6 de Agosto de 2012 – Nós, em Marte

Há quem diga que nunca chegámos à Lua, e que talvez agora não tenhamos chegado a Marte. Também há quem explique que, se não fossem as expedições espaciais e o nosso olhar para o infinito universo lá em cima, nunca teríamos tido muitos dos avanços tecnológicos, por exemplo no campo da saúde. Seja como for, a versão oficial é que estamos lá. A explorar. A procurar evidências de que não estamos sozinhos aqui. Mas, se olharmos para o lado, continuamos a encontrar miséria, desigualdade, fome, maldade, e muitas outras coisas nada humanas, e que se desfocam completamente quando começamos a olhar as estrelas. A sonda que nos representa, que é a extensão de nós, chama-se «curiosity», e bem sabemos como a curiosidade pode matar o gato. Ainda vamos a tempo de descobrir se não será possível levarmos para Marte tudo isto de mau que temos. À distância a que ficariam, deixariam o (nosso) mundo bastante melhor.

5 de Agosto de 2012 – Deus ao telecomando

Estimado Deus:

Sejas Tu quem fores, acredite-se ou não em Ti, o que parece é que a coisa não passa sem Tu pegares outra vez no leme. A malta já começa a deixar de acreditar que Tu existes, porque permites que coisas sem lógica aconteçam. É complicado, deves compreender, exigires de nós que nos conformemos apenas com o livre-arbítrio que ganhámos, graças ao facto de os nossos «pais» Te terem desobedecido, ao comer da árvore de que os proibiras. Há quem fale em destino, ou nas coincidências, ou no facto de já teres tudo programado. Mas Tu, Todo-Poderoso, podias evitar algumas coisas. Dizem. Assim como assim, nos tempos que correm, não era pior que assumisses um bocadinho mais o telecomando. Ou então, se é connosco, dá-nos um sinal. A gente logo verá o que faz.

4 de Agosto de 2012 – O Testinha

É paragem habitual das merendas, numa espécie de regresso ao passado, a um quase imaginário do que é típico, do «tasco», do convívio com quem acompanha o entra e sai de muita gente, de gente genuína. À roda da mesa, hoje éramos apenas dois, mas o espírito é sempre o mesmo. A alegria na saudação de quem nos recebe já é suficiente para nos sentirmos bem, e até para provarmos os petiscos com mais vontade. Depois vem o frango frito, a canequinha «com marcha», a simpatia habitual, e uma conta sempre em conta. Por nós, é mesmo «volte sempre».

3 de Agosto de 2012 – Foi bonita a festa, pá

Não eram profissionais, mas foram-no. Talvez não tenham sido a primeira opção, mas revelaram-se a melhor. Dizem que santos da casa não fazem milagres, mas provaram o contrário. A Praça estava cheia, para dar as boas vindas a um espaço urbano remodelado, com música feita por arouquenses. Por amadores profissionais. Talvez merecessem uma compensação pelo esforço, um agradecimento pelo afecto que demonstram pela sua terra, ao disponibilizarem-se para mostrarem a sua arte sem esperarem nada em troca. Mas, à parte de tudo isso, foi bonita a festa. Todos estamos de parabéns.

2 de Agosto de 2012 – Ainda um outro concerto

A música é conhecida de um anúncio antigo de máquinas de escrever. E foi, precisamente, esse o instrumento solista que Leroy Anderson escolheu para a sua peça «The typewriter». O que se pretende provar é que a música não tem, necessariamente, de ser uma coisa séria, hermética, formal. Pode (e deve) ser motivo de libertação e diversão. De humor. E quando funciona, é muito mais interessante e eficaz do que uma grande obra, tocada minimamente como deve ser, ouvida sem enquadramento, e apenas pelo formalismo de ter de ser.

1 de Agosto de 2012 – O (outro) concerto

Falta pouco para o concerto inaugural da Regeneração Urbana. A Banda Musical de Arouca, o Orfeão de Arouca e o Grupo Coral de Urrô voltam a juntar-se para darem (boa) música aos arouquenses. Mesmo em contra-relógio, as associações acederam ao convite da autarquia, e estão a trabalhar para tentar oferecer ao público, esperamos, um grande concerto. Tudo está a ser preparado para que as coisas aconteçam a 3 de Agosto, a partir das 22:00, na Praça Brandão de Vasconcelos. Uma das peças executadas será a minha Suite do Cancioneiro de Arouca. Esperemos que os imprevistos ocorram em quantidade mínima.

31 de Julho de 2012 – O Concerto

Enquanto preparávamos mais um concerto para Arouca, houve tempo para espreitar um filme há muito na lista de prioridades: «O Concerto».  Radu Mihaileanu traça-nos um retrato de uma Rússia que teve de conviver (nem sempre de forma esclarecida e aberta) com o passar do tempo, e, subliminarmente, aponta algumas fragilidades ao comunismo. Políticas à parte, a ideia que fica é a de que é possível renascer, quando se tem a força necessária. No filme, Brejnev silenciou os músicos judeus do Bolshoï, e saneou o seu maestro, relegando-o para a posição de homem das limpezas do teatro. Depois de uma humilhação e de se ver obrigado a trabalhar toda a noite, Andrei Filipov (o maestro) encontra um fax do Théâtre du Châtelet, convidando o Bolshoï para uma «tournée» em Paris. É a mola que faz com que tenha uma ideia insana: a de reunir os seus antigos músicos judeus, e voltar a ter uma orquestra. O resto, é melhor ver.

30 de Julho de 2012 – Viver com a derrota

Normalmente, há só uma razão para se ganhar, e várias para se perder. Raramente se discute quando se ganha. Ganha-se, e pronto. Mas quando se perde, perde-se sempre por um vasto conjunto de razões, que nos ajudam a justificar e a minimizar uma coisa que faz parte da vida como qualquer outra: a derrota. É sempre mais fácil desistir, depois de se perder. Manifestar fraqueza. Mas, para alguém ganhar, é preciso que alguém perca. Para que, talvez depois, ganhe. Como Napoleão dizia, as vitórias são merecidas, as derrotas necessárias.

29 de Julho de 2012 – Relax, no intervalo da música

Num dia de calor, em que se tem de fazer música contra um sol quase impiedoso, salva-se a companhia dos amigos e a possibilidade de um breve momento para refrescar. Foi pena que nem todos tivessem oportunidade de saborear a frescura da água, mas os que pudemos, divertimo-nos, com a revelação «Rissol», o salva-vidas contratado para vigiar o areal da piscina. Desempenhou bem o seu papel, dentro e fora de água. Sem nunca largar a sua bóia/bússola, e sem molhar o cabelo, para não perder o porte atraente.

28 de Julho de 2012 – Art & Cult

Acabo de chegar de uma das experiências musicais mais enriquecedoras que já vivi. No Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, a orquestra do festival Art & Cult tocou, entre outras coisas, algumas composições minhas. Foi absolutamente esmagador ver o CAE completamente cheio para assistir a um som brilhante, feito por gente tão nova. Ver, ali, a música que, até então, só existia na minha cabeça, tornar-se real, tal e qual como imaginada. Foi muito bom.