Chegou o período a que habitualmente se chama «silly season». Basicamente, trata-se do Verão, das férias, de um tempo em que estamos (os que estamos) descomprometidos da rotina habitual, e, como tal, mais propensos ao inesperado, ao «fait divers», a coisas mais ou menos estapafúrdias. Este ano, temos um ingrediente acrescido: as eleições legislativas em Outubro, com as máquinas partidárias já devidamente oleadas, e prontas a disparar as balas do costume, com as acções e reacções habituais.
Este, que devia ser o tempo para nos desligarmos de um dia a dia que quase nos oprime, de um quotidiano acinzentado por vários factores, e nem todos culpa nossa, de dias justos e outros injustos, de gente muito boa e menos boa que connosco se vai cruzando; este, que devia ser o tempo para nos rendermos às fotografias (in)felizes (ou, pelo menos, disfarçadamente felizes) do facebook, com fundos de mar ou montanhas verdes e céu azul; este, que devia ser um tempo para nós, para não haver Grécia que nos desanime, ou políticos que nos envergonhem; este tempo não está a ser só nosso.
Se a representatividade que nos é proposta fosse funcional, talvez não nos fizesse grande diferença abdicarmos do único período em que podemos ser mais «silly» durante mais tempo (o Carnaval é outra altura, mas dura apenas dois ou três dias). Mas com a constante nuvem negra da corrupção a pairar sobre os políticos, não nos resta senão antever mais do mesmo, para os próximos tempos. Já nos começam a impingir «pseudo-escândalos» que poderão adensar-se, dependendo do sentido de voto da maioria dos portugueses. E quando o futuro se resume a mais do mesmo, sujeitar os momentos que deveriam ser exclusivamente nossos a estas lógicas é, no mínimo, injusto.
Quando o que de mais «silly» temos para desfrutar é uma espécie de campanha eleitoral em várias frentes, e não podendo ter a sorte programada de ganhar o Euromilhões, resta a esperança de que algo mude. Caso contrário, «silly» estaremos todos no decurso de mais um ano de trabalho. Penosamente. A implorar por um novo período de férias em que todos, sem excepção, possamos ser «parvinhos» em paz.
Foi há precisamente 27 anos que eu, com 8, sentia, pela primeira vez, a crueldade do mercado futebolístico. Estava a minha colecção de cromos a terminar, quando descubro que o avançado do Vitória de Guimarães, Ademir, vai ser reforço do Benfica, apesar de o Porto ter tentado contratá-lo. Mas essa «vitória» acabaria por ser amarga. Pinto da Costa consegue «roubar» Dito e Rui Águas ao Benfica. Perder Rui Águas era algo impensável, mas aconteceu. Pior, o avançado acabaria por ser o melhor marcador dessa época. Ele há coisas do catano.
Águeda Bañón é a nova directora de comunicação de Barcelona há cinco dias, e já é notícia. Sucede que surgiram umas fotografias na internet em que a assessora aparece com as calças para baixo em Berlim ou a fazer de conta que faz xixi à homem. Águeda é uma activista do «postporno», um movimento que tem uma forma feminista de encarar a pornografia. Quer a gente queira, quer não, parece que há sempre quem faça o nosso trabalho melhor do que nós. E é com os melhores que devemos aprender. Por isso…
A Orquestra Filarmónica de Berlim já escolheu o maestro que irá suceder a Sir Simon Rattle. Depois de um processo debatido e relativamente demorado, a escolha (tudo menos óbvia) recaiu sobre Kirill Petrenko. O actual maestro da Ópera Estatal da Baviera, conhecido pelo seu «low-profile», inicia funções em 2017, tendo já garantido o seu lugar na história da Filarmónica. A lista de maestros desta formação de referência é curta: Hans von Bülow, Arthur Nikisch, Furtwängler, Herbert Von Karajan, Claudio Abbado e Simon Rattle. O «El Pais» coloca algumas achas interessantes nesta fogueira. Assegura que Petrenko é obsessiva e quase patologicamente tímido, que quando se junta aos músicos, no final de um concerto, para beber um copo de vinho (a única bebida alcoólica que consome socialmente), raramente fala. Será o primeiro russo, o primeiro judeu e o segundo «barbudo» a liderar os 124 músicos berlinenses. A sua timidez contrasta radicalmente com a cultura da Berliner Philharmoniker, habituada a ter verdadeiros «pavões reais» no estrado. Diz o «El Pais». E nós, ficamos a pensar nisso.
Segundo dizem os entendidos, há uma diferença entre a baixa auto-estima e a «síndrome do impostor». Quem tem baixa auto-estima, ainda consegue, de vez em quando, aperceber-se de que tem valor e que o seu sucesso também depende (muito) de si próprio. Já quem sofre da «síndrome», para além de ser extremamente auto-crítico, encara as coisas boas (ou menos más) que vão sucedendo de forma alheia à sua acção. Sente-se uma fraude, alguém que é menos eficiente do que parece, e que, a qualquer momento, pode ser descoberto. Muitos dos famosos e competentes que conhecemos colocam, secretamente, estas questões. Será?
Hoje, inaugurámos a placa evocativa da fundação da Real Confraria do Frango Frito. Chamamos-lhe real, porque ela existe. É, portanto, real. Não precisa de formalismo que não seja o da amizade, entre quem come e entre quem come e quem nos confecciona as iguarias. Pouco a pouco, fomo-nos tornando da casa. E o que parece ser uma brincadeira, não deixa de suscitar curiosidade. A partir de hoje, fica assinalada a passagem destas gentes por esta casa. É como se tivéssemos encontrado forma de estarmos sempre por casa, mesmo não estando.