21 de Março de 2010 – A tremenda falta de profissionalismo de Bruno Alves

Apesar de «pessoal e transmissível», o espaço é de opinião, e, como tal, aqui fica. Do jogo de ontem, que o Benfica ganhou mas poderia não ter ganho, em que o Benfica foi superior mas poderia não ter sido, em que o Benfica teve sorte mas poderia não ter tido; para além da vitória, o que ficou foi um tremendo «amargo de boca» pela excessiva falta de profissionalismo de Bruno Alves. Não tem a ver com o facto de ser do FCP, ou por qualquer outro tipo de «ressabiamento» (como se costuma dizer). Um futebolista é um ídolo, é fonte de constantes imitações e inspirações. E quando se faz o que Bruno Alves fez durante todo o jogo de ontem, o exemplo não é menos que péssimo. O insulto permanente (que as imagens bem mostraram), as agressões dissimuladas (que os próprios comentadores referiram) e aquela cena ao intervalo são tudo menos dignificantes para um profissional de futebol que, ainda por cima, assume a «capitania» de uma equipa. Repito, para que não fiquem dúvidas. O Benfica ganhou mas poderia não ter ganho, o Benfica foi superior mas poderia não ter sido, o Benfica teve sorte mas poderia não ter tido. Visto de forma «desclubística», esse «espectáculo» em concreto não foi nada bonito de ver.

(Foto: JN)

20 de Março de 2010 – Limpar Portugal. Limpar Arouca

Hoje é o dia em que, esperamos, Portugal vai ficar mais limpo. Arouca também aderiu em força ao movimento «Limpar Portugal», e a actividade incansavelmente mobilizadora dos principais elementos da coordenação concelhia merece um reconhecimento público. Jorge Amorim, Sérgio Sousa e José Cerca foram absolutamente incansáveis nos preparativos e na mobilização, trabalharam com verdadeiro profissionalismo e conseguiram o que todos pretendíamos: não que Arouca ficasse limpa, porque (infelizmente) continuamos a não ser civilizados, e a deixar lixo (maioritariamente resíduos de construção) em locais quase inacessíveis. Mas avançou-se muito, sobretudo na sensibilização e no alerta para (alguns) atentados ambientais que, muitas vezes, nos passavam (quase) despercebidos. À coordenação concelhia, a nossa vénia, neste que, esperamos, seja o primeiro dia de um novo Portugal, uma nova Arouca.

19 de Março de 2010 – Deputados, ou «meninos mimados»

Pensei que os deputados faziam serviço público, que nos representavam, que estavam, efectivamente, ali para nos servir. Mas parece que não. Aliás, já parecia, mas agora há mais um indicador nesse sentido. José Lello, paladino da liberdade, que já havia lançado brados de indignação contra Manuel Alegre, veio, agora, insurgir-se contra a liberdade de movimentos dos fotojornalistas no hemiciclo. Porque, de repente, podem ser «apanhados» a fazer precisamente o que não devem, enquanto estão ao nosso serviço. E, como se não bastasse, os deputados do PS, em jeito de birra mal-educada, resolveram bater com a tampa dos seus computadores, com toda a força, num acto mimado e de perfeita irresponsabilidade. Não interessa se os computadores são pessoais ou públicos. O serviço que prestam é público, ou, pelo menos deve ser. E quanto mais transparente e à vista de todos, melhor. Birras, acessos de mimo e parvoíces, bem podiam ficar para outros fóruns.

«Vários deputados do PS fecharam com força os seus computadores em protesto contra as explicações do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, sobre a natureza de serviço público daqueles computadores».

(«Público» online)

18 de Março de 2010 – Um Benfica europeu

O Benfica está nos quartos de final da chamada «Liga Europa», nome moderno para a mítica Taça UEFA. Numa exibição de elevada qualidade, a que a arbitragem nem sempre correspondeu, o Benfica derrotou o Marselha em França, e pode sonhar um pouco mais alto naquela competição europeia. Por momentos, voltou ao de cima a minha admiração por José Mourinho, ao recordar a campanha que fez à frente do FCP, começando, precisamente, por vencer a Taça UEFA, vencendo, no ano seguinte, a Liga dos Campeões. Seria bom que o Benfica fizesse um percurso idêntico. Mas, para já, apreciamos o sabor europeu deste Benfica (que faz lembrar outros grandes «Benficas» do passado), à espera do sorteio de amanhã, e com um piscar de olhos à Taça da Liga e ao Campeonato Nacional.

17 de Março de 2010 – «José Trocas-te», um problema semiótico

A semiótica é uma disciplina pela qual todos os que se dedicam ao estudo da comunicação e da linguagem têm de passar, obrigatoriamente. Autores/pensadores como Umberto Eco, Roland Barthes, Jürgen Habermas e outros dedicaram-se à reflexão sobre as formas de linguagem, sobretudo às formas de comunicação, como costumamos dizer, «entre linhas». Por outras palavras, a nossa comunicação não se dá apenas ao nível do óbvio, mas há muitas coisas que dizemos quando dizemos, mas também muitas coisas que dizemos quando não dizemos, e a forma como dizemos ou não dizemos pode querer dizer muita coisa.

Um dos episódios que, certamente, vai ficar na retina de muitos é a apresentação que um «speaker» faz do Primeiro-Ministro, numa cerimónia oficial. Ao chamar José Sócrates ao palco, a «voz-off» anuncia: «e agora vai usar da palavra o Primeiro-Ministro José Trocas-te». Tudo decorreu de forma aparentemente normal, mas a peripécia ficou no «Youtube». Isto, por si, já é um facto. Contudo, ter José Sócrates a discursar atrás de um painel que diz «RE.NEW.ABLE» pode querer dizer muita coisa. Para além da alusão às energias renováveis, depois do «Trocas-te» do anúncio em «off», apetece ler, nas entrelinhas, «Resposta: Novo. Hábil».

16 de Março de 2010 – A necessidade de regressar ao canto gregoriano

Os portugueses gostam de dizer que os descobrimentos foram o primeiro sinal de globalização. É provável que assim seja, se virmos a coisa de determinada perspectiva. Mas, se a perspectiva for outra, o canto gregoriano terá sido também uma das primeiras (senão a primeira) manifestação verdadeiramente globalizante. Para além da «performance», o canto gregoriano é oração, mas foi também a via privilegiada para o ensino da música. Para além disto, ficaram-nos exemplares belíssimos de antifonários, ricamente iluminados (a iluminura era uma das artes que distinguia os copistas). Alguns dos mais significativos exemplares estão guardados no Mosteiro de Arouca, o que nos deve fazer sentir ainda mais orgulhosos, e, acima de tudo, com ainda mais vontade de entender melhor esta forma musical, por vezes tão desprezada e mal compreendida.

15 de Março de 2010 – Afinal vamos ter subida de impostos

A capa do «Jornal de Negócios» não deixa dúvidas. Vamos pagar mais impostos, já em 2010. Apesar da sucessiva investida mediática e política, que nos tenta demonstrar que os impostos não irão aumentar. Teremos portagens nas estradas que nos disseram ser sem custos. Continuaremos a gastar muito em combustíveis. Continuaremos literalmente a lutar com o IRS. Vamos continuar a ser fustigados por uma Segurança Social que não nos garante nada, a não ser a obrigatoriedade de contribuir. Ler jornais torna-se, cada vez mais, desmotivante. O que é fastidioso, quando é suposto que sejam eles a contar-nos a verdade mais verdadeira.

14 de Março de 2010 – Vitalino irritou-se

Vitalino Canas, a voz do PS, irritou-se. E irritou-se, não porque o país está mal, não porque o desemprego grassa, não porque divergimos da Europa, não porque o Primeiro-Ministro continua embrulhado em várias histórias não resolvidas, não porque o (des)investimento público é mal gerido, não porque há uma deputada do seu partido que, por ter residência oficial em Paris, continua a receber honorários acrescidos, sem dever ter direito a eles. Não por nada disto. Vitalino irritou-se porque o PSD alterou os seus estatutos, de forma a sancionar com expulsão os militantes que revelem desrespeito pelo programa, pelos estatutos, pelas directrizes do partido. Ou seja, o PSD e o seu funcionamento interno são mais importantes para o porta-voz do PS do que o país. Aliás, a utilização da primeira pessoa na sua declaração vincula-o mais a si próprio do que ao partido que representa, o que nos deixa mais sossegados. Quem conhece o funcionamento interno dos partidos, nomeadamente no que diz respeito às campanhas eleitorais, sabe bem que é extremamente penoso ver companheiros de partido dissidirem, e lutarem contra os que diz serem seus companheiros. Esta norma está presente nos estatutos e regulamentos internos de várias instituições, sejam elas associações, IPSS, ou outras. Mas, aparentemente, irrita alguns. Curiosamente, do outro lado da trincheira.

«Fiquei incrédulo e estupefacto quando tomei conhecimento dessa alteração estatutária. A confirmar-se essa alteração estatutária, quase 36 anos após o 25 de Abril de 1974, estaremos perante uma verdadeira lei da rolha, uma lei estalinista implementada por um partido democrático».

(Vitalino Canas, em conferência de imprensa após o Congresso do PSD)

13 de Março de 2010 – Uma rara unanimidade

Pela primeira vez em alguns anos, ainda que de uma forma ténue, o PSD dá mostras de unanimidade. Curiosamente, quando a sua líder (talvez também a mais improvável dos últimos anos) se despede. Manuela Ferreira Leite, no seu estilo mais ou menos «old-fashioned» de fazer política, admitiu sempre que iria dizer a verdade, e nunca recorrer a «habilidades» (habitualmente) políticas. É, hoje, a prova de que não se ganham eleições assim, o que não deixa de ser um contrasenso, quando os portugueses se dizem fartos destes políticos. O PSD parece, hoje, mais unânime, o que é de estranhar ou, pelo menos, de fazer pensar no que virá a seguir.

«Sabíamos que a história nos ia dar razão. Não nos arrependemos. A política para mim só faz sentido quando temos como principal objectivo servir o país».

(Manuela Ferreira Leite, no seu discurso de despedida, perante a plateia do XXXII Congresso Nacional do PSD)

12 de Março de 2010 – Belmiro volta a «malhar»

Belmiro de Azevedo voltou «à carga» ontem, numa conferência sobre o Orçamento de Estado. As «farpas» estão no Diário Económico, e não são nada abonatórias para o Governo. De facto, cada vez temos menos propriedade para criticar quem quer que seja, porque quando a mediocridade domina pouco há a fazer. Neste caso, Belmiro também não é isento de críticas. Sabemos bem como consegue os seus resultados e das relações laborais (tensas) que mantém com os seus colaboradores. Contudo, resultados são resultados, e contra isso não podemos argumentar muito. Bem ou mal, com ou sem propriedade, Belmiro «malha» a sério na classe governante, que, afirma, está a fazer-nos regredir, reflexo da sua inépcia. As afirmações são curtas, como setas, daquelas que acertam na pessoa que tem a maçã na cabeça, perante o arqueiro, que (não) erra a pontaria.

«Há um consenso entre os agentes económicos de que o Governo é o mais ineficiente».

«Estamos a andar em marcha atrás, sem esquecermos que, em termos de capital humano, quem está nos lugares são os inimputáveis e os burocratas».

«O Governo não é um sujeito de bem, foge às responsabilidades e acaba por incentivar os privados também a serem incumpridores».

«Com um governo irresponsável tudo pode acontecer, não podemos ter amadores a gerir o país».

«É impossível que o TGV vá competir com as ‘low-cost’».

(Belmiro de Azevedo, numa conferência organizada pela KPGM e pelo Diário Económico)