Muitas vezes, somos hipnotizados pelos sorriso fácil, pelas importâncias sociais, que se dão ou não, por falsas aparências. Inebriamo-nos com o (aparentemente) muito que alguns dão, mas esquecemo-nos de que esse muito, tal como o (aparentemente) pouco de outros, é relativo. A diferença está no que nos sobra ou no que nos falta para vivermos melhor. É mais ou menos esta a mensagem de hoje, pelas igrejas do mundo. Um convite à dádiva do que de melhor temos, de mais precioso temos, do que mais falta nos faz, sacrificando-o, isto é, tornando-o sagrado. O tempo, por exemplo, de que somos reféns, pode ser uma boa oferta. Porque será, por certo, tão bom ou tão mau como o que com ele fizermos.
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».
(Mc 12, 38-44)
Por estar temporariamente «deslocado», a leitura do semanário arouquense «Discurso Directo» só pode ser feita ao sábado. A pouco e pouco, este jornal já vai fazendo parte do quotidiano de Arouca, motivando as pessoas, pelo menos, a procurarem as notícias da semana. Esta semana, chamou-me a atenção a coluna do meu amigo Pedro Magalhães, que teve o condão de me prender desde a primeira palavra. A alusão no título a «politiquices» e «politiqueiros» locais, indicando, pela referência «I», que iria haver seguimento, não me deixou continuar a «passar os olhos» pelo resto do jornal, e fez-me sorver o texto do princípio ao fim. Nesse texto, Pedro Magalhães descreve o exemplo de um presidente de Junta de Freguesia, que, aparentemente, não olhou a meios para atingir os fins, recorrendo a expedientes que bem conhecemos, e que de político têm muito pouco, para atingir a vitória nas eleições autárquicas. Mas essa atitude de ameaça e de pressão apenas serviu para perder votos, e causar reflexão entre os votantes, que, por certo, agora estarão com outra imagem (e também outra exigência) do seu Presidente de Junta. O texto merece leitura e reflexão. Não só pelo que conta, mas por ser escrito pela pena de alguém que tem dedicado uma parte importante da sua vida à política e ao associativismo. Umas vezes acertando, outras errando, como todos nós, mas que, pelo menos da minha parte, merece o reconhecimento e o desejo de que, agora, também enquanto membro da Assembleia Municipal, continue, como com este texto, a trabalhar por uma Arouca melhor.
Sting é uma espécie de «camaleão musical», no bom sentido. Do som «punk» inconfundível dos «The Police», acabou por traçar uma carreira com um som mais ecléctico, passando depois por uma fase mais oriental/«new age», e, ultimamente, enveredou por uma sonoridade mais clássica, com um disco («Songs from the Labyrinth», com a chancela da «Deutsche Grammophon») dedicado ao compositor renascentista britânico John Dowland, acompanhado ao alaúde por Edin Karamazov. Agora, combinando a sonoridade erudita, o seu som ecléctico habitual e a música tradicional britânica, surge «If on a Winter’s Night…». O disco tem uma toada claramente natalícia, abrindo com «Gabriel’s Message», passando por várias melodias com letras alusivas ao Natal (na senda dos tradicionais «Carols» britânicos), e terminando com um sugestivo «You Only Cross My Mind In Winter». Pode não ser uma obra-prima, mas vale a pena descobrir estes sons.
Pacheco Pereira está de volta ao Parlamento, e, a avaliar pelo desempenho de hoje, «a matar». Contrariando a indicação dada por Aguiar Branco, líder parlamentar do PSD, Pacheco Pereira foi directo ao assunto, e questionou José Sócrates sobre o caso «Face Oculta», não sem antes ser bastante incisivo acerca do estilo do Primeiro-Ministro. Este episódio e a caricata tentativa de Ribeiro e Castro de tentar defender a honra da bancada sem que esta tenha sido atingida, causando mesmo surpresa entre os seus colegas de partido, foram os pontos mais «quentes» do debate de hoje. São indiscutíveis as qualidades, sobretudo intelectuais, de Pacheco Pereira, mas o seu estilo marcadamente pessimista (catastrofista, mesmo, por vezes) deitam tudo a perder. A sua intervenção de hoje foi pertinente, mas a não resposta de Sócrates, e um resvalamento de ambos para um ataque mais pessoal, não ajudaram a dignificar nenhum dos dois. Contudo, dá para ficarmos curiosos sobre futuros confrontos. Mesmo que Pacheco Pereira continue a «desobedecer» aos «patrões» do PSD.
Segundo Cunha Rodrigues, ex-Procurador-Geral da República, a corrupção é uma crise das sociedades desenvolvidas, e até nem se pode dizer que Portugal seja dos piores casos. Das palavras de Cunha Rodrigues podemos depreender, e com uma certa razão, que a corrupção é, praticamente, sinónimo de desenvolvimento. Dificilmente pode existir corrupção se não houver algum conforto económico, que permita, precisamente, o «desvio» de alguns desses recursos, pelo menos enquanto a mesma corrupção não impeça o decurso normal do desenvolvimento económico. Vemos, por exemplo, as novas «terras de oportunidade», como Angola ou Moçambique. Os relatos que nos chegam são, de facto, de um arranque de algum desenvolvimento. E, como sabemos, lá está a corrupção a acompanhar esse mesmo desenvolvimento. Por cá, vai explodindo, pouco a pouco, o caso «Face Oculta», revelando, passo a passo, novidades escandalosas que envolvem gestores públicos e personalidades com responsabilidade na gestão do dinheiro de todos nós. Corrupção e desenvolvimento. Um binómio curioso.
Mitch Ditkoff é o autor de um manifesto que procura provar que é possível ter ideias inovadoras seguindo alguns passos. Segundo Ditkoff, é no meio dos negócios que a inovação tem suscitado mais debate, sendo, para os homens do meio empresarial, um novo limite competitivo. O que despoleta a inovação são as pessoas, e o que estimula as pessoas são as ideias inspiradoras (expressas ou não). Sendo assim, o que é preciso é ter ideias, que é, de facto, a base de tudo o resto. Para Ditkoff, há 14 passos que podemos dar para as atingir. Segue-se uma tradução possível.
Foi hoje conhecido o
Hoje é o dia em que se evocam todos os santos da Igreja. O Santo causa no «comum dos mortais» uma sensação de inatingível, uma ideia de modelo, de perfeição, de devoção total e de abnegação, quase abandono de si mesmo. Parece até que, às vezes, não é de humanos que falamos. Ora, sucede que não é bem assim. O Santo é, antes de mais, humano, e não poderia haver melhor prova de isso do que Madre Teresa de Calcutá. 



Há músicas, como livros, que nos entram pelos sentidos dentro sem darmos conta, e acabam por apoderar-se de nós. Foi mais ou menos o que aconteceu com a música de Aaron Copland. Copland, que nasceu em 1900 e morreu em 1990, é, provavelmente, o mais conhecido compositor americano (eventualmente só comparável a Gershwin), tendo saído da sua pena muita da música de que a América se pode gabar. Com Gershwin e Bernstein, esforçou-se por fazer da sua música um espelho da realidade em que viveu e trabalhou, colocando a essência do viver americano nos sons que compôs, da vida urbana, à multiplicidade étnica, do «Jazz» ao «Ragtime».