A história de um dos furtos mais «escatraféticos» dos últimos tempos chega agora ao fim. Vem hoje escrito no «Jornal de Notícias», num texto pequenino pequenino, que o DIAP de Lisboa devolveu os gravadores que o deputado Ricardo Rodrigues tinha «confiscado» aos jornalistas da revista «Sábado». Assim, sem mais. Não se sabe como ficou nem como vai ficar a história. A notícia pequenina faz lembrar que somos, de facto, pequeninos, face àqueles que ajudamos a ter poder. Dizia um presidente de Câmara nortenho, notoriamente ainda com pouca experiência política, que a única coisa que os portugueses podem fazer é mostrar à Assembleia da República que os senhores que a habitam não nos merecem qualquer crédito, não têm qualquer nível, não têm qualquer qualidade. Ai se conseguíssemos fazer isso.
8 de Julho de 2010 – Cristo, Saramago e a Playboy
A «Playboy» Portugal está, mais uma vez, na iminência de deixar de ser publicada. Tudo graças a uma associação de ideias, mais ou menos infeliz, que deu origem à mais recente capa. Tendo como fio condutor «O Evangelho segundo Jesus Cristo», de José Saramago, na tentativa de «homenagear» o escritor, à frente de um cenário mais ou menos «kitsch», aparece uma imagem de Cristo lado a lado com belas «playmates». De imediato, a responsável máxima do grupo que gere a publicação internacionalmente deu nota do profundo desagrado, anunciando que, devido a esta e outras razões, estavam prestes a suspender a publicação portuguesa. Nas palavras de Theresa Hennessy, este ensaio configura uma violação grosseira das normas do grupo. Fica para pensarmos sobre isto.
7 de Julho de 2010 – Guimarães quer uma orquestra (só) para a Capital da Cultura
A notícia vem no jornal «Público» de hoje, e levanta algumas reservas. Guimarães quer ter uma orquestra sinfónica. Não fica claro se apenas para a Capital Europeia da Cultura ou se este evento é apenas o pretexto para a sua criação. A notícia é recebida com cautela, sobretudo um dia depois de se anunciarem cortes no financiamento da Cultura, mas também, e sobretudo, porque se sabe o quão difícil tem sido manter em funcionamento as orquestras nacionais. O panorama, sabemo-lo, é extremamente complicado. Temos duas grandes orquestra sinfónicas públicas, com qualidade elevada (Sinfónica Nacional e Sinfónica do Porto), ficando, depois, as restantes a sobreviver com imensas dificuldades (Algarve, Centro, Norte e Beiras). Interessante, tem sido o trabalho desenvolvido pela Orquestra da Madeira, da qual Rui Massena (curiosamente o programador da área da música, em Guimarães) é maestro. Aguardamos mais desenvolvimentos, enquanto ficamos a saber que o orçamento global para a programação de Guimarães Capital Europeia da Cultura (2012) está cifrado nos 41 milhões de euros.
«A proposta de criação de uma orquestra sinfónica sedeada em Guimarães foi anunciada nessa reunião pelo maestro Rui Massena, programador musical da CEC. Esta estrutura será o pilar da programação artística na música, ainda que o Ministério da Cultura tenha dúvidas quanto à sua viabilidade. A tutela alertou a Fundação Cidade de Guimarães, entidade que gere o evento, para as dificuldades de financiamento de uma estrutura deste tipo, lembrando os problemas por que passam as restantes orquestras nacionais».
(in jornal «Público»)
6 de Julho de 2010 – Laranja mecânica contra coração uruguaio
Enquanto o mundo futebolístico se vai refazendo da «bomba» de ver Ronaldo pai, Holanda e Uruguai foram os responsáveis por um belíssimo jogo de futebol, na primeira meia-final do Mundial. De um lado, a força «mecânica» da laranja. Do outro, um coração e uma resistência enormes. Acabou por vencer a «Laranja Mecânica», não sem uma réplica do Uruguai de Forlan, até ao último minuto. Dizia-se na televisão que neste Mundial nada aconteceu por acaso, e que prevaleceu o bom futebol. Este jogo foi exemplo disso. Esperamos, agora, que os próximos mantenham a fasquia.
5 de Julho de 2010 – O calor: nunca estamos bem com nada
O clima, cada vez mais, reflecte aquilo que, na realidade, somos, também cada vez mais. Somos de extremos, tal como o frio e o calor. Cada vez temos menos Primavera e Outono, para termos cada vez mais Inverno e Verão (sendo o Inverno cada vez mais curto). Tivemos chuva. Alguma. Bastante. Neve mesmo. Tivemos algum frio, não muito, mas bastante frio. Agora, é tempo de calor. Muito. Demasiado. Insuportável. A pedir um rio límpido a correr no nosso quintal, ou uma piscina que não dê muito trabalho na manutenção. Somos tão exigentes. Nunca estamos bem com nada nem de forma nenhuma.
4 de Julho de 2010 – Concerto de órgão
Hoje foi dia de partilharmos sons, no órgão do Mosteiro de Arouca. Juntamente comigo, António Ricardo Toste e Vasco Soeiro deram vida aos sons do nosso magnífico órgão, proporcionando um concerto interessante às cerca de 100 pessoas que nos quiseram vir ver e ouvir. É importante que mantenhamos esta voz viva, que os arouquenses possam continuar a desfrutar de um instrumento absolutamente notável e que se possa continuar a divulgar a música de um período em que os portugueses (e espanhóis) foram vanguardistas, e que, apesar da imensa qualidade, tem sido esquecido. Por todas estas razões e mais alguma, valeu a pena. Que tenha sido mais um passo para que se passe a programar regular e cuidadosamente, em vez de se viver de situações espontâneas e da vontade de quem possa oferecer (literalmente) estes momentos.
3 de Julho de 2010 – Clinton ganhou 60 milhões em conferências
Bill Clinton arrecadou qualquer coisa como 65 milhões de dólares (perto de 60 milhões de euros) em conferências, desde que abandonou a presidência dos Estados Unidos. A notícia vem no «Diário de Notícias» de hoje. Em 2009, Clinton atingiu os 7,5 milhões de dólares, por 36 intervenções públicas (cerca de 200 mil dólares por cada intervenção). As aparições públicas do ex-Presidente são, pelo que se vê, rentáveis, sendo este uma espécie de «circuito» ou «mercado» em tudo semelhante ao das vedetas que vão a festas a troco de bons «cachets». Pena que nem todos possamos ascender a esse estatuto.
2 de Julho de 2010 – A (justa) homenagem a Óscar Silva
Falar de desporto em Arouca sem se falar de Óscar Silva é absolutamente impossível. Defensor incansável da causa desportista, dinamizador, até ao último momento possível, de múltiplas actividades em Arouca, Óscar Silva foi hoje homenageado, na cerimónia de abertura do XXV Torneio Infantil/Juvenil de Verão, o mesmo torneio que ajudou a criar e que, praticamente sozinho, «pôs de pé». Este torneio é, provavelmente, o evento mais antigo que Arouca conhece, e sabemos bem dos talentos que gerou, apesar das condições sempre precárias do campo de jogos do parque municipal (entretanto «Campo São João Bosco»). Óscar Silva merece esta homenagem, simbólica mas significativa. Pela dedicação, empenho e desprendimento com que se dedicou (sempre) ao desporto e a Arouca.
1 de Julho de 2010 – Aumenta o risco de incêndio
Inicia-se hoje o que se chama «fase charlie», em que o risco de incêndio é mais elevado. Segundo dados oficiais, estão operacionais, a partir de hoje, 9985 homens, 2177 veículos, 56 meios aéreos e 236 postos de vigia (da GNR). Em 2010 já foram consumidos pelo fogo 2700 hectares de floresta em todo o território nacional, 136 deles no distrito de Aveiro. Em 2009 arderam 86 016 hectares, 926 deles no nosso distrito. Autarquias e entidades oficiais tentam, a partir de hoje, minorar os impactos dos possíveis incêndios que possam ocorrer, ao que as temperaturas altas que temos sentido não deverão ser alheias, com certeza. Contudo, cabe a cada um de nós também uma parte: a do civismo, pelo menos, tão raro nos nossos dias.
30 de Junho de 2010 – Má notícia: o (des)acordo ortográfico parece que vai acordar
Ao que parece, o (des)acordo ortográfico vai mesmo «acordar». E, pior do que isso, vai «acordar» do lado mais sensível: as escolas. Segundo o jornal «Público», os manuais escolares do ano lectivo 2011/2012 já vão obedecer às novas regras de «bom português». À boa maneira portuguesa (e deste [des]Governo), não sabemos de nada. Nem quando temos de começar a falar brasileiro, nem quando ou como vamos ter os tais conversores, nem nada. As coisas vão sendo feitas num estranho secretismo, incómodo mesmo, como uma traça que vai roendo a madeira por dentro. Resta-nos rir-nos com a situação, como os «Vozes da Rádio».
«A concretização deste plano pressupõe, no entanto, que o Ministério da Cultura (MC), que tem vindo a coordenar a aplicação do Acordo Ortográfico em Portugal, anuncie a data em que este entrará em vigor e aprove o vocabulário que irá ser reconhecido como norma para o português europeu. Uma escolha que se reflectirá, também, no programa informático de conversão de texto que virá a ser utilizado, já que os vários conversores actualmente disponíveis no mercado estão indexados a diferentes versões do novo vocabulário ortográfico».
(in jornal «Público»)