Há coisas que só conseguimos explicar pela convicção, por uma espécie de identificação, ou, em última análise, pelo sentimento. Pois bem, é um pouco isso tudo que nos leva a sermos de um determinado clube, e, talvez em menor grau, mas ainda assim em boa parte, de um determinado partido ou tendência política. Ou porque nos levam a crer que estamos com os melhores, ou porque em determinada altura é aquele que ganha e não outro, ou por outra razão qualquer, damos por nós, um dia qualquer, a perguntar-nos o porquê de termos aquele sentimento de pertença quase inexplicável, e, às vezes, até a entrar em discussões mais ou menos futebolísticas, em defesa de algo que, afinal, talvez não mereça grande defesa. Depois, como se todas as desgraças ainda não se tivessem dado, o FCP ganha o «tetra», o treinador desaparece, a Direcção cai. Lindo serviço.
Como se isso não bastasse, na política as coisas também não vão andando famosas. Apesar de tudo, o PSD ganhou as eleições, mas temos de concordar que a sua líder não é «apelativa». Quando no Bloco de Esquerda vemos Joana Amaral Dias ou Marisa Matias «em acção», ou é de mim ou se fica logo com vontade de «virar à esquerda». Há qualquer coisa nas mulheres de esquerda que é absolutamente inebriante. Elas são combativas, inteligentes, independentes, têm uma candura muito própria, mas uma força inigualável, e, ainda por cima, são imensamente atraentes. Assim, não há quem resista. Apetece, de imediato, ser-se também intelectual, inteligente, bem-falante, combativo e intereventivo pela causa da revolução.
Mas, apesar de tudo, no que diz respeito à política, a coisa parece estar mais adiantada na resolução, com as faladas «quotas» femininas, que, esperemos, não se traduzam em «kotas». A lei está correcta, precisamos das mulheres na política. Diria mais, precisamos destas mulheres na política. Precisamos de mulheres lindas no poder. Precisamos de mulheres fantásticas nos tempos de antena, nos discursos parlamentares. Mulheres que nos inebriem com o perfume dos seus discursos. Mulheres que nos atraiam com a determinação das suas acções. Também as deve haver de outras tendências políticas, ou serão todas de esquerda? Já no Benfica as coisas se dificultam. Não sei se mesmo com mulheres bonitas a coisa se resolve. A única «tentativa feminina» do presidente demissionário acabou por passar por Carolina Salgado, de má memória.
Com isto tudo, continuamos na mesma, e, sobretudo na política, tudo o que é bom acaba por estar do lado de lá da «barricada». Numa altura em que toda a gente é unânime ao atribuir a maior vitória ao Bloco, apetece-me perguntar por que razão não sou de quem ganha…
Mais uma vez, o Benfica surpreende pela negativa. O «folhetim Jorge Jesus» prossegue, com mais um episódio. Desta vez, parece que clube e técnico chegaram a acordo. Pelo menos a avaliar pelo comunicado que dá conta da rescisão com Quique Flores. Volta a não haver continuidade, volta a começar tudo do princípio, sendo que já havia planos para a nova época, e Jesus «apanha o comboio» a meio. Mais probabilidades de voltar a haver fracasso, etc., etc., etc. Custa vermos como as coisas funcionam mal no Benfica. Há não sei quantos meses, toda a comunicação social anunciava a contratação de Álvaro Pereira, que, alguns tempo depois, e só depois da formalização, foi dado como reforço… do F.C. Porto. Depois era Jesus que vinha, mas não veio. Depois, Quique ia, mas não ia. Agora foi, e Jesus deve vir. Isto é demasiado «messiânico», e quando se fica só pela fé, a coisa pode não resultar. É preciso por-se pés ao caminho, e não ficar apenas à espera de um messias salvador, que, só por si, pouco poderá fazer, se toda a estrutura continuar assim. A funcionar mal.
Hoje foi dia de «botar» o voto. Durante algum tempo, os «aparelhos» foram testando a eficácia, para um ano eleitoral que se avizinha complicado para todos, com demasiadas coisas para se dizerem, com um país para se percorrer três vezes (agora duas), e decisões para se tomarem a nível internacional, nacional, regional e local.
Resultados gerais
Resultados nacionais
Resultados do distrito de Aveiro
Resultados do concelho de Arouca
Hoje, o dia é dedicado a esta causa.
Estava prometido que seria o «ponto alto» da Semana Cultural, e, de facto, foi, apesar da chuva. Seria de estranhar, ver-se um contrabaixo, duas guitarras e uma voz resultarem num concerto ao ar livre em que a animação esteve sempre presente, num Terreiro de Santa Mafalda quase cheio. É, de facto, a banda do momento. Toda a gente sabia cantar o «fon, fon, fon», ou o «Fado Toninho», ou o «Clandestino». Só a chuva, que foi ameaçando o espectáculo, é que não era necessária. Tudo o resto correu muito bem. Está de parabéns esta banda, que não só descobriu a «fórmula», como teve um «timing» de apresentação perfeito.

É um facto. Continuamos a ser muito pequeninos. Continuamos a ser um país pequenino, uma terra pequenina, e, às vezes (muitas), a agir em pequenino. Vivemos, muitas vezes, iludidos com pequenos feudos, reis e senhores em reinos pequeninos. E aí mandamos e desmandamos, mas não deixamos, nunca, de ser pequeninos. Em Arouca, habituámo-nos, com a história, a viver à sombra de um mosteiro monumental, esplendoroso, cheio de gente de primeira água, segundos filhos de nobres, gente culta, rica e à frente no seu tempo. E nós, em vez de honrarmos esse passado, frequentemente preferimos ser como a plebe daquela altura. Pequeninos. E ficamos, também frequentemente, satisfeitos por fazermos os outros sentirem-se pequeninos como nós.
Hoje foi o dia da estreia da Orquestra Ligeira da Banda Musical de Arouca. Não estávamos a prever que fosse tão cedo, tivemos de contornar alguns contratempos, mas fizemo-la. Não cabe a quem actuou julgar, mas temos a certeza de nos termos esforçado ao máximo por não defraudar expectativas. Foi, acima de tudo, uma boa oportunidade para darmos, finalmente, o impulso que faltava para o arranque deste projecto, do qual já há muito falávamos. Ela, agora, aí está, pronta (ou quase, quase) para dar ainda mais (boa) música aos arouquenses e aos que a queiram acarinhar.
É uma das actividades em que o Orfeão de Arouca costuma trabalhar ao longo de quase um ano. Os contactos vão sendo feitos, são lançados os convites, prepara-se um espaço nobre, trabalham-se peças especiais. A ocasião merece-o. No próximo dia 6 de Junho, no Cadeiral do Mosteiro, a partir das 21:30, contamos voltar a lembrar a Nádia, fazendo aquilo que, quase de certeza absoluta, ela mais gostava de fazer: música. Não deve haver outra arte que permita este «contacto». Hoje iniciámos a recta final nesta preparação. Temos feito algum esforço, para conseguirmos ter connosco, nesse dia, o meu amigo António Ricardo Toste, no órgão, bem como as sopranos Magda Brandão e Mafalda Campos Leite. Mas estamos quase lá. A 6 de Junho, a «Messe Basse» de Fauré e o «Ave Verum» de Elgar serão o nosso programa (do Orfeão de Arouca). Parece-me uma boa forma de estarmos com ela…
Às vezes surgem notícias destas, que nos reduzem ao silêncio. Se há um acidente com um autocarro no Peru, ou descarrila um comboio na Índia, talvez não nos diga tanto. Mas um avião da «Air France» que desaparece entre o Brasil e Cabo Verde, quando se dirigia para Paris, vindo do Rio de Janeiro, isso deixa-nos a pensar. Um «Airbus A330», um aparelho grande, no meio da turbulência, desapareceu dos radares, deixou de dar sinais após passar por uma zona conhecida por ser complicada. Mais de 200 pessoas deixam, assim, de existir, sem nós sabermos muito bem como, nem porquê, sem se perceber. Sem um «SOS», sem uma informação, um aparelho praticamente novo, nas mãos de gente experiente. Sem se perceber. Em pleno Atlântico, 228 pessoas fizeram o seu último voo. E, também em sentido literal, desapareceram.
Há cerca de 200 anos que ninguém ouvia este instrumento. Aliás, passe a ignorância, eu, como muitos, provavelmente, nem sequer tinha ouvido falar dele. Chama-se Lituus, mede quase dois metros, e tem a forma de um «cachimbo», se assim se pode dizer. Dizem os especialistas que Bach compôs uma peça sobre Cristo à qual o Lituus dá um toque especial, tendo sido, provavelmente, a última peça musical conhecida que recorre a este timbre. A