25 de Novembro de 2011 – O Clube Bilderberg

Em 1954, alguns dos homens mais poderosos do mundo reuniram-se, de forma mais ou menos secreta, no Hotel Bilderberg. Desde então, o clube reúne anualmente, e há quem diga que o mundo passou a ser gerido, de forma mais ou menos secreta, por estes poderosos. De Portugal, Durão Barroso, José Sócrates, Francisco Pinto Balsemão, António Guterres, Santana Lopes e Vítor Constâncio já participaram, todos eles antes de serem notícia. Da Economia à Política, à intervenção militar, à geoestratégia, gente como Bill Clinton, Tony Blair, Paul Wolfowitz, Henry Kissinger, David Rockefeller partilham ideias, e resolvem aplicá-las à escala mundial. Nunca ninguém teve acesso às conclusões nem ao que se planeou discutir nestas reuniões, apesar de já terem decorrido mais de 50 encontros. Daniel Estulin, jornalista premiado, tem vindo a investigar sobre este clube, e já teve o privilégio de ter um outro livro sobre o mesmo tema que, estranhamente, esgotou. E não voltou a ser impresso. Quem ler, perceberá porquê. Tal como perceberá que há alguma coincidência de datas entre a presença de José Sócrates numa reunião do clube e a sua chegada a Primeiro-Ministro de Portugal.

24 de Novembro de 2011 – Piano de água

Como a água de um rio, a música de Luciano Berio passa pelo piano, em «Wasserklavier», um dos seus «Encores». Como lágrimas que caem, em tom menor. Numa melodia inesperada. Fluída. Transparente. Límpida. Bucólica. E entranha-se, escorre pela pele, esta música. Chegou de modo inesperado, mas ficou. Como se se entranhasse, porque também nós somos maioritariamente água. Valeu a pena o estudo sobre Berio, não sobre este «Encore», mas sobre «Luftklavier» (os «Encores» têm uma ligação estreita aos elementos essenciais: água, fogo, terra e ar). Para se ser surpreendido pelo correr das águas, do piano de água.

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 Luciano Berio | «Wasserklavier»

23 de Novembro de 2011 – «The Mozart Group»

Este vídeo, recomendado pelo meu amigo Adriano Gonçalves, conduziu-me às descoberta de um fabuloso quarteto de cordas, chamado «The Mozart Group». São músicos, «performers», mas, sobretudo, «descomplexificam» a pretensa erudição da música dita erudita. A música é para fruir, para conhecer, para citar, para saborear, tornar nossa, digerir e comunicar. A música não tem de ser séria, nem tem de nos convidar a pensar, nem tem de ser aborrecida. Pode ser divertida, ter humor, ensinar qualquer coisa. Em breve, o DVD com o «best of» do «Mozart Group» estará na minha caixa de correio.

22 de Novembro de 2011 – Afinal, quem são os diabos vermelhos?

Alex Ferguson tinha dito aos jornalistas que teria muito gosto em tomar um copo de vinho com Jorge Jesus. Pois bem, a elegância com que o Benfica jogou, esta noite, em Manchester, faz desse «prémio» mais que merecido. Quando, no fim de um jogo com a intensidade deste, três mil portugueses calam o «teatro dos sonhos» no apoio à sua equipa, quando os «red devils» chegavam para, sozinhos, encherem o Estádio da Luz, isto quer dizer alguma coisa. O Benfica fez um pouco de história, apesar de as entrevistas que ouvimos aos jogadores terem sempre um açúcar sul-americano, o Benfica é o Benfica. E hoje soube bem ser do Benfica. Mesmo quando estávamos à espera do 2-2.

21 de Novembro de 2011 – «Requiem» de Verdi

Quase todos os grandes compositores quiseram deixar um «Requiem», quase como uma página indelével da sua obra. E uma das vantagens (privilégios?) de se estar na música é a possibilidade de (re)descobrir algumas obras-primas. Poder ver melhor como foram construídas, estar «por dentro» delas. O «Requiem» de Verdi é uma das obras pelas quais é interessante passar, porque não é uma obra propriamente pequena. É leve, mas também densa. É forte, mas também ligeira. Espelha bem o estilo do compositor, mas surpreende. Tem sido interessante esta descoberta, trecho a trecho, melodia a melodia.

[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2011/11/10-Lacrimosa.mp3|titles=Lacrimosa – Requiem (G. Verdi)]

20 de Novembro de 2011 – Orfeão de Arouca em Serzedo, Gaia

Hoje, o Orfeão de Arouca teve a honra de retribuir a presença que o Grupo Coral da Associação Recreativa de Serzedo (Vila Nova de Gaia) teve no I Encontro de Coros Nádia Oliveira. Foi uma tarde interessante de música, apesar do pouco público, mas que demonstrou sobretudo que as coisas não acontecem por acaso. A inspiração nem sempre aparece sozinha. Ela é fruto, em quase todos os casos, da persistência, da insistência, de um certo perfeccionismo. De uma forma própria de se fazer as coisas. Diferente. É nesses detalhes que se pode, de facto, fazer a diferença. Normalmente, para melhor.

19 de Novembro de 2011 – Contraponto

Hoje foi dia de regressar a um livro de contraponto (ou a arte da composição musical) intitulado «Gradus ad parnassum», que significa (mais ou menos) «um passo para o monte Parnaso». Johann Fux, é o nome do autor que Mozart, Haydn e muitos outros fizeram questão de ler, conhecer, anotar, «dominar». Como há tempos pude contar, o monte Parnaso (na Grécia) é considerado, na mitologia, um local de inspiração, onde Apolo e as musas vagueavam. «Gradus ad Parnassum» é, no fundo, o percurso progressivo (e às vezes de transpiração) até à inspiração. O contraponto é, de facto, o «esqueleto» da inspiração. A estrutura de suporte. Hoje, subiu-se ao monte. Com muita dificuldade. Mas o sucesso é feito, muitas vezes, de imensas tentativas. Como Sísifo.

18 de Novembro de 2011 – Sindicatos

Este é o retrato de um defensor dos trabalhadores portugueses. De um homem que não descansa na luta contra o desemprego e a precariedade. De um homem que luta pelos interesses da classe operária. Este é o retrato de João Proença, líder da União Geral dos Trabalhadores (UGT). Este trabalhador incansável pela defesa do outro, foi em missão para Moçambique, em representação dos mais elevados e altruístas valores, viajando em executiva e ficando instalado, comodamente, no Hotel Polana (o mais luxuoso de Maputo), onde passou a tarde na piscina, em trabalho, como se pode ver, na companhia do seu cubano (afinal o homem ainda é de esquerda). A luta continuou por cá, com a perspectiva de greves gerais. Mas abaixo da linha do Equador, nada fica na mesma. Este retrato, na mesma semana em que se sabe que a ausência dos professores, que são dirigentes sindicais, dos seus postos de trabalho (destacados para os sindicatos) custará ao Estado cerca de 9 milhões de euros, dão pano para mangas em dimensão suficiente para pensarmos para que é que isto serve.

17 de Novembro de 2011 – Quem não tiver pecados…

Por muito que nos custe, temos de nos render à evidência de que Portugal é muito do que se vê na «Casa dos Segredos» e em muitas outras coisas que nos entram pela casa dentro na televisão. Por muito que apontemos o dedo a rir quando ouvimos, perante as câmaras, que África é um país da América do Sul, isso é muito do que somos, senão aquilo que realmente somos. A revista «Sábado» foi para a rua fazer perguntas de cultura geral aos universitários de Lisboa. Pode não ter conseguido uma amostra significativa, ou ter o azar de se ter cruzado com os piores dos piores. Artes, não era com eles. Literatura, não era com eles. Religião, não era com eles. Política, não era com eles. Informática, não era com eles. E, por fim, cultura geral, não era com eles. Nada era com eles. Isto é o que somos hoje, e, pior, o que vamos ser amanhã, porque também é gente como esta que está à frente das coisas que, pelo menos teoricamente, fazem o país andar. Gente que não quer ter nada a ver com nada. E quem não tiver pecados…

16 de Novembro de 2011 – «MAGazine»

Este é um projecto que começa a ganhar corpo, e com o qual está a dar muito gozo colaborar. Trata-se da «MAGazine» da ADRIMAG (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das serras de Montemuro, Arada e Gralheira), que vai já no terceiro número. Com um design gráfico sóbrio e elegante, com muito boas fotografias e muito bons textos, para não falarmos nos acabamentos de impressão, a «MAGazine» é a prova de que «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce». O que no início parecia difícil, um mar de dúvidas, passou a ser uma ferramenta de comunicação extraordinária, que apenas precisa de ser bem gerida, como tem sido. Os sete municípios ADRIMAG (Arouca, Castro Daire, Cinfães, Castelo de Paiva, São Pedro do Sul, Sever do Vouga e Vale de Cambra) podem e devem orgulhar-se deste trabalho. Esta publicação pode ser lida online, aqui.