8 de Novembro de 2009 – Dar muito, ou dar pouco

moedaMuitas vezes, somos hipnotizados pelos sorriso fácil, pelas importâncias sociais, que se dão ou não, por falsas aparências. Inebriamo-nos com o (aparentemente) muito que alguns dão, mas esquecemo-nos de que esse muito, tal como o (aparentemente) pouco de outros, é relativo. A diferença está no que nos sobra ou no que nos falta para vivermos melhor. É mais ou menos esta a mensagem de hoje, pelas igrejas do mundo. Um convite à dádiva do que de melhor temos, de mais precioso temos, do que mais falta nos faz, sacrificando-o, isto é, tornando-o sagrado. O tempo, por exemplo, de que somos reféns, pode ser uma boa oferta. Porque será, por certo, tão bom ou tão mau como o que com ele fizermos.

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

(Mc 12, 38-44)

7 de Novembro de 2009 – O texto de Pedro Magalhães

autarquicas-09Por estar temporariamente «deslocado», a leitura do semanário arouquense «Discurso Directo» só pode ser feita ao sábado. A pouco e pouco, este jornal já vai fazendo parte do quotidiano de Arouca, motivando as pessoas, pelo menos, a procurarem as notícias da semana. Esta semana, chamou-me a atenção a coluna do meu amigo Pedro Magalhães, que teve o condão de me prender desde a primeira palavra. A alusão no título a «politiquices» e «politiqueiros» locais, indicando, pela referência «I», que iria haver seguimento, não me deixou continuar a «passar os olhos» pelo resto do jornal, e fez-me sorver o texto do princípio ao fim. Nesse texto, Pedro Magalhães descreve o exemplo de um presidente de Junta de Freguesia, que, aparentemente, não olhou a meios para atingir os fins, recorrendo a expedientes que bem conhecemos, e que de político têm muito pouco, para atingir a vitória nas eleições autárquicas. Mas essa atitude de ameaça e de pressão apenas serviu para perder votos, e causar reflexão entre os votantes, que, por certo, agora estarão com outra imagem (e também outra exigência) do seu Presidente de Junta. O texto merece leitura e reflexão. Não só pelo que conta, mas por ser escrito pela pena de alguém que tem dedicado uma parte importante da sua vida à política e ao associativismo. Umas vezes acertando, outras errando, como todos nós, mas que, pelo menos da minha parte, merece o reconhecimento e o desejo de que, agora, também enquanto membro da Assembleia Municipal, continue, como com este texto, a trabalhar por uma Arouca melhor.

6 de Novembro de 2009 – O novo disco de Sting

stingSting é uma espécie de «camaleão musical», no bom sentido. Do som «punk» inconfundível dos «The Police», acabou por traçar uma carreira com um som mais ecléctico, passando depois por uma fase mais oriental/«new age», e, ultimamente, enveredou por uma sonoridade mais clássica, com um disco («Songs from the Labyrinth», com a chancela da «Deutsche Grammophon») dedicado ao compositor renascentista britânico John Dowland, acompanhado ao alaúde por Edin Karamazov. Agora, combinando a sonoridade erudita, o seu som ecléctico habitual e a música tradicional britânica, surge «If on a Winter’s Night…». O disco tem uma toada claramente natalícia, abrindo com «Gabriel’s Message», passando por várias melodias com letras alusivas ao Natal (na senda dos tradicionais «Carols» britânicos), e terminando com um sugestivo «You Only Cross My Mind In Winter». Pode não ser uma obra-prima, mas vale a pena descobrir estes sons.

09. Now Winter Comes Slowly – Sting
Now Winter Come Slowly

5 de Novembro de 2009 – Pacheco Pereira está de volta

parlamentoPacheco Pereira está de volta ao Parlamento, e, a avaliar pelo desempenho de hoje, «a matar». Contrariando a indicação dada por Aguiar Branco, líder parlamentar do PSD, Pacheco Pereira foi directo ao assunto, e questionou José Sócrates sobre o caso «Face Oculta», não sem antes ser bastante incisivo acerca do estilo do Primeiro-Ministro. Este episódio e a caricata tentativa de Ribeiro e Castro de tentar defender a honra da bancada sem que esta tenha sido atingida, causando mesmo surpresa entre os seus colegas de partido, foram os pontos mais «quentes» do debate de hoje. São indiscutíveis as qualidades, sobretudo intelectuais, de Pacheco Pereira, mas o seu estilo marcadamente pessimista (catastrofista, mesmo, por vezes) deitam tudo a perder. A sua intervenção de hoje foi pertinente, mas a não resposta de Sócrates, e um resvalamento de ambos para um ataque mais pessoal, não ajudaram a dignificar nenhum dos dois. Contudo, dá para ficarmos curiosos sobre futuros confrontos. Mesmo que Pacheco Pereira continue a «desobedecer» aos «patrões» do PSD.

4 de Novembro de 2009 – Corrupção e desenvolvimento

corrupcaoSegundo Cunha Rodrigues, ex-Procurador-Geral da República, a corrupção é uma crise das sociedades desenvolvidas, e até nem se pode dizer que Portugal seja dos piores casos. Das palavras de Cunha Rodrigues podemos depreender, e com uma certa razão, que a corrupção é, praticamente, sinónimo de desenvolvimento. Dificilmente pode existir corrupção se não houver algum conforto económico, que permita, precisamente, o «desvio» de alguns desses recursos, pelo menos enquanto a mesma corrupção não impeça o decurso normal do desenvolvimento económico. Vemos, por exemplo, as novas «terras de oportunidade», como Angola ou Moçambique. Os relatos que nos chegam são, de facto, de um arranque de algum desenvolvimento. E, como sabemos, lá está a corrupção a acompanhar esse mesmo desenvolvimento. Por cá, vai explodindo, pouco a pouco, o caso «Face Oculta», revelando, passo a passo, novidades escandalosas que envolvem gestores públicos e personalidades com responsabilidade na gestão do dinheiro de todos nós. Corrupção e desenvolvimento. Um binómio curioso.

3 de Novembro de 2009 – Passos a dar para ter ideias inovadoras

ideasMitch Ditkoff é o autor de um manifesto que procura provar que é possível ter ideias inovadoras seguindo alguns passos. Segundo Ditkoff, é no meio dos negócios que a inovação tem suscitado mais debate, sendo, para os homens do meio empresarial, um novo limite competitivo. O que despoleta a inovação são as pessoas, e o que estimula as pessoas são as ideias inspiradoras (expressas ou não). Sendo assim, o que é preciso é ter ideias, que é, de facto, a base de tudo o resto. Para Ditkoff, há 14 passos que podemos dar para as atingir. Segue-se uma tradução possível.

1. Siga o seu fascínio
2. Deixe-se envolver, absorver, imergir
3. Tolere a ambiguidade
4. Faça novas associações de pensamentos
5. Seja fantasioso
6. Defina o desafio correcto
7. Escute o seu subsconsciente
8. Faça uma pausa
9. Tome nota e desafie os padrões existentes
10. Contacte com diversos grupos de pessoas
11. Pratique o «brainstorm»
12. Procure por coincidências felizes
13. Use técnicas de pensamento criativas
14. Suspenda a lógica

2 de Novembro de 2009 – O que diz o Programa de Governo sobre a Cultura

socratesFoi hoje conhecido o Programa de Governo para os próximos quatro anos. Ao longo de 129 páginas, são expostas as ideias de base para a governação, espera-se que durante a próxima legislatura, nas mais variadas áreas, da Economia ao Social, e das Obras Públicas à Cultura. E foi exactamente neste sector que algumas novidades, pelo menos aparentemente, interessantes surgiram. Desde logo, a primeira referência a um aumento de orçamento (recorde-se que a grande batalha de Manuel Maria Carrilho, «fundador» do Ministério da Cultura, era ter 1% do PIB para investir), que, nas últimas décadas, nunca conheceu estabilidade, antes decrescendo significativamente. Do que se lê, fica-se com uma sensação agradável, mas, nestas coisas, nada como esperar para ver.

«4. Investir na Cultura
A cultura constituirá, na legislatura de 2009-2013, uma prioridade do Governo, no quadro das políticas de desenvolvimento, qualificação e afirmação do País.
São três os nossos compromissos centrais:
• Reforçar o orçamento da cultura durante a legislatura, de modo a criar as condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas para o sector;
• Assegurar a transversalidade das políticas culturais, garantindo a coordenação dos ministérios e departamentos envolvidos em políticas sectoriais relevantes para a cultura;
• Valorizar o contributo decisivo da criação contemporânea para o desenvolvimento do País, fomentando a constituição de redes ou parcerias e promovendo o aumento e diversidade das práticas culturais, através de políticas transparentes de apoio aos criadores, à formação de públicos e a uma maior interacção entre cultura, ciência e educação.

Assim, serão assumidos como objectivos da política cultural criar condições para que os cidadãos portugueses sejam culturalmente mais qualificados e mais participativos nas práticas culturais e na definição das políticas da cultura, no quadro de uma cultura do conhecimento, da criatividade e da inovação; assegurar que o ambiente social e urbano seja mais qualificado do ponto de vista do património e da memória, seja mais estimulante do ponto de vista do exercício dos talentos e mais facilitador da vida colectiva, criando espaços de encontro e interacção físicos e virtuais; disponibilizar meios económicos e instrumentos organizativos, estimulando a autonomia e incentivando os artistas e agentes culturais, permitindo-lhes exercer os seus talentos de forma mais livre, mais aberta e mais visível.

São de destacar três áreas: Língua; Património; Artes e Indústrias Criativas e Culturais».

(Programa do XVIII Governo Constitucional, p. 57)

1 de Novembro de 2009 – Um exemplo, no Dia de Todos os Santos

madre-teresaHoje é o dia em que se evocam todos os santos da Igreja. O Santo causa no «comum dos mortais» uma sensação de inatingível, uma ideia de modelo, de perfeição, de devoção total e de abnegação, quase abandono de si mesmo. Parece até que, às vezes, não é de humanos que falamos. Ora, sucede que não é bem assim. O Santo é, antes de mais, humano, e não poderia haver melhor prova de isso do que Madre Teresa de Calcutá. «Vem, sê a minha luz», o livro em que é divulgada alguma da sua correspondência, prova que foi precisamente na dúvida, na escuridão, na solidão, e, ao mesmo tempo, na miséria quotidiana que vivia e combatia diariamente que Deus sempre esteve. Mesmo quando ela pensava que era precisamente aí que ele não estava. Mais do que os santos de madeira ou mármore, famosos ou desconhecidos, fica o exemplo de humanidade de uma santa, que, na sua dúvida, na sua incerteza, no seu caminho perfeito, feito de imperfeição, nos deixou o exemplo de santidade «de carne e osso».

31 de Outubro de 2009 – Tomada de posse dos órgãos autárquicos

No dia em que os novos Secretários de Estado foram empossados, decorreu também a cerimónia de tomada de posse e instalação dos órgãos autárquicos (Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia). Na sequência dos resultados eleitorais, se no que diz respeito à Câmara Municipal e Juntas de Freguesia estávamos «entendidos», já para a Assembleia Municipal, pela forma como se processa a sua instalação, eleição e posse, aguardava-se, com alguma expectativa, o que pudesse acontecer, depois de os resultados terem ditado um empate, em número de eleitos, entre PS e CDS.

IMG_4640A Mesa da Assembleia Municipal, contrariamente ao que se possa pensar, é eleita pelos membros eleitos e pelos presidentes de Junta de Freguesia, que têm assento naquele órgão por inerência. Como candidato mais votado, coube ao Dr. Jorge Oliveira a condução da primeira reunião, que teve como ponto único, precisamente, a eleição da Mesa. Contrariando todas as expectativas, Paulo Portas não foi candidato, ficando duas listas em disputa, uma encabeçada por Jorge Oliveira, outra por Adriano Brandão. Saiu vencedor Jorge Oliveira, que terá como secretários Carlos Esteves e Rosa Sousa.

IMG_4749Da sessão ficam, assim, alguns apontamentos. Desde logo, a não candidatura de Paulo Portas nem tão pouco de Óscar Brandão, em representação da «direita», por assim dizer, deixa-nos a ideia de total desarticulação entre as forças partidárias da oposição e, no caso do PSD, mesmo no seio das suas próprias hostes. Da Mesa agora empossada fica a ideia de uma aliança entre a experiência (caso do Prof. Carlos Esteves), o trabalho e a dedicação (de que Jorge Oliveira foi exemplo no Executivo anterior) e a renovação (com o surgimento da Dr.ª Rosa Sousa, que, pelo seu perfil, será, com certeza, uma mais valia para a Mesa e para aquele órgão em geral).

IMG_4561Perante uma sala completamente cheia, o Prof. Zeferino Brandão conduziu aquele que foi, segundo o próprio, o seu último acto público enquanto «político activo». O seu exemplo ficará, por certo, como referência para todos aqueles que, de uma forma ou outra, intervêm na vida pública. Esperemos que a sua promessa de não «andar por aí» mas «estar aqui» se mantenha. Porque Arouca precisa da sua presença, da sua palavra, do seu contributo. Na variante ou na regionalização, como referiu, mas também em tudo o resto. Como observador atento da realidade. Como conhecedor de Arouca e dos seus problemas como poucos. Como trabalhador incansável por um futuro melhor.

30 de Outubro de 2009 – (Re)descobrir a música de Aaron Copland

aaron-coplandHá músicas, como livros, que nos entram pelos sentidos dentro sem darmos conta, e acabam por apoderar-se de nós. Foi mais ou menos o que aconteceu com a música de Aaron Copland. Copland, que nasceu em 1900 e morreu em 1990, é, provavelmente, o mais conhecido compositor americano (eventualmente só comparável a Gershwin), tendo saído da sua pena muita da música de que a América se pode gabar. Com Gershwin e Bernstein, esforçou-se por fazer da sua música um espelho da realidade em que viveu e trabalhou, colocando a essência do viver americano nos sons que compôs, da vida urbana, à multiplicidade étnica, do «Jazz» ao «Ragtime».

O site «ClassicalTv.com» tem disponível um documentário muito completo sobre o compositor, onde podemos ficar a conhecer a sua música, enquadrada por intervenções do biógrafo Howard Pollack e do maestro Hugh Wolff, com a Frankfurt Radio Symphony Orchestra, apresenta excertos de obras de referência de Copland, como «Fanfare for the Common Man», «Symphony No. 3», «Twelve Poems of Emily Dickinson» e excertos da Banda Sonora «Our Town». Há ainda, no vídeo, a curiosidade de aparecer Benny Goodman, numa apresentação do  «Concerto para Clarinete», a si dedicado pelo compositor. Há dias assim, em que (re)descobrimos coisas boas, que nos apetece saborear. E partilhar.