Está tudo ligado. Já o ouvimos. Já o sabemos. Há, de resto, a famosa teoria de que o bater de asas de uma borboleta pode gerar um terramoto, do outro lado do mundo. Neste vídeo, vemos como a nossa terrível dependência dos combustíveis fósseis condicionou (e condiciona) a nossa história e a nossa forma de estar e agir no e sobre o mundo. Em 300 segundos, não ficamos só a conhecer melhor a nossa dependência, que dura há 300 anos, destes combustíveis. Ficamos a conhecer melhor a nossa história. E de como ela se repete. Em constante «upgrade».
21 de Junho de 2011 – Nobre não. Assunção Esteves
Sem querer, ou não, o PSD demonstrou que os vencedores não o são sempre. A insistência em Fernando Nobre, cedo se percebeu, não iria resultar. Bastava termos estado minimamente atentos ao seu percurso, em especial durante a campanha eleitoral para as presidenciais, e ao «ziguezague» que fez, até chegar a cabeça de lista pelo PSD, para somarmos dois mais dois, e chegarmos à conclusão de que não existem candidatos antecipados a Presidente da Assembleia da República, muito menos nas condições em que Nobre se apresentava. Então, o PSD preparou melhor a cartada seguinte, e conseguiu que outras bancadas confessassem mesmo que esta foi a sua primeira escolha. Fez-se, assim, história. Com mais ou menos tropeções, Portugal tem, pela primeira vez, uma mulher na presidência do Parlamento. Foi interessante assistir a tanta cordialidade, no Palácio de São Bento. «Presidenta», já temos. Agora, vamos ver.
20 de Junho de 2011 – Sonata Loly
O que começou por ser um exercício de composição, acabou por tornar-se quase num gesto de ilustração. O desafio era expor a primeira parte de uma sonata. Feito o primeiro exercício, e falhado, a melodia surgiu quase num rasgo de inspiração, e as peças começaram a encaixar-se, como que a dar a conhecer, através dos sons, a Lolyta. A Lolyta (com y, como convém) é uma cadela que era suposto ser abandonada, mas que alguém não deixou que isso acontecesse de forma tão linear. Hoje, a Lolyta deixou de ser um animal introvertido e amedrontado, para andar, saltitante, nos passeios habituais, plena de uma vida melhor do que a que teria se tivesse ficado na rotunda de Santo Ovídio. Então, surgiu a sonata inspirada na Lolyta. Que deve estar, neste momento, a ser ouvida e avaliada pelo professor Rui Penha, que não faz a mínima ideia da inspiração desta «obra». Não importa. Foi um exercício. De inspiração. Que valeu a pena. Seja qual for a nota que dele resulte.
[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2011/06/Sonata-Loly.mp3|titles=Sonata Loly]Sonata Loly (tema) | Ivo Brandão
18 e 19 de Junho de 2011 – José e Pilar
E esta estranha relação de amor/ódio com Saramago. Hoje (19/06) vimos a segunda parte do documentário de Miguel Gonçalves Mendes, que acompanha uma das «quedas» do Nobel, enquanto lutava contra a doença (e a morte), para terminar «A viagem do Elefante». Depois disso, veio Caim, e o adeus. Saramago é assim. Temos esta tendência portuguesa, da província, de considerar que todos somos bons, sobretudo os que, entretanto, morreram. Talvez seja o caso, talvez não. Em «José e Pilar», a literatura, o escritor e o homem de todos os dias juntam-se num só. Como se fosse um dos personagens de um livro, só que em imagens. Vale a pena ver. Ler. Pensar.
17 de Junho de 2011 – De igual para igual
«De igual para igual» se fez um espectáculo social, que demonstrou que, afinal, as diferenças entre nós e os «outros» não são assim tão grandes. Para além da idade, para além das limitações físicas, para além do que se convencionou chamar «deficiência», há vida. E isso sentiu-se, hoje. Foi também gratificante ver a primeira apresentação pública («estreia mundial», diga-se) do grupo coral da Academia Sénior de Arouca, que abriu o espectáculo com algumas canções tradicionais, recolhidas e trabalhadas pelo Prof. Ramiro Fernandes. E, de igual para igual, saímos todos mais ricos. Uns e outros.
16 de Junho de 2011 – Copia, para seres juiz
O Centro de Estudos Judiciários é a escola que forma os juízes deste país. Ser juiz é, provavelmente, a profissão mais importante de uma sociedade. Dele depende a aplicação da lei, e a lei é o que rege a liberdade e a vida em socidade. Ora, num exame final, em que estaria a ser posta a prova a capacidade dos formandos para se tornarem juízes, deu-se um copianço generalizado, que a direcção do centro resolveu «punir» com a atribuição de nota 10. Ou seja, parece que «o crime compensa», o que não é muito abonatório para quem quer, precisamente, contrariar e punir o crime. No sentido ais literal (e o pior possível), a Justiça parece estar mesmo cega. Com esta decisão, a direcção do CEJ demonstra que vale a pena ser esperto, vale a pena trapaçar, vale a pena fazer batota, porque alcançamos sempre, pelo menos, o mínimo necessário. É assim, no fundo, Portugal.
15 de Junho de 2011 – Adeus, Beta
Foi tudo muito rápido. Como tu. Aliás, contigo era sempre tudo rápido. Os problemas deixavam, rapidamente, de existir, porque eras rápido e eficaz a resolvê-los. Com simplicidade, de forma certeira. Fosse o que fosse. Agora, a tua incansável forma positiva de estar na vida vai ter de continuar de outra forma. Em nós, por aí, no exemplo que deixas. Deixo-te um retrato, dos muitos que fiz, porque sei que gostavas. Muita gente foi dizer-te adeus, viste? Provaste que não é preciso ser-se rico, ou importante, ou famoso. Basta ser-se. Genuíno. Puro. Íntegro. Amigo. Basta ser-se. Bela lição que nos deixas.
14 de Junho de 2011 – Pat Metheny lança «What’s It All About»
Pat Metheny acaba de anunciar no seu site o lançamento oficial do seu mais recente álbum a solo. Chama-se «What’s It All About», e só está à venda, por enquanto, no seu «site» pessoal. Um álbum a solo é sempre intimista, pessoal, transmite muito do que o músico (que, neste caso, é a mesma pessoa que o compositor), na realidade e na essência, é. Em «What’s It All About», Metheny colocou a sua visão de muitos dos temas que entranhou ainda antes de tocar qualquer instrumento ou de escrever uma nota de música. Com toda a maturidade acumulada entretanto, o resultado promete.
13 de Junho de 2011 – «Sou eu»
Fernando Pessoa comemora hoje 123 anos, tantos quantos tem o «Jornal de Notícias». E comemora, porque está vivo. E está vivo, porque foi vários, sendo sempre o mesmo. Perdido no imaginário nacional, como um poeta inspirado, louco até, que foi escrevendo para um baú, Pessoa inspirou Portugal, mesmo que Portugal não quisesse e, por vezes, não queira. O poeta da «Mensagem», guardador de rebanhos, fascinado pela tecnologia, dado a odes e à astrologia, misterioso, faz hoje 123 anos. Seja de uma forma ou de outra, foi sempre ele. «Sou eu», dizia Álvaro de Campos. Na eterna certeza de não termos certeza de absolutamente nada.
Sou Eu | Álvaro de Campos
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.Sou eu mesmo, que remédio! …
12 de Junho de 2011 – Wie der Hirsch schreit
Há músicas que, de vez em quando, nos fazem voltar a elas. Pela sua beleza e simplicidade, pelo significado que têm e que lhe atribuímos, pelo prazer que nos deu fazê-la ou ouvi-la. Foi assim hoje, com a abertura do Salmo 42, composto por Mendelssohn. Esta abertura desenvolve-se sobre o texto «como o cervo anseia pela água viva, assim a minha alma anseia por Vós». Independentemente da religião ou religiosidade de cada um, do texto escolhido ou da percepção que dele temos, é uma belíssima peça de música, e, se mais não for, como obra de arte, merece ser apreciada, de forma o mais completa possível. Porque, independentemente de tudo, a alma de cada um anseia, sempre, por algo mais.
[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2011/06/Felix-Mendelssohn-Bartholdy-Der-42.-Psalm.mp3|titles=Felix Mendelssohn Bartholdy – Der 42. Psalm]Felix Mendelssohn-Bartholdy | Der 42. Psalm (Satz)