Por estes dias, se alguns de nós mandássemos, substituíamos o Infante D. Henrique pelo Cristiano Ronaldo, à frente do padrão dos descobrimentos, ali em frente aos Jerónimos. Manuela Ferreira Leite queria suspender a democracia, e deu-se mal. Mas, por estes dias, quem quiser suspender a crise, talvez consiga. Portugal está no Euro 2012. Se calhar o Álvaro tinha razão, e eu já estava a precipitar-me a mandá-lo embora. Não foi linear, como nunca é. «Linear» e «Portugal» são dois conceitos que não se conseguem colocar em concordância na mesma frase, desde D. Afonso Henriques. Mas 6-2 é uma bela cifra, e o que importa é que vamos estar na fase final do Euro. Esperemos apenas que os políticos não aproveitem o lanço, e, enquanto estamos distraídos a torcer por Portugal, nos vão ao bolso com mais afinco.
14 de Novembro de 2011 – Ó Álvaro e Paulo, pá. Vão-se embora. Os dois.
Álvaro, pá. Admira-me que tu, permite que te trate assim, porque sei que não és de grandes galões, tenhas caído na ratoeira fácil de dizeres uma «patacuada» daquelas. Então tu, um homem do mundo, um homem que escreve livros e tudo, vem dizer-me ao ouvido que a crise vai acabar? Álvaro, Álvaro. Tu és um tipo fixe, eu sei. Mas olha que há coisas que não acabam por decreto. Por muito que o «decretante» seja um tipo competente, como eu (ainda) até acredito que sejas. Mas há coisas que um tipo, quando veste o fato de político, não pode dizer. E tu deste a «abébia», pá. Foste abrir o flanco para que o Paulo, aquele tipo das negociatas das estradas, e que deu emprego a uns amigos aí a ganharem boas massas, te mandasse um piropo. Sou-te sincero, pá. Também não gostei nada que não tivesses sido sensível às pretensões da malta cá da terra, e que tivesses mandado a variante para as calendas. Devagar, devagarinho, e, agora, ao reduzires-te ainda mais, para discutires com um idiota (lembra-te do ditado, nunca discutas com um idiota, porque, a certa altura, ninguém sabe quem é quem) deixaste-me sem margem de manobra. Na qualidade de vosso patrão, e como não gosto de discussões de comadres no sítio onde mando, ó Álvaro e Paulo, pá. Vão-se embora. Os dois.
«O ano de 2012 vai certamente marcar o fim da crise e será o ano da retoma gradual».
(Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia, perante os deputados, no Parlamento)
«O senhor ministro está no fim da sua carreira política. Faça um favor aos portugueses: deixe o lugar. (…) Aproveite essa bancada e faça um gesto feio»
(Paulo Campos, deputado e ex-Secretário de Estado, nos mesmos termos)
13 de Novembro de 2011 – Domingo de estudo e «Expresso»
Dizia o meu amigo João Loureiro Lopes que o jornal «Expresso» foi concebido para leitores de pantufas. Pois bem, fez-se jus a isso, apesar de o dia não ter sido só de «Expresso», foi também de estudo. Mas, no final, para descomprimir, a leitura da «Única» revelou-se uma surpresa agradável. O entrevistado era o «Pantera Negra», num número dedicado à história, em que havia também reportagens sobre o Portugal que não passou do projecto de arquitectura, sobre a actividade dos historiadores, e as demais secções habituais da revista. A entrevista de Eusébio acabou por ser um tónico, pela simplicidade que o caracteriza e que perpassa todo o texto. As histórias são-nos contadas e desmistificadas com a clareza e a humildade de alguém cuja transparência não deixa mentir. Por mim, a mensagem passou. Há que ser-se simples.
12 de Novembro de 2011 – Congresso Internacional de Geoturismo Arouca 2011, «day four»
Cecília Meireles, Secretária de Estado do Turismo, presidiu hoje à sessão de encerramento do Congresso Internacional de Geoturismo, Arouca 2011. Os discursos de encerramento têm sempre um quê de «foi bonita a festa, pá», de balanço, de pensar sobre o que fica de um conjunto de contributos, ao longo de várias jornadas de trabalho. Contudo, houve uma frase que, provavelmente, passou despercebida à maioria do público. E ainda bem, porque não era, de facto, o mais importante para o caso. «Dou os parabéns à organização pela forma inteligente como conseguiu colocar este evento na comunicação social». Em cinco dias de evento, houve elementos da organização a dar entrevistas à agência Lusa, ao Porto Canal, à Antena 1, à RTP (duas vezes), à TSF e, sublinhe-se a carregado, houve catorze jornalistas da imprensa local e regional a trabalharem praticamente em permanência no evento. As palavras valem o que valem, e, muitas vezes, leva-as o vento. Tal como os acontecimentos. Há todo um futuro para preparar, para trabalhar, para viver. Vamos a isso.
11 de Novembro de 2011 – Congresso Internacional de Geoturismo Arouca 2011, «day three»
Ao terceiro dia, a participação neste congresso teve um sabor diferente. Com o Orfeão de Arouca e o Teatro de Montemuro, a «Semente de Futuro» produziu uma pequena peça de teatro que pretendeu reavivar a lenda de São Martinho, que hoje se comemora. Para além dos magustos, das provas de vinho novo, das castanhas e de todo o ritual pagão, há uma história de solidariedade, de procurar o bem, de desenvolver e fortalecer laços de comunidade. Começámos com «cantas» do Cancioneiro de Arouca, e terminámos com a magia da música de Mário Nascimento. Houve quem quisesse mais, mas não se deve correr o risco de «estragar» um bom momento.
10 de Novembro de 2011 – Congresso Internacional de Geoturismo Arouca 2011, «day two»
E ao segundo dia, Jonathan Tourtellot, editor da National Geographic Traveller, e «inventor» do termo geoturismo, afirma, em entrevista à RTP que Arouca é um destino imperdível. Ontem mesmo, Tourtellot deu outra entrevista à TSF, que irá para o ar nos próximos dias, sublinhando que Portugal (e Arouca em particular) é um destino de referência, e que o «Arouca Geopark» está, na sua opinião, entre os melhores do mundo.
9 de Novembro de 2011 – Congresso Internacional de Geoturismo Arouca 2001, «day one»
Com o mote «geotourism in action», começou hoje o Congresso Internacional de Geoturismo, Arouca 2011. Até dia 13 de Novembro, alguns dos mais reputados especialistas nestas matérias, a nível mundial, estarão em Arouca, para debater o conceito e contribuir, activamente, para a implementação do conceito no «Arouca Geopark». Será, certamente, um tempo privilegiado para o debate, a reflexão, a partilha de ideias, e para que Arouca possa testar a sua capacidade para se projectar ao nível internacional, acima de tudo com a responsabilidade de organizar um evento desta dimensão. Hoje é apenas o «day one».
8 de Novembro de 2011 – Quando é que elas vão ganhar mais do que eles?
A «Agência Financeira» publicou ontem um interessante trabalho que mostra o relativo paradoxo que constitui o facto de as mulheres estarem a ascender no mundo dos negócios, mas não figurarem nos lugares cimeiros das listas dos mais ricos do mundo. Na Inglaterra, pela primeira vez, em mil ricos há 105 mulheres (10,5%, mais coisa menos coisa). É um número, e vale o que vale. Até porque, em muitos casos, na Inglaterra, riqueza feminina significa o resultado de um divórcio, de um casamento ou de uma herança. Slavicia Ecclestone e Irana Abramovich (é fácil reconhecê-las pelos sobrenomes) são dois exemplos do primeiro caso. Nos Estados Unidos, a tendência é semelhante. Entre os 400 mais ricos há apenas 33 mulheres, e quase todas têm fortunas resultantes de herança. Mas há uma excepção: Oprah Winfrey, que tem uma fortuna recentemente avaliada em cerca de 2 mil milhões de euros. Todavia, dizem-nos os números, estas são apenas excepções que confirmam a regra.
7 de Novembro de 2011 – Os portugueses poupam mais?
Até Setembro deste ano, os portugueses já depositaram nos bancos 127.552 milhões de euros, um novo máximo histórico, segundo o Banco de Portugal. Segundo os estudos, desde há um ano que o aumento dos depósitos ocorre mensalmente, ultrapassando, constantemente, os máximos históricos. Em igual período do ano passado, os valores pouco ultrapassavam os 115.000 milhões (mais precisamente 116.859 milhões de euros, menos 10.693 milhões do que este ano). Isto acontece quando, por outro lado, os bancos concedem menos crédito à habitação, em mínimos históricos desde há oito anos. Significará isto que os portugueses estão a poupar mais?
6 de Novembro de 2011 – «50/50»
http://www.youtube.com/watch?v=TJ90H5HCgCw
Em última análise, em tudo na vida temos probabilidades de 50/50. Nas coisas grandes, nas coisas mais pequenas da vida. Nas simples, nas complicadas. Às vezes basta optar, outras vezes ter de viver com algo que não é nem nunca foi opção. E contornar os obstáculos. Rotular um filme sobre um doente de cancro de «comédia» pode ser perigoso, mas, no caso de 50/50, ela existe, na quantidade «qb». É um filme sobre um jovem realizador de rádio que descobre, subitamente, que tem uma espécie rara de cancro. A sucessão de acontecimentos (mais ou menos normal, para quem vive esta doença) surge no ecrã de forma realista, com inteligência e a dose suficiente de bom humor. E demonstra-nos que ter 50% de possibilidades não é tão mau quanto possa parecer. Porque, mesmo que não se consiga, na viagem há sempre tempo para valorizar pequenas grandes coisas.








