Segundo as previsões do Instituto Nacional de Estatística, tudo indica que a colheita vinícola de 2009 vai ser de grande qualidade. Em termos quantitativos, a produção de vinho deverá aumentar 10% em relação a 2008, devendo ser de «excelente qualidade», segundo a mesma fonte. Os enófilos podem, assim, fixar o ano de 2009 como um ano a ter em conta nas suas provas e degustações. No que diz respeito a outras produções, espera-se um cenário positivo para a azeitona, um aumento da produção de tomate para a indústria e um aumento significativo da produção de pêra, maçã e amêndoa. Do lado das quebras, destaca-se o milho, a avelã e a castanha, esta última com quebras na ordem dos 20%, devido à falta de chuva. Boas notícias para o vinho, menos boas para a «terra da castanha».
17 de Novembro de 2009 – A «Web Social» está diferente
Nos últimos três anos, a blogosfera mudou substancialmente. É a principal conclusão de estudos recentes, mas não será preciso base académica para chegarmos à mesma conclusão. O texto publicado no portal «Read Write Web» dá conta de que há um crescendo de fidelização na ordem dos 30% ao ano em relação aos blogues. A isto não deverão estar alheias as novas formas de comunicação da chamada «Web 2.0», como o «Twitter», ou espaços como o «Facebook» e outros, integrados em torno da pessoa que os possa dinamizar. Cada vez mais queremos saber de tudo sobre tudo e sobre todos, rapidamente, de preferência. Podemos, então, concluir que não é só a blogosfera que está diferente, mas toda a «Web Social». Há muitos pontos de interesse nesta matéria, basta investigar. Por cá, esperamos que esta tendência abranja também «A Minha Agenda». Venham daí essas visitas.
16 de Novembro de 2009 – As boas-vindas ao Prof. Zeferino
No dia em que se retirou da vida política activa, escrevi assim: «Perante uma sala completamente cheia, o Prof. Zeferino Brandão conduziu aquele que foi, segundo o próprio, o seu último acto público enquanto ‘político activo’. O seu exemplo ficará, por certo, como referência para todos aqueles que, de uma forma ou outra, intervêm na vida pública. Esperemos que a sua promessa de não ‘andar por aí’ mas ‘estar aqui’ se mantenha. Porque Arouca precisa da sua presença, da sua palavra, do seu contributo. Na variante ou na regionalização, como referiu, mas também em tudo o resto. Como observador atento da realidade. Como conhecedor de Arouca e dos seus problemas como poucos. Como trabalhador incansável por um futuro melhor». Hoje, esse «estar aqui» concretiza-se no primeiro passo do seu blogue. Bem-vindo «aqui», estimado Professor.
15 de Novembro de 2009 – Não temos tempo
E se, realmente, o mundo acabasse agora? Será que estaríamos a viver a vida como ela merece? Estaríamos a absolutizar o que é absoluto e a relativizar o que é relativo? Estaríamos a ser justos e ponderados? Estaríamos a acautelar o futuro para os vindouros? Ou estaríamos fechados nos parênteses das 24 horas de cada dia, presos às nossas coisas, cingidos ao bem-estar e ao conforto de uma vida estável com que sonhamos? Queiramos ou não, o final virá. Mais cedo, mais tarde, de forma mais rápida ou mais lenta, mais ou menos sofrida. Mas virá. Nessa altura, olhando para trás, teremos feito o percurso com verticalidade e de forma recta? Não o sabemos. E não o sabemos, porque não temos tempo. Não temos tempo para pensar mais além do que no momento, porque tudo passa depressa. Não temos tempo para viver com quem devemos, porque há as outras coisas a que temos de atender. Não temos tempo para parar e fazer o bem, porque, muitas vezes, nos incomoda. E depois, vamos ter tempo?
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».
(Mc 13, 24-32)
14 de Novembro de 2009 – Às vezes gostava de ser o Dr. House
Ter a certeza de se ser, mais do que bom, o melhor. Ter a resposta certa na altura certa. Ter o estilo certo. Ter um poder de análise e observação rápido, simples e altamente eficaz. Às vezes dá vontade de ser como o Dr. House. Mesmo com sobranceria, rudeza ou má educação, o homem continua a estar sempre impecável. A sexta série já está a ser transmitida, e o tempo é sempre curto quando se quer ver mais um episódio. Hoje é dia de se colocar «a escrita em dia» no visionamento de episódios.
13 de Novembro de 2009 – A (falsa) paridade
À boa maneira portuguesa, e, de resto, como se esperava, não tardaram a aparecer exemplos de subversão da lei da paridade, pelo menos no que diz respeito às autarquias. Balanço feito, apesar da subversão, todos os partidos são unânimes ao reconhecer que a lei foi benéfica. Contudo, o que aconteceu em muitos casos foi que a inclusão de mulheres nas listas apenas cumpriu um formalismo, e agora, depois de empossadas, muitas delas acabaram por renunciar ao mandato, para que surgissem homens em sua substituição. Esta subversão da lei dá «pano para mangas» na reflexão. Sobre o condicionamento que pode ter havido sobre estas mulheres, que teriam o seu lugar por legítimo direito conferido pela Lei. Mas também sobre a sua cedência, ou anuência, ou conivência (o que lhe queiramos chamar) com esta situação.
12 de Novembro de 2009 – Arouca é dos piores concelhos para se viver (apenas para quem quer que assim seja)
O título é comprido, mas o ponto de vista é curto. Têm surgido vários textos em que se debate um estudo feito recentemente, que «define» Arouca como um dos piores concelhos para se viver. As questões que se colocam são: que parâmetros foram tidos em conta? Qual o objectivo do estudo? Qual a definição de «viver bem»? Que municípios estiveram em comparação? E muitas outras questões poderiam ficar a pairar no ar. Mas, questões à parte, o que me parece estranho é que sejam os próprios arouquenses a apontar o dedo, no fundo, para si próprios (até porque quando apontamos um dedo a alguém temos, no fundo, três a apontar para nós). Se todos contribuirmos com um pouco de nós, Arouca só será um dos piores concelhos para se viver para aqueles que quiserem que assim seja.
11 de Novembro de 2009 – Novos olhares sobre as autarquias
O conceito de autarquia indica poder sobre si próprio, ou autonomia, mas, também e ao mesmo tempo, poder absoluto. No âmbito local, apesar de estas definições, por vezes, coexistirem, o foco do conceito está, cada vez mais, numa justa e equilibrada gestão dos recursos endógenos, no planeamento e na gestão urbanística e na procura de formas de bem-estar comum. O universo autárquico tem vindo, progressivamente, a ganhar competências e a gerir, localmente, os seus recursos, que, anteriormente, estavam sob alçadas ministeriais. Tem sido este o caminho da regionalização, a que uns têm tentado fugir e a que outros têm aderido entusiasticamente. Hoje surgiram uma boa e uma má notícia, se as podemos classificar como tal. Por um lado, ficou a conhecer-se uma nova plataforma de intervenção e de cidadania. Por outro, uma possibilidade de os chamados «dinossauros» autárquicos estarem, possivelmente, a ver na regionalização uma possibilidade de carreira, usando da sua capacidade de pressão política para tal.
Comecemos por aquela que parece ser a notícia menos má. Surgiu, recentemente, na internet, o portal Autarquias.org, pretendendo ser um espaço de debate e de alerta para a resolução dos problemas que vão afectando, no dia a dia, as populações. Desta forma, os utilizadores podem, como diz o próprio portal, «reportar, ver, partilhar ou debater problemas do seu Município», contribuindo, assim, de uma forma activa, para o bem-estar dos seus concidadãos.
A notícia menos boa vem no «Jornal de Notícias». Segundo um estudo, a limitação de mandatos autárquicos e a (coincidente?) pressão que recentemente alguns autarcas têm feito no que diz respeito ao processo de regionalização estarão ligadas. A tese é de que, não podendo estes políticos (muitos deles de carreira) continuar no poder autárquico, poderiam, eventualmente, «prosseguir carreira» nas estruturas regionais. «São mais de uma centena de autarcas a nível nacional que irão exercer os seus mecanismos de pressão política para acelerar este processo», pode ler-se no texto que o «JN» publica.
São dois olhares, diferentes, que dão que pensar. Cada um da sua forma.
10 de Novembro de 2009 – Rua Sésamo, 40 anos
A Rua Sésamo só chegou a Portugal em 1989, mas estreou-se nos Estados Unidos no dia 10 de Novembro de 1969. Hoje, nos EUA, inicia uma nova temporada, e até Michelle Obama quis assinalar a data, com a sua presença, transformando o dia de hoje num verdadeiro «Dia da Rua Sésamo». Os «muppets» de Jim Henson e os conteúdos de índole educativa de Joan Ganz Cooney e Lloyd Morrisett não se ficaram pelas fronteiras americanas, percorrendo mais de 120 países com sucesso absoluto. Em www.sesamestreet.org há tudo sobre a Rua Sésamo, com jogos, informações, fotografias, vídeos, e muito mais. Para mais tarde recordar.
9 de Novembro de 2009 – Sócrates relê e reescreve a história
Não. Não foi a «perestroika» de Gorbatchov nem a acção de Lech Walesa na Polónia, nem o fim dos regimes comunistas de Budapeste, Praga, Sófia e Bucareste. Não. Para José Sócrates, foi a transição para a democracia revelada ao mundo por Portugal e Espanha que inspiraram a queda do Muro de Berlim. Para além do pretensiosismo, é absolutamente despropositado (para não dizer provinciano) que se pense que uma revolução em Portugal possa influenciar o que quer que seja. Felizmente, aos da minha idade a história só permitiu assistir à queda do Muro, mas ficamos a saber agora, pelas palavras do nosso Primeiro-Ministro, que foi o nosso país que contribuiu decisivamente para mudar o rumo da história do século XX.