1 de Fevereiro de 2011 – «Hereafter», outra vida

http://www.youtube.com/watch?v=0XvJwTYnKww

Clint Eastood continua a surpreender-nos, a interrogar-nos, a colocar-nos não apenas como espectadores passivos dos seus filmes. Desta vez, em «Hereafter» («Outra vida»), Eastwood cria um triângulo que une três pontos diferentes do mundo (San Francisco, Londres e Paris, com passagem pelo tsunami na Tailândia), com três histórias de três vidas que aquilo a que habitualmente chamamos coincidências acabam por unir. Três pessoas que procuram respostas, três pessoas que têm as respostas que cada uma das outras procura. Um filme sobre a vida para além da vida. Sobre a vida. Sobre outra vida. Sobre as coincidências da nossa vida. Vale a pena ver.

31 de Janeiro de 2011 – São João Bosco

Túmulo de D. Bosco, na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Turim

Descobrir São João Bosco é das experiências mais ricas que se pode ter. Ler a sua obra, conhecer a sua vida, visitar os seus lugares, dá-nos uma dimensão única do homem, da sua obra, do seu apostolado, da sua santidade. Fundador dos salesianos, foi muito mais do que isso. Foi o responsável por uma verdadeira revolução na pedagogia, trabalhando «com as mãos na massa» numa cidade que era, e ainda hoje é, problemática. Aliás, é curioso (re)visitar a Turim de D. Bosco, e ver que, nos mesmos lugares, nos mesmos espaços, persistem alguns dos problemas com que se debateu, até partir, em 1888. «Pai e Mestre dos Jovens» foi um dos responsáveis pelo que hoje se designa «ensino profissional», acolhendo nas suas obras muitos dos que eram vítimas, na altura, do que hoje se chama «trabalho infantil». Ensinou-lhes uma profissão, cultivou a boa imprensa, imprimiu livros e panfletos para uma melhor educação. Formou marceneiros, carpinteiros, tipógrafos. Formou também padres, que, com ele, deram origem a uma congregação que nunca quis que se centrasse exclusivamente em si. «Dai-me almas e esquecei o resto» foi sempre o seu lema, trabalhando em prol dos jovens, especialmente dos mais pobres. Hoje, o espaço é pouco para se dizer tudo. Recomenda-se a leitura das suas biografias e das suas memórias do oratório. E, também, relembrar o quanto estes apóstolos da juventude deram a Arouca. Semente que, ainda hoje, persiste.

«Estamos a dar andamento a uma série de projectos que diante do mundo parecem fábulas ou coisas impossíveis; mas, assim que começam, Deus os abençoa e tudo vai de vento em popa. Isso é motivo para rezar, agradecer, esperar e vigiar».

(São João Bosco, in «Correspondência»)

30 de Janeiro de 2011 – Arouca na TVI

A TVI transmitiu, hoje, a Eucaristia Dominical, a partir da Igreja do Mosteiro de Arouca. Tratou-se da Eucaristia evocativa dos 185 anos da Banda Musical de Arouca, encerrando, assim e com chave de ouro, as comemorações de um aniversário tão «redondo» quanto honroso. Durante hora e meia, Arouca esteve em antena, na TVI. Primeiro, com a missa, abrilhantada pelo Orfeão de Arouca e pelo organista prof. Nicolas Roger, que colaboraram, desta forma, com a Banda, representada pela sua Orquestra de Sopros. Trabalhou-se bastante para que este momento fosse digno, o que, creio, conseguiu-se. Fica um apontamento da celebração de hoje, o Aleluia de James Chepponis, com arranjo do meu amigo José Joaquim Ribeiro. É, também, uma forma de agradecer aos que fizeram este trabalho. Os que nos visitaram para nos ajudar, os que trabalham connosco e os que, já não estando connosco, estão sempre em nós, e nos empurram para a frente, para nunca desistirmos.

29 de Janeiro de 2011 – Autarcas que batem com a porta

Primeiro foi Carlos Encarnação, em Coimbra. Depois António Capucho, em Cascais. Se, por um lado, as saídas de autarcas «de peso» podem querer dizer que estão já na calha possíveis soluções de continuidade, por outro podem também ser um sintoma do crescente «divórcio» entre governo central e autarquias. Ou porque impede o desenvolvimento local, cortando em investimentos direccionados especialmente para os transportes e vias de comunicação, ou porque sobrecarrega as autarquias com delegações de competências, sem o respectivo investimento, deixando o poder local com o ónus dos serviços que passa a ter de prestar, o Governo desresponsabiliza-se, e torna, de uma forma e de outra, o trabalho de um autarca absolutamente inglório. Seja para preparar sucessão ou como grito de revolta, é um sinal. Há autarcas influentes a baterem com a porta.

28 de Janeiro de 2011 – Uma complicação das arábias

Agora, o Egipto. Uma imolação pelo fogo (e várias tentativas), chamam a atenção para o flagelo do desemprego, sobretudo entre os jovens mais qualificados. Como se não bastasse, os preços iniciaram uma escalada sem precedentes. Hosni Mubarak está no poder há 30 anos, e, como sabemos, isso é muito tempo. Tempo demais. Tempo demais para uma população que tem 20% dos seus a viverem abaixo do limiar da pobreza, à sombra de um poder cuja repressão tem aumentado, ao ponto de El Baradei, um dos opositores egípcios, Prémio Nobel da Paz, ter sido detido. Sabemos como o mundo árabe é rígido na interpretação e na perpetração dos actos. Por isso, depois da Tunísia se ter erguido contra um poder em que não se revia, que conduzia o país para um destino que o país não queria, também a Argélia, a Mauritânia, a Líbia e outros países têm dado voz ao seu descontentamento. Tudo países com largas franjas da população a viver abaixo do limiar da pobreza. Tudo países de inspiração árabe. Tudo a concorrer para uma verdadeira complicação das arábias.

27 de Janeiro de 2011 – Como sentir-se um artista miserável

Como tudo o que circula na internet, a autoria é desconhecida. Contudo, são dez mandamentos que, se forem cumpridos à risca, tornarão qualquer artista miserável. Primeiro, estar constantemente a comparar-se com outros artistas. Segundo, falar com a família sobre opções de carreira e esperar um apoio incondicional. Terceiro, basear o sucesso da carreira num único projecto. Quarto, manter-se firme apenas com o que se sabe. Quinto, subvalorizar o seu talento. Sexto, deixar que seja o dinheiro a ditar o que se faz. Sétimo, ceder a presões sociais. Oitavo, só fazer trabalhos de que a família goste. Nono, fazer tudo o que quem contrata quer. Décimo, estabelecer objectivos inalcançáveis para serem cumpridos amanhã. Talvez seja por isto que alguns são grandes artistas e outros nem por isso.

26 de Janeiro de 2011 – Mas que raio disto é aquilo?

Depois de tanta tinta corrida, de vidas julgadas, de um julgamento que decorreu a meias entre as salas de audiências e a comunicação social, Carlos Silvino dá uma entrevista a dizer que, afinal, é tudo mentira, são todos inocentes, e não aconteceu nada. Aliás, até ele próprio, segundo ele próprio, é inocente. E nós ficámos a olhar, pasmados. Como se só em Portugal fosse possível acontecerem coisas destas. E, face a isto, a Justiça não pode fazer nada, porque já fez o que tinha a fazer. Mas que raio disto é aquilo? Mente-se em tribunal, desmente-se na comunicação social, e a coisa passa?

25 de Janeiro de 2011 – Presidenciais custam quase 4 milhões ao Estado, só em subvenções

Facto: o Estado vai gastar, só em subsídios para campanhas eleit0rais de candidatos, 3,8 milhões de euros. Os valores são estipulados com base nos resultados obtidos. Cavaco Silva receberá quase dois milhões de euros (as previsões iniciais do seu «staff» de campanha rondavam o milhão e meio). Manuel Alegre terá direito a 835 mil euros (tinha previsto receber à volta de 1,35 milhões). Fernando Nobre vai receber 842 mil euros (previa arrecadar pouco mais de 500 mil euros). Francisco Lopes ficará com 424 mil euros (o PCP previa receber 512 mil euros). José Manuel Coelho e Defensor Moura não terão direito a subvenções, já que as suas votações não atingiram os 5%. De resto, se José Manuel Coelho tivesse conseguido mais 0,25% dos votos, já teria direito à subvenção do Estado. A acreditar nas notícias que correm, Manuel Alegre terá um prejuízo global (pessoal) de cerca de meio milhão de euros. Dupla derrota, pesada, de Manuel Alegre, no dia em que ficamos a saber quanto nos custa, a nós contribuintes, não só ter de aturar uma campanha eleitoral absolutamente «rasca», que, como se não bastasse, ainda temos de financiar.

24 de Janeiro de 2011 – Círculo musical

Hoje foi apresentado oficialmente um exercício musical e pedagógico deveras interessante. Trata-se de um círculo musical, uma composição que, no caso, percorre sete tonalidades, terminando na mesma em que começou. No caso, a ideia era começarmos em dó maior, e irmos subindo, sucessivamente, por intervalos de quinta. Ou seja, começamos em dó maior, passando por sol maior, ré maior, lá maior, mi maior, si maior, fá maior e regressamos a dó maior. A ideia é mostrarmos a quem executa que é possível progredirmos, melodicamente, por várias tonalidades, através do processo de modulação. O resultado talvez não seja muito interessante, mas se o objectivo pedagógico for alcançado, tanto melhor. Chama-se círculo musical.

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23 de Janeiro de 2011 – Pior do que está não fica

As quatro observações são pessoais, mas baseadas em factos. Cavaco Silva ganhou as eleições, de forma quase esmagadora. Manuel Alegre e os socialistas aperceberam-se tarde demais que uma coligação nem sempre resulta da soma de votos. Fernando Nobre demonstrou que uma acção cívica só resulta quando baseada no «savoir faire» das máquinas partidárias, rendendo-se aos métodos habituais. José Manuel Coelho foi a maior surpresa da noite.

Os números nacionais são conhecidos, e, disse Rui Rio, sobretudo em relação aos valores da abstenção, o problema não pode ser de todos os que foram passando pela política. Não podem ser todos maus. O problema está no regime, e é por uma mudança profunda a esse nível que precisamos de lutar.

Quanto aos resultados, e às vitórias que cada candidato encontrará nos números, há a referir a derrota contundente de Manuel Alegre, na sua forma de estar na campanha (um pouco a reboque de Defensor Moura) e numa aliança que nunca poderia resultar entre PS e BE. Há também que referir o excelente resultado de Fernando Nobre, sem deixarmos de reparar que, apesar da simplicidade cidadã aparente, a «máquina» era exactamente igual à de um partido. Há que salientar, também, o resultado obtido pelo «Tiririca da Madeira», que toda a gente pensava só poder estar a brincar, mas a quem o povo deu oportunidade de mostrar, pelo menos, um cartão amarelo ao «status quo». E, por fim, a mesma interrogação do início de todo este processo: de que valeu a candidatura de Defensor Moura?

A nível concelhio, os números foram: Cavaco Silva 7990 votos (75,77%); Manuel Alegre 1071 votos (10,16%); Fernando Nobre 833 votos (7,90%); José Manuel Coelho 355 votos (3,37%); Francisco Lopes 214 votos (2,03%); Defensor Moura 82 votos (0,78%). Na freguesia de Arouca: Cavaco Silva 873 votos (64,71%); Manuel Alegre 203 votos (15,05%); Fernando Nobre 172 votos (12,75%); José Manuel Coelho 53 votos (3,93%); Francisco Lopes 34 votos (2,52%); Defensor Moura 14 votos (1,04%).

Parafraseando o verdadeiro Tiririca: «Vota Tiririca. Pior do que está, não fica».