17 de Dezembro de 2009 – «The Armed Man: A Mass for Peace», de Karl Jenkins

ONA noite de hoje revelou-se uma absoluta surpresa. Uma surpresa daquelas que nos apanha como a criança que sonha e espera pelo Pai Natal, e ele aparece mesmo. Seja verdade, ou sonho. Na Igreja da Trindade, no Porto, a Orquestra do Norte juntou-se a Patrícia Quinta (mezzo-soprano), Pedro Telles (barítono) e ao Coro de São Tarcísio, ao Ensemble Vocal Pro-Musica, ao Amorim&Laúndos Ensemble e ao Coro Júnior do Curso Silva Monteiro, sob a direcção do maestro José Manuel Pinheiro. E o resultado foi absolutamente incrível. A obra apresentada também a isso ajudou: «The Armed Man: A Mass for Peace», de Karl Jenkins, um compositor galês contemporâneo (conhecido pelo seu projecto «Adiemus»). Durante o concerto, a música leva-nos a reflectir sobre anos de guerras constantes e de paz intermitente, da ascenção e queda de ditaduras e democracias, e de como o diálogo inter-religioso e inter-cultural (por que não através da música?) podem ajudar a derrubar barreiras e a projectar um mundo diferente. Na tela foram passando imagens da história do século XX, que nos ajudaram a chegar a estas conclusões. E, no fim, sabemos que é melhor a paz, mas que não conseguimos (sabe-se lá porquê) viver sem a guerra. Mesmo nas pequenas coisas.

«Ring out the thousand wars of old. Ring in the thousand years of peace»
(Alfred Lord Tennyson, 1850)

The Armed Man A Mass for Peace – Better Is Peace

16 de Dezembro de 2009 – De avião para Lisboa

red-bullParece que está decidido. O «Red Bull Air Race» vai mesmo realizar-se em Lisboa. Portugal dá, assim, mas um firme testemunho de absoluto provincianismo, pequenês, tacanhês. Lisboa é como um eucalipto. Seca tudo à volta. Lisboa é a América de Portugal. Onde não se sabe de mais nada, a não ser o que se passa… em Lisboa. Onde se vive a absoluta e deliberada ignorância acerca «da aldeia», do «Portugal profundo», que é, ao fim e ao cabo, tudo o resto. E foi essa mesma Lisboa, aparentemente cosmopolita, voltada para o mundo, essa mesma Lisboa europeia, «fashion» e «chic», que deu o pior testemunho possível. O de uma cidade que precisa de rebaixar outras para se afirmar. O de uma cidade que precisa de «roubar» para ter «ouro». O de uma cidade sem identidade. Porque a tem à custa da identidade que não deixa qualquer outra localidade afirmar.

15 de Dezembro de 2009 – José Cid às 5 para a meia noite

jose-cidO entrevistado de hoje no programa «Cinco para a Meia-Noite» foi José Cid. A entrevista acabou por confirmar um pouco a ideia que se tem do cantor. A ideia de que Cid tem momentos. Tem momentos de genialidade musical, como tem momentos de ideias altamente elaboradas, correctas, interessantes e acertadas. Mas tem momentos de total desvario, de reacção absolutamente extemporânea, de alguma brejerice, até. Cid encarna a personagem de alguém que acha que não tem nada a provar a ninguém, e que pode, perfeitamente, «estar-se cagando» para o que bem lhe apetecer. O homem que, quando posou nu com apenas um dos seus discos de ouro na foto, teve razão antes do tempo, ao pedir mais respeito pelos músicos portugueses, continua a surpreender.

14 de Dezembro de 2009 – Berlusconi perde a face

berlusconiDizia-se da «Coca-Cola» que «primeiro estranha-se, depois entranha-se», mas parece que esse não será o caso de Sílvio Berlusconi. Em relação ao Primeiro-Ministro italiano, ou se adora, ou se detesta. Um homem multimilionário, que em muito deve a sua fortuna ao seu envolvimento na vida política, frequentemente associado à corrupção, à máfia e aos encontros ilícitos e extra-matrimoniais, perdeu hoje a face, no sentido mais doloroso e literal. À saída de um comício, um agressor atingiu a face de Berlusconi com uma estatueta, do que resultou o nariz partido, o lábio rachado e menos dois dentes. Este episódio serviu, no fundo, para acentuar ainda mais o fosso entre os que toleram e os que odeiam o Primeiro-Ministro italiano. Para «carregar» as duas faces de uma Itália de extremos.

13 de Dezembro de 2009 – Ele virá

joao-baptistaJá é Natal. Não o Natal, mas aquele Natal da música, das prendas, da árvore, dos centros comerciais, do Pai Natal, dos desejos dos brinquedos último grito. Não o Natal de um menino que, destinado para ser rei, escolheu nascer «numa cova», em Belém, despojado de tudo que não fosse a sua própria vida, que, dizem e nós acreditamos, ofereceu por nós. Mas os cristãos sabem (ou deveriam saber) que ele virá. Ele vem, como dizia João Baptista, para limpar a sua eira, recolher o trigo no celeiro e queimar a palha num fogo que não se apaga. Mas nós andamos demasiado distraídos com este ambiente natalício artificial, e corremos o risco de não o ver, no rosto de quem sofre, na casa de quem não tem o necessário para comer bem, na pele de quem não tem a roupa adequada para o frio deste Inverno. Resta-nos a certeza de que Ele virá. E, nessa altura, na cabana do presépio, na pureza e simplicidade de uma criança, teremos todo o mundo resumido no acto de «dar à luz». Porque, afinal, somos chamados a ajudar a «dar à luz» um mundo novo.

«Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: ‘Que devemos fazer?’. Ele respondia-lhes: ‘Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo’. Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: ‘Não exijais nada além do que vos foi prescrito’. Perguntavam-lhe também os soldados: ‘E nós, que devemos fazer?’. Ele respondeu-lhes: ‘Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo’. Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: ‘Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga’. Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Lc 3,10-18

12 de Dezembro de 2009 – Auto de Natal

auto-natalA noite de hoje recordou a importância histórica do nascimento de Cristo. Não só para nós, como para os que, milhares de anos antes da sua vinda, aguardavam e profetizavam quanto ao Messias que viria para os (e nos) salvar. O Grupo de Teatro Cena Jovem, do Porto, e o Grupo Coral de Urrô (acompanhado pela orquestra de sopros da Banda Musical de Arouca) foram os intervenientes neste Auto de Natal, que trouxe à vida, novamente, os profetas, os pastores, os reis magos, Maria e José, o Anjo, Herodes e todas as outras personagens que povoaram a vida de Jesus. O «desafio» era reviver o verdadeiro Natal, sem complexos religiosos ou falsas piedades. E valeu a pena. Porque o verdadeiro Natal é assim.

11 de Dezembro de 2009 – D. Manuel Clemente, Prémio Pessoa

d-manuel-clementeA diocese do Porto tem mais uma razão para se sentir orgulhosa do seu bispo. D. Manuel Clemente foi, hoje, distinguido com o Prémio Pessoa. «Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo», adiantou o júri do Prémio. Este reconhecimento é mais do que justo, a um homem da Igreja cujas «armas de fé» têm inscritas «In lumine tuo . videbimus lumen». Um homem da Igreja que assume, como missão, procurar que, no meio das trevas, na cruz de cada dia, nós vejamos a luz.

10 de Dezembro de 2009 – A arrogância de Michel Platini

michel-platiniNós, portugueses, cultivamos (e ainda bem) o bem receber. Mas, a julgar pelas imagens televisivas da chegada de Michel Platini à Madeira (onde está a decorrer a reunião da UEFA, que decidirá quais serão as cidades anfitriãs do Euro 2012), isso é absolutamente irrelevante. Ao sair do aeroporto da «pérola do atlântico», um grupo folclórico esperava pelo presidente da UEFA, estando uma das senhoras, com um ar extremamente simpático, pronta para colocar-lhe na lapela um laço de boas-vindas. Desde que colocou o pé fora do aeroporto, depois de passar pelo simpático grupo, até terminar de falar com os jornalistas e entrar no autocarro, Platini não esboçou qualquer sorriso nem qualquer palavra de simpatia. Que tenha vindo para trabalhar e não para ser simpático, percebe-se. Mas, acredito, nós gostamos muito mais das pessoas importantes quando elas não têm de recorrer à arrogância para o serem.

9 de Dezembro de 2009 – Medina Carreira, «a rasgar»

medina-carreiraO homem quando fala, fala alto e a sério. Sem «papas na língua», Henrique Medina Carreira voltou a arrasar, disparando em todas as direcções. Dizendo alto o que a maioria de nós diz baixinho, Medina Carreira reduziu o programa Novas Oportunidades a cinzas (é, segundo o ex-Ministro, uma trafulhice), e não poupou críticas aos deputados, dizendo que, das mais de duas centenas dos que povoam São Bento, apenas 30 se devem aproveitar. As últimas «bojardas» surgiram num debate promovido pelo Casino Figueira, e estão hoje no «Jornal de Notícias». Lendo as declarações de Medina Carreira, fica-se com uma vontade imensa de «botar isto tudo abaixo» e fazer tudo de novo, mas desta vez «em bom».

«[O Parlamento] vale tanto como a Assembleia Nacional do Salazar. Eles não valem nada, não têm voz activa».

«Salazar dizia ‘ninguém mia’ e ninguém miava. Agora é um fingimento, quem está na Assembleia são os tipos escolhidos pelo chefe do partido, se miam não entram na legislatura seguinte e como vivem daquilo têm de não miar».

«O Alegre falou, correram com ele, ao Manuel Maria Carrilho deram-lhe um lugar bom em Paris, o Cravinho começou a mexer na corrupção deram-lhe um lugar em Londres. E aqueles outros que não podem ir para Londres nem para Paris, calam-se».

«É um sistema de saco de gatos, o partido mete lá [nas listas] 20 pândegos. Contaram-se os votos, saem cinco e o senhor foi um dos cinco que saiu».

«[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada».

«[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução».

«O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga».

«Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?».

(Medina Carreira, «JN»)