Apesar das intempéries, apesar de não parecer um evento tão importante quanto isso, apesar de tudo, hoje será dia de Encontro de Janeiras. Há 27 anos que o Orfeão de Arouca, instituição a que, com muito orgulho, pertenço, procura preservar e divulgar uma tradição que, na prática, estamos a tentar ressuscitar (depois de termos deixado quase morrer). Pode parecer paradoxal, mas o que é facto é que se foi deixando de dar importância a estes pequenos gestos. O mundo passou a ser mais centrado no nosso umbigo, nas nossas preocupações, no nosso pequeno cosmos pessoal. É estranho que seja preciso uma crise para nos acordar para essa falta de sentido comunitário, algo que sempre foi tão nosso. Mas é, precisamente, o que está a acontecer. O que, para quem vem lutando quase “contra a maré”, se reveste de redobrada dificuldade. Mas não faz mal. Cá estaremos. E temos a certeza de que os que estarão connosco partilharão desta força, para continuarmos, por aí, a espalhar uma alegria que às vezes falta, mas que urge procurar e encontrar. Mesmo que não seja toda. Pelo menos alguma.
18 de Janeiro de 2013 – Como ser júri do “AreaTalentShow”…
A partir de hoje estou oficialmente metido na “alhada” de ser júri do concurso “AreaTalentShow”. Um concurso de talentos, onde vai estar em competição directa gente vinda de áreas diferentes das artes. Uns com talento para cantar, outros para representar, outros para dançar, enfim. Lembro-me de, não poucas vezes, nos concursos por onde passei, sentir sempre o leve travo de injustiça. Qualquer opção é sempre injusta, porque privilegia determinados factores, em detrimento de outros. Desta vez, estou do outro lado. Mas creio que o sentimento vai ser o mesmo. O de quem está a dar tudo de si para se afirmar, e nem sempre consegue. São danadas as comparações.
17 de Janeiro de 2013 – Adormecer nas nuvens
Lê-se hoje, por aí, que mais de metade dos pilotos portugueses admite ter adormecido em pleno voo, no (suposto) exercício das suas funções. A imagem até poderia ser engraçada, se não fosse alarmante. Acima das nuvens, com o sol por companhia, ou no decurso de uma noite cerrada, a tantos mil metros de altitude, a ideia de olhar para dentro é quase como se regressássemos ao ventre materno. É curioso, depois de uma altura em que se foi debatendo o futuro da TAP de forma, por vezes, inflamada, que se saiba, agora, que a tão badalada preocupação com as questões de segurança talvez não seja assim tão sonante como pudesse parecer. Talvez tenhamos tido sorte. Ou talvez estes “erros” não sejam assim tão graves, ou facilmente colmatáveis pelos co-pilotos. Por mim, tudo bem. Pudesse eu andar muitas vezes acima das nuvens. E adormecer como os pilotos.
16 de Janeiro de 2013 – Orfeão de Arouca na Assembleia da República
Quando cheguei ao Orfeão de Arouca, não pensei que fosse possível concretizar algumas coisas. É certo que, quando chegamos às coisas, o futuro é sempre feito de impossibilidades, de sonhos, de coisas que pensamos fazer. Mas, neste caso concreto, o objectivo foi sempre fazer, a cada momento, o melhor. O resto, pensava eu, aconteceria. Foi acontecendo, umas vezes melhor, outras pior, umas vezes de forma pensada, outras por uma questão de oportunidade. Hoje, fomos à Assembleia da República, integrados na mostra nacional de geoparques. Sem contar, acabámos por cantar as Janeiras à própria Presidente, acompanhada por vários deputados. A imagem de ficar literalmente «abraçado» pelos meus colegas coralistas e pelo público, é algo que não devo esquecer tão cedo. Assim como a forma altamente profissional como todos têm trabalhado comigo. Assim, sim.
Fotos: Pedro Bastos
15 de Janeiro de 2013 – Tony Carreira: orgulho ou preconceito
Por ir «na onda» ou não, tenho visto, ouvido e lido algumas entrevistas de Tony Carreira, e confesso que tenho gostado do que tenho visto, ouvido e lido. Facto: os concertos de Tony Carreira são espectáculos pensados e estruturados de uma forma altamente profissional e com um resultado visual que nenhum artista português consegue igualar. Facto: os músicos que compõem a banda que serve de suporte aos espectáculos é altamente profissional e com arranjos produzidos com muito cuidado, revelando-se eficazes e com uma qualidade musical que poucos músicos portugueses conseguirão igualar. Facto: a Orquestra Sinfónica de Londres aceitou gravar com Tony Carreira, um privilégio que não estará ao alcance de qualquer músico, e que diz bem do orgulho ou preconceito dos músicos portugueses (será que nenhuma orquestra portuguesa aceitaria fazer isso?). Opinião: a música é boa ou má, consoante é bem ou mal tocada, bem ou mal produzida, bem ou mal apresentada. Se há um músico português, que nós, orgulhosa ou preconceituosamente chamamos «pimba», que grava com a Orquestra Sinfónica de Londres, alguém não está a ver bem a coisa. Ou o músico é bom o suficiente para merecer o crédito da OSL, ou a orquestra é suficientemente má para gravar com um músico tido como «medíocre». Sinceramente, não me parece que seja o segundo caso.
14 de Janeiro de 2013 – Todos os homens do Presidente
“All the President’s Men” é um filme que conta, no fundo, a história do escândalo “Watergate”, que acabou por levar à “queda” de Richard Nixon. A história é relativamente conhecida, e remonta a 1972, quando aquilo que parecia uma “mera invasão” da sede nacional do Partido Democrata, veio a revelar-se um escândalo de proporções inimagináveis, que fez correr muita tinta de jornal, durante alguns anos. Robert Redford e Dustin Hoffmann dão corpo, respectivamente, aos repórteres do “Washington Post” Bob Woodward e Carl Bernstein, que, seguindo o rasto do que parecia ser algo insignificante, acabou por revelar-se escandaloso. Não esquecer, obviamente, o papel preponderante da fonte conhecida como “Garganta Funda”, que acaba por colocar os jornalistas no rasto do dinheiro, para descobrirem formas sórdidas de acção política e financiamentos ilícitos. É interessante, por um lado, ver que o tempo corria com outra velocidade, nesta altura. Que os jornais ainda se faziam ao som das máquinas de escrever. Que se fumava em todo o lado. É também curioso ver que, apesar de as coisas agora acontecerem a uma velocidade estonteante, de as notícias terem consequências muito mais rápidas, de ganharem profundidade muito mais rapidamente, a forma como quem está no poder procura manter-se, continua a ser, muitas vezes, “suja”.
13 de Janeiro de 2013 – Os homens do Presidente
Fui seduzido pela qualidade da série “The West Wing” por uma (agora) amiga, (naquele tempo) professora, também ela, na altura, um dos “homens do Presidente”. Quem gosta do lado bom da política, quem quiser perceber um pouco dos mecanismos para que ela possa singrar minimamente e quem quiser conhecer algumas das idiossincrasias da sociedade e da política norte-americanas, não vai conseguir parar de ver “The West Wing”, até chegar ao final. A “West Wing” é, na realidade, a ala oeste da Casa Branca, onde o “staff” do Presidente, e ele próprio, trabalham. Na série, podemos ver como é que um grupo de pessoas que apenas conhecia a Casa Branca por fora, foi aprendendo a ganhar o seu espaço depois das eleições. Martin Sheen é o Presidente Bartlett, que conta com um “staff” que, progressivamente, vai ganhando estrutura e visão precisa de como “atacar” os problemas. Vemos a forma como delega os seus poderes, como parece estar ausente, muitas vezes, das negociações, não imaginando (nós e alguns dos personagens) que ele está, afinal, muito mais por dentro do que seria de prever. “The West Wing” começou a ser exibida em 1999, e durou até 2006. A série culmina com a eleição de um latino, pela primeira vez, nos Estados Unidos. Em 2006, eleger um latino ou um negro seria apenas uma ténue miragem. Obama só chegou à “West Wing” em 2008. Olhando, agora, para trás, para este pequeno pormenor “visionário”, percebemos a qualidade dos argumentos de Aaron Sorkin. E de como, sem “homens”, talvez não houvesse “presidentes”.
12 de Janeiro de 2013 – Sim, e depois?
Os partidos da oposição, especialmente aqueles que se sentam mais à esquerda, têm vindo a fazer o teste ao sucesso da ideia de que o Governo tem de se demitir, ou de ser demitido. Aquilo que lhes escapa é que as nossas perguntas estão muito para além das respostas que se apressam a dar de avanço. Até pode ser admissível que grande parte dos portugueses não queira este Governo. Ou seja, de uma forma ou outra, mais ou menos radicalmente, talvez até estejamos de acordo. A questão essencial é outra. Até onde os partidos já foram, nós também já fomos. Aquilo com que deveriam estar preocupados, e não estão, era com a resposta à questão “e depois?”. O que os portugueses precisam de saber é “e depois?”. O horizonte da reflexão do povo já não se esgota na visão redutora e demagógica das máquinas partidárias, que teimam em impingir-nos a corja que sobra das lutas fratricidas. O povo hoje é diferente. É igual, é certamente superior à media, em termos intelectuais, da maioria dos políticos. O que nós queríamos saber era o que aconteceria depois. Isso ninguém nos diz. E por isso é que ninguém os ouve.
11 de Janeiro de 2013 – «A mão do Diabo»
Para criticar, é preciso conhecer. Foi partindo desse princípio, porque a crítica já vai sendo praticamente tão acesa como a aclamação, que surgiu à mão esta «Mão do Diabo», de José Rodrigues dos Santos. Sim, é outra vez o rocambolesco historiador Tomás Noronha metido em aventuras, escapando à última da hora, com improvisos bem sucedidos. Mas, desta vez, pelo entremeio, há explicações sobre a crise económica a que muitos já chamam Segunda Grande Depressão. É talvez aqui, na «veia» jornalística de Rodrigues dos Santos, que estou mais apostado. Vamos ver. Voltando ao princípio, para criticar é preciso conhecer. Vamos a isso, então.
10 de Janeiro de 2013 – História da Música, animada em menos de 7 minutos
Se podia ser melhor, tenho dúvidas. Contar a história da música, desde o início até hoje, em menos de sete minutos, e recorrendo à ilustração animada, é praticamente genial. O vídeo circula na internet, e é uma belíssima forma de ficarmos a perceber, ainda que muito pela rama, como é que esta coisa dos sons em conjunto foi evoluindo. Ficam muitos nomes e muitas referências de fora, apesar de se ver que houve cuidado em atender a alguns casos na pós-produção. Seja como for, a viagem no tempo, curta, de sete minutos, vale bem a pena.



