21 de Setembro de 2010 – Manuel Maria Carrilho levou um «chuto no cu para cima»

O «mítico» ex-Ministro da Cultura, e, ultimamente, embaixador da UNESCO, acaba de ser vítima do habitual «chuto no cu para cima», que um amigo muito bem ilustrou como o que, normalmente, acontece na política. Manuel Maria Carrilho ficou a saber, pela agência Lusa, da demissão do seu cargo, alegadamente devido a uma entrevista dada ao semanário «Expresso». Mas parece que o motivo é mais profundo. Carrilho acaba de lançar um novo livro («E AGORA? Por uma nova República»), em que perspectiva opiniões divergentes do seu partido, e o faz de uma forma radical (indo à raiz). Fica, assim, provado o «chuto no cu para cima». Aparentemente, Carrilho foi para a UNESCO para se manter calado, mas não resistiu a intervir sobre o «pântano» de uma forma assertiva. Do resto, sabemos a história.

«Manuel Maria Carrilho acaba de ser demitido das suas funções como embaixador de Portugal na UNESCO, devido à publicação do livro E AGORA? Por uma nova República. (…) Neste livro, o autor analisa a situação económica, social e política portuguesa e avança com diversas propostas, defendendo uma visão do país e do seu futuro centrada na urgente qualificação do território, das instituições e das pessoas que lance as bases de uma Nova República»

(Comunicado da editora «Sextante»)

20 de Setembro de 2010 – A (saborosa) acefalia do futebol

Normalmente, temos facilidade em criticar o «panis et circensis» em que o futebol se transforma, e uma certa acefalia que cria. E é, em boa parte, verdade que desperta exageradamente as paixões. Só que, quando durante as (frequentemente) mais de oito horas diárias nos absorvem todas as energias e nos fazem (também frequentemente) explodir. Ao fim desse tempo de desgaste, muitas vezes pouco visível e pouco reconhecido, nada melhor do que deixar «os miolos fritar», e deixar que essas outras paixões tomem conta de nós. Por essas e por outras, há que dar nota de que o Benfica está de volta às vitórias, desta vez contra o Sporting, e que Cardozo volta aos golos. É tão bom preocuparmo-nos só com isto, fazendo de conta que uma série de coisas desagradáveis e de pessoas caprichosas não existem, ou podem ser facilmente derrotadas. É esta a saborosa acefalia do futebol.

19 de Setembro de 2010 – Deus e o Dinheiro

«A César o que é de César e a Deus o que é de Deus» é uma frase bíblica, rapidamente transformada em provérbio, e com a qual facilmente concordamos. Não podemos encarar Deus como o dinheiro, nem o dinheiro como Deus. Mas antes tentar que a nossa vida possa ser motivo de uma boa prestação de contas do que fomos fazendo. E isso, dificilmente se pode comparar ao «deve e haver» dos tostões ou dos euros. Porque há diferenças entre o ter e o ser. E nada paga, nada compra, nada vende o que se é. Especialmente se se é bom.

«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos  entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”».

(Lc 16,1-13)

18 de Setembro de 2010 – As cassetes dos políticos

Passos Coelho diz que Sócrates é o único que sabe se vamos ter ou não Orçamento de Estado e, consequentemente, se vamos ter viabilidade enquanto país. Sócrates diz que Passos Coelho quer acabar com o Sistema Nacional de Saúde (aquele que o PS meteu «na gaveta» e mercantilizou, com os Serviços de Urgência Básica e sem os médicos de família necessários, com as subidas dos preços dos medicamentos para os idosos e o fecho de unidades de saúde sem aviso prévio). Jerónimo Sousa e Francisco Louçã, confortáveis, disparam a «Kalashnikov» argumentativa de esquerda sobre todos os restantes partidos, que só querem onerar a classe trabalhadora e depauperar o Estado, servindo os seus interesses e amigos. Paulo Portas brada que estamos a perder fundos comunitários para investir na agricultura. Começa a ser repetitivo. Uma espiral demasiado acentuada, que mais não faz do que, a ritmo calmo e progressivo, continuar a conduzir-nos ao fundo do abismo. Haverá alguém que possa inverter isto?

17 de Setembro de 2010 – As câmaras preferem o recibo verde

O jornal «Público» traz hoje uma notícia que dá a entender que «descobriram a pólvora». As câmaras municipais, aproveitando a ausência de algumas restrições à gestão dos seus recursos humanos, utilizam frequentemente o expediente dos recibos verdes para suprimirem falhas nos seus quadros de pessoal. Isto não é novidade, como não é novidade que vai em total rota de colisão com o que o Estado proclama. Aliás, o Governo não controla directamente as contratações das autarquias, apenas recebe informação posterior, junto do Ministério das Finanças. A crescente «delegação de competências» foi decorrendo, frequentemente sem a devida transferência de verbas, nomeadamente ao nível dos auxiliares de acção educativa e no domínio das actividades extra-curriculares, já para não falar na elevada quantidade de técnicos superiores que trabalham lado a lado e como qualquer outro técnico superior, exceptuando-se a existência de um vínculo efectivo e de um ordenado e regalias condizentes com o posto. Só que, entre ter trabalho, trabalhar e receber algo, e não ter trabalho, não trabalhar, e não receber nada, é fácil de escolher. Isto não é, de facto, novidade, e tem aparecido cada vez mais. Já a notícia, apareceu e desapareceu. Porque há muito mais que falar do que deste tipo de situações.

16 de Setembro de 2010 – Quando acabam os «enrudilhamentos» de Madaíl?

A «novela Queiroz» já cheirava a esturro. As críticas sobre a podridão a que o futebol português chegou, graças à acção do actual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, foram ganhando eco. A Federação, de resto, está numa situação absolutamente pantanosa, em que não se sabe se tem direcção ou se não tem, de tão mal que ficou na fotografia, depois de ter «enrudilhado» Queiroz, a ADOP, e um pouco de tudo o que é mau, num verdadeiro «caldo explosivo». Aliás, o presidente Gilberto Madaíl parece ter desenvolvido, especialmente nos últimos tempos (talvez após a «era Scolari»), um especial talento para «enrudilhamentos». Foi a contratação do seleccionador Scolari pelo Chelsea quando ainda decorria uma fase final de um Europeu. Foi a «escolha pessoal» de Carlos Queiroz. Foi a imagem triste e apagada que Portugal deu de si no último Mundial. Foi esta «novela», verdadeiramente «desenterrada» para atingir um objectivo claro. E é agora este «coelho tirado da cartola» de anunciar Mourinho, juntamente com Jorge Mendes, o mesmo empresário que representa, para além de Mourinho, Paulo Bento, Cristiano Ronaldo, Pepe, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Ricardo Quaresma, entre outros. Pode não passar de coincidência, mas, como diria Octávio «Malvado», «vocês sabem do que eu estou a falar».

15 de Setembro de 2010 – O último adeus ao eterno violoncelo dos Madredeus

O violoncelo é, por natureza, um instrumento triste, mas não se esperava que fosse tão triste ao ponto de se deixar abandonar por um músico como Francisco Ribeiro. Já há algum tempo que havia abandonado os Madredeus, resolveu aprofundar os seus estudos na Inglaterra, e tinha regressado recentemente com o projecto «Desiderata – A Junção do Bem», gravado na Casa da Música. O eterno violoncelo dos Madredeus, que também emprestou a voz a alguns temas, e que ajudou a conferir ao grupo uma sonoridade única, integrou a orquestra cósmica hoje.

14 de Setembro de 2010 – «Chiu», Cardozo!

Cardozo fez «chiu» aos adeptos, e os adeptos não gostaram, sobretudo porque o paraguaio até nem estava a fazer grande jogo (à semelhança, de resto, do que vem acontecendo), contrariando a sua «veia goleadora» do ano passado. Cardozo ia-se arrastando pelo campo, falhando, aqui e ali, o que antes não falhava, e ia sendo assobiado pela sua ligeira incompetência, até que um rasgo de dois companheiros de equipa lhe colocaram a bola nos pés, de baliza aberta, já a gritar «golo!», antes mesmo de ele mesmo pensar nisso sequer. Cardozo fez golo, e depois fez «chiu». Quando seria a altura certa para a reconciliação, o paraguaio resolveu, antes, perder o pouco que lhe restava de razão. Era caso para dizer «’Chiu’, Cardozo. Vê lá é se marcas mais golos e jogas melhor».

13 de Setembro de 2010 – Benfica, só «em casa»

O Sport Lisboa e Benfica pediu hoje aos sócios e simpatizantes que se abstenham de apoiar a equipa em jogos «fora de casa». Em causa está a alegada «verdade desportiva» (será que ela existe?), e o que pouco têm feito por ela as «más arbitragens». Percebe-se esta atitude do Benfica, face ao que têm sido os seus resultados. Mas não se aceita muito bem, quando os adeptos querem ver a sua equipa de perto (sim, porque Lisboa continua a ser longe), e, ao «obedecerem» a este repto, têm de continuar a ver os jogos «em casa», «em casa» na Luz ou «em casa» na televisão. O que é certo, é que os clubes vêem os seus lucros de bilheteira dispararem sempre que o Benfica os visita, e isso pode pesar alguma coisa. Por nós, cá continuaremos a ver os jogos. Sempre «em casa».

12 de Setembro de 2010 – «Buddha Eden», o jardim da paz de Joe Berardo

Os Budas Gigantes de Bamyan, no Afeganistão, eram considerados Património Mundial da Humanidade, mas foram destruídos pelos «Taliban», num verdadeiro acto bárbaro contra a memória legada pela Arte de Gandhara. Como resposta a esta atitude absolutamente inexplicável, Joe Berardo idealizou, em 2001, um vasto jardim de inspiração oriental, com cerca de 35 hectares, e densamente povoado por várias estátuas, procurando, assim, com o «Buddha Eden Garden» construir um lugar reconciliação, paz e ecumenismo, com entrada e fruição gratuitas. Esta foi mais uma das belíssimas paragens da viagem até ao fim do mundo, um lugar que vale a pena conhecer, descobrir, fruir, talvez também em outras viagens até ao fim do mundo. Saiba mais aqui: www.buddhaeden.com.