Normalmente, era com esta expressão que se iniciavam os curiosos discursos, no decurso da procissão em honra de Nossa Senhora do Campo, em Rossas. A tradição manda que seja uma das mais emblemáticas festas do concelho, uma das poucas que traz duas bandas filarmónicas no cartaz e a única, à excepção da Feira das Colheitas, que termina com fogo de artifício. É, também, dia da família. Dia de provar iguarias e cozinhados esmerados, de colocar novidades em dia, de visitar amigos, de conviver. Rossas tem a particularidade de ter boa gente, gente que se empenha em tudo o que faz, gente dinâmica (especialmente a sua juventude). Gente com forte ligação a esta festa, que hoje se vive novamente, e da qual ficaram (para sempre) as melhores recordações.
7 de Agosto de 2010 – A música é boa
Fruto da época ou das modas, temos sempre tendência para catalogar tudo. A música ou é erudita, ou popular, ou clássica, ou «rock», ou jazz, ou de câmara, ou «pimba», ou pianística, ou outra coisa qualquer. Temos a mania de colocar as coisas como se fosse possível guardá-las em frascos. Arrumadinhas, catalogadinhas e facilmente criticáveis ou descartáveis. Só que, no fundo no fundo, a música não é nada disso, sendo tudo isso. A música deve ser das artes mais difíceis de definir. São muitas as tentativas, umas mais outras menos elaboradas, umas mais outras menos científicas, umas mais outras menos completas. Mas nenhuma delas se assemelha à resposta de um amigo a um «teste de formação musical», há alguns anos, no começo da aprendizagem. À pergunta «O que é a música?», respondeu: «A música é boa».
6 de Agosto de 2010 – O pântano de Pinto Monteiro
Devagar, devagarinho, a comunicação social vai levantando o véu sobre o verdadeiro pântano que, também devagar devagarinho, vai rodeando Pinto Monteiro, escorrendo, viscosamente, por todo o sistema judicial português, e inundando, de forma quase enjoativa, todo o país. Devagar, devagarinho, vamos ficando fartos. Fartos de saber que há corrupção. Fartos de saber que a justiça é muitas vezes conivente com ela. Fartos de saber que isso acontece porque envolve o poder. Fartos de saber da incompetência de alguns dos nossos «altos-cargos». Fartos de suspeitas e pedidos de desculpa, de denúncias e «limpezas de bom-nome». O que, devagar devagarinho, nos está a enojar e a sujar os pés, parece já estar um pouco acima do pescoço do senhor Procurador-Geral da República.
5 de Agosto de 2010 – Condomínio da Terra
Em Arouca, a realidade não é bem assim, mas nas cidades, em geral, são os condomínios que cuidam dos espaços comuns dos prédios, garantindo assim, o bom estado desses espaços, para usufruto de todos. A ideia que preside ao Condomínio da Terra é mais ou menos a mesma. Atmosfera, hidrosfera e biodiversidade são essas partes comuns, e cabe-nos a nós zelar por elas, como cuidamos dos nossos próprios espaços e das nossas próprias coisas. Este portal é um convite à cidadania global. Melhor, e mais próximo que isso, à vizinhança global. E ninguém gosta de ter maus vizinhos, vizinhos que sujem e danifiquem os espaços comuns. Pois bem, cabe-nos a nós começar por dar o exemplo. O Condomínio da Terra pode ajudar a dar os primeiros passos.
Organizar a Vizinhança Global
Este será talvez maior desafio que se colocou até hoje à humanidade. Ao descobrirmos que entre a crosta terrestre, o mar, a atmosfera e os seres vivos, existe uma rede complexa de interligações permanentes que sustentam a vida no planeta, temos de adaptar o nosso modo de vida e organização a este funcionamento global da Biosfera. Somos todos vizinhos, todos dependemos de todos e problemas globais não se resolvem de forma isolada.
(in Condomínio da Terra)
4 de Agosto de 2010 – Os dias da Rádio
Assinalam-se 75 anos da rádio pública em Portugal. Em tempos, a rádio fazia parar o país para saber das notícias, para acompanhar as aventuras e desventuras dos folhetins, para ouvir os emocionantes relatos de futebol. O «fabrico» de sons afiava o imaginário, a orquestra da Emissora Nacional dava-nos a melhor música, até o 25 de Abril foi «lançado» na rádio. Depois, veio a televisão, a internet, o telemóvel e tudo o que se sabe, mas a rádio manteve-se. Já não precisamos de pôr o gravador de cassetes a funcionar, à espera de apanhar aquela música da «berra», já não vemos os tipos do «breakdance» andarem com os «blocos» às costas. Mas, por estes dias, a data assinala-se das mais diversas formas. Com a transmissão de filmes na televisão, com emissões especiais na «Antena 1», e muito mais. No carro, ao despertar, em viagem, onde quer que seja, sempre que queiramos, os nossos dias serão sempre dias da rádio.
3 de Agosto de 2010 – Mais orquestra, melhor maestro, a implacável crítica
Uma das actividades que sempre me intrigou foi (e tem sido) a crítica musical. Em geral, pelo menos a que tenho lido depois dos concertos que vi, não tem sido demasiado injusta, mas, como sempre, e à bela maneira portuguesa, é quase sempre demasiado elaborada e, regra geral, demasiado implacável. No ar, paira sempre a interrogação sobre se o crítico conseguiria fazer melhor que o intérprete, ou se se limita a reproduzir o que foi lendo e comparando com o que foi ouvindo nas gravações de referência. Hoje, no jornal «Público», lê-se uma crítica que, na essência, talvez seja (pelo menos em boa parte) justa. À Orquestra Clássica de Espinho faltará um trabalho mais regular. Mas daí a dizer que o maestro precisa de ser melhor, talvez seja excessivo.
2 de Agosto de 2010 – Política (autárquica) cultural
Vem no jornal «Diário As Beiras» de hoje um texto que reflecte uma certa desorientação quanto ao modo como os agentes públicos podem (e devem) impulsionar a cultura em Portugal. Falando com os jornalistas, a Ministra da Cultura, em visita a Coimbra, referia que as políticas culturais devem estar alicerçadas no poder local. Ora, estas declarações, vistas desta forma leve, podem configurar uma desresponsabilização do Ministério, e dos organismos que tutela, em relação à promoção e dinamização das actividades culturais, «atirando» essa responsabilidade para as autarquias. Este é o típico funcionamento do funcionalismo público. Vamos «atirando» a responsabilidade para baixo, na cadeia hierárquica, até acabar por se responsabilizar o humilde funcionário, que se enganou no local de abrir o buraco para colocação do palco. E as autarquias, estão à altura deste desafio? E a administração central, que apoios lhes dá? E o associativismo, como fica no meio disto? E o que dizer da distribuição de subsídios pelo Ministério da Cultura, quase sempre às mesmas entidades, deixando sempre de fora os «mais pequenos», porque é preciso privilegiar os «criativos»? O texto de Pacheco Pereira sobre o «culturalês», da revista «Sábado» da semana passada, ajuda a pensar sobre isto.
1 de Agosto – A «moda» dos animais abandonados
São cada vez mais os meus amigos do «Facebook» que se mostram preocupados com a verdadeira vergonha a que assistimos todos os dias e em todos os lugares. Um pouco por todo o lado, há animais mal tratados, abandonados, relegados para canis com condições questionáveis (salvo raras excepções), e, muito frequentemente, com destino ao abate. Tudo isto, fruto de uma legislação inexistente, apenas atalhada (e mal) por regulamentos municipais (quando os há) absolutamente vagos e pouco efectivos (até porque a maioria das câmaras não tem qualquer poder de fiscalização sobre este assunto). O que parece é que o abandono virou «moda», como se um animal fosse um brinquedo, ou um objecto, que deixamos quando não queremos brincar mais. Lembro-me da iniciativa «Limpar Portugal», um verdadeiro exemplo de voluntariado, que funcionou apenas porque, de repente, se conseguiu pôr os portugueses a olharem a paisagem com outros olhos. Pois bem, esta pode ser também uma realidade que possa ser vista com outros olhos, mesmo que, em alguns casos, como o meu, precise de óculos.
31 de Julho de 2010 – Banda Musical de Arouca, 185 anos

Foto: Cláudia Oliveira/«Discurso Directo»
Hoje, a Banda Musical de Arouca comemorou os seus 185 anos, de uma forma especial. Em pleno centro da vila, em frente ao Mosteiro de Arouca, a Banda, o Grupo Coral de Urrô, o Orfeão de Arouca e o Orfeão de Vale de Cambra protagonizaram um grande concerto, comentado pelo maestro António Victorino d’Almeida. A Banda teve o mérito de mobilizar, para além dos seus mais de 70 executantes, mais cerca de 120 coralistas, e um público que se estendeu pelas largas centenas. Houve efeitos pirotécnicos, repicou o sino da capela da Santa Casa da Misericórdia e sobrou ainda tempo para o maestro Victorino d’Almeida dirigir a Banda. Ficou assinalado, assim, da melhor forma, mais um aniversário de uma das mais emblemáticas associações do concelho de Arouca.
30 de Julho de 2010 – Final do Torneio Infantil/Juvenil
Terminou hoje mais uma edição (a 25.ª) do Torneio de Verão Infantil/Juvenil. Há datas, momentos, eventos que, com o passar do tempo, vão ganhando raiz no calendário, e este é um desses casos. O nome de Óscar Silva fica, para sempre, intimamente ligado a este torneio, que, já nos primórdios, era um verdadeiro acontecimento, e sempre causou enorme mobilização e «frenesim» junto dos mais novos, que tinham (e têm), em tempo de verão, uma ocupação e um «palco» para mostrarem as suas habilidades futebolísticas. Hoje, as condições são muito melhores, dignificando ainda mais esse início, com um relvado sintético, balneários e todos os equipamentos necessários para que tudo corra bem. Muito por mérito do técnico de desporto da autarquia, Miguel Ângelo Ferreira, sempre incansável na organização dos eventos que promove no «seu» Complexo Desportivo. Estão de parabéns todos, mas, especialmente, os mais jovens, que sempre souberam dignificar este grande evento desportivo, fazendo, ano após ano, com que ele se enraizasse no nosso calendário, fazendo, sempre, parte da nossa agenda.