Hoje é dia de reflexão para o acto eleitoral de amanhã. Relfectir sobre o que queremos e não queremos para o país, sobre o estado a que chegámos, para onde queremos ir, que sinais queremos dar. Votar é imprescindível, para que nos manifestemos. Escolher o mandatário certo para o cartão vermelho que todos queremos mostrar a todos os políticos, sem excepção, é a tarefa que nos cabe. Hoje é dia de reflectir sobre isto.
21 de Janeiro de 2011 – Aulas abertas de música, na Universidade de Aveiro
À semelhança do que tem sucedido nos últimos anos, o Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro volta a promover a iniciativa «Aulas Abertas de Música». Esta costuma ser a oportunidade ideal para conhecer melhor a oferta formativa do DeCA, contactar com os professores, perceber a dinâmica do departamento. Nos dias 4, 5, 11 e 12 de Fevereiro, a porta está aberta para quem quiser conhecer melhor o que andamos a fazer pela Universidade de Aveiro, no campo da música.
Aulas Abertas 2011
Universidade de Aveiro | Licenciatura em Música
António Salgado | Canto
5 de Fevereiro, das 14:00 às 18:00Isabel Alcobia | Canto
12 de Fevereiro, a partir das 15.00Filipa Lã | Canto
12 de Fevereiro, das 10:00 às 13:00Demonstração do uso de tecnologia na sala de aula em que se usa software de espectrografia (VoceVista). Seguir-se-á a aula aberta com o professor. Participação de Emidio Teixeira e Miguel Rodrigues.
Joaquina Ly | Canto
12 de Fevereiro, a partir das 15:00João Pedro Oliveira | Música Electrónica
4 e 5 de FevereiroConcerto curto (30 min) com obras dos alunos de electrónica, com explicação das obras.
António Vassalo | Direcção
4 de Fevereiro, a qualquer hora
5 de Fevereiro, a qualquer horaConversas sobre o funcionamento do curso de Direcção, dos requisitos necessários e da oferta ao nível da docência e das condições de trabalho (Coro, Orquestras, etc.)
Fausto Neves | Piano
12 de Fevereiro, das 15:00 às 18:00Edite Rocha | Órgão
4, 5 e 11 de FevereiroJean Michel | Oboé
5 de Fevereiro, de manhãSara Carvalho | Composição
11 de Fevereiro, a partir das 16:00Abel Moura | Acordeão
5 de Fevereiro, das 14:00 às 19:00Luís Carvalho | Clarinete
4 de Fevereiro, a partir das 15:3014:30 – Concerto/recital com os alunos do DeCA
20 de Janeiro de 2011 – Votar ou não votar, eis a questão (que não se deve pôr)
Esta é, normalmente, a altura em que os portugueses agem como realmente são. Não agindo. Sabemos da célebre frase que nos diz que dos piores regimes políticos, a democracia é o menos mau. Mas foi por ele que lutámos, e é «nele» e «por ele» que vivemos todos os dias. Neste contexto, a «arma» maior que podemos ter é o voto. Ao abdicarmos do voto, abdicamos da nossa quota-parte na construção, e até mesmo renovação, do «regime». É absolutamente incongruente passarmos o tempo a lamentarmo-nos do estado das coisas, a promover discussões sem qualquer conclusão prática, e, depois, quando somos chamados a pronunciarmo-nos de facto, abdicamos disso, e deixamos «os outros» decidirem. Não são as sondagens nem os «media» que elegem os representantes do povo português, a menos que este o queira e o permita. Se efectivamente somos um povo esclarecido, como dizemos. Se efectivamente temos vontade de construir um país como deve ser. Se efectivamente queremos que as instituições e a democracia funcionem, não podemos deixar que outros decidam por nós. É por isso que não se coloca a questão sobre votar ou não votar. Dar a vitória à abstenção não é um indicador relevante. Vote. Nem que seja em branco, que é, se pensarmos bem, a maior arma que podemos ter.
19 de Janeiro de 2011 – Texto 700: a revolta dos órgãos
Este é o texto 700 deste espaço. «Para comemorar», tive o privilégio de participar, hoje, num dos concertos do ciclo internacional de concertos de órgão, que decorre na cidade do Porto, durante esta semana. O concerto era absolutamente imperdível. Ao órgão, Olivier Latry, organista de Notre-Dame, Paris. Um dos mais conceituados organistas do mundo. Latry brindou-nos com obras de Marcel Dupré, Jean Langlais, Gaston Litaize, Jehan Alain e Maurice Duruflé. E, como se não bastasse, terminou o concerto com uma fabulosa improvisação sobre a melodia «Rainha dos Anjos Pura». Este ciclo termina com um mega-concerto, sexta-feira próxima (com repetição também no sábado), apresentando uma obra-prima organística: a «Revolta dos Órgãos», de Jean Guillou. O vídeo dá a conhecer um pouco melhor a obra e o compositor. Quanto ao resto, amanhã será novamente o texto número um, apesar dos outros 700. Obrigado ao Rui Gato, pela disponibilidade e apoio a este espaço. Obrigado, sobretudo, a todos os que vão passando por cá.
18 de Janeiro de 2011 – Cargas policiais, ou o «tiro no pé» de Manuel Alegre
Manuel Alegre deu um «tiro no pé» por antecipação. Há algum tempo, num dos seus discursos inflamados, afirmou que este Governo não é um Governo de cargas policiais, e que todos se podem manifestar livremente. Essa é, no seu entender, a diferença entre a Esquerda e a Direita. Ora, os acontecimentos de hoje provam o contrário. Provam, precisamente, que essa diferença não existe, e voltamos, assim, a ver os sinais de decadência de um Governo, tal como sucedeu com Cavaco Silva e as famosas cargas policiais na ponte 25 de Abril. Manuel Alegre deu, assim, um «tiro no pé» por antecipação. Porque, afinal, não é bem isso que diferencia a Esquerda da Direita. São, talvez, outras coisas.
17 de Janeiro de 2011 – Deixe-se o TGV e construa-se o que realmente é preciso
No final da emissão do último programa «Corredor do Poder», da RTP, Nuno Melo deu-nos uma notícia que se reveste de crucial importância. No meio do lodo político, há, ainda, boas notícias, se os políticos não quiserem deixá-las correr, e, com isso, perderem a oportunidade. Em resposta a um requerimento do Parlamento Europeu, a Comissão Europeia deu luz verde a que Portugal reafecte os fundos comunitários destinados ao TGV, permitindo que esse dinheiro seja utilizado em outros investimentos, bastando que o Governo o peça formalmente. A norte, há quem defenda que esse dinheiro pode ser usado no alargamento da linha de metro. Mas, se pensarmos bem, esse dinheiro poderia (e deveria) ser também utilizado para quem deveria ter um acesso condigno e não tem. E seria a Comissão de Coordenação para o Desenvolvimento Regional do Norte (isto, a norte) a entidade que deveria gerir este processo. Cabe, agora, aos políticos serem-no, de facto. Coisa que, pelo menos a espaços, não têm sido.
«A desculpa do Governo para insistir no projecto do TGV era que o financiamento só estava disponível para isso. Ficamos a saber que não é assim. O Governo já não pode usar essa desculpa. (…) [A Comissão Europeia] demonstrou estar disposta a examinar atentamente qualquer pedido de reprogramação das prioridades actuais do Fundo de Coesão. (…) É uma oportunidade para o Estado português. (…) O financiamento disponibilizado pelo Fundo de Coesão pode ser aplicado noutras áreas, que não o TGV e que beneficiariam o país, mas para as quais não tem havido verbas»
Nuno Melo, Eurodeputado, em declarações à agência Lusa
16 de Janeiro de 2011 – Curso Nacional de Música Sacra
Decorreu este fim-de-semana, em Fátima, mais um encontro do Curso Nacional de Música Sacra. Sem qualquer dúvida se pode dizer que aqui se encontram alguns dos melhores músicos, que se dedicam ao estudo da música sacra, em especial. É bom, de vez em quando, poder trabalhar com gente desta, rever amigos, fazer música. São sempre agradáveis estes momentos de convívio e aprendizagem, mas na minha retina ficam, desta vez, dois momentos. A prestação do coro na celebração da tarde, apesar de algumas ausências; e a improvisação final, feita ao órgao pelo nosso colega e amigo Patrick Johansson (um dos mais promissores organistas, um dos mais promissores músicos que conheço). Aliás, só por este último momento já teria valido a pena a deslocação a Fátima.
15 de Janeiro de 2011 – «Allo Allo»
Graças à generosidade de um enorme amigo, estou a rever, série a série, as aventuras e desventuras da «sitcom» «Allo Allo». Foram 85 episódios, com os quais praticamente toda a Europa riu, ao longo de 10 anos (sensivelmente entre 1982 e 1992). René Artois, Edith, Yvette, Coronel von Strohm, Lieutenant Gruber, Michelle, Herr Otto Flick da Gestapo, Fairfax e Carstairs (os aviadores britânicos), Monsieur Alfonse («the undertaker»), General von Klinkerhoffen, Monsieur Leclerc e muitas outras personagens (destaque para o oficial britânico disfarçado de polícia francês, com péssima pronúncia), voltam a fazer parte do dia-a-dia. Vale a pena recordar.
14 de Janeiro de 2011 – Um abrigo, uma orquestra
Depois da notícia de ontem, no jornal «Público», não soubemos se a coisa correu bem ou não, mas também não interessa. O que interessa é o mérito do projecto, da ideia, da acção. E o projecto, a ideia, a acção chama-se «Som da Rua», e, em palavras «grossas», é uma orquestra constituída por pessoas sem-abrigo. Trata-se de mais um verdadeiro serviço público proporcionado pela Casa da Música, através do seu Serviço Educativo. Ali, há uma espécie de paragem no tempo, cessam os problemas, desaparecem as dificuldades. E o que proporciona tudo isto? A música, pois claro. Ontem, a orquestra «Som da Rua» apresentou-se na Fundação Gulbenkian, provavelmente o mais exigente e eclético palco nacional, no âmbito de um seminário intitulado «Limites na Intervenção com Pessoas Sem Abrigo». Nenhum destes músicos pensou alguma vez vir a tocar na Fundação Calouste Gulbenkian. Não importa. Não importa o resultado. Importa, só e apenas, o processo.
13 de Janeiro de 2011 – Brasil: tragédia imerecida
Quando as coisas ultrapassam uma dimensão imaginável, o melhor mesmo é a ausência de palavras e de palpites, porque pouco se sabe sobre o que se diz. Nenhuma tragédia é merecida, bem entendido. Mas muito menos no Brasil. Um país de extremos, onde se «tocam» os muito ricos e os muito pobres. Onde convivem a favela e o arrojo urbanístico. E onde o samba e a bossa-nova unem os dois lados de um mesmo país. Dilma ainda agora «agarrou» o país, plenos de esperança, o país e ela mesma, e acaba por ter como primeiro desafio isto. E isto são centenas de pessoas levadas por uma enxurrada inexplicável. Eles já não tinham água, nem luz, nem saneamento, nem gás. Agora, não têm a vida.