29 de Dezembro de 2009 – Mais de 380 milhões gastos num só dia

dinheiroDurante o período natalício, em média, cada português gastou 470 euros (cerca de um salário mínimo). Só no dia 23 de Dezembro, em média, cada português gastou 48 euros, sendo que a média total de gasto por minuto rondou os 264 mil euros, ou, ainda mais impressionante, 4300 euros por segundo. Os números são do «Jornal de Notícias», e dizem ainda mais. Ainda só no que se refere a dia 23 de Dezembro, foram efectuadas cerca de 7 milhões de operações, o que se traduz num movimento de mais de 380 milhões de euros. Em tempos que se dizem de crise, dá que pensar, não dá?

28 de Dezembro de 2009 – Os doces mistérios de Leonardo

leonardoA aura de mistério que envolve Leonardo Da Vinci é absolutamente deliciosa. Seja na «Mona Lisa» ou na «Última Ceia», a obra de Da Vinci gera debate, interroga, não diz tudo. Escultor, escritor, pintor, músico, matemático, arquiteto, engenheiro, químico, fisiólogo, botânico, cartógrafo, mecânico, anatomista, geólogo, físico, inventor, foi, provavelmente, o símbolo máximo do Renascimento. É incrível como um só homem pode ter sido tanta coisa, e com tanta qualidade. Hoje, a RTP2 voltou a lembrá-lo, num documentário em torno da «Última Ceia», demonstrando como uma grande obra sobreviveu aos atentados dos maus usos, dos maus restauros, das maldades da crítica, da violência da guerra, e até mesmo da agressividade do clima. Provando que também as grandes obras dos grandes artistas sobrevivem. Talvez mesmo por isso. Por serem grandes.

27 de Dezembro de 2009 – A magia da «Flauta Mágica»

papagenoEsta ópera de Mozart tem mesmo a magia de nos «agarrar». A beleza do singelo a que Mozart nos habitua está aqui, na sua plenitude. Plena de evocações iniciáticas e maçónicas, mas também enriquecida com diálogos sem música, para além do factor moral, a «Flauta Mágica» é um exercício de beleza, de cultivo do belo, de exaltação do bem. Apesar de ser interpretada em alemão (graças sejam dadas pelo sistema de legendagem dos DVD’s), a história é perceptível, e quase se nos agarra à pele, porque não é mais do que uma fábula, ou uma metáfora (e que bela metáfora) da nossa vida de todos os dias, só que vivida de outras formas. Mas tudo o que somos, vemos, temos, fazemos e provocamos está lá. Cabe-nos percorrer o caminho traçado, absorvendo os elementos fundamentais da natureza, como Tamino com Pamina, e não sermos demasiado como Papagenno, apesar de sermos, como costumamos ouvir dizer, intrinsecamente bons. Há muita magia nesta peça. Vale a pena descobri-la.

26 de Dezembro de 2009 – Concerto de Natal

concerto-natalA tradição ainda é o que era. Numa altura próxima da quadra natalícia, há sempre espaço para o Concerto de Natal. Mesmo que nem sempre haja novidades, mesmo que a divulgação não corra como esperamos, o Concerto de Natal faz sempre com que se encha a igreja de música e de calor humano, numa altura sempre fria. Hoje é, novamente, dia de se fazer o concerto. Vão poder ser ouvidas obras de Dimitri Shostakovich, Tchaikovsky, Cesar Frank, Adolphe Adam, Franz Schubert e Giaccomo Puccini, para além de alguns trabalhos do compositor arouquense Fernando Valente, sobre melodias tradicionais de Arouca. À Banda Musical de Arouca, ao Orfeão de Arouca e ao Grupo Coral de Urrô juntam-se a soprano arouquense Magda Brandão e o tenor Pedro Osório.

25 de Dezembro de 2009 – A queda do Papa

papaBento XVI foi atirado ao chão, durante o cortejo de entrada na missa do galo, em plena Basílica de São Pedro. Perante o olhar incrédulo do seu séquito e as imparáveis máquinas fotográficas da ocasião, uma mulher, alegadamente com problemas mentais, atacou o Papa, provocando a sua queda e a de mais alguns cardeais, que ficaram apenas ligeiramente feridos. O Papa pôde celebrar missa dentro da normalidade possível, e a segurança acabou por agir, com a prontidão também possível. No dia de Natal, a «queda» do Papa pode querer também dizer que talvez a própria Igreja precise de lembrar-se um bocadinho mais da simplicidade e do despojamento do presépio. Sob pena de, a certo ponto, poder estar a pregar uma coisa e a praticar outra.

24 de Dezembro de 2009 – «Silent Night»

natalEsperemos, de facto, que esta seja uma noite silenciosa. Que se silencie, finalmente, a febre das prendas e das compras e dos gastos. Que se regresse à família, à casa, ao quente. Não é fácil, porque a agressividade é cada vez maior. Mas consegue-se, porque, no final de contas, basta pensarmos que hoje se comemora a vinda de uma criança. Que precisa de tudo, de todos para crescer e viver. Reconhecida, na altura, apenas pelos mais pobres dos pobres. Acredite-se ou não, se se conseguir operar o milagre de deixar para trás a vertente consumista da coisa, o Natal até tem sentido. Até tem sentimento. Basta procurá-lo, e encontrá-lo. Porque não há forma de o comprar em parte nenhuma.

«Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se  quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os  de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo:  ‘Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura’. Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados’».

(Lc 2, 1-14)

23 de Dezembro de 2009 – As primeiras prendas natalícias

1-natalA avaliar pela qualidade das primeiras prendas natalícias, isto promete. A coisa começou com um estojo de enologia, com termómetro, corta gotas, e etc., a acompanhar uma lindíssima garrafa de Quinta de Pancas Touriga Nacional Reserva numerada, de 1997. E, como se não bastasse, duas belíssimas garrafas de Quinta da Bacalhoa tinto, de 2006. O Pai Natal está a esmerar-se, apesar das escolhas talvez demasiado vínicas. Mas, já diziam os gregos (e, mais tarde, os romanos popularizaram a expressão), «in vino veritas».

Quinta da Bacalhôa (Tinto)
Península de Setúbal

 Castas: Cabernet Sauvignon e Merlot

Álcool: 14% Vol.

Primeira Colheita: 1979

Vinificação: As castas escolhidas no encepamento da Quinta, o Cabernet Sauvignon e o Merlot, beneficiam das condições naturais para uma maturação lenta e equilibrada. Após uma fermentação dos vinhos elementares, durante uma semana, a temperatura controlada, seguiu-se um período de “cuvaison” (maceração pelicular pós-fermentativa) de sete dias.

Estágio: Com uma selecção criteriosa, contemplando numerosas provas e análises, criou-se o lote final que estagiou em barricas novas de carvalho francês durante 12 meses.

Notas de prova: Aromas de frutos vermelhos combinados com nuances de madeira e especiarias; na boca, as sensações de frutas vermelhas são realçadas e combinadas com taninos suaves bem presentes; tem um final fresco, algo mineral, elegante e muito complexo.

Temperatura de Serviço: 16 – 18 °C

 

Quinta de Pancas Touriga Nacional Reserva
Produtor: Companhia das Quintas
Região: Estremadura 

Aroma perfumado, com o fruto e a especiaria num conjunto não muito exuberante mas bastante limpo. Fresco e redondo na boca, cremoso, bom fruto silvestre, perfeita acidez e muito equilíbrio. Um tinto muito fácil de agradar. 

22 de Dezembro de 2009 – Turismo? Que turismo?

logo-turA notícia foi dada pela TSF, e foi-me transmitida pelo meu estimado amigo Nobre Silvestre. Segundo a Câmara Municipal do Porto, Lisboa absorveu 70% das verbas nacionais para apoio ao turismo, em 2008. Feitas as contas pelo vereador responsável, Lisboa recebeu 30 vezes mais dinheiro que o Porto. Em números redondos, a região de Lisboa recebeu, em 2008, cerca de 50 milhões de euros, ao passo que o Porto só teve direito a pouco mais de 2 milhões. Para ilustrar as disparidades, o autarca comparou alguns eventos realizados, e que tiveram idêntica dotação, como o projecto de animação de coretos de Lisboa estar ao mesmo nível de investimento do «Red Bull Air Race» de 2008, ou o campeonato de jovens pasteleiros de Lisboa contar com tanto dinheiro como o «Fantasporto». Estaremos de acordo que Lisboa é a capital, provavelmente a cidade mais cosmopolita e visitada do país. Mas, se assim é, deveria merecer mais atenção uma região que começa a ter uma oferta estruturada ao nível do turismo de negócios, da gastronomia e vinhos, do turismo de natureza, do turismo religioso, dos «city short breaks» e da saúde e bem-estar. Uma visita à página oficial do «Turismo Porto e Norte de Portugal» pode servir para conhecermos estas ofertas. Quanto à entidade «Lisboa e Vale do Tejo», não há na internet, pelo menos oficialmente, um sítio com essa informação (o que se estranha, com tanto dinheiro envolvido). Sabemos que há Sintra, que há Belém, que há o Terreiro do Paço. Mas Portugal é mais do que isso, que parece ser pouco para representar 70% do «bolo» nacional. E começa a ser cada vez mais irritante sentir a forma pedante com que nos continuam a chamar «Portugal Profundo».

«Face a esta vergonha e a esta completa ausência de respeito pelo país, iremos pedir aos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP que confrontem e recolham esclarecimentos do Governo relativamente aos apoios concedidos pelo Instituto do Turismo de Portugal ao longo dos últimos anos»

(Vladimir Feliz, vereador do Turismo da Câmara Municipal do Porto)

21 de Dezembro de 2009 – A vitória do SLB e o fim da crise

slbCoincidência ou não, o que é facto é que, no mesmo dia em que ainda se sente o halo da vitória das «águias» sobre os «dragões», é «decretado» o fim da crise. Há quem diga que a crise não acaba por decreto. E a prova disso mesmo é que saiu uma notícia igualzinha a 13 de Novembro. E a crise não acabou, ou melhor, parece que só agora sim. Mas, como diria a Teresa Guilherme, «isso agora não interessa nada». O que interessa é que, mesmo que os portistas digam que parece que ganhámos o campeonato, nós lhes ganhámos. Que tenha sido por 1-0, com casos ou sem casos, ganhámos. Dizem mesmo alguns comentadores que foi «inteligentemente». Sendo assim, está provado. As vitórias do Benfica ajudam a terminar com a crise.

20 de Dezembro de 2009 – É preciso «esmeoçar» a tensão entre Cavaco e Sócrates

cavaco-socratesOs «tabus» e esta espécie de «diálogos surdos» parecem ser a especialidade do Presidente da República. Agora, Sócrates também alinha na «coboiada», ao faltar a reuniões de Estado quando, coincidência das coincidências, o Partido Socialista está reunido no Alentejo. Entretanto, crispação aqui, crispação ali, vai-se esticando a corda da arrogância e do respeito mútuos, falando-se das coisas sem se falar, recorrendo a outros para dizerem o que o «aparelho» pensa. Não importa se estamos a falar das mais importantes figuras da Nação, é importante é fazer-se valer os galões. Balanço feito, ninguém quer alinhar nestas intrigas, apesar de, desde o primeiro momento, não terem feito mais nada senão fazê-las surgir.