Lê-se hoje, por aí, que a Associação Académica de Coimbra está preocupada com a forma como se deverá adequar a oferta de ensino superior ao mercado de trabalho. A dúvida é meritória, mas a fundamentação menos. Segundo se pode ler mais adiante, a «Académica» não quer que o país fique sem «pensadores» ou teóricos, e termina o comunicado por dizer que as necessidades do mercado estão desfasadas das necessidades do país. O raciocínio parece ligeiramente falacioso, quando o desemprego cresce exponencialmente entre os mais jovens e, em particular, os licenciados. O que a Universidade tem, de facto, de fazer é adequar-se ao que o «mercado» exige. Não podemos correr o risco de continuar a debitar desempregados para o mercado de trabalho, sem qualquer preparação prática para o que quer que seja. Mais do que pensadores, precisamos de «artistas», no sentido antigo do termo. De gente que mexe nas coisas, constrói, molda, produz. Porque, neste momento, estamos a formar gente que apenas sabe estudar. E mal. É nesse sentido que estas declarações são um verdadeiro remate ao poste.
«Preocupa-nos o discurso orientado para a adequação do Ensino Superior às necessidades do mercado. Não queremos um país sem filósofos, um país sem historiadores, sem pensadores. (…) O valor da formação não pode nunca medir-se pela sua taxa de empregabilidade, pois as necessidades do mercado estão longe de corresponder às necessidades reais do nosso país».
(Comunicado da Associação Académica de Coimbra)
Álvaro. Dizem que os homens não se medem aos palmos, mas, contigo, é difícil fugir à metáfora. Temos de reconhecer que os «media» não gostam muito de ti (porque outros grupos de interesse também não gostam). Mas tu tens de ser grande, tens de ser maior do que tu próprio, e fazer vir ao de cima todo o teu «know-how» e toda a tua mundividência, contra esta tremenda mediocridade em que nos querem continuar a mergulhar. Pensa no Tio Sam, Álvaro. Portugal precisa de ti. Mas precisa de ti a sério. Enquanto o Gaspar trata dos cortes e de nos pôr de acordo com a «troika», nós precisamos de quem nos ajude a pensar na Economia. E o homem para isso és tu. Álvaro, estás a fugir da moldura. Por tua iniciativa, ou porque te estão a empurrar. Decide-te, e elucida-nos. Senão, como diz o povo, «lá vai tudo». Aceita um cumprimento amigo.
Aquilo que se pode tornar num dos nossos problemas, é o facto de confiarmos, quase cegamente, na tecnologia. No meu caso, esse excesso de confiança talvez se tenha devido ao facto de sempre ter gostado imenso de amoras, e, por isso, optei pela «tecnologia» oferecida pelos «Blackberry». Só que, há sempre um mas. Um erro absolutamente inexplicável, fez com que, durante várias horas, ficasse sem acesso ao meu «gadget», e o diagnóstico final foi um erro fatal do sistema operativo. Conclusão, foi necessário formatar o aparelho, e todos os contactos desapareceram. Esta foi a partida pregada pela tecnologia. A imprevidência, teve a ver com o facto de existirem várias ferramentas para salvaguardarem essa informação preciosa, coisa a que eu não prestei a devida atenção. Como diria um amigo meu, por estes dias, «quando encontrares o meu número liga-me, e eu ensino-te uma forma de isso nunca mais acontecer». Em linguagem «facebookiana», vou fazer «like».


















Por esta hora, há 24 anos, a TSF preparava-se para nascer. A primeira notícia da «rádio notícias» foi lida por Francisco Sena Santos (um mito da rádio portuguesa), às 7:00 de 29 de Fevereiro, sob a direcção de Emídio Rangel. Podemos considerar que a TSF foi percursora de um novo modelo de comunicação social, que terá inspirado, por exemplo, a SIC Notícias. Tive o privilégio de saber como se trabalha na TSF, e de ter contribuído, um bocadinho pequenino, para o seu funcionamento, enquanto estagiário. Aprendi muito mais em dois meses do que em alguns anos. Sem nunca sequer imaginar ser possível vir a trabalhar em Rádio, experimentei o que é ter o «killer instinct» da notícia, a criatividade na escolha dos sons, em suma, a Paixão da Rádio.
Já havia quem lhe chamasse «o meu filho». Pois bem. Nasceu. O primeiro trabalho fonográfico do Orfeão de Arouca é, finalmente, uma realidade. Chama-se «Outras cantigas de Santa Maria», relembrando o cancioneiro de Afonso X, o Sábio, mas também um paralelismo popular (do Cancioneiro de Arouca e das Janeiras) à música do Mosteiro de Santa Maria de Arouca. Tem textos sobre Arouca lidos por Ruy de Carvalho e Paulo Coelho, tem música de Janeiras com arranjos para ensemble de sopros e tem duas suites para orquestra de cordas. Tudo sobre música dita popular, mas que, prova-se, pode ser tão erudita como a outra. Porque a música é boa. Toda a música. A apresentação será em breve.
Em plena Avenida dos Aliados, fica o café «Guarany». Existe desde 1933, e foi recuperado há cerca de 10 anos, com o bom gosto que caracteriza o proprietário do famoso «Majestic», que, soube em 2001, numa entrevista que fizemos para uma reportagem, tem ligações a Arouca. Agostinho Barrias fez com o «Guarany» o que já havia feito com o «Majestic». Devolveu-o à vida, com bom gosto, recuperando o melhor da arquitectura e da decoração de interior do espaço, e complementando a decoração com obras de artistas consagrados, no caso Graça Morais. O nome evoca a tribo que ocupou parte substancial do Brasil (Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul), e outros países da América do Sul, durante o século XVII, vivendo de forma pacífica e socialmente muito bem organizada. José de Alencar, escritor brasileiro, romântico, elegeu «Guarany» para o título de um romance. Carlos Gomes compôs uma ópera com o mesmo título, que chegou mesmo a ser representada no «La Scala» de Milão. Tudo isto é história. Como o momento em que a porta se abre, a mesa se ocupa, o olhar se espalha em redor, e pára em frente. E começa a ouvir-se um piano ao longe.
É sempre bom regressar aqui. Aos amigos. Ao calor do convívio. Voltar a ouvir as gargalhadas do Afonso, o abraço apertado, fazer «puzzles». E conviver. Sorrir. Relembrar histórias. Como se todo aquele tempo fosse um grande e forte abraço colectivo. Bom vinho. A sobremesa… E até no dizer adeus há alegria. Pelos momentos passados, pela vontade de voltar, pelo regresso ao nosso mundo, deixando um pouco de nós e trazendo um pouco de tudo. Já é tarde, ainda é cedo, pouco importa. Pensa-se no próximo. Jantar de amigos.
Diz-se por aí que a «Google» está a desenvolver uns «óculos do futuro», que nos irão permitir ver «uma realidade aumentada», tudo indica a partir do final deste ano. A tecnologia empregada neste novo «gadget», dizem, vai permitir que se veja, nas lentes, todo o tipo de informações e funcionalidades, como aceder ao «e-mail», previsões meteorológicas, GPS, redes sociais, informações sobre lojas, restaurantes, publicidade, uma câmara de filmar e de fotografar incorporada, ligações à internet, sensores de movimento e um enigmático etc. Parece coisa a mais para um objecto tão pequeno, mas, depois de ver «Minority Report», é capaz de ser possível. As notícias dizem que sim.