José Saramago morreu hoje. O escritor, prémio Nobel, soube criar um estatuto que lhe permitiu figurar entre os grandes. Conseguiu-o por mérito próprio, foi reconhecido ainda em vida, e morreu como um grande. Para trás, ficam as «censuras», as querelas, as divergências com Portugal (mas não totalmente com os portugueses). Para trás, fica a sua imensa obra, capaz de nos questionar a todo o momento, sempre a pedir-nos que a leiamos com toda a atenção. Para trás fica toda uma vida. Para trás, fica tudo.
«Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.
O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila».Fundação José Saramago
18 de Junho de 2010
(in www.josesaramago.org)
A Coreia do Norte não pára de nos surpreender. Primeiro, foi a história dos adeptos, que afinal tinham sido contratados à China. Agora, a notícia é ainda mais curiosa. Afinal, o seleccionador norte-coreano não é Kim Jong-Hu (estes nomes são sempre interessantes, mas é, de facto, o nome do senhor), mas sim Kim Jong-Il (reparem que faz toda a diferença, de Hu para Il). Ele mesmo, o Imperador da Coreia do Norte. Kim Jong-Hu, em declarações à cadeia de notícias americana «ABC», afirma que recebe, frequentemente, aconselhamento técnico, por via de um telemóvel imperceptível a olho nu, do Imperador em pessoa. Portuguesas e portugueses: ou bem que Sócrates «entra ao barulho» (já que está em todo o lado, bem podia também «dar uma perninha» no Mundial), ou então estamos tramados.
A novidade não é nova, mas tem o seu interesse. Grigori Perelman, matemático russo, conseguiu comprovar a hipótese formulada por Poincaré (matemático francês do século XIX), que se incluía na lista dos sete problemas do milénio. Perelman provou que qualquer espaço tridimensional sem furos é equivalente a uma esfera esticada. E, depois disso, faltou a uma cerimónia que pretendia reconhecer o seu feito, dando-lhe um milhão de dólares. Recusou, como recusou todos os prémios que lhe foram concedidos. Não fala com a imprensa, e continua a viver, muito humildemente, em São Petersburgo, sua cidade natal. Como diria Fernando Pessa: «e esta, hein?»
Os «números redondos» valem o que valem, mas enfim. Eis-nos chegados ao texto número 500. Significa, mais coisa menos coisa, que há quinhentos dias que se vai escrevendo por aqui. Diariamente, umas vezes melhor, outras pior, umas vezes com interesse, outras vezes sem, mas as coisas são mesmo assim. Uma agenda é uma agenda. Não é um jornal, com a pretensão de ser isento ou factual. Não é um «site» informativo, com o objectivo de dar notícias. É uma agenda, onde se vai escrevendo o que fica da espuma dos dias, umas vezes mais «cá dentro», outras vezes nem por isso. Escreve-se para que se leia, e sabe-se que se é lido. Por isso, as «500 velas» hoje apagadas são também de quem lê, teimosamente, aturando as «neuras» ou «manias» de quem escreve. E é também por isso que, neste momento, a vontade é que muitos mais se possam escrever.
O sabor com que ficamos da estreia dos «Navegadores» é de que a âncora do navio ficou presa algures. Sabíamos que estávamos no «grupo da morte», e, para tornar a tarefa menos árdua, era preciso ganhar. Mas não chegou, só conseguimos o empate. À boa maneira portuguesa, vamos ter de ficar a fazer contas, e obrigados a transcender-nos, se quisermos chegar lá. Nestas competições tudo pode acontecer, sabemos bem. Mas, depois de vermos o Brasil ter de «suar as estopinhas» para vencer a Coreia do Norte pela diferença mínima, o peso da âncora que prende os «Navegadores» algures no alto mar torna-se ainda maior. Quem poderá pegar no leme e dar ordens a que se levante a âncora, icem as velas e se comece a navegar como deve ser?
É Ricardo Rodrigues, o «assaltante» de jornalistas, a vir clamar pela seriedade só possível com documentos que digam bem do Primeiro-Ministro. É o Secretário de Estado Paulo Campos a dizer e «desdizer» como vão funcionar os pagamentos das SCUT. E depois não querem que fiquemos fartos. É irritante ouvir esta gente toda dizer e «desdizer», fazer e acontecer, sendo que tudo é fácil quando os sacrifícios são dos outros. Seria histórico, será histórico se os socialistas conseguirem gerir o país em estado de crise. Sabemos a história do pântano, sabemos como fomos governados até termos Cavaco Silva, sabemos como chegámos aqui. Sabemos também que nos foram prometidos empregos, baixa ou manutenção de impostos, estágios para jovens licenciados, acessos condignos para todas as sedes de concelho. E são essas gentes, precisamente, os desempregados, os pagadores de impostos, os recém-licenciados e os nortenhos e oriundos do interior os primeiros «eleitos» para pagarem a crise. Depois não querem que os detestemos.
Há cerca de um ano, o «Jornal de Notícias», na edição «on-line», deu a conhecer a realidade vivida pelos sacerdotes, que, sendo poucos, acabam por estar sobrecarregados. Um dos rostos da reportagem foi o Vigário da Vara de Arouca/Vale de Cambra, o padre Paulo Teixeira, que tem de percorrer várias paróquias dispersas, que têm o privilégio de o ouvir cantar com uma voz capaz de fazer vibrar as paredes e de contar com a sua alegria contagiante. Hoje deu para ver um pouco do que é a vida do padre Paulo, «in loco», em Janarde, com o rio como fundo, e um povo em festa, contida, como é normal, pelo seu padroeiro. E de como este «super-padre» consegue não perder a sua energia, apesar do cansaço.
O Campeonato do Mundo ainda agora começou, e já deu para percebermos o quão horrível pode ser termos de «gramar» um jogo inteiro com o irritante som das vuvuzelas. Ver um jogo em que o som de fundo é um ruído constante e inalterado, é completamente «desnorteante». Não se percebe muito bem como, mas o que é certo é que a moda pegou, e aquilo que era um instrumento utilizado para convocar as pessoas para reunirem, rapidamente invadiu os estádios de futebol e, agora, as nossas casas (e até as nossas ruas, de vez em quando). Experimente a sensação de irritação, e verá. Não vale a pena gastar mais palavras.
O problema de uma sexta-feira após um feriado, para quem trabalha, é, precisamente, a ausência da «ponte». É estranho o sentimento de segunda-feira, quando, afinal, estamos numa sexta. Há uma série de trabalhos entretanto interrompidos, outros a que é preciso dar saída rapidamente, porque o fim-de-semana está à porta, e aquela «moedeira segunda-feiral» teima em não nos abandonar. Por estas e por outras, fazemos pontes, para unir as margens. E parece que tudo flui muito melhor. Mas apenas para quem pode acelerar a toda a velocidade por essas vias. Porque os outros, os «normais», continuam a ter de parar nos semáforos.