30 de Maio de 2009 – O fim da linha

fim-da-linhaDepois desta «Agenda», do blogue pessoal do nosso querido amigo e deputado André Almeida, do «Imprevisto» do Dr. Óscar Brandão, do «Mirante» do Prof. José Cerca, e do «Ponto Por Ponto» do Pedro Sousa, o «AroucaBiz» tem um novo «inquilino» no sítio dos blogues. Trata-se do Prof. Fernando Matos Rodrigues, com o seu «Fim da Linha». O sítio está em funcionamento desde dia 25 de Maio, e promete despertar-nos (pelo menos a julgar pelos temas já abordados) para questões pertinentes, aliás como tem sido hábito do seu autor. Esperamos que este «fim da linha» seja o mais tardio possível, e que o Prof. Matos Rodrigues continue, por muito tempo, a fazer-nos reflectir sobre um futuro sustentável, de que todos falamos, mas, se calhar «praticamos» pouco. Bem-vindo!

29 de Maio de 2009 – A correia de distribuição

alfa-147Segundo a «AutoPédia», a correia de distribuição é a «correia responsável por fornecer o movimento de rotação à árvore de cames. A correia de distribuição recebe a energia de rotação da cambota». Pois bem, foi esta peça que me deixou a pé na auto-estrada, hoje. Depois de longas esperas e de acertos com a companhia de seguros, fiquei a saber que posso estar perto de «dar cabo» de uns euros valentes no conserto desta avaria. Mas, pior que isso, são as saudades com que fiquei do meu Alfa 147…

28 de Maio de 2009 – Bruno Carvalho quer mesmo ser o próximo presidente do Benfica

bruno-carvalhoO empresário da área da comunicação, Bruno Carvalho, «nortenho de gema», já havia assumido a intenção, mas a coisa começa a ganhar contornos de inevitabilidade. O primeiro «cartaz de campanha» já está por aí, mede quase dois metros de altura, e dá os parabéns ao sócio n.º 17.599 do FCP, Luís Filipe Vieira. Em letras grandes, a pergunta essencial: «Até quando os vamos deixar ganhar?». O cartaz tem como protagonistas os jogadores do FCP a festejarem o «tetra», sabendo nós, benfiquistas, o quanto isso custa ver, assim, repetidamente. Em suma, é mesmo um «dedo na ferida». Um «murro no estômago». O único defeito do cartaz, no meu entender, é apenas o facto de o «site» que dá a conhecer não existir (ainda, esperamos nós, os que ainda temos esperança).

A principal virtude desta candidatura, para além de nos trazer uma lufada de esperança, será a de contribuir, pelo menos, para o debate, para o aprimoramento de propostas, para uma certa competição, que, esperamos, venha para dar um novo «élan» a um clube que continua a arrastar multidões, mas sem ganhar títulos que se vejam.

Não tenho candidato favorito, até porque já estamos mais ou menos habituados a estas disputas pré-eleitorais, que depois desembocam em nada. Mas se, pelo menos, houver debate sobre um Benfica melhor, o processo eleitoral já está ganho.

27 de Maio de 2009 – International Mahler Orchestra no Europarque

p1010037_jpgA «International Mahler Orchestra» procura reunir os mais promissores talentos da música de vários países, dando-lhes, assim, uma oportunidade de tomarem contacto com o grande repertório sinfónico e experimentarem um crescimento mútuo. A «crítica» tem sido muito positiva em relação a esta formação, que tem no seu jovem maestro, Yoel Gamzou, um dos seus «motores». De referir que a neta de Mahler, Marina, é a Presidente Honorária da orquestra.

Esta orquestra, que podemos conhecer melhor aqui, esteve hoje no Europarque, em Santa Maria da Feira, num concerto cuja primeira parte decorreu sob o signo do violino. O programa aliava o virtuosismo em progressão do português Afonso Fesh (que foi convidado a integrar a orquestra, depois de terminar o 1.º ano da licenciatura com 20 valores), com a experiência de Ivry Gitlis. O concerto decorreu de uma forma mais ou menos intermitente, com Fesh absolutamente em grande em «Poeme», de Chausson, e Gitlis em crescendo, revelando-se na Rapsódia n.º 1 para violino e orquestra, de Bartok, e terminando «em grande» com alguns «encores» em que manifestou (aí sim) a sua candura. Os dois haviam, ainda, de «degladiar-se» no Concerto para dois violinos de Bach.

Independentemente de tudo, e depois de terminado o concerto (com a Sinfonia n.º 3 de Brahms e um arranjo do maestro para uma Suite sobre o Requiem de Verdi), fica a lição dada pela dinâmica desta orquestra, a deixar uma certa mágoa por, em Portugal, não haver esta forma de apoio aos estudantes de música, que quase só praticamente «fechados» nas instituições de ensino superior de música podem «ganhar asas» (poucas), ainda que, com muita dificuldade, alguns projectos espontâneos vão surgindo. Talvez as autarquias acordem para esta realidade, e «agarrem» estes projectos. Estariam a fazer tremendamente bem à cultura.

26 de Maio de 2009 – Palmadas de mãe

alexandraA história quase que se repete. Alexandra é uma menina russa, que foi criada por uma família de acolhimento portuguesa. Aprendeu a chamar pai e mãe àqueles que, talvez realmente, julgava que o eram. Foi desenvolvendo a sua personalidade no seio de uma família que, talvez realmente, julgava que o era. De repente, um qualquer tribunal julga a favor da mãe biológica, e dá «ordem de extradição», muito provavelmente fazendo uma interpretação «burocrática» da Lei. «Dura Lex, Sed Lex». Agora, surgem imagens televisivas da mãe biológica a surrar a filha, queixando-se da educação que ela não quis dar, à filha que, de certa forma, não quis, mas que, pelos vistos, agora quer.

Nós nunca sabemos a história toda, porque, mesmo que os meios de comunicação social nos contem tudo, isto funciona como o «diz que disse». No meio de toda esta situação, há uma criança que está praticamente entregue a si própria, e nós vamos assistindo, à distância, aos fragmentos da novela. Dá que pensar, não dá?

25 de Maio de 2009 – Sites pessoais como mais-valia laboral

aminhaagendaApesar de se saber que na internet podemos facilmente fazer-nos passar por quem não somos, muito especialmente nas redes sociais, empresas e especialistas de recursos humanos «confessam» que recorrer a páginas pessoais pode ser uma forma de obter mais informação sobre um candidato a um emprego. Num texto do «Jornal de Notícias», que pode ler aqui, ficamos a saber que os «recrutadores» ficam, desta forma, a conhecer melhor (pensamos nós e eles) os candidatos, os seus interesses, os seus gostos, as suas actividades e «hobbies», até, eventualmente, o seu talento para a escrita nos «blogues». A fazer fé nesta tendência, espero, sinceramente, que «A Minha Agenda» possa servir para alguma coisa…

24 de Maio de 2009 – «Os efectivos da precariedade»

recibos-verdesA revista «Notícias Magazine» de hoje dedica várias páginas a uma reportagem sobre os recibos verdes. Melhor, sobre os «falsos recibos verdes», que, infelizmente, proliferam no mercado de trabalho. São trabalhadores que não têm, pelo menos «na teoria»,  local de trabalho fixo, horário nem dependência hierárquica ou avaliação. Contudo, na prática, não é isso que sucede. Muitas vezes há, nas empresas, gente que cumpre horário, tem local fixo ou posto de trabalho na empresa, depende hierarquicamente de alguém, tem «e-mail» da empresa, etc., etc., etc. Mas «está a recibo verde», como se costuma dizer.

O recibo verde tem a vantagem (ou desvantagem) de colocar praticamente toda a carga fiscal e/ou de responsabilidade de contribuição em relação ao Estado «do lado» do trabalhador. Segurança Social, IRS, IVA, tudo isto é contabilizado e pago pelo trabalhador, que, feitas as contas, acaba por ficar, na grande maioria dos casos, apenas com pouco mais que o salário mínimo. Em muitos casos, a pressão por parte do empregador não precisa sequer de existir, porque o facto de não se poder adoecer, não se poder ter férias, não se poder recorrer à baixa, sob pena de se perder o «posto» de trabalho são suficientes. Obviamente que falamos apenas de quem depende exclusivamente do recibo verde para sobreviver, excluindo todos quantos recorrem a este «expediente» para acrescentar rendimento ao que auferem enquanto contratados ou quadros.

Como parte interessada na matéria, gostava que o Governo ganhasse coragem para encarar este assunto como merece ser encarado. Entretanto, reportagens como esta são de leitura obrigatória, para que os portugueses saibam do que falamos.

23 de Maio de 2009 – «O feitiço contra o feiticeiro», na TVI

A fama do «Jornal Nacional» da TVI, à sexta-feira, é já conhecida e reconhecida. Contudo, nada fazia prever o que sucedeu quando Manuela Moura Guedes conduzia uma entrevista com o Bastonário da Ordem dos Advigados, Marinho Pinto. Num ápice, quase que «o feitiço» se virou contra «o feiticeiro». Marinho Pinto tomou as rédeas da entrevista e verbalizou aquilo que muita gente tem dito em surdina ou em contexto mais ou menos jocoso. Questionou a deontologia profissional da «pivot», questionou a qualidade de jornalismo praticado pela estação e deixou os portugueses todos, ou quase, a falarem sobre o assunto. Há já algum tempo que se diz que a qualidade da nossa televisão deixa muito a desejar. Há já algum tempo que tenho optado por não ver, a não ser o estritamente necessário. Mas, neste caso, mesmo não tendo visto em directo, é demasiado interessante para não se partilhar.

22 de Maio de 2009 – João Bénard da Costa

joao-benard-da-costaA notícia já é de ontem, mas continua a assustar, porque chegamos à conclusão que, aos poucos, «a história vai desaparecendo», e a memória, as rédeas, o mundo vão ficando, cada vez mais, nas nossas mãos, e nós entregues a nós mesmos. Assim sucede com o desaparecimento de João Bénard da Costa. Indissociável da Cinemateca Portuguesa, da história do cinema português, da divulgação do cinema em Portugal, deixa-nos agora um percurso difícil de igualar. Nos últimos tempos, eram as suas crónicas, sempre num registo muito pessoal e peculiar, que continuavam a «dar um ar da sua graça». Mas o cinema, sempre o cinema, é a arte que melhor personificou. Agora é tempo de fazer memória.

«Corria branda a noite. Imerso em funda mágoa, fui assentar-me triste e só… Não, não foi no meu jardim que eu me assentei em tal estado, que não sou judeu como a lírica heroína do esfrangalhado Tomás Ribeiro (hoje, mais célebre pela rua do que pela justiça de Castela de Don Martinho d’Aguilar, poema que deu origem a tantas variantes obscenas, irreprodutíveis em jornal que se preze) nem o frio que faz convida a passar noites em jardins. Onde eu me sentei assim foi num maple que em cada casa assinala o lugar do pater familias e que não falta na minha».

21 de Maio de 2009 – Aumentos milionários em tempo de crise

dinheiroHoje foi correndo a notícia, ao que se percebeu avançada pelo novo jornal «I», que os administradores do Banco de Portugal, que já não tinham aumentos há muito tempo, iriam ser, finalmente aumentados. Os valores avançados rondariam os 5%, chegando a valores, em alguns casos, que rondariam os 1000 euros mensias. Nos tempos que correm, devemos encontrar muitos agregados familiares que não conseguem um orçamento mensal de 1000 euros. Ora, neste caso estamos a falar de um acréscimo de 1000 euros mensais em salários na ordem dos 25 mil euros. Todos concordamos que cargos de responsabilidade deverão ser bem pagos, mas, nos tempos que correm, 1000 euros mensais fazem alguma diferença. Sobretudo para quem não os tem.