 58,3 milhões de euros (0,03%) e em 2010 915,3 milhões de euros (0,53%). A isto há que acrescentar dívidas não reportadas e encargos com o serviço regional de saúde. Entretanto, Alberto João Jardim vai contornando o «buraco», e prossegue a campanha eleitoral para as eleições regionais, atirando responsabilidades «borda fora», tentando, em vão, que nos esqueçamos que, apesar da «obra» desenvolvida na Madeira, é o presente e são as gerações futuras que ficam comprometidas com uma dívida de que não são responsáveis. E isto ainda vai dar muito que falar.
«Durante as próximas três semanas o ‘rectângulo’ vai estar entretido com mentiras a falar sobre a Madeira».
«Já estamos habituados a isso há trinta e tal anos, porque há muita gente com dor de cotovelo em relação ao povo madeirense. Há 30 e tal anos que há muita gente que fica fula por nós termos feito as coisas a tempo e enquanto era possível fazê-las e eles ficaram a discutir o sexo dos anjos».
«Neste país, que é um país que está decadente, as pessoas que trabalham e fazem obra são atacadas e os inúteis palradores do ‘rectângulo’ são todos eles considerados pessoas importantes ante a gargalhada do povo madeirense».
(Alberto João Jardim, durante uma, em Estreito, na Calheta, zona oeste da ilha)
15 de Setembro de 2011 – Uma arte, um trabalho, um emprego ou uma profissão
Diz a OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico) que existe um «desajustamento crónico» entre as habilitações literárias de mais de um terço dos portugueses e o trabalho que, efectivamente, produzem. Seja porque têm qualificações a mais, seja porque se formaram em áreas diferentes da área de actividade, seja porque a conjuntura económica e laboral assim o exige, 33% da população activa está laboralmente desajustada. Ainda estudante, diziam-me que era preciso estarmos preparados para fazermos várias coisas, porque a excessiva especialização não é, necessariamente, inteligente. Outrora, os «artistas», trolhas, pedreiros, carpinteiros, honravam a sua arte, especializavam-se, de facto. Hoje, a especialização é teórica, filosófica, quase metafísica. E é nessa diferença que reside o que é arte, trabalho, profissão ou emprego. Procura-se muito o último, mas o «mercado» diz-nos que talvez seja melhor não esquecermos os restantes.
14 de Setembro de 2011 – Soube a pouco, pá
Voltou a sentir-se o sabor das quartas-feiras europeias, em que o Benfica jogava à Benfica, e fazia com que fizéssemos previsões sobre por quanto iria ganhar daquela vez. Se não fosse o génio de Ryan Giggs, a tirar um coelho da cartola, o Benfica teria ganho o jogo, e não seria, em nada, injusto. «Se», «teria», «poderia», mas não foi, nem pôde ser, e as coisas são como são. Fica para a história a boa «performance» do Benfica, que deixa bons indicadores para o resto da época, levando mesmo os ingleses a afirmarem que, juntamente com o Manchester, será uma das equipas da fase seguinte da Liga dos Campeões. Entretanto, virá o confronto com o FC Porto, e, daqui a cerca de 15 dias, nova jornada europeia. Vamos ver. Mas soube a pouco, de facto.
13 de Setembro de 2011 – Ópio do povo, mas nem tanto
Dizer-se que a religião é um ópio do povo é um «lugar» relativamente comum. Aliás, muitas das guerras (senão todas) têm um fundo religioso, ou anti-religioso, mais ou menos presente ou mais ou menos latente. Mas daí até fazer dessa imagem algo mais literal, vai uma distância razoável. Recentemente, segundo rezam as notícias, um professor de direito, algures na Austrália, rasgou e utilizou como mortalhas algumas páginas da Bíblia e do Corão. Com a memória do 11 de Setembro ainda fresca, e depois das ameaças de queimada com exemplares do Corão (os americanos, quando fazem, fazem sempre em grande), a iniciativa de Alex Stewart, um ateu confesso de Brisbane, pretendia ser engraçada, mas nem isso, nem caiu em graça. Apesar de ser uma ideia, no mínimo, curiosa.





