O dia de hoje é uma espécie de fronteira, entre o Natal e o início da caminhada para o Ano Novo. É um bocadinho das duas coisas, não sendo, quase, nenhuma delas. É o dia de estarmos com o restinho da família e dos amigos com quem não pudemos estar ontem. De saborear os restos da consoada. De ver as prendas com mais atenção. De trocar as últimas prendas. Mas sempre com aquele sabor de que já não é bem bem Natal. Ou melhor, já não há aquela magia da consoada. Preparam-se as despedidas, mesmo que se adiem o mais que se pode. Pensa-se no regresso ao trabalho. Passou tudo muito depressa. Passa sempre tudo muito depressa. Começa hoje a caminhada para o Ano Novo. Aí vamos nós. Ainda com um algum sabor a Natal.
24 de Dezembro de 2011 – Feliz Natal
Às vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras. Outras vezes, uma palavra vale mais do que mil imagens. Por muito que procuremos as melhores palavras e as melhores imagens, dificilmente diremos algo diferente do habitual. Por isso, desejamos que encontre as melhores imagens para exprimirem as suas melhores palavras, e as melhores palavras para exprimirem as suas melhores imagens. Neste Natal, e em 2012.
A todos vós, desse e deste lado, Feliz Natal, e um 2012 pleno de sonhos concretizados.
Há um postal de Natal, aqui.
23 de Dezembro de 2011 – Carta ao Pai Natal
Pai Natal, meu amigo.
Eu, na realidade, não sei o que quero. Para te ser sincero, acho que, assim de repente, não quero nada. Penso e volto a pensar, dou voltas à cabeça, e aquilo que eu acho que quero é que concretizes os desejos das outras pessoas. É isso. Já que não posso pedir a felicidade, porque essa malvada é como o dinheiro, quanto mais temos mais queremos, peço-a, indirectamente, para todos os outros. Acho que passo bem com a meia vazia, desta vez. Pensei em coisas, mas cheguei à conclusão que talvez não ficasse mais feliz com elas. Pensei em desejos mais rebuscados, mas pareceu-me demasiado egoísta querer fazer o tempo andar para trás, ou para a frente. Pensei, ainda, em voltares a trazer-me algumas das pessoas que me levaram, mas isso eu sei que tu não consegues. Às vezes gostava de ser tu. Fui só uma vez ou duas, mas a fingir, e a barba caiu-me depressa. Queria, para poder concretizar desejos. Desejos dos outros. Acho, no fundo, Pai Natal, meu amigo, que este ano, por breves momentos, eu vou querer apenas ser tu. Para, no caso de tu não o fazeres, concretizar o desejo de todas as pessoas do mundo. E voltar, calmamente, para o Pólo Norte. Hibernar. Até ao próximo ano. Perdoa-me pela minha falta de materialismo, e permite-me que te gabe a cor do fato. Trata bem do Rodolfo e das outras renas. Viaja com cuidado, porque em Arouca o frio é quase igual ao que tu conheces. Não te constipes. Faz, por favor, o que te peço. E falaremos depois, com mais calma.
Aceita um sincero abraço de Feliz (Pai) Natal.
22 de Dezembro de 2011 – Concertos de bolso
Durante esta semana, a TSF tem promovido uma iniciativa no mínimo original. Chama-se «Concertos de Bolso», e, basicamente, o que acontece é que um solista da Orquestra Metropolitana de Lisboa dá a conhecer o seu percurso, fala um pouco sobre as características do seu instrumento, e depois dá lugar à música. Diz a TSF que «abre o palco da rádio à música ao vivo». São cinco solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa (flauta, violino, fagote, viola e clarinete). Um por dia. Ao vivo. E a cores. Apesar de ser na rádio.
21 de Dezembro de 2011 – As coisas que se vêem ao longe…
É curioso que Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, tenha precisado de ir ver ao longe para perceber o que se passava quando estava perto. Diz o senhor Europa que a economia portuguesa tem demasiada gente a viver «à sombra do Estado», com «interesses instalados», e, uns e outros, fazem com que as coisas não avancem. Durão já devia ter visto isso ao perto, porque chegou a Primeiro-Ministro, antes de «fugir». E podia e devia ter feito alguma coisa para mudar isso. Mas não, preferiu entregar as rédeas da coisa pública a Sócrates. Agora, como é óbvio, não quis pormenorizar, mas só pelo geral a gente já fica a perceber. Um dos nossos, aproveita que está fora e diz que somos atrasados. Mas o que custa mesmo é ter estigmatismo, e não conseguir ver tão longe. É ter de ver isso tudo ao perto.
«Em alguns sectores da economia há interesses instalados e interesses que resistem à mudança. Beneficiam de acesso especial ao Estado, de garantias que são dadas por uma legislação de protecção, e isso é um dos factores de atraso da economia portuguesa».
(Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia)
20 de Dezembro de 2011 – Sodade
http://www.youtube.com/watch?v=S27GtyQ42PE&feature=related
Há pessoas que, sem fazerem muito por isso, acabam por dar-nos grandes lições. Cesária Évora. Nunca fui muito atento ao percurso, mas confesso que o som salgado da morna me contagia. Vi-a, uma vez, num pequeno documentário. Simples, no dia-a-dia de Mindelo, Cabo Verde, no meio do povo. Cize. Sem estrelatos nem coisas complicadas. Só a vida de todos os dias, e a música com a maior naturalidade possível. A morna é do mundo, porque Cize a cantou. É sempre mais fácil lembrar quem já não pode ser acompanhado em vida, mas, de qualquer forma, «Sodade». Essa palavra que os portugueses inventaram, e que mais ninguém consegue definir.
19 de Dezembro de 2011 – Em gravações com o Orfeão de Arouca
Hoje acabamos de percorrer a rampa de lançamento para o sonho. A partir de agora, não há retorno possível. Temos um sonho grande, ambicioso, mas concretizável, e vamos fazer tudo para o concretizar. Hoje começamos a gravar os primeiros temas de um trabalho que pensamos chamar «Outras Cantigas de Santa Maria», numa alusão às famosas Cantigas de Santa Maria, do século XIII, atribuídas a Afonso X, o sábio, mas também em contraste com a música do Mosteiro de Santa Maria, com a qual a música do Cancioneiro de Arouca, das Janeiras, do povo não deverá ter qualquer relação. Vamos dar vida ao Cancioneiro de Arouca, com a interpretação de algumas recolhas, mas vamos mais longe. Vamos trazer a «erudição» da música para o cantar das Janeiras e vamos fazer duas «suites» com melodias do Cancioneiro para orquestra de cordas. O resto, é surpresa. Deverá aparecer, por aí, em breve.
18 de Dezembro de 2011 – «Carols and Lullabies: Christmas in the Southwest»
Absorvi cada nota do concerto de Natal do Coro Casa da Música. O início fez lembrar o «Ceremony of Carols», de Benjamin Britten, com uma espécie de um cortejo, um cortejo de sons, que deu início à apresentação de alguns arranjos de Paulo Hillier (maestro titular do coro) para algumas peças alusivas à época. Depois, houve Lopes-Graça, numa interpretação onde o refinado instinto musical de Hillier esteve sempre presente. E, cereja no topo do bolo, «Carols and Lullabies: Christmas in the Southwest», obra composta por Conrad Susa em 1992, sobre canções espanholas alusivas ao Natal. A formação da «pequena orquestra», se assim se pode chamar, era inesperada, mas o resultado sonoro absolutamente surpreendente. Júlio Guerreiro (guitarra), Carla Bos (harpa) e João Cunha (marimba/vibrafone) deram o toque final a um concerto lindíssimo. Fica um excerto de três canções. O resto da história, conto-a no íntimo, e recordo-a com «alegria, alegria, alegria».
[audio:http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2011/12/Conrad-Susa-Christmas-Carols-and-Lullabies.mp3|titles=Conrad Susa – Christmas Carols and Lullabies]Conrad Susa | «Christmas Carols and Lullabies» (excerto)
17 de Dezembro de 2011 – Aniversário da Banda Musical de Arouca
Simbolicamente, porque não se sabe a data ao certo, comemorámos hoje o 186.º aniversário da Banda Musical de Arouca. A grande surpresa este ano, uma espécie de prenda de Natal, foi o renascimento da Banda Juvenil. Alguns dos alunos que passaram por mim já fazem música, e isso soube bem. Ver que o futuro também pode ser agora. E depois, houve a confraternização, a alegria, a boa disposição. Olhando para trás, já está quase metade da minha vida passada em conjunto com estas pessoas. Vendo alguns a crescer connosco, outros a ensinarem-nos e a deixarem-nos o testemunho de vida. É um pouco de tudo isto que lembramos hoje.
16 de Dezembro de 2011 – Pedro Nuno Santos… «LOL»
Props, PNS. Curti tótil a tua cena bués da marada de mandares o bitaite de te estares a marimbar para a cena da Alemanha. Já ‘tava aqui há bués da time a pensar nisso. Como é que nenhum mano das politics se lembra da ganda frase das manifs, pá. Aquela cena do «não pagamos» é uma onda bués da forte, que tem tótil resultados. Ya, PNS. Os tipos da tróks têm de se meter finos, porque a malta é unida e unidos venceremos, na luta pelo povo e tal. Aquela cena das manifs. Txxxxxx… Tu és bué da big, mano. A malta tem é de marimbar-se, bro. Tipo, mêmo na cara deles, manguitos, e tudo. E até a malta pode dizer palavrões e fazer cenas com os dedos, que eles não percebem puto das cenas. Ninguém te pára, bro. Nem o Tózas Seguro, nem o Zorras têm mão no menino, man. Tu meteste a Merkas com as pernas a tremer. PNS, eu curto-te bués, mano. Só mêmo p’a ti, um ganda «LOL».
«Estou-me marimbando para o Banco Alemão, que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou. Estou-me marimbando que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses: é, simplesmente, “não pagamos”. Ou os senhores se põem finos, ou nós não pagamos. Se nós não pagarmos a dívida e se lhes dissermos, as pernas dos banqueiros alemães até tremem».
(Pedro Nuno Santos, deputado do PS, num jantar partidário, em Castelo de Paiva)