20 de Dezembro 2012 – “Check-up”, e o regresso improvável à Casa da Música

hpp-boavistaHoje, pela primeira vez em 32 anos de vida, tive de fazer análises clínicas fora de casa. Podia dar-se o caso de “casa de ferreiro, espeto de pau”, mas não. Também pela primeira vez, fui submetido a um “check-up” de saúde, em que os médicos e técnicos do Hospital Privado da Boavista acabaram por dizer que estava tudo bem. Ao que parece, pelo menos. Terminados os exames, foi tempo de revisitar a Casa da Música. O “meteorito”, como alguém já lhe chamou, está, por estes dias, em turbulência, graças a uma cegueira cultural a que este Governo já nos vem habituando. É pena, porque quem vai à Casa, sente-se em casa. Eu, pelo menos, sinto. É bom voltar, mesmo que improvavelmente.

19 de Dezembro de 2012 – O melhor “negócio” de 2012

national-geographicSe tiver de eleger o melhor “negócio” que fiz em 2012, talvez tenha sido a assinatura da revista da “National Geographic”. Cada revista tem uma qualidade superior, tanto no que diz respeito às fotografias, como a praticamente todos os textos, com temáticas sempre interessantes. Numa altura em que se fala tanto sobre o fim do mundo, dedicar algum tempo à leitura destes textos talvez não seja mau. Sobretudo para verificarmos que talvez nós acabemos mais depressa do que o mundo. Basta olharmos para trás, e vermos quantas espécies fabulosas se extinguiram, e quantas sobreviveram. No nosso caso, há algo que não havia: inteligência, supostamente. A mesma inteligência que pode acabar connosco como os mais primitivos seres que estudamos nos livros de ciências. Curioso.

18 de Dezembro de 2012 – Quando a política nos faz perder tudo…

reform-politicaA política, quando encarada de uma forma nobre (coisa rara, hoje em dia, dado o nível dos protagonistas), pode ser madrasta. Que o diga um reformado japonês, que arriscou o sonho de ser deputado. Arriscou. Arriscou tudo, e não foi eleito. E não só não foi eleito, como perdeu as economias que tinha posto de lado para o funeral. Ryokichi Kawashima, de 94 anos, investiu 36 mil dólares (cerca de 27 mil euros), tudo o que tinha, no seu sonho: uma candidatura à câmara baixa do Parlamento. Veterano da II Guerra Mundial, ousou sonhar, independentemente da idade e das condicionantes. Só que a política provoca, quase sempre, senão sempre mesmo, um fortíssimo embate com a realidade. Uma realidade que não se compadece com nobrezas, nem sonhos, nem vontade de mudar o mundo. Mesmo que seja quase aos 100 anos. Uma realidade na qual temos, apenas, de sobreviver.

“O meu avô dizia sempre que era uma vergonha estar agarrado ao dinheiro (…) É-me indiferente se morro numa floresta perto do monte Fuji e que regresse à terra. Participei nas eleições para me fazer ouvir e fazer ouvir a voz dos fracos, que é o que interessa”

(Ryokichi Kawashima)

17 de Dezembro de 2012 – As paixões de Berlusconi

Silvio-BerlusconiQuando António Guterres afirmou, pela primeira vez, a sua “paixão”, surpreendeu. Quando, de certa forma, a traiu, perdoou-se-lhe. Ao fim e ao cabo, era uma paixão difícil de manter, quando outras se interpunham. São assim, as paixões. Fugidias, rápidas, intensas. É também assim com Sílvio Berlusconi. Quem vai a Itália e depois conhece Berlusconi, pensa como é possível que um país daqueles ainda pare, escute e olhe para um homem assim. “Il Cavalieri” tem, agora, duas paixões. Uma, é Francesca, 50 anos mais nova. Outra, a sede de poder, que o move a reaparecer nas próximas eleições. Quando é verdadeiramente intensa, uma paixão preenche mais do que o que cabe em nós mesmos. Imagine-se duas.
«Finalmente, sinto-me menos só. Estou noivo de uma napolitana. Uma jovem mulher, de valores muito sólidos, muito bela no exterior e mais ainda no interior».
Sílvio Berlusconi

16 de Dezembro de 2012 – Orfeão de Arouca e Coro de Câmara de São João da Madeira: encontro (im)provável

orfeao-ccsjm-bmaNum período em que a crise aperta e a quadra convida à união, o Coro de Câmara de São João da Madeira, associação que comemora este ano o 20.º aniversário, convidou o Orfeão de Arouca e a Orquestra de Sopros da Banda Musical de Arouca para participarem no seu concerto de Natal. O evento teve lugar na igreja paroquial daquela cidade, na tarde de 16 de Dezembro último.

Este concerto foi, assim, uma forma de estreitar laços entre as associações, todas tendo a música como principal actividade. A obra escolhida para abrilhantar este concerto foi «Missa Brevis», do compositor holandês Jacob de Haan. Na primeira parte do concerto, o Coro de Câmara apresentou algumas obras de compositores do século XX, como Poulenc, Arvo Part, Eurico Carrapatoso e Joaquim dos Santos. No final do concerto, ficou a vontade de reforçar este intercâmbio entre associações, possivelmente com um novo concerto, desta feita em Arouca, em data a definir.

15 de Dezembro de 2012 – “Les Misérables”

les-miserables«Ouvê-se» por aí que Camilo Lourenço considera a nossa classe política miserável. É muito provável que nenhum português «normal» não concorde com Camilo Lourenço. Todavia, se formos lógicos no raciocínio, os políticos são a imagem de um país. Eles são o nosso reflexo. Os melhores de nós. Os que nós elegemos para nos representarem. Para serem o nosso pensar e agir em favor do melhor para todos. Nesse sentido, poderíamos pensar que eles são miseráveis porque nós também somos. Só que, neste caso, há uma curiosa inversão dos termos. Os nossos políticos vivem tão ausentes da realidade, tão superiores ao patamar do povo, de que, no fundo, são servos, que são eles que nos tornam miseráveis a nós. Ainda mais do que já seríamos, naturalmente. Em breve, o canal Parlamento estará nas televisões de todos os portugueses. Um modo «fritador de miolos» a que todos vamos passar a estar sujeitos. Quem será, então mais miserável? E de quem é a culpa?

14 de Dezembro de 2012 – Tiro de partida, numa velha cidade nova

newtownPerdoem-me se encontro uma certa poesia na notícia de mais um tiroteio numa escola dos Estados Unidos. Adam Lanza, de 20 anos, matou a mãe e mais 27 pessoas (20 delas, crianças), e suicidou-se de seguida. A localidade onde tudo isto aconteceu chama-se «Newtown». Uma nova cidade, que dá, assim, um novo tiro de partida para um debate já recorrente, em torno da moral americana. Nos Estados Unidos, é quase mais simples comprar e disparar uma arma do que comprar um maço de cigarros. Há poesia, perdoem-me novamente se choca, no facto de um velho problema voltar numa cidade nova. No facto de se voltar a dar um tiro de partida no debate que a maioria dos americanos tenta manter vivo de uma forma escondida e condicionada, para que não se conclua. Mas a poesia esgota-se nas vidas interrompidas de uma forma inexplicável. Rápida, como cada uma das balas gastas.

13 de Dezembro de 2012 – Crise em velocidade de cruzeiro

cruzeiroTalvez graças ao «glamour» do «Barco do Amor», ou de outra coisa qualquer, viajar de cruzeiro era, até há bem pouco tempo, um luxo a que quase todos aspirávamos. Uma daquelas coisas que teríamos de fazer, pelo menos uma vez na vida. Depois, veio o «Costa Concordia», e os sonhos encalharam mesmo a chegar à praia. Todo esse imaginário começou a definhar, primeiro por temermos pela nossa segurança, depois pela crise generalizada. Deixou de ser atractivo entrar por esse mar adentro, com todo o luxo possível e impossível a bordo, rumo a destinos que só assim fazem sentido, revivendo, de um ponto de vista muito mais confortável, o que terá sido chegar a algumas dessas terras pela primeira vez, numas «cascas de noz». Vão-se generalizando as notícias de navios de cruzeiro arrestados em portos europeus, porque as empresas já não têm capacidade sequer para pagar às tripulações. À medida que o Natal se aproxima, a crise prossegue. Em velocidade de cruzeiro.

11 de Dezembro de 2012 – O «rigor» das estatísticas

tvi-estatistA TVI tem feito aquilo a que tem chamado, de forma subliminar, uma «estatística». Em cada universidade portuguesa, junta uma turma, pergunta quantos alunos estão a pensar emigrar, e deduz, imediatamente, que percentagem de alunos daquela universidade pretende emigrar. Não é preciso tratar uma amostra válida. Não é preciso pensar-se que, dependendo do curso, talvez as tendências mudem. Não é preciso pensar que uma votação de braço no ar condiciona os resultados. Fazer notícias é fácil. E como já todos vamos sendo peritos em números, fazer contas também. Os portugueses agradecem, penhoradamente, este verdadeiro acto de serviço público que a TVI tem protagonizado. Estamos, portanto, a cumprir o desígnio do Primeiro-Ministro. A emigrar. Isso é que importa. Não o rigor.