1 de Outubro de 2010 – Dia Mundial da (nossa) Música

Quando se fala em «popular», seja literatura, música ou cultura, retraímo-nos imediatamente. O adjectivo «popular» faz-nos pensar que não tem qualidade, mas esquecemo-nos que é precisamente aí que reside a nossa identidade, e há muito a fazer pela (sã) preservação deste vasto património. Há algum tempo, com a colaboração do músico Júlio Pereira e de outras personalidades, o Instituto Camões disponibilizou online o mapa etno-musical de Portugal, com a distribuição geográfica dos vários aspectos musicais, instrumentos, usos e costumes, e até mesmo excertos de gravações. O resultado final pode ser apreciado aqui, e é uma bela forma de comemorarmos o Dia Mundial da Música. Não esquecendo os grandes mestres e as grandes obras, mas indo à terra, porque aí está muito do que somos.

30 de Setembro de 2010 – House is back

Uma das boas notícias deste Outono é o regresso da série «House MD» à Fox americana. Isto significa que, com os «milagres» da internet, já podemos começar a seguir a sétima série desta história, que se foi transfigurando à medida que foi decorrendo. A curiosidade em torno desta sétima série é sabermos se, de facto, House tem espaço para os sentimentos, e se esse «duelo» vai interferir ou não na sua genial e muito própria abordagem aos casos que lhe chegam. O primeiro episódio promete. E, como é hábito, deixa a vontade de continuar a ver.

29 de Setembro de 2010 – Com o cinto mais apertado

No mesmo dia em que o Benfica não conseguiu quebrar a «maldição alemã», de nunca ter vencido naquele país, Sócrates falou ao país. Em tom carregado, comprometido, ciente do inevitável. Mas também falso, premeditado, estudado. Sócrates não abdicou do teleponto para anunciar ao país que o cinto iria ficar ainda mais apertado. Sócrates não estudou a matéria toda, deixando para o Ministro das Finanças a resposta a algumas perguntas aparentemente simples. Sócrates manteve o seu «ar de enterro» o tempo necessário para passar a mensagem. E, depois de nos deixar o cinto bem apertado, voltou a desaparecer na bruma, onde se recolhe sempre que não tem boas notícias para nos dar.

28 de Setembro de 2010 – De volta à escola…

Hoje foi dia de voltar ao estudo, no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro. Verdadeiramente da 9:00 às 17:00, com poucos minutos de pausa para «almoço», as terças-feiras prometem ser preenchidas. Até porque o estatuto de «veteranorum» começa a não ser muito interessante, e é cada vez mais conveniente terminar algo que já começou há quase quatro anos. O curso de Teoria, Direcção e Formação Musical conta, este ano, com um elemento mais activo, espera-se. Agora, é tempo de estudar…

27 de Setembro de 2010 – As idiossincrasias da Assembleia Municipal

A Assembleia Municipal é o órgão deliberativo do município. É (ou deve ser) o local de debate por excelência, de onde devem sair decisões, recomendações e apreciações que melhor orientem a gestão municipal. Contudo, fruto das várias condicionantes, o funcionamento da Assembleia Municipal é, cada vez mais, desprovido de sentido, vazio, disperso, alheio do essencial, demasiado «politiqueiro», quando até podia ser político. Viciado, até certo ponto. As discussões pouco interessam, pouco acrescentam, às vezes pouco dignificam os respectivos membros. Fala-se muito do que se sabe pouco, perde-se muito tempo. Mas, uma vez por outra, o interesse desperta. As coisas funcionam. A discussão é assertiva, pertinente e eficaz. Nestas alturas, a Assembleia Municipal até parece necessária. Mas na maioria dos casos, infelizmente, assim não é.

26 de Setembro de 2010 – Tanta gente nas Colheitas…

O domingo da Feira das Colheitas é sempre o dia que mais gente traz a Arouca. Todos os anos se fica com a sensação de que foi o ano que teve mais gente. Talvez porque a própria Feira, na sua génese e na forma como foi (e é) pensada, é dinâmica, e consegue ter sempre algo de novo ou de diferente todos os anos, apesar das dificuldades e de alguma (por vezes exagerada) crítica do povo de Arouca. O que é certo é que, neste domingo, a Avenida 25 de Abril estava repleta de gente, circulando, conversando, parando, convivendo, vivendo a Feira das Colheitas 2010 da melhor forma possível. É bom para Arouca, apesar da confusão, apesar da imensa vontade de não estar cá nestes dias tão agitados.

25 de Setembro de 2010 – Marcos de 185 anos de vida

Este ano, a Banda Musical de Arouca integrou na programação da Feira das Colheitas uma pequena exposição evocativa dos 185 anos de vida da associação. No pequeno mas acolhedor espaço da Biblioteca Municipal, são recordados alguns episódios, através de fotografias, artigos de jornal, instrumentos antigos, retratos de individualidades, e muito mais. A Banda Musical de Arouca é, com toda a certeza, uma das mais activas associações arouquenses. Absorvente, exigente, persistente. Só assim se explicam 185 anos de vida.

24 de Setembro de 2010 – Os passos de Passos Coelho

No dia em que se soube que o Partido Socialista e o governo tinham tentado vincular o PSD a um pré-acordo de viabilização do Orçamento de Estado, e que contemplava uma (mais que provável) subida de impostos, Pedro Passos Coelho, que, sabia-se, de manhã tinha recusado tal acordo, visitou Arouca. Adivinhava-se o frenesim mediático, mas, à parte disso, o que parece ter acontecido foi (pelo menos o início de) uma reconciliação de Arouca com o partido com que mais se identifica. Passos Coelho tem razões para não querer embarcar em consensos de conveniência, ou para não querer ser o bombeiro de um governo em enxurrada, ou para passar um cheque em branco à ordem dos socialistas, hipotecando o futuro do país. Avizinham-se tempos difíceis, já o sabemos, porque o governo não vai conseguir atingir os objectivos do Pacto de Estabilidade e Crescimento sem voltar a mexer nos nossos bolsos todos os dias. Só que não queria fazer isso sozinho. A vinda de Passos Coelho a Arouca fica como símbolo de que as alternativas não são fáceis, de que os tempos não são fáceis. Mas tal como a decisão de criar a Feira das Colheitas ajudou Arouca a ser muito do que é, há caminhos (outros) em que podemos dar alguns passos.

23 de Setembro de 2010 – Dez anos de «Mou»

Ele foi, provavelmente, a única decisão positiva da gestão de Vale e Azevedo no Benfica, e a pior decisão que Manuel Vilarinho podia ter tomado para arranque de mandato. Estreou-se com uma derrota (1-0) contra o Boavista. Fez 11 jogos ao serviço do Benfica, e daí ao FC Porto, com escala em Leiria, foi um passo. Depois foram os campeonatos, a Taça UEFA, a Liga dos Campeões, e tudo o que a história destes dez anos nos conta, culminando com a «tripletta» ao serviço do Inter de Milão e a saída para o Real Madrid. O homem que se assumiu como «especial», tem razões suficientes para argumentar que tem razão. Nos 462 jogos que disputou venceu 311, empatou 97 e perdeu 54. Mourinho não perde um jogo em casa a contar para os campeonatos nacionais que disputou e disputa desde Fevereiro de 2002, quando perdeu contra o Beira-Mar, ao serviço do Porto, no antigo Estádio das Antas. Desde então, passaram 138 jogos. Nada como a frieza dos números para demonstrar o que tem sido «Mou» (como agora é chamado pelos espanhóis), nos últimos dez anos.

22 de Setembro de 2010 – Cheira a Colheitas

Ano de 1944. A Segunda Guerra Mundial começava a fazer-se sentir. Portugal, apesar de uma posição neutral, não passou incólume. O alimento essencial do homem do campo, o pão, era escasso, porque também os cereais eram escassos. Eram tempos de privação, fome, preços elevadíssimos, sobretudo no chamado Mercado Negro. Em Arouca, procura-se contornar a crise, procurando, ao mesmo tempo, implementar medidas de fomento no que diz respeito à produção de cereais. É nesse contexto que surge a Feira das Colheitas, por iniciativa do Grémio da Lavoura, ao tempo presidido por António de Almeida Brandão. Com o objectivo imediato de aumentar a produção, e com o apoio da Câmara Municipal de Arouca, a Feira das Colheitas teve o seu arranque com quatro concursos: Melhor Seara, Melhor Fruta, Melhor Adega e Melhor Linho. Foi também integrado na Feira o já criado Concurso da Raça Bovina Arouquesa, passando estes cinco concursos a ser o fundamento do certame.

Foi o concurso para Melhor Seara que despertou maior interesse, atingindo plenamente o fim pretendido: não só o aumento da produção, como também um intercâmbio de experiências entre os concorrentes, visitas às searas premiadas, debates entre produtores para o melhoramento de técnicas. Um concelho deficitário na produção de cereais passou, em alguns anos, a exportador.

Simultaneamente, foi promovida uma Exposição Agrícola e uma Exposição de Artesanato, iniciativas que despertaram grande interesse, e que, desde então, têm evoluído, adaptando-se aos tempos que correm.

Fruto da situação social, também as antigas tradições populares, características dos lugares e das aldeias, se foram perdendo. Aproveitando esta nova dinâmica, urgia recuperar-se as desfolhadas, as espadeladas e as ceifas, com os seus cantos e gestos particulares. Era imperioso, portanto, ressuscitar-se o folclore, e, como tal, incluiu-se este aspecto no programa da Feira das Colheitas. Com base no conhecimento dos usos e costumes que os mais velhos das suas aldeias e lugares possuíam, cinco grupos, de outras tantas freguesias, deram corpo à primeira manifestação desta ressurreição do folclore local: Santa Eulália, Chave, Rossas, Moldes e Canelas foram os primeiros grupos que se organizaram para a Feira das Colheitas. A partir de então, novos grupos foram surgindo um pouco por todo o concelho, ao ponto de, hoje, haver um dia inteiro dedicado ao folclore arouquense, oferecendo o palco aos ranchos locais. Os costumes, as danças, os cantares e os trajes têm-se preservado, em boa parte graças à Feira.

Nas primeiras edições, foi também incluída uma vertente mais religiosa, sobretudo com a Bênção dos Campos e do Gado e com o famoso Cortejo dos Açafates, entretanto recuperado, nas últimas edições da Feira. Aliás, tem sido esta a dinâmica deste certame: o constante ajustamento às novas realidades que os tempos impõem, quer das exposições quer da variedade e/ou condicionamento do programa.

A Feira das Colheitas 2010 decorre de 23 a 26 de Setembro. Informações em www.feiradascolheitas.com