10 de Maio de 2010 – A (des)organização (des)organizada

Cada vez mais estou certo de que a (des)organização é uma «doença» contagiosa. Pior quando se trata de uma organização desorganizada. Em Portugal, o que parece acontecer sucessivamente, é que não temos vocação «mandadora». Já Salazar dizia que se soubéssemos o quanto custa mandar, não nos importaríamos de obedecer toda a vida. Muitos de nós discordam, porque mandar parece fácil. Basta, de facto, mandar. O problema é que raramente (nunca?) se pesam as consequências do que se manda. Sobretudo ao nível do impacto que isso tem na organização ou desorganização de quem obedece. Mas, nos tempos que correm, tudo é possível.

9 de Maio de 2010 – Campeões

O Benfica sagrou-se campeão pela 32.ª vez na sua história. Cardozo afirmou-se como melhor marcador do campeonato. O povo saiu à rua para festejar o título. Arouca não fugiu à regra. Para o ano, o Benfica promete ser mais europeu. Mas para já, é melhor concentrarmo-nos no momento. Assim sendo, ponto final na escrita telegráfica.

Vou festejar. Um bocadinho.

8 de Maio de 2010 – Orquestra Barroca da Casa da Música em Arouca

«Serenatas Nocturnas» foi o mote para um verdadeiro roteiro musical pelas cidades de Viena e Salzburgo. A Orquestra Barroca da Casa da Música veio a Arouca, onde o seu som, verdadeira filigrana, se fundiu completamente com o magnífico espaço do cadeiral do Mosteiro. Do Barroco ao Classicismo, ouvimos Mozart, Schmelzer, Biber e Muffat, alguns dos mais importantes compositores da época, cuja arte ia fazendo da Áustria o centro musical do mundo. A Orquestra Barroca Casa da Música, dirigida por Laurence Cummings é, provou-o, um agrupamento de nível internacional, que os arouquenses tiveram oportunidade de ver sem qualquer custo de bilheteira. Pena foi que o público não tivesse correspondido ainda melhor.

7 de Maio de 2010 – As sextas-feiras

As sextas-feiras costumam ser dias bons, excepto quando calha sexta-feira dia 13. Mas nem sempre. Quando o fim-de-semana é mais um início da seguinte, sobra pouco espaço para se saborear a sexta-feira. Tal como o país, talvez seja preciso mudar de vida, recentrar os objectivos, repensar os desgastes. E desejar muito que a sexta-feira volte a ser o que era. Uma bela «rampa de lançamento» para um fim-de-semana tranquilo. Uma pausa na agressividade própria da semana. Uma marca de ciclo. Um fechar de olhos momentâneo, para que tudo volte a ser como era. Ou, se possível, ainda melhor.

6 de Maio de 2010 – Afinal o que são grandes obras?

O problema dos conceitos é a relatividade. A construção mental que cada um faz do que lhe é dito ou dado a experienciar é altamente variável. Isto para dizer que o conceito de «grandes obras», de que tanto se tem falado, pode e deve ser discutido, alto e bom som. O que é, afinal, uma grande obra? Será um megalómano aeroporto e uma sofisticada linha de alta-velocidade, quando a coesão territorial e a ligação rodoviária decente entre as partes de uma região como a Área Metropolitana do Porto não estão asseguradas? A discussão sobre as grandes obras faz lembrar o aristocrata falido, que continua a passear na rua com roupa de fidalgo, continua a mostrar as paredes exteriores da sua casa de fidalgo, continua, em tudo, a parecer fidalgo, mas, na intimidade, alimenta-se de sandes mistas em pão de forma. Portugal tem a mania (talvez vinda já desde a altura em que a política das descobertas se transformou em «política de transporte») de se pensar de fora para dentro. É por isso que nunca sabemos muito bem de nós, e temos de andar, sempre, a reboque de alguém (a Europa?) que nos vá puxando as orelhas todos os dias, e várias vezes ao dia.

5 de Maio de 2010 – Ricardo Rodrigues «passou-se»

Comunicar, sob vários pontos de vista, é um risco, e os políticos deviam saber disso melhor que ninguém. E Ricardo Rodrigues, que assume papel de porta-voz, mais ainda. A revista «Sábado» conduzia uma entrevista, quando as perguntas começaram a atingir temas que não lhe seriam muito agradáveis. Para além de demonstrar o seu enfado, Ricardo Rodrigues abandonou a sala, na posse dos gravadores que os jornalistas utilizavam. O acto deve ter sido irreflectido, mas talvez tenha sido exagerado. Quem conhece minimamente as «leis da propaganda» sabe bem que o silêncio é sempre uma arma possível. E, muitas vezes, mais eficaz que a «apreensão» de material.

4 de Maio de 2010 – Um percurso ao contrário

Uma das curiosidades da pedagogia musical é parecer, neste momento, estar a fazer um percurso «ao contrário», mas que se revela interessantíssimo. Quando iniciamos a empresa de aprender a ensinar música, o desafio que nos é colocado é, precisamente, regressar ao princípio de tudo. Às primeiras formas sonoras/musicais, aos primórdios da escrita, ao desenvolvimento das escolas monásticas e dos sistemas sociais associados aos mosteiros (verdadeiros motores do desenvolvimento intelectual, apesar de todas as críticas – históricas e actuais – possíveis). E é ao fazer esse percurso «ao contrário» que nos apercebemos de que a música não é tão imediata quanto pensamos. Hoje é fácil, ela está em todo o lado e de várias formas. Mas não foi sempre assim, e há páginas de ouro, imensas, que estão por aí, à espera de serem descobertas.

3 de Maio de 2010 – Uma ferramenta para os daltónicos

Chamamos daltónico a alguém que não consegue percepcionar as cores «correctamente», que vai entre aspas por ser um termo subjectivo. As razões são genéticas, e têm a ver com o facto de os cromossomas herdados poderem «carregar» já essa «anomalia». Números redondos, há cerca de 10% de portugueses daltónicos, e 2% de portuguesas. Para combater esta situação, um designer português, Miguel Neiva, encontrou uma forma de ajudar os daltónicos. Trata-se de uma espécie de «código gráfico», que associa cores com formas, e que segundo os testes feitos tem uma aprovação significativa. Boas notícias para aqueles que nem sempre conseguem aperceber-se correctamente de que o sinal mais alto do semáforo é vermelho, ou de que as árvores são verdes, ou ainda, e pior do que tudo, não conseguem deslumbrar-se como deveriam com a paleta de cores de um arco-íris.

2 de Maio de 2010 – O FC Porto ganharia de qualquer forma

Ferido no orgulho e com uma postura táctica irrepreensível, o FC Porto venceu o Benfica, na penúltima jornada do campeonato, adiando as decisões para a última jornada, obrigando o eterno rival a pontuar, se quiser sagrar-se campeão. E venceria de qualquer forma, mesmo que os seus adeptos (e até alguns dos seus responsáveis) não tivessem embarcado numa estratégia de intimidação absolutamente dispensável, do arremesso de bolas de golfe e tinta aos autocarros, ao arremesso de isqueiros para dentro do campo, ao rebentamento de «petardos». Tudo isto foi absolutamente desnecessário, porque foi, de facto, a melhor equipa em campo. O que demonstra, apenas, que os adeptos portistas não tinham confiança total na sua equipa, porque, caso contrário, tanta intimidação (e mesmo a violência) não era necessária.

1 de Maio de 2010 – Convento de Sandelgas

A «vida de músico» tem destas «sortes». Hoje fiquei a conhecer o Convento de Sandelgas, em São Martinho de Árvore, ali para os lados de Coimbra. Outrora habitado pelas religiosas da Terceira Regra de São Francisco de Assis, edifício do século XVII, recebeu várias visitas ilustres, sendo, actualmente, propriedade privada. O espaço interior é divinal, com os jardins cuidados com um bom gosto superior, e um enquadramento paisagístico dos elementos decorativos onde o acaso não existe. Neste momento, pelo que deu para perceber, este Convento está vocacionado para a organização de eventos, mas que merecia bem uma visita, merecia. Conheça melhor este espaço aqui.