A Fundação Francisco Manuel dos Santos está a promover uma colecção de ensaios sobre temas relevantes da sociedade portuguesa. Uma das «acções promocionais» desta colecção foi feita por António Barreto, no «Jornal 2» da RTP, e os temas apresentados fazem, no mínimo, despertar a curiosidade. São textos breves (e baratos), que reflectem sobre temáticas como o ensino do português e da matemática e o estado da economia, entre outros, e todos eles custam menos de 5 euros. Um dos locais onde pode encontrar estes livros é o portal da Fundação (www.ffms.pt), ou então, («surprise, surprise»), num «Pingo Doce» perto de si, visto que o grupo Jerónimo Martins é um dos membros da Fundação.
18 de Julho de 2010 – Banda Musical de Arouca vai comemorar 185 anos
A Banda Musical de Arouca vai comemorar 185 anos com um grande concerto, em frente ao Mosteiro de Arouca. O evento contará com os comentários e a apresentação do Maestro António Victorino d’Almeida, e com a colaboração do Grupo Coral de Urrô, do Orfeão de Arouca e do Orfeão de Vale de Cambra. Este concerto não promete ser melhor nem pior que nenhum outro, promete apenas ser diferente. Afinal, 185 anos é uma idade que não se atinge todos os dias. A melhor prenda que se pode dar à associação é vir a este concerto. Sábado, 31 de Julho, em frente ao Mosteiro de Arouca. São 185 anos em prol da música e da formação dos jovens, condensados num concerto que se espera pleno de emoções e também de momentos formativos, com os comentários de alguém que comemora também 70 anos de vida e 55 de carreira, e que é um dos expoentes máximos da música portuguesa – Victorino d’Almeida. Valerá a pena, com certeza.
17 de Julho de 2010 – «Os devoradores de livros», de António Victorino d’Almeida
«Os devoradores de livros» é o mais recente título publicado pelo maestro António Victorino d’Almeida. Depois da saga literária de «Coca Cola Killer» e «Tubarão 2000», e da obra de fôlego «Toda a música que eu conheço», estes devoradores de livros «empurram-nos» de novo para o lado mais humorístico do autor. São alguns contos, em que a literatura, a filosofia e o «non-sense» andam sempre a par, servidos à mesa para uma leitura rápida e (quase) descomprometida, saborosa até, neste período de verão. São vários os títulos já publicados por António Victorino d’Almeida, personalidade multifacetada da cultura portuguesa. Destaca-se, claramente, na música, mas foi também realizador e escritor, entre outras incursões. Da obra literária, destaca-se, claramente, «Coca Cola Killer», um livro deliciosamente engraçado, que vale a pena ser lido, e que só podia ter saído da pena de alguém como o Maestro. Hoje foi dia de começar a «devorar», e, para já, sabe bem e recomenda-se.
16 de Julho de 2010 – Continuamos demasiado académicos
Portugal deve ser dos poucos países (talvez) do mundo onde fazemos questão de colocar o título académico antes do nome. Até nos «malfadados» cartões multibanco. Graças a essa obsessão, ganhámos a tendência natural para «complexificar» o discurso académico, fazendo com que o que muitas vezes é simples pareça inacessível e só «dominável» por uma elite: os académicos, precisamente. Mantemos a proibição de falar sobre as coisas de uma forma simples e acessível. Isso, só os académicos podem fazer, quando querem, quando lhes apetece. Tudo tem de ser metafísico, inacessível, complicado, indecifrável. No fundo, como os pequenos estudantes que escondem o que fazem dos colegas, com medo que copiem, em vez de partilharem conhecimento.
15 de Julho de 2010 – Sábias palavras: «Sócrates é ruído»
Li não sei aonde, mas nunca se conciliaram tão eficaz e perfeitamente as representações mentais do que vemos, do que sentimos e a conjugação de palavras. Cada vez mais, diga verdade ou mentira, anuncie boas ou más medidas, resolva-nos ou não a crise, tudo o que José Sócrates produz é um imenso ruído, no meio do qual, de vez em quando, ouvimos qualquer coisa, maioritariamente fruto da insistência. Sócrates anuncia auto-estradas da informação, quando, ao mesmo tempo, taxa atabalhoadamente as estradas que o seu partido construiu com o objectivo de serem gratuitas. Onera, assim, as empresas que têm de usar essas mesmas estradas (a título de exemplo, a A29, que liga duas cidades portuárias, e a A25, que nos leva à fronteira), e apregoa a competitividade. Proclama-se o investimento no conhecimento, e depois temos Novas Oportunidades e gente sem capacidade financeira para sustentar os estudos universitários. Proclama-se o simplex, e continuamos a ver os serviços públicos a gastarem resmas de papel para imprimirem todos os passos que dão, porque não têm a certeza de que estejam a dá-los bem. Proclama-se a queda do desemprego, mas continuamos a ver os «RSI» e os recibos verdes, esses que, ao mesmo tempo que são precários, vêem o Estado considerar como lucro 70% do (pouco) que ganham. Vemos, depois, Sócrates com a veia jugular saliente, a pugnar sozinho pelo futuro de um país, qual Oliveira Salazar, «orgulhosamente só». É ou não é ruído?
14 de Julho de 2010 – Duas notícias de página, sobre como vamos mal
O «Jornal de Notícias» de 8 de Julho trazia duas notícias de página inteira, lado a lado, que demonstram como vamos mal. De um lado, ficávamos a saber que metade dos jovens até aos 24 anos trabalham de forma precária, seja com contratos a termo, seja, sobretudo, (praga das pragas) a recibos verdes. Os números são da OCDE, que diz ainda que 63,7% dos desempregados não trabalham há mais de meio ano e que seriam precisos 170 mil empregos para recuperar da crise. Aí está a prova de que Sócrates tinha razão antes do tempo, só que se enganou nas contas. No número de empregos que devia criar, no tempo em que o devia fazer e na forma como devia conduzir o país para esse destino. Sempre podemos passar-lhe um recibo verde, como factura pelo que nos tem feito.
Por outro lado, surge a notícia de que as universidades começam a ter dificuldade em receber as propinas em atraso. Só na Universidade do Minho são dois milhões de euros que estão por pagar, o que levou a instituição a pôr em marcha um plano que permita recuperar esse dinheiro. Este é mais um sinal de como temos andado. A apregoar o investimento na ciência e no conhecimento, abrindo a porta das universidades aos maiores de 23 e aos «filhos» das Novas Oportunidades. Para continuarmos, à imagem disto, a ser um país que se diz completamente diferente daquilo que realmente é.
13 de Julho de 2010 – Avante, Isaltino
Isaltino Morais passou de autarca modelo a ministro duvidoso e, agora, a autarca modelo novamente (pelas piores razões). Não se conhece ninguém que fale de Oeiras sem elogiar o seu trabalho à frente da autarquia, que diga mesmo que não se importa se há corrupção, desde que o município continue a funcionar da forma exemplar como (dizem) tem sempre funcionado, com Isaltino ao leme. Quem acompanha as informações municipais da Câmara de Oeiras, não pode deixar de ficar fascinado com o requinte, com o bom gosto, com a funcionalidade e com a qualidade superior com que as obras, os eventos, as actividades quotidianas são apresentadas. Depois da ascensão de Isaltino a ministro, as coisas pioraram, pairou sempre a dúvida acerca da gestão dos seus bens, e foi, aparentemente, a partir de aí, que o PSD (pelo menos o de Oeiras) resolveu fazer uma espécie de «caça às bruxas», não hesitando (hoje) em pedir «a cabeça» do autarca, mal surgiram as primeiras notícias. Com tanta gente a dizer o mesmo, não podem estar todos errados quanto à qualidade do trabalho do ainda presidente da Câmara de Oeiras.
12 de Julho de 2010 – Livro de Eclesiastes, uma pérola da Bíblia
Por curiosidade, em conversa, e a partir da frase «vaidade das vaidades, tudo é vaidade», relembrei hoje o Eclesiastes, um livro do Antigo Testamento, que tem verdadeiras pérolas de literatura (e reflexão sobre a vida) que valem a pena a leitura e a reflexão. Prendemo-nos demais aos «fogachos», aos caprichos, aos sucessos momentâneos e nem sempre merecidos (e nem sempre verdadeiramente nossos). E esquecemos que há tempo para tudo, havendo também tempo para o que é menos bom, para o insucesso, para o desânimo, para a sombra. Temos vergonha de ler a Bíblia criticamente. Pois bem, parece que esta pode ser uma boa «porta de entrada».
«Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz».
(Ec.: 3, 1-8)
11 de Julho de 2010 – Espanha: mundial merecido, ou canto do cisne?
A Espanha é campeã do mundo de futebol. Confessemos. Dava gosto ver esta equipa trocar a bola. Fosse como o carrossel, ou em contra-ataque, dava gosto. E víamos que havia ali um bocadinho daquela «sorte de campeão», que habitualmente acompanha quem ganha. A grande questão é que os seis (ou sete) jogadores do Barcelona, que são a verdadeira espinha dorsal desta equipa, talvez já não joguem pela selecção em futuras provas internacionais. Vai ser esse o grande desafio da Espanha. Não se tornar num novo exemplar da França, dando tristes espectáculos, da mão de Henry à pálida figura nesta competição. Seja como for, a estrela já pode ser bordada nas camisolas de «La Roja», e, daqui a quatro anos, é com este estatuto que vai apresentar-se a jogo.
10 de Julho de 2010 – Santa Casa da Misericórdia, 400 anos
A Santa Casa da Misericórdia comemora hoje 400 anos de existência. Precisamente na véspera do domingo que exorta à misericórdia, com a parábola do «bom samaritano», que, contrariando a ideia de que de Samaria nada de bom podia vir, socorreu um enfermo, fazendo ver a quem se dizia praticante de boas obras. É este o grande desafio das Misericórdias, também hoje. Estabelecer claramente a diferença entre o parecer e o ser misericordioso, entre a acção e o olhar para o lado. A ocasião serviu também para o surgimento de uma belíssima publicação (mais uma), da autoria do professor Afonso Veiga, sobre estes 400 anos. Houve órgão, houve banda, houve altas individualidades, houve comemoração. Houve o sentimento de dignificar os que, ao longo destes quatro séculos, fizeram com que os menos jovens e mais desvalidos pudessem ter uma segunda vida, uma segunda casa, uma segunda família. Mas há também esse longo horizonte que é o futuro, que é preciso, e urgente, que se comece a construir agora. Como parece, precisamente, que está a acontecer.