Um grupo de internautas publicou ontem um manifesto, em que dão nota de 17 constatações sobre como o jornalismo está diferente, graças à internet. O documento chama-se mesmo «Manifesto Internet», e está acessível aqui. No documento, muito basicamente, são defendidas 17 ideias fundamentais. A saber: 1. A Internet é diferente. 2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso. 3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet. 4. A liberdade da Internet é inviolável. 5. A Internet é a vitória da informação. 6. A Internet muda melhora o jornalismo. 7. A Net requer gestão de redes. 8. Links recompensam,citações enfeitam. 9. A Internet é um novo palco para o discurso político. 10. Hoje,liberdade de imprensa significa liberdade de opinião. 11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação. 12. A Tradição não é um modelo de negócio. 13. Os direitos de autor são um dever cívico na Internet. 14. A Internet tem muitas unidades monetárias. 15. O que está na Net fica na Net. 16. A qualidade permanece como a mais importante das qualidades. 17. Tudo para todos.
8 de Setembro de 2009 – A festa da Senhora da Mó
Diz quem estudou o assunto que a devoção a Nossa Senhora, expressa na construção de capelas ou ermidas no cimo de montes, terá a ver, entre outras coisas, com o facto de, dessa forma, se ficar com a ideia de estarmos mais perto do «céu», ou do «divino». De facto, o monte da Senhora da Mó, apesar de concordarmos que poderia estar arranjado de outra forma, ou até mais cuidado, nunca deixou de ser acolhedor e de nos prendar, sobretudo em dias límpidos, com uma belíssima paisagem, de Arouca até ao Porto. Por estes dias, o parque de merendas enche-se de gente, e organiza-se, de uma forma mais ou menos popular, a festa em honra de Nossa Senhora da Mó. Muita gente se organiza, para que nada falte na tradicional «bacalhoada» de dia 7 de Setembro à noite (atenção, na Casa da Ceia só os homens podem entrar), e, no dia 8, há sempre banda de música, papagaios de papel e tempo de confraternização. São dias em que muito facilmente encontramos gente que já não vemos há algum tempo, em que se convive sem pressas e num local aprazível. Em que pensamos que seria bom que se continuasse a fazer a festa dentro do espírito habitual. E, se possível, com o espaço o mais aprazível possível.
7 de Setembro de 2009 – É preciso pensar no Centro de Saúde de Arouca
Ainda a unidade de saúde de Arouca funcionava no velhinho Hospital da Misericórdia, e já eu tinha o privilégio de «conhecer os cantos à casa». O Hospital de Arouca (mais tarde, Centro de Saúde), apesar de todas as insatisfações, sempre nos habituou a um funcionamento profissional, eficaz e dedicado, servindo o povo de Arouca como este merece: bem. Há algum tempo, quando o Governo iniciava, freneticamente, um «varrimento» pelas escolas e pelas unidades de saúde do interior, fechando as que «não interessavam», o Centro de Saúde de Arouca passou incólume, vendo mesmo os seus serviços alargados, prevendo-se a inauguração do Serviço de Urgência Básica ainda para este mês. Sucede, contudo, que talvez ainda não se tenha pensado bem na questão dos recursos humanos. Segundo informações recentes, a Administração Regional de Saúde do Norte estará atenta ao assunto e a trabalhar para a resolução do problema, mas o que se passa é que grande parte dos médicos arouquenses, em quem o povo de Arouca tem confiado, médicos esses que não têm olhado a esforços no zeloso cumprimento do seu dever, estão agora a iniciar o seu merecido processo de aposentação, e sabemos ainda que aquele serviço não tem, de momento, pessoal técnico e de enfermagem suficiente para funcionar devidamente. Numa fase de transição como esta, é, de facto, preciso pensar bem na questão dos recursos humanos. Sobretudo aproveitando a oportunidade para rentabilizar recursos endógenos. Sob pena de, de uma vez, estarmos a perder duas oportunidades.
6 de Setembro de 2009 – O mistério das vozes da Bulgária
Os chamados «países de leste», a par dos anglo-saxónicos e germânicos, têm uma forte tradição coral, muito frequentemente com coros masculinos ou femininos (obviamente, também com coros mistos). Algumas dessas preciosidades são búlgaras, e estão registadas com muita qualidade, como agora se costuma dizer «para memória futura». As vozes femininas vão se desdobrando, e apresentando ao ouvinte mais distraído uma vasta paleta de cores sonoras, em cantos de intervenção, de embalar, melodias campestres e muito mais. Em Portugal, e até mesmo em Arouca, esta prática podia e devia ser mais fomentada, porque recursos musicais não nos faltam. Até lá, e a servir de inspiração, vamos desvendando o mistério das vozes búlgaras, viajando pelo mundo sem fronteiras da música.
5 de Setembro de 2009 – A importância de certos rituais masculinos
Há alguns rituais que parece que nos fazem sentir mais homens. Ir ao barbeiro, poder ouvir e tomar parte nas conversas de homens, é um deles. Outro, é podermos entrar e fazer parte de todo o cerimonial da tasca. Em Arouca, um dos locais absolutamente imperdíveis, quer pelo ambiente, quer pelo sabor do produto que defende, é a «Casa Testinha», com o seu famoso frango frito e o «tal vinho da lixa» com «marcha atrás». De quando em vez, um grupo de amigos resolve «merendar» por ali, convivendo com quem está, deliciando-se com os petiscos e aproveitando para colocar as novidades em dia. Hoje, de volta de alguns pratos de frango frito, e de algumas canecas de «branco com marcha» voltámos a dar vida a este ritual, que esperamos poder continuar a repetir regularmente.
4 de Setembro de 2009 – Arouca vista de cima
Para quem é arouquense a sério, Arouca é a mais bela terra do mundo, vista de qualquer ângulo possível e imaginário. Contudo, o privilégio de vermos Arouca do ar é absolutamente único e irrepetível. Hoje, isso aconteceu, numa viagem de helicóptero, sobrevoando a vila e parte das áreas abrangidas pelas futuras rodovias regionais. Do percurso, guiado pelas coordenadas de alguém «com profundo conhecimento da geografia regional», ficam algumas imagens fugazes de quase hora e meia de voo.
3 de Setembro de 2009 – Sócrates «Big Brother» II
Parece que aquilo a que alguns vão chamando «não-notícia» tem vindo a proliferar. Hoje foi a vez de Alexandre Relvas, presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro e da «Logoplaste», ser visado pela comunicação social, alegadamente por ter sido pressionado pelo gabinete do Primeiro-Ministro para ser «moderado» no seu discurso de tomada de posse enquanto presidente daquele Instituto. Ao mesmo tempo, a administração da «TVI» anuncia a retirada do «Jornal Nacional» e provoca a demissão em bloco da direcção de informação do canal, que diz ter uma peça com novos factos sobre o caso «Freeport». Bem sabemos que «à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecer». Aqui, sucede um pouco o contrário. Há muita coisa que parece, mas que não sabemos se é. O clima de suspeição que se cria é grave. Como grave é o sentimento de que estes condicionamentos existem de facto, se não a este nível, a outros. Em Portugal, tudo se sabe, tudo se comenta, mas pouco se prova. Fala-se «à boca pequena», em sussuro nas conversas casuais, em «off record» para a comunicação social. Continuamos, em suma, a ser pequenos. Por isso e pelas opções erradas em que continuamos a insistir.
2 de Setembro de 2009 – A Via que se diz que nos vai estruturar

Depois de um intenso debate, em que, muitas vezes, o recurso à manipulação foi quase grosseiro, sucederam-se tempos quase asfixiantes de silêncio. Agora, talvez porque as eleições estão próximas (ou apenas porque o modelo encontrado assim o exigia), chega a tão esperada luz verde para a continuação da estrada que insistem em dizer que nos vai estruturar. A luta por esta obra que, todos concordamos, é vital para nós fica, para mim, bem patente na imagem do desbravamento da «Pedra Má», que o povo, sabiamente, baptizou, e os engenheiros da obra bem puderam comprovar. Enquanto não a tivermos concluída, vamos estar, constantemente, a «partir pedra», contra tudo e contra todos.
Ficará, contudo, sempre presente a questão acerca do traçado escolhido, das curvas sinuosas que, entretanto, surgiram diante de nós, dos imensos viadutos, do gelo que se forma no inverno. Ficará na memória o debate que pugnava por uma solução mais eficaz, mais barata e menos agressiva. Surge, entretanto, a interrogação sobre se será, de facto, a estrada que nos vai estruturar, ou se não seremos nós capazes de nos estruturarmos apesar ou a par da estrada. Se acreditamos em Arouca e nos arouquenses, saberemos que a estrada contribuirá para nos estruturarmos, mas não será ela, por si, a estruturar-nos.
1 de Setembro de 2009 – Segunda Guerra Mundial, 70 anos depois
Há precisamente 70 anos, Hitler dava um «tiro de partida» para um conflito que, provavelmente, nem ele próprio imaginava pudesse tomar as proporções que tomou. Pensando tratar-se de uma invasão de vitória rápida e garantida, acabou por, paulatinamente, despoletar o mais sangrento e hediondo conflito entre nações, ficando, pelo meio, o terrível genocídio praticado contra o povo judeu e, no final, as terríveis e irreversíveis consequências dos bombardeamentos atómicos no Japão. Há precisamente 70 anos, o mundo iniciava uma caminhada sem regresso rumo a um terrível desfecho, que não vai, certamente, querer ver repetido.
31 de Agosto de 2009 – O último dia de férias
Ao reencontrar o mar, vem-me de imediato à memória a letra e a música de Fausto Bordalo Dias. «O mar». A visão da imensidão do oceano, que os portugueses conseguiram domesticar, a calmaria de um fim de tarde de maré vaza, mandando embora a ténue neblina que insistia em apenas povoar, temporariamente, aquela praia. Veio o sol, como que a fazer-me despedir das férias. É tempo de regressar, sabendo, todavia, que o mar vai sempre continuar aqui. O sol, a brisa, o mar. À espera de um regresso. Enquanto continuam a ecoar os sons do mar de Fausto Bordalo Dias.
O Mar
(Fausto Bordalo Dias)E todo o mar se cobriu de infinitas riquezas
de anil e sedas e jóias e de odoríferas drogas
de si deitava nas praias moscatéis e licores
adoçando de sua bravura
o mar
nas margens adamascadas andam náufragos dispersos
mariscando lagostas ostras choupas taínhas
e bebem vinhos distintos de singulares aromas
se anda ao longo da costa em ofertas
o marE entregou Leonor
seus cabelos aos ventos
na quietude tão só
tão ausente de tudo
e mais quieta era a luz
no sossego das águas
e uma música escorre dos céus
devagarE fazem tendas de aduelas de alcatifas majestosas
de outras peças de ouro e prata de cambraias e cetins
cobertas de colchas vermelhas de rosários de cristal
mas mais garrido do que toda aquela praia
o mar
e fazem velas das camisas e outras de damasco verde
as amarras de outros panos de veludo carmesim
de um remo fizeram o mastro
e a enxárcia de uma linha
e tão docemente embala este batel
o marSe todo o mar se cobriu de infinitas riquezas









