Quando dei por mim, vi que tinha uma coisa que ninguém me podia tirar. A capacidade de imaginar. A capacidade de sonhar. A capacidade de, de repente, essas imagens se transformarem em palavras. E contar histórias. Imaginadas. Vividas. Contadas. Valia a pena sonhar, porque ali não havia limites. Valia a pena contar, partilhar. Havia esse imaginário, um impossível tornado possível. Com as palavras, conseguíamos tornar os sonhos realidade. As palavras tinham música. As palavras tinham sabor. As palavras existiam mesmo antes de existir. Eram descobertas. Ganhavam vida própria. Nessa altura, não havia crise, nem tristeza, nem medo, nem muitas coisas para fazer, nem nada que nos tirasse o tempo. O tempo em que valia a pena sonhar.
20 de Outubro de 2012 – Quiz literário, fase um, check
Tudo bem, as circunstâncias não foram as de extrema dificuldade, mas o que é facto é que a equipa de Arouca ganhou o “Quiz literário” da livraria Bertrand de Aveiro.Vamos à final, dia 10 de Novembro, na livraria do Chiado, com mais cinco equipas. As perguntas não versavam exclusiva e directamente sobre a literatura, e daí a dificuldade acrescida. Aliás, no final, a própria organização assumiu que as respostas não estavam ao alcance de qualquer leitor, mas, pelo que nos disseram, a média de resultados tem sido satisfatória. O que se segue é que, depois de respondermos às 60 perguntas, pudemos sentir alguma satisfação. Apesar de algumas incertezas, e do desconhecimento de algumas respostas, saber que ganhámos soube bem. Lisboa, Chiado, aqui vamos nós.
19 de Outubro de 2010 – Back to school
Finalmente, voltei à escola. Trabalhar e estudar é complicado, mas permite-nos valorizar as coisas de uma forma mais intensa do que se as recebêssemos sem esforço. Sim. É, até certo ponto, injusto. Mas todas as opções têm esse risco associado. Quando se faz muita coisa, facilmente se faz nada como se deve. É 0utro dos riscos. Seja como for, hoje regresso à Universidade de Aveiro, para continuar a perceber «o lado de dentro» da música. Porque, nestas coisas, não se consegue «falar» do que não se conhece. E, no caso da música, quanto mais se conhece, mais há para conhecer. É este o fascínio (viciante) da coisa.
18 de Outubro de 2012 – Para Angola, e em força
É célebre a frase de Mark Twain (recentemente revisitada por Eunice Muñoz) que dava conta de que «as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas». Às vezes, temos essa sorte. Outras, «onde há fumo, há fogo». E no meio de tudo, estamos nós. Algures entre a verdade e a mentira, e as meias verdades, vamos sendo bombardeados com notícias. Difíceis de localizar no prato da balança, se são boas ou más. Hoje, como nos últimos dias, são as próprias notícias (ou melhor, os seus «fazedores» e veículos) que estão em causa. A Lusa pode ver condicionada a sua vocação de serviço público. O Público, jornal, limita o seu quadro e, com isso, a sua capacidade de informar. E hoje, em jeito de granada, pronta para explodir ao retardador, é notícia uma suposta venda da Global Notícias a um grupo angolano sem rosto. Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e TSF, que resumem, grosso modo, a história do jornalismo português, sujeitam-se, num estalar de dedos, a mudar de mãos, para um grupo desconhecido. Quando não vemos a cara dos interlocutores, a conversa gera desconfiança, mas um pensamento tão básico talvez não perpasse pela cabeça de quem decide estas coisas. «Para Angola, e em força», mas desta vez ao contrário. A caminho de uma nova forma de colonização. Talvez, por via dos negócios, desta vez ao contrário.
17 de Outubro de 2012 – Suspenda-se a política
Há uns tempos, Manuela Ferreira Leite causou polémica quando disse que se devia suspender a democracia. Como diria o Joãozinho das anedotas, «a resposta está errada, mas gostei da sua maneira de pensar». Se Manuela Ferreira Leite tivesse apenas substituído a palavra «democracia» por «política», estaríamos todos de acordo. Ainda mais, porque teve razão (como em muitas outras coisas) antes do tempo. Já que temos a «troika» a governar-nos, o ideal seria mesmo não termos de aturar «fait-divers» políticos, porque a realidade é suficientemente dura e dá-nos com que nos preocuparmos o suficiente para ainda termos de aturar medições de egos. Vêm aí as eleições do Benfica. Suspenda-se, portanto, a política, e fale-se do que efectivamente interessa. Já basta o que basta.
16 de Outubro de 2012 – Afinal…
Ele não se sentia bem. Havia um desconforto qualquer, que não conseguia explicar. Pensou que talvez não estivesse alto o suficiente, e resolveu apostar tudo numa escalada a uma montanha alta. Investiu todo o tempo e as forças na escalada, mas, chegado ao destino, verificou que tudo continuava na mesma, apesar do investimento. Pensou, então, que talvez não estivesse baixo o suficiente. Recalibrou o seu investimento, e desceu o mais que pôde. E, depois de não poder descer mais, tudo estava igual. Pensou, então, que pelo sonho é que ia. Sempre não paga imposto (ainda). Tudo ia bem, mas, ao acordar, verificou que estava tudo igual. Chegou mesmo a pensar em mudar de país, mas tudo na mesma. Ao acordar, teve um rasgo de clarividência. Enquanto ainda regressava do sono, e dormitava entre o sonho e o acordar, verificou que, na realidade, não estava bem dentro de si mesmo. Afinal, o problema era esse…
15 de Outubro de 2012 – Quiz literário, aqui vamos nós
Tudo começou com uma brincadeira entre amigos, mas acabou por se tornar mais sério qualquer coisa. As livrarias Bertrand estão a promover uma prova de conhecimentos literários, com final agendada para Lisboa, em Novembro. A eliminatória mais próxima é em Aveiro, e nós vamos. Sem expectativas de ganhar, nem de perder, nem nada a não ser, pelo menos, sabermos a que nível estamos. No próximo dia 20, sábado, a partir das 15:30, no Fórum Aveiro, lá estaremos, para cumprir as regras e, assim, ficarmos a saber o que sabemos (ou não) sobre literatura.
14 de Outubro de 2012 – Concerto de homenagem a Arnaldo Pinho
A Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda comemorou hoje o II Dia do Irmão, homenageando o seu Juiz, o Professor Doutor Arnaldo Pinho. Para além da Eucaristia, do almoço/convívio e da sessão solene, em que foi apresentado o primeiro volume das suas obras escolhidas, houve o concerto do Orfeão de Arouca, com a Orquestra de Sopros da Banda Musical de Arouca e o organista Nicolas Roger. Mais do que com as palavras, foi com os gestos e a música que procurámos homenagear um homem de uma cultura superior, mas cuja simplicidade e discrição apenas o engrandecem ainda mais.
13 de Outubro de 2012 – Não matem a cultura, por favor
Os cortes são generalizados, e já se fazem sentir, especialmente junto dos que menos têm. Até aqui, nada de novo. O problema é quando esses cortes, em muitos casos cegos ou com a cegueira de querer obedecer apenas a números, começam a atingir quem já estava a lutar para fazer muito com quase nada. Os ditos representantes do sector cultural começam a fazer ouvir a sua voz a nível nacional, mas há vida para além disso, e é para esses, constantemente esquecidos, que é preciso olhar. Pelo país fora, especialmente no «Portugal profundo», no tal «interior esquecido e ostracizado», há um sem número de associações culturais, recreativas e desportivas que lutam pela sobrevivência, mas que, mesmo assim, se revestem de uma importância decisiva para a identidade dos locais onde trabalham. Há quem esteja, «de graça e a seco», como se costuma dizer, ou apenas com pequenas e pontuais ajudas das autarquias, a fazer cultura ao nível dos que estão a lutar para manter os subsídios que recebem do Estado. É por esses e para esses que é preciso olhar. Porque não é só cortando nos subsídios que se mata a cultura. É, essencialmente, aqui.
12 de Outubro de 2012 – Muros
Alguns países constroem muros para estabilizarem as suas fronteiras. Outros para impedirem a imigração. De uma forma geral, procuram fazê-lo para conseguirem alguma estabilidade, mesmo que à força. Em Portugal, estamos, uns por quererem, outros talvez sem, a construir um muro que pode ter outro tipo de consequências. Induzidos por uma espiral recessiva esquizofrénica, fechamo-nos, cada vez mais, sobre nós mesmos, e o muro metafórico que com isso vamos construindo torna-se, pedra a pedra, intransponível. No alicerce disto tudo, temos um (des)governo, que parece não ter alternativa, perante uma dívida quase impossível de saldar, fruto de sucessivas más gestões. Depois, há as patacuadas que os políticos vão sobrepondo, pedra a pedra. Há, ainda, pedra a pedra, as manifestações estéreis, que exteriorizam descontentamento, mas não resolvem o problema nem apresentam alternativas viáveis. Por fim, na voragem de ter alguma coisa para dizer, sem se aperceber que cada muro tem dois lados, há aquilo a que chamamos de comunicação social, que nem sempre olha de cima do muro para os dois lados, e mais frequentemente só olha para a pequena pedra que impede mais uma fila de pedras maiores de se alinharem. Portugal está assim. Desorientado. Necessitado de uma qualquer medicina alternativa que o ajude a encontrar um caminho para a cura. Porque a medicina convencional, já se viu, não resulta.