Hoje apetece-me abordar a coisa de um ponto de vista jocoso. Ao que parece, segundo o jornal «Público», Portugal vai ter de importar esperma. Numa altura em que a auto-estima dos portugueses já não anda nada bem, esta notícia não ajuda absolutamente nada. Num raciocínio primário, somos levados a crer que os homens portugueses não estão a dar «conta do recado». Mas, como todas as ameaças podem ser oportunidades, quem sabe não estará aí o segredo para, geneticamente, podermos enriquecer qualquer coisinha a nossa posição?
29 de Abril de 2010 – Continuam os cortes nas estradas, ou não
O Governo, aliás como todos nós, vai agindo como uma «barata tonta», e agora, perante as ameaças das agências de «rating», volta a acenar com cortes nas vias rodoviárias previstas, mantendo as grandes obras do TGV e do aeroporto. Contudo, sabemos hoje, nem todas as vias rodoviárias são para deixar cair. A mais cara, curiosamente adjudicada à Mota-Engil, mantém-se, com a justificação de que sairia mais caro ao Estado suspender o concurso do que pagar a obra. E perante isto, continuamos sem saber se, em pleno século XXI, Arouca tem de continuar sem uma ligação rodoviária condigna ou não. Os governantes continuam a passar por cá, queixando-se das dificuldades no acesso, mas, depois do lauto almoço, regressam ao conforto dos gabinetes do Terreiro do Paço, e nós cá continuamos. No tal «Portugal profundo», de quem se vão rindo, vivendo, tranquilamente, à sombra dos sacrifícios destas gentes.
28 de Abril de 2010 – A táctica da força contra a força da táctica
Mourinho provou-se igual a si próprio, ao construir um autêntico muro, contra o qual o Barcelona foi «batendo com a cabeça», até se aperceber, da pior forma, de que transpô-lo era praticamente impossível. O futebol efusivo e de espectáculo da equipa de Pep Guardiola foi absolutamente ineficaz para contrariar o posicionamento defensivo do Inter de Milão, que, contra as expectativas (apenas goradas pelo resultado da primera mão), chega à final da Liga dos Campeões. O jogo de Mourinho, cerebral e frio, como de costume e como tão bem costumam fazer as equipas italianas, gelou absolutamente Camp Nou, e sagra o treinador português como um verdadeiro «jogador de xadrez» do futebol. Diria o «saudoso» Gabriel Alves, e com propriedade, que foi «a força da tática contra a táctica da força». Ou vice-versa, tanto faz…
27 de Abril de 2010 – A (falta de) saúde em Arouca
A questão da saúde é sempre discutível e discutida, porque o grau de urgência dos casos depende do critério, como a própria dor, de resto, que não é sentida por todos da mesma forma. Hoje, o Secretário de Estado da Saúde visitou Arouca, para inaugurar o Serviço de Urgência Básica (SUB), no Centro de Saúde, já em funcionamento desde o ano passado, e firmar um protocolo com a Santa Casa da Misericórdia para especialidades (a boa notícia). O que ficou mais ou menos por dizer foi que há mais de 1/3 da população arouquense sem médico de família, o que, aliado aos fechos sucessivos dos postos de saúde, redunda numa efectiva dificuldade (ou mesmo falta) de acesso aos serviços de saúde. O antigo SAP (Serviço de Atendimento Permanente) ainda disfarçava esta situação, com muita gente a recorrer a esse serviço para um contacto com o seu médico. Mas agora nada disso é possível, até porque os sistemas informáticos do SUB e dos médicos de família são diferentes, e nem sempre (ou quase nunca) o acesso é possível. Para não falarmos nos valores das taxas moderadoras. Perante a situação, Manuel Pizarro assobiou para o lado, e a única coisa que «tirou da cartola» foi culpabilizar o PSD por ter travado a formação de médicos de 1985 a 1989. Vale o que vale.
26 de Abril de 2010 – Uma ideia de génio, para um golpe de marketing
A «Heineken», patrocinador oficial da Liga dos Campeões, foi responsável por um «lance de marketing» absolutamente genial, em Itália. Segundo se pode ler nas informações que circulam na internet, o resultado para a marca foi extraordinário, mas vamos por partes. O que se passou foi que, na noite de 21 de Outubro, o jogo grande da Liga dos Campeões era um Real Madrid vs. AC Milan. Ora, o desafio da «Heineken» foi convencer vários professores universitários, namoradas e chefes a dissuadirem os seus alunos, namorados e subordinados a irem a um concerto, nessa noite. Todos foram incapazes de recusar a ida, ficando, assim, impedidos de ver o jogo. Só que… o resto está no vídeo. Resultado: 1136 «vítimas», apanhadas no concerto; cerca de 1,5 milhões de pessoas que viram o evento ao vivo pela «Sky Sport»; 10 milhões de pessoas que leram sobre o evento na imprensa do dia seguinte; mais de 5 milhões de visitas ao vídeo, na internet; e inúmeras, imensas referências em «sites» e blogues. Sucesso garantido para a «Heineken», o prémio merecido pela ideia de génio.
25 de Abril de 2010 – Sons entre mar e serra
Quis o «destino» que o dia 25 de Abril fosse comemorado com sons entre mar e serra. Foi este o nome que o Coral Calçada Romana deu ao seu evento, que, durante quatro dias, procurou divulgar a música coral em geral, privilegiando o cancioneiro local (o maior do país, segundo se sabe, com mais de 1000 recolhas). O Coral Calçada Romana é uma associação de Alqueidão da Serra, concelho de Porto de Mós, e tem no seu maestro, Joaquim Vicente Narciso, um verdadeiro motor. As actuações foram variadas, sempre na toada da música de cariz tradicional, terminando com a execução conjunta de uma das canções recolhidas para o Cancioneiro de Entre Mar e Serra, seguindo-se o já habitual e muito salutar convívio. De regresso, a animação foi muita, fruto de um dia bem passado e de uma boa prestação, como sempre, divulgando também o Cancioneiro de Arouca, do qual todos nos podemos (e devemos) orgulhar.
24 de Abril de 2010 – «Ola Swing» em concerto
Na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974, os militares traziam a revolução (e, com ela, a liberdade) para as ruas. Este ano, para assinalar a data, a Câmara Municipal de Arouca convidou a Orquestra Ligeira da Banda Musical de Arouca (OLA SWiNG) para um concerto que se revelou, pelo menos para quem estava em cima do palco, uma surpresa muito agradável. Tocar para uma Praça Brandão de Vasconcelos completamente cheia não acontece todos os dias, e hoje teve um sabor especial. Pela data, pelo som produzido, pelo público. Estamos em maturação, e é uma sensação interessante.
23 de Abril de 2010 – Em afinações, no órgão do Mosteiro
Com a precisão de um relojoeiro, Mário d’Amico começou hoje a afinação, um a um, dos 1352 tubos do órgão do Mosteiro de Arouca. D’Amico é um dos elementos da fabulosa equipa de organaria chefiada por Gerhard Grenzing, e aproveitou a passagem por Portugal para fazer a manutenção do órgão de Arouca. A 2 de Maio, esperamos, nas cerimónias religiosas em honra da Rainha Santa Mafalda, «a voz» há-de voltar a ouvir-se. Afinada, como sempre, desta vez também graças à forma filigranada como esta equipa de organaria tem trabalhado connosco. Sempre com o maior respeito pelo instrumento e pelo testemunho vivo que ele constitui.
22 de Abril de 2010 – O(s) problema(s) de pensar a Cultura
A partir de hoje, debate-se, na Fundação Gulbenkian, a gestão das organizações culturais. É uma boa e uma má notícia. Boa, pelo facto de se debater o assunto com a presença de especialistas internacionais, com uma experiência de sucesso reconhecida. Má, pelo facto de ser em Lisboa, e de estas coisas permanecerem distantes da grande maioria das pessoas que poderiam (e algumas deveriam) ter acesso a eventos como este. Estudos recentes afirmam que a cultura é potenciadora de riqueza, mas parece que continuamos a não (querer) perceber isso. Como não é obra que fique, visível e imponente (ou não), como é imaterial, prefere-se deixar para depois, ou para nunca. Porque parece um gasto, mas o investimento é enorme. É esse um dos problemas da cultura.
21 de Abril de 2010 – Sampaio está indignado
Jorge Sampaio pôs o dedo a fundo na ferida das desigualdades sociais. Há escolhas que se fazem, normalmente para ganharmos menos. Mas o prémio chorudo oferecido a gestores públicos incomoda, e incomoda muito. É muito dinheiro, quando muita gente ganha pouco. Na Assembleia da República, Inês de Medeiros viu aprovada a sua elevação a estatuto de deputada emigrante, recebendo ajudas de custo por, alegadamente, morar em Paris, apesar de ter sido candidata por Lisboa. O FMI continua a pairar no ar, numa altura em que a Grécia, para onde vamos olhando à medida que chegamos ao abismo,vai de mal a pior. E Sampaio está indignado, e com razão. É-se político (ou gestor público, tanto faz) por escolha, sabendo-se das vantagens e desvantagens antes de se aceitar. Mas olharmos para o lado, e vermos alguém exactamente igual a nós chegar a um nível salarial e de regalias para o qual teremos de viver quase 100 anos para atingir, dói. Muito.
«Deve ser difícil ao trabalhador de uma grande empresa pensar que deu o seu contributo honesto para o produto final anual e ao mesmo tempo ter a noção que houve alguém premiado a um montante tal que ele levaria 96 anos da sua vida a ambicionar lá chegar»
(Jorge Sampaio, num debate na Fundação Mário Soares)