10 de Agosto de 2009 – 100 anos de Fender

fender-telecasterLeo Fender foi o responsável pelo surgimento de uma das mais famosas marcas de guitarras do mundo. Nasceu há 100 anos. Foram (e são) muitos os guitarristas de renome mundial que reconhecem esta marca como a melhor do mundo, e os seus modelos não deixam, de facto, os seus créditos por mãos alheias. Modelos como a Jazzmaster, Jaguar, Mustang, Telecaster e, obviamente, a Stratocaster, provavelmente a guitarra mais conhecida do mundo, mais não seja pelo seu formato altamente copiado, são obra da Fender. Para além das guitarras, o gosto de Fender pela electrónica levou-o a conceber também amplificadores, revolucionando, com instrumentos e acessórios, as sonoridades e as potencialidades musicais de vários artistas. Até ao início da década de 80, as vendas da Fender rondavam os 40 mil instrumentos por ano, mas, actualmente, a preocupação da empresa é muito mais a qualidade dos instrumentos do que a quantidade. «Happy birthday, Mr. Fender».

9 de Agosto de 2009 – Renato Sampaio a «malhar» em Aguiar Branco

JosePedroAguiarBrancoNão tenho nenhum tipo de admiração pelo vice-presidente do PSD Aguiar Branco. A sua postura demasiado política e pouco «basista» não me agrada. Como não me agrada a forma como chegou a vice-presidente do maior partido a oposição sem que se lhe reconheça grande mérito para o efeito. Mas adiante. Já «tarde da noite», tive o prazer de ouvir o líder da distrital do PS Porto a «malhar» em Aguiar Branco, que acusou de desprestigiar o Parlamento e de não respeitar os eleitores que em si depositaram confiança, chegando mesmo a afirmar que o actual vice-presidente social-democrata não é digno de ocupar o lugar de deputado. Isto porque o «notável» social-democrata faltou a cerca de metade das sessões parlamentares, alegadamente por estar a fazer «trabalho político». Irresistível…

«[Faltou a] mais de metade das sessões, desprestigiando o Parlamento enquanto instituição democrática fundamental para a democracia portuguesa, e, por outro lado, [ao não participar] na vida parlamentar significa que desrespeitou os eleitores que o elegeram».

«[Durante] três anos, [o Dr. Aguiar Branco] não tinha responsabilidades no Partido. Não percebo como justifica o seu trabalho político. Só se fosse enquanto dirigente a tentar derrubar as anteriores lideranças para colocar a Dr.ª Manuela Ferreira Leite».

(Renato Sampaio, líder da Federação Distrital do Porto do Partido Socialista, em declarações à TSF)

8 de Agosto de 2009 – Bartolomeu de Gusmão, o «Padre Voador» da «Passarola»

bartolomeu-gusmaoQuem leu o «Memorial do Convento» de Saramago não pôde deixar de se apaixonar pela personagem do padre Bartolomeu de Gusmão. Verdadeiramente fascinado e fascinante com os seus planos da «Passarola», ele tem o condão de nos embrenhar na história tecida por Saramago. Romanceada ou não, a personagem tem muito de verdadeiro, a acreditar no que se pode conhecer das investigações históricas feitas. Há, por estes dias, vários textos nos jornais e nas revistas, em que o «Padre Voador» é recordado, de como a sua concepção de geoestratégia, associando o transporte marítimo ao aéreo, era altamente avançada para a época, de como os seus inventos eram arrojados e funcionais, de como «fintou» a Inquisição, que sistematicamente o acusou de heresias e judaísmos. Mesmo sem voar, os seus «voos» furtivos já seriam suficientemente arrojados. Por estes dias, todos se lembram dele, e o convite para ler o «Memorial» não seria, de todo, descabido.

«Já não se sentou o padre Bartolomeu Lourenço, devagar aproximou-se da beira do rio, com Baltasar atrás, e ali, estando a um lado uma barca a descarregar palha em grandes panais que os mariolas transportavam às costas correndo equilibrados sobre a prancha, e a outro lado chegando-se duas escravas pretas a despejar para a água os calhandros de seus amos, o mijo e a merda do dia ou da semana, entre o natural cheiro da palha e o cheiro natural do excremento, disse o padre, Tenho sido a risada da corte e dos poetas, um deles, Tomás Pinto Brandão, chamou ao meu invento coisa de vento que se há-de acabar cedo, se não fosse a protecção de el-rei não sei o que seria de mim, mas el-rei acreditou na minha máquina e tem consentido que, na quinta do duque de Aveiro, a S. Sebastião da Pedreira, eu faça os meus experimentos, enfim já me deixam respirar um pouco os maldizentes, que chegaram ao ponto de desejar que eu partisse as pernas quando me lançasse do castelo, sendo certo que nunca eu tal coisa prometera, e que a minha arte tinha mais que ver com a jurisdição do Santo Ofício que com a geometria, Padre Bartolomeu Lourenço, eu destas coisas não entendo, fui homem do campo, soldado deixei de ser, e não creio que alguém possa voar sem lhe terem nascido asas, quem o contrário disser, entende tanto disso como de lagares de azeite, Esse gancho que tens no braço não o inventaste tu, foi preciso que alguém tivesse a necessidade e a ideia, que sem aquela esta não ocorre, juntasse o couro e o ferro, e também estes navios que vês no rio, houve um tempo em que não tiveram velas, e outro tempo foi o da invenção dos remos, outro o do leme, e, assim como o homem, bicho da terra, se fez marinheiro por necessidade, por necessidade se fará voador, Quem põe velas num barco está na água e na água fica, voar é sair da terra para o ar, onde não há chão que nos ampare os pés, Faremos como as aves, que tanto estão no céu como pousam na terra, Então foi por querer voar que conheceu a mãe de Blimunda, por ser de artes subtis, Ouvi dizer que ela tinha visões de ver pessoas voando com asas de pano, é certo que visões não falta por aí quem diga tê-las, mas havia tal verosimilhança no que me contavam, que discretamente a fui visitar um dia, e depois ganhei-lhe amizade, E chegou a saber o que queria, Não, não cheguei, compreendi que o saber dela, se realmente o tinha, era outro saber, e que eu deveria perseverar contra a minha própria ignorância, sem ajudas, prouvera não me engane, Parece-me que estão na verdade aqueles que disseram que essa arte de voar se entendia mais com o Santo Ofício que com a geometria, se eu estivesse no vosso caso dobraria de cautelas, olhai que cárcere, degredo e fogueira costumam ser a paga desses excessos, mas disto sabe um padre mais do que um soldado, Tenho cuidado e não me faltam protecções, Lá virá o dia».

(José Saramago, «Memorial do Convento»)

7 de Agosto de 2009 – Políticos e prostitutas

42-18115202Segundo um texto da revista brasileira «Veja», um estudo provou que as prostitutas chinesas têm mais credibilidade que os políticos. No «ranking», só os agricultores e os religiosos ultrapassam as «meretrizes», em termos de credibilidade reconhecida pelas pessoas que responderam ao questionário chinês. Cientistas, professores e políticos são o fundo da lista, em termos de credibilidade, o que, se tivermos em conta que estamos a falar do maior país do mundo, é, no mínimo, preocupante. Os técnicos não gostam muito de fazer extrapolações, mas em relação a algumas coisas que têm acontecido por cá, apetece mesmo.

6 de Agosto de 2009 – Hiroshima, 64 anos

hiroshimaSímbolo do fim (trágico) da Segunda Guerra Mundial, a queda da bomba atómica em Hiroshima foi há precisamente 64 anos. Quando largaram a bomba, os homens responsáveis pelo acto estariam, provavelmente, longe de pensar nas consequências de um acto aparentemente necessário para se colocar fim a uma hostilidade. Esse simples «ok» dizimou cerca de metade da população da região, fazendo sentir os seus efeitos nefastos durante imenso tempo, devido à radiação atómica, ceifando a vida (imediatamente ou aos poucos e de forma cruel) a cerca de 140 mil pessoas (só no imediato, 80 mil perderam a vida com o impacto). Hoje, como o vídeo do «Público.pt» demonstra, foi dia de relembrar, em silêncio.

Curiosamente, descobri ontem o novo disco de Edin Karamazov, alaudista que gravou «Songs from the Labyrinth» com Sting, revisitando obras de John Dowland. Neste mais recente disco («The Lute is a Song»), Karamazov inclui uma interpretação muito própria da «Tocata e Fuga em Ré menor», de Bach, que merece ser ouvida atentamente. Buscando a elevação, como Bach pretenderia. Relembrando o que de pior o homem pode fazer, procurando a purificação e a aprendizagem com o erro. É capaz de ser um bom exercício.

5 de Agosto de 2009 – Este PSD, não

francisco-sa-carneiroOs acólitos de Manuela Ferreira Leite continuam a passear o seu pedantismo pelos corredores de São Bento. Aliás, é a única coisa que sabem fazer. Do alto dos seus pedestais, prosseguem, disfarçados de políticos de verdade, o seu programa de acção, que é, como alguém disse e bem, o de agirem como se fossem donos do PSD. Manuela Ferreira Leite, essa, prossegue no seu papel de líder forte, de «dama de ferro», assumindo a postura de desbravar caminho e de «encostar» quem (pelo menos aparentemente) acha que deve «encostar». Sucede que o PSD não é isto. O PSD não é uma direcção nacional que centraliza e impõe o que quer que seja. O partido tem as suas bases, que se pronunciaram, que discutiram, local e distritalmente, as suas opções. Ao invés disso, a estrutura nacional procedeu ao «corta e cose», e tratou, imediatamente, de esquecer o serviço a Portugal de escolher os melhores para privilegiar os apoiantes. A construção das listas de candidatos a deputados foi, para muitos, para quase todos, uma forma encapotada de autoritarismo, sectarismo e de ausência de democracia. Depois do que aconteceu, Aguiar Branco, um dos «acólitos», a quem a vice-presidência «caiu do céu» sem se saber bem como, teve ainda o rasgo de dizer que o PSD, agora sim, está unido e forte, para vencer. Mas não, não está. O PSD não é isto. É um partido democrata, onde se discute, onde todos têm voz. Não é um partido da avestruz, que enterra a cabeça na areia e usa silêncios estudados para a comunicação social. É um partido de poder, de combate, de discussão aberta e franca, é um partido dos melhores. Sabemos que o mito de Sá Carneiro paira constantemente no ar, e que é reavivado sempre que há alguma turbulência. Mas, neste caso, as suas palavras são lapidares. Quando diz que ao concentrar o poder, a única imagem que se dá é a da incapacidade para o exercer.

«Qualquer poder numa sociedade moderna, deve ser hoje repartido e multiforme e quaisquer tentativas, e muitas foram feitas no passado em Portugal, para o concentrar, denotam exclusivamente incapacidade para o seu exercício. Aqueles que de facto mais poder queriam ter, sempre foram os menos capazes de o exercer».

(Francisco Sá Carneiro)

4 de Agosto de 2009 – Autarcas, Políticos e Criminosos

CamaraMunicipalPara os de ilusão fácil, ser autarca, hoje, é sinónimo de algum (bastante) poder. Cada vez mais são entregues mais competências às autarquias, que vão ficando, também cada vez mais, responsáveis pela gestão dos equipamentos que se vão desenvolvendo no seu  território. Tornam-se figuras públicas com alguma facilidade, e tendem a ascender na hierarquia política, para atingirem, frequentemente, patamares invejáveis. Fernando Gomes, que passou pelo Governo «de raspão», é hoje gestor de topo da Galp. É um exemplo de sucesso. Isaltino Morais, agora condenado a prisão efectiva, era conhecido pelo facto de a sua autarquia e a sua gestão serem, pelo menos até agora, modelos. É um exemplo de insucesso. Mas a lista de autarcas a braços com a justiça não é tão curta quanto se possa pensar. Este caso veio apenas reavivar a memória de outros, como o da absolvição recente de Fátima Felgueiras ou do recurso que ainda decorre de Valentim Loureiro. A lista de crimes vai do peculato à falsificação de documentos e da prevaricação ao abuso de poder, corrupção activa e/ou passiva, etc. Uns acabaram absolvidos, outros aguardam resultado do recurso, outros foram, de facto, condenados. Os nomes conhecidos até agora não andam longe desta lista:

Isaltino Morais (Oeiras)

Valentim Loureiro (Gondomar)

Mesquita Machado (Braga)

João Rocha (Vagos)

Luís Gabriel Rodrigues (Santa Cruz)

Avelino Ferreira Torres (Marco de Canaveses)

Fátima Felgueiras (Felgueiras)

António Cerqueira (Vila Verde)

Mário Pedra (Valença)

Abílio Curto (Guarda)

Luís Monterroso (Nazaré)

Júlio Santos (Celorico da Beira)

António Lobo (Ponta do Sol)

3 de Agosto de 2009 – Mozart continua a compor

mozartPassados para aí 225 anos, continuam a surgir inéditos de um dos mais geniais compositores da história da música. Desta feita a certeza não é absoluta, mas os especialistas acreditam ter encontrado dois manuscritos que são de obras da infância/juventude do músico. Com alguns erros formais, mas com uma visão já, na altura, altamente inovadora, as obras foram tocadas pela primeira vez na casa de Mozart e no instrumento utilizado pelo génio austríaco. Em apenas 35 anos de vida, Mozart brindou o mundo com mais de 600 obras musicais, onde deixou bem marcado o seu génio, o seu carácter revolucionário, a aura de mito que envolve estes seres quase inexplicáveis, ao ponto de, passados séculos, terem o condão de continuarem a surpreender-nos. O «Público» mostra-nos um vídeo, onde podemos apreciar um «cheirinho» desta música.

2 de Agosto de 2009 – (Re)encontros

encontrosÀs vezes somos assaltados pela nostalgia do reencontro. O dia de hoje merece ser recordado sobretudo pelas primeiras horas, feitas de encontros e reencontros, num regresso mais ou menos inesperado à Gaia de há quase 10 anos, e num regresso mais ou menos esperado aos amigos de há cerca de 15. Do sentimento deste dia, Milton fala demasiado bem nos seus «Encontros e Despedidas», comparando a vida a uma estação ferroviária, onde imensa gente chega e parte todos os dias, vai e regressa, vem só ver quem está, sorri, chora… É bom regressar a estas viagens, de quando em vez. Sem roteiro, sem plano, sem bilhete de ida ou de volta. E fica a certeza absoluta de que chegar e partir são só os dois lados da mesma viagem, e que a estação é, de facto, a vida.

1 de Agosto de 2009 – A Banda Musical de Arouca na Casa da Música

banda-aroucaNo âmbito da programação de Verão da Casa da Música («Verão na Casa»), a Banda Musical de Arouca deu um concerto no passado dia 1 de Agosto, na Praça da Casa da Música. Os 65 músicos da Banda Musical de Arouca apresentaram um programa de muito bom gosto, iniciando o concerto com a marcha «Banda Sucre», de G. Orsomando, seguindo-se «Abertura Festiva», de Dimitri Shostakovich, «Hobbits» (Sinfonia «O Senhor dos Anéis»), de Johan de Meij, «Persis», de James L. Hosay, e «Suite Alentejana», de Luís Freitas Branco. Apesar da noite um pouco fria, foram muitos os que acorreram àquela Praça para aplaudirem a Banda Musical de Arouca, obrigando mesmo o maestro a apresentar um número extra (a marcha «Pela Ordem e Pela Pátria).