Apesar de «pessoal e transmissível», o espaço é de opinião, e, como tal, aqui fica. Do jogo de ontem, que o Benfica ganhou mas poderia não ter ganho, em que o Benfica foi superior mas poderia não ter sido, em que o Benfica teve sorte mas poderia não ter tido; para além da vitória, o que ficou foi um tremendo «amargo de boca» pela excessiva falta de profissionalismo de Bruno Alves. Não tem a ver com o facto de ser do FCP, ou por qualquer outro tipo de «ressabiamento» (como se costuma dizer). Um futebolista é um ídolo, é fonte de constantes imitações e inspirações. E quando se faz o que Bruno Alves fez durante todo o jogo de ontem, o exemplo não é menos que péssimo. O insulto permanente (que as imagens bem mostraram), as agressões dissimuladas (que os próprios comentadores referiram) e aquela cena ao intervalo são tudo menos dignificantes para um profissional de futebol que, ainda por cima, assume a «capitania» de uma equipa. Repito, para que não fiquem dúvidas. O Benfica ganhou mas poderia não ter ganho, o Benfica foi superior mas poderia não ter sido, o Benfica teve sorte mas poderia não ter tido. Visto de forma «desclubística», esse «espectáculo» em concreto não foi nada bonito de ver.
(Foto: JN)

Pensei que os deputados faziam serviço público, que nos representavam, que estavam, efectivamente, ali para nos servir. Mas parece que não. Aliás, já parecia, mas agora há mais um indicador nesse sentido. José Lello, paladino da liberdade, que já havia lançado brados de indignação contra Manuel Alegre, veio, agora, insurgir-se contra a liberdade de movimentos dos fotojornalistas no hemiciclo. Porque, de repente, podem ser «apanhados» a fazer precisamente o que não devem, enquanto estão ao nosso serviço. E, como se não bastasse, os deputados do PS, em jeito de birra mal-educada, resolveram bater com a tampa dos seus computadores, com toda a força, num acto mimado e de perfeita irresponsabilidade. Não interessa se os computadores são pessoais ou públicos. O serviço que prestam é público, ou, pelo menos deve ser. E quanto mais transparente e à vista de todos, melhor. Birras, acessos de mimo e parvoíces, bem podiam ficar para outros fóruns.
O Benfica está nos quartos de final da chamada «Liga Europa», nome moderno para a mítica Taça UEFA. Numa exibição de elevada qualidade, a que a arbitragem nem sempre correspondeu, o Benfica derrotou o Marselha em França, e pode sonhar um pouco mais alto naquela competição europeia. Por momentos, voltou ao de cima a minha admiração por José Mourinho, ao recordar a campanha que fez à frente do FCP, começando, precisamente, por vencer a Taça UEFA, vencendo, no ano seguinte, a Liga dos Campeões. Seria bom que o Benfica fizesse um percurso idêntico. Mas, para já, apreciamos o sabor europeu deste Benfica (que faz lembrar outros grandes «Benficas» do passado), à espera do sorteio de amanhã, e com um piscar de olhos à Taça da Liga e ao Campeonato Nacional.
Os portugueses gostam de dizer que os descobrimentos foram o primeiro sinal de globalização. É provável que assim seja, se virmos a coisa de determinada perspectiva. Mas, se a perspectiva for outra, o canto gregoriano terá sido também uma das primeiras (senão a primeira) manifestação verdadeiramente globalizante. Para além da «performance», o canto gregoriano é oração, mas foi também a via privilegiada para o ensino da música. Para além disto, ficaram-nos exemplares belíssimos de antifonários, ricamente iluminados (a iluminura era uma das artes que distinguia os copistas). Alguns dos mais significativos exemplares estão guardados no Mosteiro de Arouca, o que nos deve fazer sentir ainda mais orgulhosos, e, acima de tudo, com ainda mais vontade de entender melhor esta forma musical, por vezes tão desprezada e mal compreendida.
A capa do «Jornal de Negócios» não deixa dúvidas. Vamos pagar mais impostos, já em 2010. Apesar da sucessiva investida mediática e política, que nos tenta demonstrar que os impostos não irão aumentar. Teremos portagens nas estradas que nos disseram ser sem custos. Continuaremos a gastar muito em combustíveis. Continuaremos literalmente a lutar com o IRS. Vamos continuar a ser fustigados por uma Segurança Social que não nos garante nada, a não ser a obrigatoriedade de contribuir. Ler jornais torna-se, cada vez mais, desmotivante. O que é fastidioso, quando é suposto que sejam eles a contar-nos a verdade mais verdadeira.
Vitalino Canas, a voz do PS, irritou-se. E irritou-se, não porque o país está mal, não porque o desemprego grassa, não porque divergimos da Europa, não porque o Primeiro-Ministro continua embrulhado em várias histórias não resolvidas, não porque o (des)investimento público é mal gerido, não porque há uma deputada do seu partido que, por ter residência oficial em Paris, continua a receber honorários acrescidos, sem dever ter direito a eles. Não por nada disto. Vitalino irritou-se porque o PSD alterou os seus estatutos, de forma a sancionar com expulsão os militantes que revelem desrespeito pelo programa, pelos estatutos, pelas directrizes do partido. Ou seja, o PSD e o seu funcionamento interno são mais importantes para o porta-voz do PS do que o país. Aliás, a utilização da primeira pessoa na sua declaração vincula-o mais a si próprio do que ao partido que representa, o que nos deixa mais sossegados. Quem conhece o funcionamento interno dos partidos, nomeadamente no que diz respeito às campanhas eleitorais, sabe bem que é extremamente penoso ver companheiros de partido dissidirem, e lutarem contra os que diz serem seus companheiros. Esta norma está presente nos estatutos e regulamentos internos de várias instituições, sejam elas associações, IPSS, ou outras. Mas, aparentemente, irrita alguns. Curiosamente, do outro lado da trincheira.
Pela primeira vez em alguns anos, ainda que de uma forma ténue, o PSD dá mostras de unanimidade. Curiosamente, quando a sua líder (talvez também a mais improvável dos últimos anos) se despede. Manuela Ferreira Leite, no seu estilo mais ou menos «old-fashioned» de fazer política, admitiu sempre que iria dizer a verdade, e nunca recorrer a «habilidades» (habitualmente) políticas. É, hoje, a prova de que não se ganham eleições assim, o que não deixa de ser um contrasenso, quando os portugueses se dizem fartos destes políticos. O PSD parece, hoje, mais unânime, o que é de estranhar ou, pelo menos, de fazer pensar no que virá a seguir.
Belmiro de Azevedo voltou «à carga» ontem, numa conferência sobre o Orçamento de Estado. As «farpas» estão no Diário Económico, e não são nada abonatórias para o Governo. De facto, cada vez temos menos propriedade para criticar quem quer que seja, porque quando a mediocridade domina pouco há a fazer. Neste caso, Belmiro também não é isento de críticas. Sabemos bem como consegue os seus resultados e das relações laborais (tensas) que mantém com os seus colaboradores. Contudo, resultados são resultados, e contra isso não podemos argumentar muito. Bem ou mal, com ou sem propriedade, Belmiro «malha» a sério na classe governante, que, afirma, está a fazer-nos regredir, reflexo da sua inépcia. As afirmações são curtas, como setas, daquelas que acertam na pessoa que tem a maçã na cabeça, perante o arqueiro, que (não) erra a pontaria.