5 de Setembro de 2012 – Uma maçonaria menos secreta

Um comentário num blogue divulga uma extensa lista de maçons. Se há alguns nomes que não causam grande admiração, o surgimento de outros, mais próximos de nós, surpreendem. Uma investigação recente, conduzida pelo Diário de Notícias, já tinha “aberto a porta” da instituição, dando-nos a conhecer alguns dos mais importantes rostos das lojas. O que, progressivamente, vamos vendo, é que, por muito que o neguem, eles estão sempre próximos de decisões importantes e de quem as toma. Por outro lado, que talvez nem só os “bons” frequentem as lojas. A maçonaria já não é apenas um ideal de vida, uma forma de estar na vida, uma forma de fidelidade. É mais um grupo de pressão do que tudo o resto. Até que nos provem o contrário. O que é difícil, dado o “secretismo” que continua a privilegiar.

4 de Setembro de 2012 – “Tristiano” Ronaldo

Cristiano Ronaldo está triste. Continua a marcar golos, a jogar e a fazer jogar. Mas diz que está triste, e que, por isso, não comemora os golos que marca. Os golos. O que de mais espectacular faz. O que confere razão de ser ao futebol, em que é mestre. Mas está triste. Afinal, ele é igual a nós. Apesar de ser um herói, manifesta-se, agora, a sua parte humana. Ele pode continuar a ser um profissional de elite, mas nem sempre o sentimento acompanha essa suposta “euforia”. Por muito dinheiro que se tenha, por muito luxo e “glamour” com que se viva, por muita popularidade que se tenha, há coisas que não conseguimos comprar, ou encontrar ou viver apenas querendo. Acontece connosco. Pensarmos que temos tudo para estar satisfeitos, e não estamos. Ele também não está. Se bem que, é fácil pensar, com tantos milhões de reserva, não deve ser difícil tornar essa tristeza passageira.

3 de Setembro de 2012 – Mais um músico para a Grande Orquestra de Verão

A Grande Orquestra de Verão é uma espécie de “orquestra nacional”, que o maestro António Victorino d’Almeida conseguiu juntar, com o apoio do Secretário de Estado da Cultura. Finalmente, alguém se lembrou de apoiar uma iniciativa que leve a música erudita a todo o lado, e que dê a conhecer o trabalho que cada orquestra vai fazendo, regionalmente. A festa da música sinfónica leva, um pouco a todo o país, a Banda da Armada, a Banda Sinfónica da GNR, Olga Prats, o Quarteto Lopes-Graça, um Ensemble de Metais, a Orquestra do Algarve, a Filarmonia das Beiras, a Metropolitana de Lisboa e a Orquestra do Norte. A convite desta última, irei participar neste projecto, com muita vontade de dar o meu melhor em prol da música. Sob a direcção, claro, de uma das figuras incontornáveis do panorama musical nacional. Que mais se pode querer?

2 de Setembro de 2012 – Os vídeos do festival da Figueira da Foz

http://www.youtube.com/watch?v=5jHtRQBh8vs&feature=plcp

Foram hoje publicados os primeiros vídeos do Festival Art&Cult, em que tive a honra de participar. Para o meu amigo Cristiano Silva, escrevi quatro arranjos, que ele e a sua fabulosa orquestra conseguiram superar. Quando se imagina a música, e depois se tenta exteriorizar, sobretudo pedindo a outros que o façam, o resultado pode não condizer com o que se imaginou. É um risco que se corre. Comunicar é um risco. Desta vez, não foi assim. Foi o concretizar do que foi circulando nas ideias, povoando as experiências e conjugando a construção, até a casa estar feita. O resultado… está aí. Pelo menos um deles.

1 de Setembro de 2012 – O perigo de fazer com os Paralímpicos o que se faz com os incêndios

Portugal é assim. Num instante passa do 8 ao 80, e vice-versa. Até há bem pouco tempo atrás, os Paralímpicos eram o que são todos os dias. Gente esquecida, cordialmente colocada dentro de quatro paredes, para que a sua índole “especial” esteja controlada. Depois, eles mostraram que são bem mais do que isso. Aliás, como o provam todos os dias a quem os acompanha, a quem os visita, a quem se interessa pelo seu viver. Agora, têm honras de recepção em tudo quanto é entidade. Espera-se tudo deles. Queremos medalhas. Queremos que sejam eles a dignificar um país que não se dignifica a si próprio no dia-a-dia. E são, curiosamente, os mais “especiais”, aqueles que menos se quer na proa, em quem se deposita confiança, agora. Havia quem defendesse que a época de incêndios era tão mais violenta quanto abrangente e focada era a cobertura jornalística. Com directos e proximidade das chamas e da acção dos bombeiros. Normalmente é assim. A televisão tem efeito multiplicador. O que é urgente não acontecer é querermos que sejam os Paralímpicos a darem-nos a vitória que os dignos atletas Olímpicos não conseguiram, nem tão pouco a tão ansiada final a que os nossos milionários da bola quase foram. No meio de tudo isto, queria deixar um sincero abraço de boa-sorte ao valecambrense e meu colega de faculdade João Paulo Fernandes. Não nos conhecemos bem, mas partilhamos uma escola. Onde ele, apenas com a presença, nos ensina muito.

30 de Agosto de 2012 – Flying Circus, on the way

Chega-me pelo correio, em breve, a colecção «The Monty Python Flying Circus». São sete DVD’s, com programas do grupo de humoristas britânicos, de 1969 a 1974. São horas de muito do melhor humor alguma vez produzido para televisão, ainda para mais tendo em conta as limitações técnicas da época. Basta vermos os primeiros episódios para verificarmos que, depois dos Monty Python, nenhum dos humoristas (ou grupo de humoristas) que conhecemos depois «inventou a roda» do humor, como se pensava. Muito do que de muito bom encontramos após os Monty Python tem a sua raiz aqui. Com as adaptações, com algumas variações, mas a essência é a mesma. É capaz de ser bastante difícil (impossível?) fazer muito melhor. «And now, for something completely different…»

29 de Agosto de 2012 – O que é aquilo da RTP?

O Governo atirou uma granada, e está, agora, à espera da explosão, para a estudar em pormenor, desde o lançamento ao estilhaço mais ínfimo, e depois andar com o filme para trás, até voltar tudo ao princípio. Por trás deste exercício de realização televisivo-cinematográfica deve estar o multifacetado Ministro Relvas (quem mais?), em quem depositamos todo o crédito e confiança de que encontrará uma solução de superior qualidade para nos devolver um serviço público de televisão que nos vão dando e tirando ao sabor dos ventos. Preparam-se para nos roubarem um canal que nos proporciona, verdadeiramente, serviço público (RTP2), e querem fazer com que os privados voltem a travestir o outro canal. Mas afinal, em que país estamos?

28 de Agosto de 2012 – Todi: a segunda morte de Luísa Aguiar

Luísa Todi é um daqueles nomes que quase toda a gente ouve, mas pouca gente (re)conhece. Todi terá sido uma diva do seu tempo, rapidamente proscrita pelo seu país, à época (talvez como sempre) pleno de preconceito e certa inveja. Na «segunda morte», Luísa revisita os «seus» locais, entre Setúbal, Lisboa e Porto. Rapidamente faz o paralelo entre os seus tempos de glória e o rápido e fácil esquecimento a que foi votada. O brilho dos grandes teatros europeus, a proximidade e o encantamento que proporcionou a Maria Antonieta, a Catarina da Rússia, a Frederico da Prússia, até mesmo a Beethoven, rapidamente se transformam em viuvez, solidão, cegueira e pobreza. Esquecimento. Despede-se com a certeza de que não vale a pena, mesmo muito tempo e muito «conhecimento» depois, procurar uma glória que os seus insistem em não encontrar. É isto, a história.

27 de Agosto de 2012 – Crítica do concerto no «Norte de Castilla»

Hoje tivemos acesso a uma outra crítica ao concerto de Ávila. Novamente positiva, mas desta vez mais «esmiuçante». Emiliano Allende não se ficou pelas impressões, e traçou um retrato bastante fiel do que foi o concerto. É verdade que a densidade que Duarte Lobo colocou no seu «Audivi voce de coelo» podia ter sido mais profunda. É verdade que esteve ali a luminosidade e a fluência de Victoria, no seu «Super Flumina Babylonis». É verdade a obscuridade do «Requiem» de Frei Manuel Cardoso. É verdade o que diz de «La Guerre», de Janequin. É tudo verdade.

«En la segunda parte el grupo rompió con una versión excelente de ‘La Guerre’, de Janequin. Las voces acompañadas de gesto y movimiento gozaron de un dinamismo contagioso».

(Emiliano Allende, in «Norte de Castilla»)

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