Os livros, as obras musicais, as obras de arte, em geral entram-nos pelos sentidos dentro e atingem-nos quando e da forma que menos esperamos. Assim foi com estas «Quatre Petites Prières de St. François d’Assise», de Francis Poulenc. São quatro pequenas peças, dedicadas a São Francisco de Assis, para coro masculino «a capella», bem ao estilo de Poulenc. Uma música etérea, fluida, plena de tensões e repousos, sentimental. Uma música realmente ligada ao divino, que vale a pena ouvir, sentir, deixar entrar por todos os poros. E, se possível, fazer, para que toda essa energia venha de dentro.
F. Poulenc: «Quatre Petites Prières de St. François d’Assise»
III. Seigneur, je Vous en prie
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Por estes dias, faz-se música algures por aqui. E aqui, na «Santíssima Trindade», será o corolário do fim-de-semana de trabalho, que se espera produtivo.
«Creio no riso e nas lágrimas como antídoto contra o ódio e o terror». Entre muitas outras frases que dão que pensar, esta resume, mais ou menos, a vida e a arte de Charles Chaplin. Mas frequentemente sem palavras, Chaplin dava que pensar o suficiente, e exprimia-se como ninguém. Passado todo este tempo, «O Grande Ditador», ou as «Luzes da Ribalta», ou qualquer outro dos muitos filmes por si produzidos e interpretados terão sempre qualquer coisa nova para nos dizer e para nos mostrar. É indiscutível o facto de estarmos a falar de um dos maiores génios do Cinema mundial. Por isso, é lícito darmos os parabéns a «Charlot», que, apesar da idade, ainda deve, com certeza, andar por aí.
Há cem dias, esta Agenda foi reformulada. Significa que chegámos aos cem textos. Um em cada dia. Espelhando sentimentos, percepções, observações, revoltas. Espelhando o que surgiu em cada dia, impondo-se, fosse por que razão fosse. Os números redondos são sempre bonitos, porque ou estabelecem um fim ou reforçam uma continuidade. As cerca de 1200 visitas e os cerca de 60 comentários, desde há cem dias, contribuem fortemente para isso. Parabéns a vocês, que continuam a ter a paciência de ir passando por cá.
Ainda na «ressaca» do «Especial Páscoa», transmitido em directo de Arouca, um amigo «internético» apresentou-me a um «site» que nos mostra como se faz televisão. Este espaço faz parte do portal da «RTP», e pode ser consultado
O dia 14 de Abril de 1759 amanheceu com a morte de George Frideric Handel (1685-1759). O compositor, à data com 74 anos, havia atingido um estatuto a que quase nenhum outro músico conseguira ascender. Em vez de se fixar sob a protecção de um qualquer mecenas influente, Händel, que nasceu na Alemanha, optou por viajar pela Europa, tendo vivido em várias cidades da Itália, contactando com alguns dos mais influentes músicos e algumas das personalidades mais influentes do mundo artístico e político. Acabou por radicar-se em Londres, onde morreu já com nacionalidade britânica. Só para termos uma ideia da sua importância, o seu «Messias» foi interpretado 56 vezes durante a sua vida. De facto, Händel foi talvez o primeiro músico «independente», no verdadeiro sentido do termo. Foi homenageado ainda em vida, e sempre que se organiza uma homenagem, particularmente em Londres, os concertos acabam por juntar uma imensidão de músicos, tanto «em palco» como na plateia. Muitas das melodias da música erudita que nos entram pelos ouvidos dentro são deste compositor. O coral «Aleluia» do «Messias», ou «Hornpipe» da «Música Aquática», ou ainda a ária «Ombra mai fu» da ópera «Xerxes» são apenas alguns exemplos desta música absolutamente contagiante, que, passado este tempo todo, ainda sabe bem (re)descobrir.
O «Jornal de Notícias» de ontem, e especialmente a edição «on-line», deu a conhecer a realidade vivida pelos sacerdotes, que, sendo poucos, acabam por estar sobrecarregados. Um destes casos é o Vigário da Vara de Arouca/Vale de Cambra, o padre Paulo Teixeira, que tem de percorrer seis paróquias, com quase 4000 paroquianos e 17 locais de culto. Albergaria da Serra, Cabreiros, Canelas, Espiunca, Janarde e Moldes têm o privilégio de o ouvir cantar com uma voz capaz de fazer vibrar as paredes e de contar com a sua alegria contagiante. O «JN» não poderia ter escolhido melhor exemplo do que são, diz o título do texto, «Padres que Deus quer». A reportagem está
Provavelmente, poucos saberão que um dos mais proeminentes compositores de Música Sacra contemporânea é natural de Moldes, Arouca: Fernando Valente, professor de Técnicas de Composição no Conservatório do Porto. Numa relação de amizade e colaboração que vem de há alguns anos, a paróquia de Carregosa quis assinalar a Páscoa com a estreia absoluta de uma Missa composta pelo Prof. Fernando Valente, para coro infantil e juvenil, grande coro, órgão e orquestra. Hoje tive o privilégio de participar, como organista, nesta «Nova Páscoa», sugerida por estas fantásticas composições.
Segundo diz a «Wikipédia», estou com uma «inflamação da conjuntiva ocular, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular (o “branco dos olhos”) e o interior das pálpebras», que, geralmente, «pode durar de uma semana a quinze dias e não costuma deixar sequelas». Bela prenda do «Coelhinho da Páscoa»…
Tuba, Guitarra e Bateria. As iniciais resultam em «TGB». No final de um dia marcado pela fuga à chuva e por uma agenda apertada, em várias frentes, acabámos no Cine-teatro S. Pedro, em Águeda, à velocidade do som dos «TGB». Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão são, respectivamente, os responsáveis pelos sons da tuba, da guitarra e da bateria. Uma formação invulgar, mas que acaba por surpreender duplamente. Primeiro, pela invulgaridade. Depois, porque resulta. O concerto arrancou com «Pipa Baquígrafo», e, a partir daí, não mais parou de subir de intensidade. Houve tempo para passar por «Inércia», «Lili’s Funk», e, num dos vários «encores», o tema «George Harrison». Uma versão de «Black Dog», dos Led Zeppelin, também constou do «cardápio». A mim, ficou-me na memória a versão de «Só», de Jorge Palma. Pelo meio, houve Sérgio Carolino a brindar os presentes com dois sons simultâneos, com agudos impensáveis e graves potentes, para além de uma destreza no improviso absolutamente impressionantes. Mário Delgado, com bastante recurso aos efeitos, fez lembrar, aqui e ali, umas vezes Pat Metheny, outras Bill Frisell. Alexandre Frazão é um baterista soberbo. E como se não bastasse, ainda conseguiu tocar melódica enquanto fazia o ritmo apenas com uma mão, para além de outras «habilidades». Foi, sem dúvida, a melhor forma de terminar o dia que podíamos ter encontrado.