Em Portugal, como em tudo o que confere protagonismo, exagera-se um pouco na reverência conferida a determinadas profissões, pessoas, situações. O termo «maestro», em italiano, significa, mais do que o chefe de orquestra, essencialmente «professor primário». Aquele que acompanha de perto a aprendizagem das primeiras letras, dos números, do conhecimento básico. Hoje, numa das aulas da Universidade de Aveiro, à margem do conteúdo em que trabalhávamos, sobre afinação, surgiu o debate sobre o ser-se maestro, o estar-se maestro, o chegar-se a maestro. E concordámos na observação de que se vê, frequentemente, em Portugal, uma boa banda filarmónica, uma boa orquestra, um bom coro, em que o pior músico de todos é, sem dúvida, o maestro. Nestes casos, o som deve-se à qualidade dos músicos, e não ao «executante do instrumento orquestra». Em Portugal, a formação destes profissionais é escassa, e reduzida a alguns cursos, dos quais se destaca a licenciatura proposta pela Academia Nacional Superior de Orquestra ou do Conservatório Regional de Gaia, ou o mestrado da Universidade de Aveiro. «Chega-se lá» com base na experiência, mais do que no conhecimento académico, ao passo que deveria ser uma mistura das duas coisas a resultar num bom maestro. Fez-se luz, mais ao final da tarde, num ensaio orientado por Christoph König, titular da Orquestra Nacional do Porto, que «pegou» hoje no Coro Casa da Música, para trabalharmos o Requiem de Brahms. «Luz», afinação, precisão, expressividade, musicalidade. Tudo ali, em gestos simples. É isso, um maestro.
11 de Abril de 2011 – Alberto Brito é o novo provincial dos Jesuítas
Em tempos de más notícias, Arouca tem um motivo para festejar e para se orgulhar. A agência de notícias católoca «Ecclesia» anunciou hoje que o padre Alberto de Brito, natural desta terra, da conhecida Casa da Lavandeira, foi nomeado responsável da Companhia de Jesus em Portugal e Moçambique. Alberto Teixeira de Brito pertence aos jesuítas desde 1961, tendo sido ordenado em 1973. Nasceu em Arouca a 25 de agosto de 1945, e tem estado ligado à formação de jovens jesuítas. Excelente comunicador, mestre no uso da palavra, a sua simpatia, simplicidade e riqueza cultural e espiritual terão, por certo, ajudado a esta nomeação. Arouca deve, portanto, estar orgulhosa.
10 de Abril de 2011 – Bombeiros Voluntários de Arouca, 34 anos
Arouca comemorou hoje o Dia Municipal do Bombeiro, conjuntamente com os 34 anos da corporação. A data é marcante, não só pelos anos passados a dar «vida por vida», mas também pela dinâmica actual da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arouca, a que preside o meu muito estimado amigo Dario Tomé. Os bombeiros estão a modernizar o seu quartel, estão a preparar um espaço avançado de vigilância e formação, e dão uma lição de camaradagem, amizade, união e disponibilidade voluntarista em cada acto público em que se empenham. Há cerca de 50 anos, um violento incêndio despertou as consciências para a necessidade de existir em Arouca um corpo de bombeiros. O processo durou alguns anos, e, em 1977, o sonho era tornado realidade. Depois, a história é conhecida. Um quartel que muitos achavam megalómano, mas que sempre esteve de portas abertas para acolher as mais variadas actividades da comunidade. Um parque de viaturas sempre pronto a servir o povo de Arouca. O 34.º aniversário da corporação fica também marcado pela transição no comando, sendo da mais inteira justiça a homenagem ao comandante Carlos Esteves, que cessa agora funções. Desde 1981 que o povo de Arouca conhece a sua competência, a sua capacidade de trabalho e o seu espírito de serviço à comunidade. Foi o tempo de uma vida, o que dedicou àquela casa e ao povo de Arouca, personificando, assim, o lema «vida por vida». Em pleno Ano Europeu do Voluntariado, e pela enorme disponibilidade sempre demonstrada pelos bombeiros arouquenses, «parabéns» é pouco para assinalar a data.
9 de Abril de 2011 – Onde há fumo, há fogo
O título não podia vir mais a calhar. De facto, onde há fumo há fogo, e o ditado aplica-se quando falamos do talento do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, onde muitos e grandes amigos vão desenvolvendo as suas actividades, sempre com a marca de qualidade que se lhes reconhece. Hoje, subiu à cena «Onde há fumo, há fogo», para comemorar os 34 anos dos Bombeiros Voluntários de Arouca. E o tempo passado a assistir aos vários quadros que foram passando pelo palco pareceu ser curto. Dinâmicas. Hilariantes. Críticas, quando tinham que ser, as deixas iam sendo dadas e aproveitadas, para momentos de música, humor e reflexão. Parabéns, Miguel, Elvira, Mário e, sobretudo, Fernando. Por continuarem a insistir. Por serem, salutarmente, teimosos. Está-vos no sangue, e é bom que o partilhem connosco. Ficamos, todos, mais ricos.
8 de Abril de 2011 – O congresso do PS, ou «a missa à moda antiga»
O congresso do PS, a determinada altura, assemelha-se à forma como se celebrava a missa antigamente. O celebrante, de costas para o povo, reza, fervorosa e piamente, em latim, língua nobre, e assim conduz o fiel «rebanho» do seu povo às «águas refrescantes». Por outro lado, também assistimos à elevação de José Sócrates a «mártir», que no «altar do sacrifício», se oferece em redenção. O cenário já não é rosa. As bandeiras já não são do PS. O cenário é televisivo, e as bandeiras de Portugal. Porque o que é importante é que os fiéis sintam a «química da oração». O país não precisa de espectáculo televisivo. Disso tem até a mais. O país precisa de tudo o que possa conduzir à seriedade, à cultura, à elevação. Com «missas» destas, corremos o risco de, a prazo, continuarmos, salutarmente, «hereges».
7 de Abril de 2011 – Forma e conteúdo
http://www.youtube.com/watch?v=Z7DY4G4QQPU
Em cerca de trinta segundos, podemos ficar, facilmente, a perceber que para Sócrates as coisas não dependem do conteúdo, mas da forma. Não importa que tenha de dar uma má notícia (já esperada) a Portugal. Era importante dá-la da forma mais dramática possível. Isto, por si só, resume o Primeiro-Ministro e boa parte dos políticos que temos. É preciso produzir notícias, «soundbytes», demonstrar muito trabalho, mesmo que nem tudo seja verdade. É preciso ter espaço nos jornais, «embrulhar» a informação da forma mais apelativa, mobilizar. É preciso, no fundo, ter muita forma, e pouco conteúdo.
6 de Abril de 2011 – Afinal é preciso ajuda, mas a culpa é dos outros
Um Governo que duplica a dívida pública em seis anos, ironicamente, não tem culpas no cartório. A situação em que estamos, e estávamos mesmo quando nos diziam que não, requer ajuda externa, venha ela de onde vier. Até agora, esse mesmo Governo, que duplicou a dívida pública em seis anos, que mentiu aos portugueses, quando disse que não estava a negociar mais medidas com Bruxelas, que mentiu aos arouquenses ao prometer um acesso digno e depois o recusou, preferindo insistir num «TGV» sem sentido e injusto; até agora esse Governo achava que não era necessária ajuda externa. Depois preferiu pensar que «quem vier atrás, que feche a porta». Depois tentou provar a si mesmo que a culpa disto não é sua, é de quem provocou a crise política. Agora, começa a fazer-se alguma luz nas mentes de quem diz querer o melhor para o país. O Ministro das Finanças admitiu, com todas as letras, que Portugal precisa de ajuda já. E, depois dele, o Primeiro-Ministro. Mas a culpa ainda é «dos outros».
«O país foi irresponsavelmente empurrado para uma situação muito difícil nos mercados financeiros. Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais».
(Fernando Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, em resposta escrita ao «Jornal de Negócios»)
5 de Abril de 2011 – Esquecemos a Islândia
Nos tempos mais recentes, o primeiro fenómeno de bancarrota de um país veio de paragens pouco familiares. Aí, não pairava o fantasma do FMI, nem a Alemanha se levantou a favor nem contra. Esse país foi a Islândia, que, silenciosamente, deu ao mundo uma enorme lição de cidadania. Deixámos, rapidamente, de ouvir falar da Islândia, envolvida, de forma subtil, na nuvem de um vulcão financeiro, connosco no epicentro do fenómeno. O povo islandês decidiu que a solução não passa nem pela esquerda, nem pela direita. Passa pelo povo. Um povo que decidiu repensar as posições dos bancos. Um povo que tomou o poder de decisão nas próprias mãos, fazendo eleger uma nova assembleia legislativa, com o propósito de reformular as leis fundamentais do país. Nós, esquecemos a Islândia.
4 de Abril de 2011 – Uma história de um país
O general de um exército, depois de conquistar uma determinada região, resolveu que precisava de manter um cabo vigiado. A zona costeira poderia ser facilmente invadida, e, se colocasse lá um soldado, veria o invasor à distância, e poderia reagir convenientemente. Com o passar do tempo, o general notou que apenas com um soldado não conseguia ter a área vigiada 24 horas por dia, pelo que resolveu alargar o pequeno pelotão para dois soldados, sendo que cada um deles deveria manter a vigia por 12 horas. Ora, tendo dois homens no local, precisava de destacar alguém para os comandar, para que nenhum se sentisse superior ao outro. Passou, então, a ter dois soldados e um comandante. A certa altura, os homens estava desgastados, e era preciso mais gente, para repartir o trabalho de vigia por vários. Foi, portanto, preciso mais altas patentes, para que a companhia ficasse hierarquicamente equilibrada. Com mais gente, começaram as discussões sobre quem deveria trabalhar de dia e de noite, quantas horas, que tipo de discriminação hierárquica e monetária deveria existir. O general, apercebendo-se da complicação que se estava a gerar por causa da vigia de um simples cabo, e vendo que estava a desperdiçar muitos homens, que eram necessários para combater em outras frentes, voltou a colocar apenas o soldado que ali havia colocado inicialmente. Qualquer semelhança entre esta história e Portugal pode não ser mera coincidência.
3 de Abril de 2011 – Assim, não
Em breve, este símbolo deixará de estar nas camisolas do Benfica, e passará a fazer parte o equipamento oficial do FC Porto. O futebol é assim mesmo, ganhar, perder, e saber estar nas duas situações. José Mourinho, um dos homens que menos gosta de perder, disse numa entrevista que sempre que chega em raiva ao balneário, depois de uma derrota, se lembra de que, ao lado, alguém está satisfeito. A satisfação não pode estar sempre no mesmo balneário, e ainda bem. O que aconteceu ontem no Estádio da Luz não só é vergonhoso como denota um tremendo baixo nível dos dirigentes benfiquistas. Sabemos que houve pedras arremessadas a autocarros, bolas de golfe atiradas para campos de futebol, agressões, e que o expediente de rega de jogadores já aconteceu também em Camp Nou, contra o Inter de Milão. Mas se se quer estar acima disso, se se quer ser de elite, se se quer ser, de facto, o maior clube português, não é assim que lá vamos. O futebol é um jogo, pelo menos para nós. Que serve para aprendermos a ganhar e a perder, que serve para socializarmos, defendermos os nossos pontos de vista. Não é violência, não é vandalismo, não é nada do que tem rodeado os clássicos, de forma vergonhosa e de parte a parte. Se uma equipa chega ao final do campeonato invicta, e prova dentro de campo que é melhor, não há mais discussão a haver. Em inglês, diz-se «fair-play». Esta, como qualquer outra, é a minha simples e humilde opinião.