10 de Janeiro de 2014 – Atravessar o Atlântico, solitariamente

NG-solitaireEle podia muito bem calçar as pantufas, e desfrutar da reforma calmamente. Mas não. Ele chama-se Aleksander Doba, tem 67 anos,e, como objectivo de «reforma pacata», resolveu atravessar o Atlântico (sim, o oceano), da Florida a Lisboa, num caiaque a remos. A viagem tem sido acompanhada pela «National Geographic». Doba partiu a 6 de Outubro do ano passado, e deve chegar a Lisboa no mês que vem, depois de remar 4700 milhas. Este «avozinho» está a fazer a viagem sem barco de apoio, e num barco só com lugar para ele. Coragem e determinação não lhe faltam, mais não fosse pela ousadia de tentar. Lisboa deve, assim, receber um visitante muito especial, em Fevereiro. Aleksander Doba. Cuja profissão pode muito bem deixar de ser «reformado» e passar a ser «aventureiro».

9 de Janeiro de 2014 – Inferno

infernoMais um viciante livro de Dan Brown. Que cruza as paisagens de Veneza, Florença e Istambul, com a «Divina Comédia» de Dante, e, tinha de ser, uma nova teoria da conspiração. A forma como Dan Brown cruza histórias que parecem nada ter a ver umas com as outras, mas, no fim, estão intimamente relacionadas, é algo que o caracteriza, e que faz com que os seus livros sejam de leitura fácil. A par disso, de forma simples, transmite alguns conhecimentos que ajudam sempre a fazer brilharetes em questionários de cultura geral, e faz-nos, ainda, pensar em alguns porquês, no que diz respeito ao comportamento de entidades que tratam o poder por tu. Dan Brown ficou-se pelo Inferno. Dante foi mais longe, e contou a história toda. Por isso, talvez a «Divina Comédia» passe, ainda mais, a ser de leitura obrigatória.

8 de Janeiro de 2014 – Do Agualva, ao Marialva, ao Arda

cabreira-8jan14Pode não parecer verdade, mas é. Esta fotografia foi tirada a dois passos da vila de Arouca. No lugar da Cabreira, há um pequeno passadiço sobre o rio, onde as águas correntes se fazem ouvir. Arouca foi, ao longo do tempo, fugindo e encontrando os rios que a atravessam, nem sempre tratando essas águas da melhor forma. Nem sempre deixando à natureza a liberdade que lhe assiste. Pode não parecer verdade, mas, se quisermos, este bocadinho pode muito bem ser parte dessa acalmia, dessa paragem no tempo que, de vez em quando, precisamos. Pode muito bem ser a margem onde precisamos de parar, para ver o tempo correr com as águas. Ora mais depressa, ora mais devagar. Correndo. Sem que nos preocupemos com as pedras que se encontram no caminho. Na certeza que, do Agualva, ao Marialva, ao Arda, e pelo caminho fora, o destino é só um. O mar.

7 de Janeiro de 2014 – Vamos cantar as Janeiras

janeiras-2014Já andámos por aí, e devemos voltar a andar. Passámos pela Rádio Regional de Arouca e pela casa de pessoas amigas. Não queremos que isto se perca. «Isto», são as nossas memórias. Algo que faz parte de nós. Cantar as Janeiras já começa a ser algo raro, algo que já é preciso impulsionar, para que não se perca totalmente. Nós, continuamos a «lutar» com as «armas» que temos. Continuamos a cantar, por aí. Vamos continuar a cantar, até ao 28.º Encontro de Janeiras. E por aí adiante. Sempre.

6 de Janeiro de 2014 – King

eusebio_dt«Vou morrer um dia, sem saber o que realmente senti quando vestia a camisola do Benfica. Não sei se era da cor, não sei… Havia qualquer coisa, que me transformava na pessoa mais importante do mundo. Fui o jogador mais feliz do mundo. Um dia que morra, gostava de dar uma última volta ao Estádio da Luz. Esta é a minha casa». As palavras são atribuídas a Eusébio da Silva Ferreira. Não são precisas mais. Para discutir se sim ou não ao Panteão, ou do tempo de antena dado pelas televisões. Eusébio tratava os colegas de equipa por senhor. Veio para Portugal, mas quem negociou os termos foi a mãe. Era humilde. Mas genial no que sabia fazer melhor. Não são precisas muito mais palavras. Muito menos as de Mário Soares. Ele é, e será sempre, o King. Não morreu. Nunca morrerá. Está tudo dito.

29 de Dezembro de 2013 – Pausa. Até breve.

pausaAgora, parece necessário parar um pouco. Ganhar perspectiva. Muita coisa foi acontecendo, em 2013. O encadeamento da vida, a sucessão de coisas que vêm ter connosco, que procuramos, de que nos desviamos. Tudo isso é posto, agora, em perspectiva. Não somos propriamente seres de fronteira, mas quando nos aproximamos desses estados, tendemos a pensar sobre o que está para um lado e para o outro da linha. É este o tempo. Por isso, a liberdade de parar por estes dias, até se perceber que caminho percorrer, como percorrer e o caminho percorrido. Em 2014, por aí andaremos de novo. E, nessa altura, alguma coisa haverá para dizer.

28 de Dezembro de 2013 – Concerto de Natal

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É como se as mãos ainda tremessem. Por muito que tente, é muito difícil expressar o que se sente quando se vê a nossa música materializar-se. Quando várias horas à procura do som ideal, se começam a resumir em alguns minutos de melodias e harmonias que, antes, apenas existiam no imaginário. E ter esta gente toda, cada um deles, empenhado em dar o melhor de si para essa música. Bem certo, que a música não é de ninguém. É feita para todos, porque sem haver quem ouça, não importa sequer pensá-la. Esta partilha, esta quase troca de presentes, gera felicidade. Mesmo que não seja a felicidade plena, aquela que toda a gente procura. Aqui, nestes sons, há felicidade. Há partilha. De afectos. De sentimentos. De nós mesmos. Obrigado a todos quantos tornam este concerto possível. E, especialmente, ao público.

27 de Dezembro de 2013 – Sherlock Holmes pertence ao mundo

Os americanos já podem usar e abusar das personagens que Arthur Conan Doyle criou em torno de Shrlock Holmes. John Watson, Moriarty e o próprio Sherlock deixam de estar sujeitos a direitos de autor, nos EUA. Nos dias que correm, e com a massificação da internet, é cada vez mais fácil usar obras, ou parte delas, para os mais diversos fins. Por outro lado, as entidades que regulam os direitos de autor não têm sabido muito bem contornar este problema, e procuram ser férreas, sem um sucesso considerável. Não deixaria de ter piada que Sherlock Holmes saísse do seu mundo, voltasse a andar por Baker Street, recorresse à mais alta tecnologia, e nos viesse ajudar a resolver este imbróglio. Nos entretantos, talvez valha a pena ver a série recentemente produzida em torno de Holmes, procurando dar-lhe um cunho mais actual. Quem sabe, num dos episódios, ele não resolve este «puzzle»?

26 de Dezembro de 2013 – The gap

Mind the GapQuem já passou pelo metropolitano de Londres, dificilmente esquecerá a expressão «Mind the gap». A expressão é utilizada para advertir os passageiros para que tenham cuidado com o espaço que existe entre o comboio e a plataforma. Pois bem, por estes dias, é mais ou menos nessa «gap» que estamos. Já não sabe bem a Natal, mas também ainda não sabe a Ano Novo. Os mais fervorosamente cristãos poderiam dizer que estamos numa espécie de «limbo». Parece que não é uma coisa, nem outra. Assim como assim, é melhor dar ouvidos ao aviso, e ter atenção à «gap». Usufruir dela. Ter este sentimento de fronteira, de não pertencer a uma parte nem a outra, até que nem é mau de todo.

24 e 25 de Dezembro de 2013 – Merry Christmas, Mr. Lawrence

Faz de conta que Mr. Lawrence é um amigo imaginário, convidado para as festas. Aquele amigo imaginário que nos conduz pelas coisas que temos de fazer, mesmo que sejam as mais básicas. Conviver. Fazer uma refeição em família. Dar e receber presentes. Mr. Lawrence vai estar sempre presente, a ajudar, a dizer como devo fazer, «muito bem», ou «faz antes assim». Se eu tivesse um Mr. Lawrence assim, gostava de ter o génio de Ryuichi Sakamoto para lhe compor um tema. E desejar-lhe, como a todos aqueles de quem gosto, na pessoa dele, um feliz Natal.