Estava a terminar o «5 para a meia noite», quando irrompeu um longuíssimo aplauso a António Feio. Feitas as contas de cabeça, só podia ser o que se pensava, o que se estava a tentar adiar ao máximo, mas parecia, cada vez mais, inevitável. A minha memória de António Feio «ao vivo» tem duas vertentes. A de António Feio a passar férias com a família na praia de Carvoeiro, perfeitamente integrado no «povo», nos seus passeios nocturnos, quase despercebido, e sempre com o seu ar engraçado. E a de António Feito como Mister DeLuxe, na peça «O que diz Molero», soberba peça baseada na obra de Dinis Machado, que pude ver no Teatro Nacional São João, a convite do meu amigo António Alves. Tudo o resto, todo o percurso, é conhecido. No teatro, na rádio, na televisão. Para mim, António Feio ficará na memória destas duas formas, mas mais como a corporização do imaginário de Mister DeLuxe, procurando no livro de vida do «rapaz» a história de vida de todos nós, a complexidade das relações, a complexidade do pensamento de cada um, mas na simplicidade, na sua simplicidade, de viver, viver, viver. E continuar vivendo.
28 de Julho de 2010 – Não façam fumo sobre o trabalho dos bombeiros
Arde. Há uma imensa coluna de fumo, que nos impede de ver o outro lado da vila. Fumo vindo dos fogos florestais, a que, infelizmente, vamos estando mais ou menos habituados. É nestas alturas, como em todas as de verdadeiro aperto, que, desprendidamente, sem hesitar, dando praticamente a vida, surgem os bombeiros. É ao heroísmo destes verdadeiros soldados que se deve o combate ao eterno inimigo (o fogo), o salvamento e apoio às populações, a protecção possível da floresta. Não a políticos, ou a magistrados, ou a jornalistas. É a estes e às populações que vão ajudando (sempre depois de verificarem que a limpeza dos matos é praticamente inexistente, e, à boa maneira portuguesa, apercebem-se disso tarde demais). Custa, depois, ver políticos a prestarem declarações, tal como custa ver a RTP, essa televisão que é paga por todos nós, e que deveria, por isso, exercer uma informação de proximidade, passar 45 minutos de um telejornal a tentar elevar a moral do Primeiro-Ministro, falando do negócio da PT e da «golden share», dando voz à defesa de José Sócrates no caso «Freeport», e muitas outras notícias, quando metade do país (e, curiosamente, mais a norte) está com a atenção centrada na salvação dos seus poucos pertences, ante as labaredas. Entretanto, na zona norte e centro do país,1100 homens abdicaram de tudo, das famílias, de longuíssimas horas sem descanso e ausentes dos empregos, de refeições, de sono, de tudo, para combaterem fogos, ateados não se sabe bem por quem nem porquê. É triste. É triste vermos gente responsável a lançar fumo sobre o trabalho dos bombeiros, numa altura de pânico, de apreensão, de desolação face ao «esventramento» da nossa floresta, que, em Arouca, cobre a grande maioria do território. Esta é, portanto, a hora de, ainda que silenciosamente, reconhecer o trabalho incansável de todos os bombeiros, em especial os nossos, de Arouca, que não têm tido mãos a medir, tentando, no limite das forças, dominar o fogo, desafio que o homem, especialmente no verão, teima em fazer balançar entre a esperteza de quem ateia e as suas catastróficas consequências, com tudo o fica por terra no decurso desse caminho.
27 de Julho de 2010 – Estamos em baixo
Neste preciso momento, estamos em baixo. Fruto de uma actualização nos servidores (para melhorarmos os serviços – aquelas palavras «suaves» que usamos para apelar à compreensão), estamos, temporariamente, em baixo. É curioso que esteja a escrever isto quando, de facto, não estamos a poder comunicar, neste preciso momento. Mas há explicações que devem ser dadas. Não foi por preguiça, ou por esquecimento, ou por desleixo. Foi mesmo por questões técnicas que as actualizações tardaram. Estaremos de volta, não tarda.
26 de Julho de 2010 – Turismo do Porto e Norte de Portugal em alta
É notícia no «Jornal de Notícias» de hoje o crescimento do sector turístico no Porto e Norte de Portugal, posicionando o Norte como terceiro destino turístico de eleição no nosso território. Muito do mérito desta dinâmica deve-se ao presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, que visitou recentemente Arouca. O destino Norte, com tudo o que tem para oferecer, das praias à montanha, das manifestações culturais autóctones, às grandes salas de concerto do país, do património edificado aos socalcos Douro, afirma-se, assim, como destino de qualidade. O grande desafio, agora, é que não fique cada um dos «retalhos» à espera da «manta», e comece cada município a trabalhar a parte que lhe compete, sob pena de estarmos a prometer e a esperar do turismo aquilo que, sem pro-actividade, nunca se concretizará.
25 de Julho de 2010 – O Quim
O Quim é meu amigo, e é um dos maiores amigos da Banda de Arouca. Connosco, já percorreu várias estradas e participou em inúmeras festas, convivendo, acompanhando, animando (às vezes até demais) as viagens. Hoje, o Quim esteve connosco em Parada do Pinhão, onde não deixou de dar largas ao seu bom humor, como o comprova a fotografia. O Quim faz parte da paisagem de Arouca, está definitivamente ligado à «lufa lufa» diária da vila, ao bulício diário, à rua, aos locais públicos, aos eventos comunitários. O Quim, um dia, vai fazer falta, mas nessa altura será demasiado tarde para lhe reconhecermos a longevidade, o sentido comunitário, a amizade, o bom humor, até a «marotice».
24 de Julho de 2010 – Convento de Balsamão
«Ossos do ofício» trouxeram-me até ao Convento de Balsamão, em Macedo de Cavaleiros. O calor tórrido faz jus ao provérbio de que, nestas terras, há «nove meses de inverno e três de inferno», mas a beleza do local e o bom gosto da «arrumação» urbanística também. Propriedade da congregação dos Marianos da Imaculada Conceição, o Convento de Balsamão é uma casa de repouso, situada no cimo de um monte com cerca de 500 metros de altitude. Como é habitual, a localização destes edifícios não surge ao acaso. Ali perto, corre o rio Azibo, afluente do Sabor. Não fossem os perto de 40º e a necessidade de regressar, valeria a pena conhecer melhor este espaço e esta região. Onde a calma e o som da natureza nos retemperam as forças.
23 de Julho de 2010 – Os políticos não estão para solidariedades
D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, fez uma proposta concreta: que os políticos cristãos contribuíssem com 20% do ordenado para um fundo social. A resposta não se fez esperar, com um sonoro assobio para o lado, deixando um amargo sabor a raiva, por, ainda por cima, alguns políticos darem a entender que isto (isto o país, ou isto a situação social actual) não tem nada a ver com eles. É certo que não fica bem a nenhum político fazer propaganda da sua caridade. Mas daí até desresponsabilizar-se, deixar a ideia de que não têm obrigação disso, é um passo demasiado largo. Os tempos são difíceis, e é nestas alturas que as ajudas são todas necessárias. E se os políticos não puderem (ou não quiserem) contribuir para um futuro melhor, pelo menos que dêem algum exemplo, algum sinal de que se preocupam connosco, que somos, ao fim e ao cabo, quem os elege e quem lhes paga. Assobiar para o lado é a mesma coisa que ignorar-nos. E a ser assim, não precisamos destes políticos.
22 de Julho de 2010 – Um homem (Lula) também chora
Parece que não é caso inédito (Lula aparece em pranto em várias situações, basta procurar na Internet), mas talvez pelo facto de estar de saída, de poder olhar para um Brasil diferente e de poder ter contribuído para isso, Lula chorou durante uma entrevista à «TV Record». Lula não necessita de marketing político para nada, neste momento. Portanto, podemos acreditar na genuinidade das suas lágrimas. Não será apenas por «estar velho». Será, de facto, por haver, hoje, um Brasil melhor que em 2007. Apesar de tudo, Lula parece ser como o vimos. Espontâneo, emotivo, verdadeiro. O homem que deixa a marca num rumo que (esperamos) o Brasil prossiga.
«Tenho a consciência de que vou entregar um outro país. Um país com gente menos pobre, um país com trabalhadores a ganhar mais. Um país com a democracia mais consolidada, com a infraestruturas mais fortes do que já tivemos. Já fizemos tudo? Não, falta ainda muita coisa para fazer»
(Lula da Silva, Presidente do Brasil, em entrevista à «TV Record»)
21 de Julho de 2010 – Pequeno concerto, na Universidade de Verão
Hoje houve lugar para um pequeno concerto de órgão, no decurso da Universidade de Verão. Cerca de 20 alunos, em visita ao Mosteiro, ficaram a saber um pouco mais sobre os «mistérios» do órgao, e em particular do grandioso órgão de tubos de Arouca. O desafio foi usar a música como forma de representação e simbologia relacionadas com a água (tema central da Universidade de Verão). Foi uma experiência interessante, onde houve espaço, tempo e descontracção suficientes para falarmos sobre música, sobre as obras executadas, sobre o instrumento, sobre o espaço, sobre a simbologia do órgão no contexto das manifestações de fé, e de como a música é, por excelência, a arte que mais aproxima o humano do divino. Tudo terminou com uma fabulosa prova de doces conventuais, na cozinha do Mosteiro. Que mais se poderia pedir?
20 de Julho de 2010 – Que saudades de Preud’homme…
As recentes «fífias» de Roberto, o caríssimo guarda-redes do Benfica, têm feito os adeptos recuar no tempo, até à vinda de Michel Preud’homme para o clube. Aliás, no jornal «I» de hoje, Rui Tovar publica um fabuloso texto, que dá conta de como o FC Porto tentou a contratação do guarda-redes em pleno aeroporto de Milão, de como esse «falhanço» acabou por contribuir para o surgimento de Vítor Baía, e de como um dos melhores guarda-redes do mundo passou pelo Benfica e saiu pela porta grande (apesar de só ter ganho uma Taça de Portugal), entre outros episódios curiosos. Preud’homme também acabou por deixar «escola» no Benfica, com o surgimento de Moreira que, estranhamente, não tem sido opção das «águias». Que sirva para reflectir quanto às «fantásticas» (e caras) contratações, por oposição ao profissionalismo, à integridade e à dedicação ao clube de Preud’homme. Coisas que vão, cada vez mais, faltando no futebol.