Cavaco Silva fez, hoje, a pergunta essencial. À parte dos brados de sucesso no leilão de dívida pública, e dos suspiros de alívio que nos permitem empurrar com a barriga para a frente» o problema da vinda do FMI, seria importante sabermos quem nos comprou a dívida. E, do outro lado, silêncio. Isto talvez porque, e falamos de factos, neste momento a China já detém 10% das obrigações do tesouro da zona euro. Aliás, não poderia ser de outra forma. A União Europeia é o principal parceiro comercial da China, rendendo-lhe, em negócios, cerca de 12.000 milhões de euros de proveitos. Portanto, a China não terá grande interesse na desvalorização do Euro face à sua moeda. Há, portanto, que sustentar o Euro, com base na compra de dívida. Facto também é que a China já detém 21% da dívida dos Estados Unidos, país que lhe rende 14.000 milhões de dólares em exportações. Por isso as etiquetas de boa parte dos artigos que encontramos nas grandes lojas de grandes marcas são «made in China». Por isso temos as lojas chinesas a ganhar cada vez maior dimensão. E nós, vamos vivendo assim. A olhar sempre para o lado, a olhar sempre para qualquer coisa que interesse menos.
11 de Janeiro de 2011 – Uma entrevista (antiga) a Carlos Pinho
Tive o grato prazer de entrevistar Carlos Pinho quando estávamos longe de saber que viria a ser presidente do FC Arouca, embora ele admitisse que, um dia, iria sê-lo. Na altura ainda para a «Defesa de Arouca», conversámos em Junho de 2007, na sede da sua empresa, ao tempo ainda por inaugurar oficialmente. O tempo passou, proporcionalmente à sua determinação e à sua proximidade com o sucesso. E, à luz do tempo, é mais fácil entender essa determinação e essa vocação para o sucesso.
«Somos uma empresa sólida»
O objectivo de uma entrevista não é dar lições. Contudo, a principal lição desta entrevista é que para além de um empresário há um homem. Um homem que afirma ter nascido do trabalho. Que não esconde as origens. Que conhece bem o significado da palavra dificuldade. Hoje é um empresário de sucesso, colocado no 1316.º lugar do ranking das PME’s (Pequenas e Médias Empresas). Contudo, não deixa de ajudar quem precisa, que lhe solicita apoio, quem quer trabalhar em prol do concelho onde nasceu, onde trabalha e a quem dedica um carinho muito especial. Leva o nome de Arouca ligado ao da sua empresa. Fala dos filhos como do seu bem mais precioso. Carlos Pinho, o homem, é também uma «empresa sólida». Não esconde as suas paixões. Quer o Futebol Clube de Arouca num patamar maior de competição. E que os seus filhos, com ele, façam crescer ainda mais a sua empresa. Um retrato do empresário. Mas sobretudo, do homem.
Quem é Carlos Pinho, quem é o homem que dá corpo ao empresário?
Nasci em Sá, Santa Eulália, Arouca. Nasci do trabalho. Fui empregado muitos anos e consegui atingir o meu objectivo, estar onde estou. Sou de uma família simples, de nove irmãos, em que fui o único dos nove a conseguir chegar a este objectivo. Com muito esforço, comecei a trabalhar praticamente sozinho, depois com um empregado, dois empregados, trabalhando de manhã à noite, de sol a sol. Daí até hoje o crescimento está à vista. Temos cerca de duzentos empregados, consegui impor este ritmo de trabalho, construir a empresa que tenho. Somos uma empresa sólida. Creio que me tenho esforçado para isso.
A marca da empresa é, hoje, bem conhecida.
Talvez haja gente que não conhece a empresa por dentro. Conhecerá apenas o nome. É uma empresa que cresceu, que já é talvez mais conhecida por gente de fora de Arouca. Ainda há muita gente em Arouca que não nos conhece. Todos os nossos empregados são de Arouca, cerca de duzentos, temos setenta carros na estrada todos os dias. Não quero dizer que não tenho o apoio, o carinho e a amizade das pessoas de Arouca, mas se calhar davam-nos outro valor. Sublinho que não tenho inimigos, mas, a meu ver, somos a maior empresa do concelho no sector da Construção Civil e Obras Públicas. Mas não estamos a trabalhar só em Arouca.
Precisamente. O raio de acção da empresa é bastante vasto, sobretudo no trabalho com Câmaras Municipais.
Trabalho com muitas Câmaras. São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Ovar, Matosinhos, Espinho, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Ílhavo, São Pedro do Sul, Castro Daire. É uma empresa que, se falhasse em Arouca, criaria muitas dificuldades a muita gente. Vejamos o caso da Clark’s, onde a mão-de-obra era maioritariamente feminina. Acontece que, no nosso caso, a maioria dos trabalhadores são homens, chefes de família.
Quanto movimenta, em termos de valores?
Não gostaria de falar em valores. Mas posso dizer que somos uma empresa que movimenta milhões de contos, falando em contos. Milhões de euros, se quisermos.
Confirma que a sede da empresa é um edifício que tem valências que muitas empresas do seu ramo não têm?
Ainda não inaugurámos a sede, provavelmente ainda terão de voltar cá novamente. Apesar disso já estamos cá há cerca de um ano, até então estávamos em Sá. Procuramos fazer tudo aqui. Serralharia, mecânica, carpintaria, temos tudo. Assim, concentramos toda a empresa aqui, criando boas condições de trabalho para todos os funcionários nas diversas áreas (administrativa, técnica e produtiva).
A sua paixão pelo futebol, e em particular pelo Futebol Clube de Arouca é conhecida. Quer falar-nos disso?
Toda a gente conhece a minha paixão pelo Futebol Clube de Arouca. É uma paixão que não tem explicação. Estive sempre ligado ao futebol. Já estive na Direcção muitos anos. Agora não estou, mas procuro patrocinar, apoiar, ajudar. O meu sonho é ver o F. C. Arouca na Nacional. Na Terceira Divisão, na Segunda Divisão e por aí adiante. Na Primeira Divisão talvez não, mas não tenho dúvidas de que o Arouca merece estar num escalão nacional.
Sem querer levantar nenhum tipo de polémica, quando veremos Carlos Pinho na Presidência do Clube?
Estive muitos anos na Direcção, mas nunca fui Presidente. Mesmo porque os funcionários com quem trabalho mais directamente não vêem com bons olhos essa hipótese. Dizem-me que já tenho muito trabalho. Mas um dia serei Presidente. Não tão cedo. Talvez daqui a uns anos. Neste momento sinto que devo dedicar-me à empresa.
A sua empresa está responsável pela construção do Estádio Municipal, uma infra-estrutura que se tem revelado muito necessária. Quando pensa ter essa obra concluída?
Creio que no final deste ano as obras estarão concluídas. São as nossas previsões.
Além da sua paixão pelo futebol e do seu apego à terra onde vive, vai mais longe. Gosta de ajudar Arouca sempre que pode.
Sou arouquense, gosto de Arouca, gosto da gente de Arouca. Continuo a ter os meus amigos de sempre, convivo com toda a gente, independentemente de tudo. O Evaristo era um amigo habitual, por exemplo. Ainda me lembro de o ver com os cãezitos junto ao edifício da Caixa Geral de Depósitos. Todos os dias vinha ter comigo ao café, até que, um dia eu lhe disse, ao balcão: «Ó Evaristo, hoje vais tomar um copo de leite e um bolo, pá!». E ele: «Não, não, não!». Ficou-se pelo cafezito. Dava-me bem com ele. Com isto quero dizer que me dou bem com toda a gente. Além de tudo, gosto de ajudar. Sou uma pessoa que pode parecer «esquisita» a muita gente. Mas gosto e ajudar. E ajudo. Procuro fazê-lo discretamente. Muita gente que se aproxima de mim, me fala da situação em que está. Fico revoltado, porque também já passei dificuldades, sei o que é. Nunca faltou de comer e de beber, os meus pais eram lavradores. A minha família, que era do Espingardeiro, também não era de fartura. Procuro ajudar todas as associações e obras sociais que me solicitam apoio, mas procuro também fazê-lo discretamente.
Foi esse seu sentimento por Arouca que o levou a investir aqui e não em outro concelho?
Todo o meu investimento está aqui. É curioso que esta é a primeira entrevista que dou a um órgão de comunicação social arouquense. Há muita gente fora de Arouca que quer saber como funcionamos, porque nos vão conhecendo e vêm ver como funcionamos. Tivemos um crescimento muito acentuado nos últimos dez anos, embora a empresa já exista há quinze/vinte anos. Como é que é possível? Muita gente não está atenta. Mas penso também que a própria Câmara Municipal devia olhar mais para as empresas de Arouca. Não quero de nenhum modo criar polémica, mas entendo que deveria haver um maior apoio. Apoiar moralmente, quanto mais não fosse.
Gostaria de o deixar à vontade para acrescentar o que entender, deixar uma mensagem.
Não tenho muito mais a acrescentar. Creio que já expressei o meu sentimento por Arouca, gosto muito desta terra, sinto-me bem aqui, gosto muito das pessoas. Tenciono continuar a trabalhar e gostaria que os meus filhos continuassem este trabalho. Sinto que eles querem que cresçamos ainda mais, mas temos que ter os pés assentes no chão. Os meus filhos apoiam-me imenso, bem como a minha esposa. Gostaria que a minha filha trabalhasse comigo, como arquitecta. Sinto nela algum entusiasmo. Trabalhar com os meus filhos seria uma alegria para mim.
10 de Janeiro de 2011 – The special one, il speciale, el especial
Está confirmado. José Mourinho é o melhor treinador do mundo, vencendo, pela primeira vez, o prémio da FIFA para esta categoria. Antes de receber o prémio, agradeceu a vários dos «seus» jogadores, e foi em português que se dirigiu à plateia. Para dizer que é um orgulhoso português, que trabalhou muito para chegar ao patamar que chegou, com a colaboração dos seus jogadores e adjuntos. Em Portugal, o mais normal é a inveja e o questionamento fácil acerca dos meios usados para atingir os fins, esquecendo o mérito. Mas, numa altura em que são raros os momentos de alegria entre nós, depois da consagração mundial, enquanto jogadores, de Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo, a primeira distinção para melhor treinador do mundo é, de facto, para o melhor treinador do mundo.
9 de Janeiro de 2011 – A música e o meio ambiente
Ambiente e música são dois mundos que, à primeira vista, não estão tão próximos como parece. Mas este vídeo prova exactamente o contrário. A partitura vai sendo escrita, e ao mesmo tempo que se vão conjugando os sons, vão também sendo conjugados os verbos essenciais do ambiente e da sua preservação, da utilização racional de recursos, do equilíbrio. São, afinal, conceitos comuns à música e à nossa relação com ambiente. Sobre uma música deliciosamente bela, aparecem desenhos simples, mas igualmente deliciosos. Estas imagens e estes sons valem, sem dúvida, muito mais do que as palavras. Excepto as essenciais, que aparecem por lá.
8 de Janeiro de 2011 – Converter plástico em combustível
O processo tem lógica. Se o plástico é maioritariamente constituído por petróleo ou derivados, porque não reverter a situação, e transformar as largas toneladas de resíduos plásticos que produzimos novamente em combustível? O vídeo circula na internet, e tem, aparentemente, o patrocínio da ONU. Dá que pensar. Sobre o que consumimos e a forma como consumimos, bem como o ciclo de vida útil que reconhecemos (ou não) ao que consumimos. Vale a pena ler, e pensar sobre isto.
7 de Janeiro de 2011 – José Manuel Coelho ao poleiro
José Manuel Coelho foi hoje entrevistado por Judite de Sousa. E, logo a abrir, disse ao que vinha. A entrevista não avançou enquanto não demonstrou a sua indignação por ter ficado «para trás» nos debates. Depois, foi a sátira, foi o «à vontade» de quem não tem nada a perder, foi a ingenuidade de quem não está comprometido e de quem não tem que dar grandes explicações a ninguém. Algumas das «tiradas» são absolutamente deliciosas, como as referências aos «tachos» das amantes dos políticos, o PND como «barriga de aluguer» contra o «jardinismo», etc., etc. Valeu a pena assistir.
«Um amigo meu, que era editorialista do jornal [“Garajau”] é que disse ao Sr. Baltazar Aguiar: “queres emprestar o partido à gente, é uma barriga de aluguer. Emprestas?”».
«Não sou um anarquista, (…) sou um revolucionário que está em acção».
«Isto é uma corrida de 400 metros planos, os outros (candidatos) partem com avanço de 200 metros em relação a mim, que fui banido».
«Lembra-se do General Giap, que fez a guerra da Indochina? Olhe, eu combato como o General Giap, faço guerra subversiva, de guerrilha, e guerra convencional. A sátira na Madeira é a subversiva, aqui é a convencional com a candidatura à presidência».
«Em nome do povo, contra os políticos profissionais que andam a arranjar tachos para a família, para os amigos, para os que têm cartão do partido e até para as amantes».
6 de Janeiro de 2011 – Alegre, cansativo, irritante
Manuel Alegre encontrou uma brecha na «blindagem» política, habitual em Cavaco Silva, e, à boa maneira bloquista, resolveu explorá-la até à exaustão. Literalmente até à exaustão. Com mérito ou sem ele, com pertinência ou sem ela, Manuel Alegre reduziu a importância das eleições presidenciais ao negócio de Cavaco Silva com o BPN. Como se nada mais interessasse saber. Como se não fosse necessário, antes de mais, contribuir para que os portugueses não fiquem em casa, como tem sido hábito nas eleições recentes. Como se não fosse necessário debater ideias sobre o papel que o Presidente de Portugal deve desempenhar, dentro e fora do país, seja em relação aos Governos, seja em relação à representação externa. Nada disso importa. Alegre prefere seguir o habitual trajecto do «soundbyte», de que o Bloco de Esquerda tanto gosta, e que já levou ao distanciamento de boa parte dos socialistas que, em princípio, o apoiam. E lá prossegue. Alegre. Cansativo. Irritante.
5 de Janeiro de 2011 – Cantar as Janeiras na Rádio Regional de Arouca
É já uma tradição, e hoje manteve-se. Em noite de Reis, o Orfeão de Arouca não pôde deixar de voltar a cantar as Janeiras na Rádio Regional de Arouca, uma antecipação do habitual Encontro de Janeiras (este ano a 25.ª edição, que irá decorrer no próximo dia 15). Esta é sempre uma oportunidade única para chegarmos aos arouquenses que vivem por esse mundo fora, e que, graças à Rádio Regional, mantêm as suas raizes bem vivas, e partilham connosco uma tradição que se começa a perder. Esta é a principal motivação do Orfeão de Arouca. Não deixar morrer as tradições dos cantares da nossa terra. Lutamos, semanalmente, por estas causas. Naqueles momentos de partilha na Rádio, ficaram na memória os inúmeros arouquenses que, certamente, nos ouviam em França, na Suíça ou até mesmo no Brasil, e de como seria bom, de como seria gratificante, um dia podermos reviver com eles, «ao vivo e a cores», estas tradições.
[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2011/01/O-Sacramento-Divino.mp3|titles=O Sacramento Divino]
«Ó Sacramento Divino»
4 de Janeiro de 2011 – Músicas (só) com quatro acordes
Hoje recebi este vídeo fabuloso, em que se explica, de uma forma simples, uma questão de física, música e mercado. Em termos físicos e musicais, há uma lógica que preside à utilização, maioritariamente, destes quatro acordes. Normalmente, os que se formam a partir do primeiro, quarto, quinto e sexto (este menor) graus da escala. Tomando por exemplo a escala de dó maior, o mais normal será termos os acordes de dó maior, fá maior, sol maior e lá menor. E temos a base essencial para a harmonia de qualquer melodia minimamente consistente. A outra questão, tem a ver com o mercado. Sabemos, por experiência própria, que, se ligarmos qualquer rádio que tenha «playlist», acabamos por ouvir as mesmas músicas, às mesmas horas. Isto é mercado, como é mercado a estética com base na qual se compõem a maioria dos «hits». O vídeo explica tudo isto, de forma simples e eficaz. Como a música que «consumimos» consegue ser, ao mesmo tempo, tão rica e tão pobre.
3 de Janeiro de 2011 – «Arboricídio» na Escola Secundária
O alerta chegou via telefone, e apanhou-me de surpresa. Aliás, como a todos, ao que parece. Do outro lado da linha, uma colega jornalista perguntava-me se sabia que tinham abatido várias árvores, algumas delas centenárias, no decurso das obras da Escola Secundária. Perante um facto consumado, pouco resta a fazer. A empresa tentou remendar o tremendo erro, dizendo passar a ter, a partir de agora, uma maior atenção aos abates que faz, e promete «compensar» com uma maior área ajardinada e arborizada. Mas o mal está feito, e o aspecto com que fica, sabendo-se do que ali existia, é desolador. Compreende-se que seja complicado pensar no futuro sem se cortar com o passado. Compreende-se, ainda, que as árvores doentes possam (e devam) ser abatidas. Mas árvores centenárias, isso parece ser consensual, devem ser preservadas a todo o custo. Tudo isto foi feito com dinheiro dos nossos impostos, e parece que não terá quaisquer consequências para quem o praticou. É pena, mas, ao que parece, é normal. Em nome do progresso, ou do que quer que seja.
