Hoje, a «família» da Banda Musical de Arouca comemora os 184 anos. Pretexto para voltarmos a encontrar velhos amigos, ou os amigos de sempre, para o convívio, para a música, para relembrarmos os que já nos deixaram. O tradicional «jantar da Banda», como lhe costumamos chamar, é um marco obrigatório na vida da associação. Tempo de fazermos o balanço da época, de investir em caminhadas futuras, de projectar um ano novo que, esperamos, seja (pelo menos) tão bom como este. Há muita gente nova entre nós, garantia de continuidade. E a subida aos palcos da Casa da Música, do Europarque e do Parlamento, bem como a participação em dois programas televisivos da RTP, em Arouca, fizeram-nos sentir orgulhosos do trabalho que se vai fazendo. Neste momento, estão a passar todas as semanas pela Escola de Música perto de uma centena de pequenos músicos. Para que, daqui a 184 anos, continuem orgulhosos desta «escola de vida».
27 de Novembro de 2009 – O que os políticos andam a discutir nas entrelinhas
É natural que andemos demasiado atarefados no dia-a-dia para nos apercebermos, ou sequer pensarmos, no que andam a fazer os políticos que ajudamos a eleger. Pois bem, hoje mesmo, estão a discutir as hipotéticas (e, quase certamente, nulas) alterações à situação contributiva dos cidadãos, dizem alguns para «facilitar a vida» aos que, como eu, sofrem da «praga» do Recibo Verde. Mas, ao que tudo indica, pelo menos até esta hora, assistiremos à primeira «coligação negativa» no parlamento, com a oposição a vetar o projecto do Governo. Por outro lado, e mais «nas entrelinhas», o Presidente da Assembleia da República, depois de pôr fim à possibilidade de desdobramento das viagens dos deputados, quer alterar o sistema de faltas e justificações. Para quem está «de fora», a medida soa bem, se queremos ter um parlamento e deputados mais credíveis. Mas, à boa maneira retórica, parece que é preciso agendar uma reunião para se discutir «a matéria», que, pelos vistos, está a causar grande mau-estar entre deputados de todos os quadrantes. E nós, cá continuamos, no dia-a-dia.
«Isto não é a câmara dos Lords (…). Ser deputado implica ser deputado e não deputado em part-time».
Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República
26 de Novembro de 2009 – É óbvio que o poder interfere na comunicação social
A Entidade Reguladora da Comunicação Social vai apurar se existe interferência do Governo na actividade normal dos órgãos de comunicação social. Ou melhor. A Entidade Reguladora da Comunicação Social vai apurar que existe interferência do Governo na actividade normal dos órgãos de comunicação social. Ou não fossem alguns dos membros da ERC ex-assessores e especialistas em comunicação política o suficiente para perceberem que também eles já o fizeram, de uma forma ou outra. É óbvio que, cada vez mais, as instituições têm forçosamente de seguir o caminho da profissionalização da sua comunicação, assegurando, dessa forma, o mínimo fluxo de informação acerca da sua actividade, motivando os receptores (normalmente jornalistas) a aprofundarem as notícias produzidas, dando eco das mesmas. Apenas com esse gesto de preparação da informação, já está a haver interferência na comunicação social. Se daqui avançarmos para o teor das conversas que existem entre assessores e jornalistas, às informações que são trocadas, de parte a parte, em «off record», facilmente chegamos à conclusão de que o que os membros da ERC estão a tentar descobrir é se primeiro apareceu o ovo ou a galinha.
«Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport»
José António Saraiva, director do jornal «Sol»
25 de Novembro de 2009 – «Post» 300: As redes sociais
Mais de 16% dos portugueses com mais de 15 anos já andam pelas redes sociais. Portugal assume-se, assim, como um mercado em expansão, no domínio da internet, ao que não serão estranhas, em boa parte, as medidas de inclusão fomentadas pelo Governo. O uso da ferramenta internet para estes fins pode ser discutível, mas é, sem dúvida, um fenómeno que tem algum interesse acompanhar. Por exemplo, os portugueses continuam a preferir o «Hi5», que lidera o número de visitas a portais de redes sociais, seguindo-se o Windows Live (1,2 milhões de visitas), o Facebook (639 mil visitas) e o MySpace (289 mil visitas).
Ah, e este é o texto número 300 deste espaço diário.
24 de Novembro de 2009 – Questões da deficiência
Os americanos chamam-lhe «disability», como que referindo uma espécie de falta ou ausência de «habilidade» social a que os que nós chamamos «deficientes» estão sujeitos. Não serão, eventualmente, números oficiais, mas, pelo que se diz, serão entre 9 e 10% os que, em Portugal, sofrem de algum tipo de «desabilidade». E, desenganemo-nos, é a chamada «sociedade civil», através das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), quem assegura a estas pessoas um verdadeiro serviço público de apoio e de suporte ao desenvolvimento das suas capacidades. Em Arouca temos alguns exemplos, que nos ajudam a ter esperança numa sociedade aparentemente perdida. O Natal anda por aí, e talvez seja bom, entre outras coisas, também pensarmos um bocadinho nisto.
23 de Novembro de 2009 – Finalmente, trabalho comunitário
Noticia o jornal «Público» de hoje que os juízes estão, finalmente, a utilizar mais o recurso à pena de trabalho comunitário para delitos cometidos por jovens, à semelhança do que já sucede em outros países europeus. Em França, por exemplo, o trabalho comunitário é utilizado a uma escala diferente, e com resultados bem interessantes. Por exemplo, na separação de lixos. O conceito de «ecoponto» não existe em França. Existe, sim, um contentor para lixos orgânicos e outro para recicláveis. O lixo reciclável é todo colocado no mesmo contentor, acabando por ser separado por gente oriunda das prisões e que procura reintegração, gente equiparada à usufrutuária do rendimento de inserção, ou gente condenada a trabalho comunitário. O pagamento que recebem em troca é de dois, três e por vezes quatro salários mínimos, para uma jornada de trabalho que pode ir até 12 horas. Por cá, nem os números não são os mesmos, nem os destinatários. Fica, para já, o avanço.
«Que miúdos são estes? Quase sempre rapazes (88 por cento); quase sempre oriundos de zonas de construção ilegal e de bairros sociais. Têm 13 (21 por cento), 14 (27 por cento) ou 15 anos (36 por cento) quando cometem o crime – furtos e roubos, sobretudo. E 14 (20 por cento), 15 (32 por cento), 16 ou mais (30 por cento) quando cumprem a medida. Alguns nem sequer a cumprem».
(«Público», 23 de Novembro de 2009)
22 de Novembro de 2009 – A Banda no Europarque
Hoje foi dia de, com a Banda Musical de Arouca, voltar a pisar o palco do Europarque, em Santa Maria da Feira. De resto, o presente ano foi pródigo nestas andanças, com actuações na Assembleia da República, na Casa da Música e, agora, no Europarque. Um prémio merecido para quem, durante todo o ano, um pouco no «silêncio», vai trabalhando os seus sons e investindo, gratuitamente, na formação musical dos jovens arouquenses. E o resultado correspondeu a esse empenho quotidiano. Agora, venham novos desafios.
21 de Novembro de 2009 – Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta?
Hoje «assaltou-me» um pensamento, relacionado com o dito popular. Antigamente, tão ladrão era o que roubava como o que ficava à porta. Se quem pratica o acto ilícito conta, para isso, com a ajuda de alguém, esse alguém deve também ser co-responsabilizado. Ora, ao que parece, esta visão da realidade está longe de ser a que se pode aplicar ao caso de Manuel Godinho. Por muito rentável que fosse o seu negócio, por muito rico e influente que se pudesse ter tornado, muito estranho seria se, completamente sozinho, conseguisse entrar em negócios com as maiores empresas públicas. Mas assim não parece. Apesar de tudo, continua a ser o único detido e o único que, aparentemente, irá arcar com as consequências. Tudo porque quem «ficou à porta»…
20 de Novembro de 2009 – Futebol: ópio do povo, «combustível» de massas
Episódios como o da «Mão de Deus» de Maradona (agora reeditado por Thierry Henry) vêm complicar a já fervilhante caldeirada de sentimentos que envolve o futebol. Depois acabam por se envolver também os afectos de índole mais nacionalista, o orgulho ferido pela injustiça, em suma, a coisa complica-se. Ao mesmo tempo, o escaldante confronto Egipto – Argélia, como seria de se esperar, também gerou explosões de uma certa fúria pelas ruas do Cairo, com o sentimento de derrota a fazer das suas, numa zona do planeta onde o perigo dos fundamentalismos espreita a cada esquina. Ainda hoje, regressou a notícia de que há entidades de 10 países envolvidas em casos de corrupção e manipulação de resultados. Pensa-se que tenha havido falseamento de resultados em 200 jogos, alguns deles em competições europeias, com subornos a árbitros, jogadores e até treinadores, com o objectivo de ganhar dinheiro em apostas. Para finalizar, e colocar as coisas onde têm de estar, José Mourinho, sempre providencial, fez a sua análise da prestação possível de Portugal no próximo Mundial. «Portugal não tem hipóteses no Mundial. Há equipas muito melhores em prova». Assim mesmo. Seco. Implacável. Como uma derrota, justa ou injusta, mas antecipada, refreando o combustível em que, quase sempre irracionalmente, nos deixamos arder.
19 de Novembro de 2009 – A (pouca) importância da comunicação
Na grande maioria dos casos, o reconhecimento do real valor da comunicação, da «conversão» do trabalho comunicacional em dinheiro, ou não existe de todo, ou é praticamente ínfimo. O trabalho dos fotógrafos é constantemente violado, com utilizações indevidas e não autorizadas de material sujeito a direitos de autor e de reserva de propriedade. O trabalho dos «designers» e «webdesigners» é frequentemente desprezado, só porque se gosta ou não se gosta. E sobre o trabalho de texto, nem se fala. Porque parece que toda a gente percebe de comunicação. Toda a gente sabe comunicar. Toda a gente comunica. Portanto, é fácil. E, «para maior ajuda», o próprio sector não ajuda nada. Veja-se o exemplo do portal «Carga de Trabalhos», um espaço rico em ofertas de trabalho nas áreas de design/webdesign e comunicação social, e que se viu a braços com problemas complicados, por publicar excessivas ofertas de estágios/empregos mal remunerados (ou não remunerados, de todo). A título exemplificativo do estado em que o sector está, este portal, desde 2004, publicou mais de 15 mil ofertas de emprego. Dessas 15 mil ofertas, 15 a 20 por cento eram pedidos de estagiários, dos quais cerca de 30 por cento eram não remunerados ou só se ofereciam ajudas de custo. A sociedade não reconhece o real valor da comunicação, nem respeita o sector, mas o sector também não se dá ao respeito. «E andamos nisto».