O cérebro é um mistério. Um mistério do qual só conhecemos uma pequena parte. Mesmo do nosso. Muita informação que fica retida, mas que nem sabemos que a temos armazenada. E se, de repente, houvesse uma substância que nos permitisse aceder a toda essa informação? É desta vertigem que parte a viagem de «Sem limites», a história de um escritor que não consegue escrever, e que se aproxima vertiginosamente do abismo. De repente, uma nova droga permite-lhe aumentar exponencialmente a sua capacidade intelectual, e lança-o numa viagem ascendente… em direcção ao abismo. Descobrindo, pelo meio, que talvez não seja só ele a recorrer aos mesmos métodos. No conforto da «Sala Vip», valeu a pena embarcar nesta viagem vertiginosa.
21 de Maio de 2011 – That’s what friends are for
Às vezes, os amigos surpreendem-nos. Antecipam-nos os passos, os movimentos, os pensamentos, os sentimentos. E aparecem-nos de surpresa. Convivemos, partilhamos angústias, sentimentos, dúvidas, mas também novidades e pontos de vista. Alegramo-nos com a alegria deles, eles alegram-se com a nossa alegria. É bom sentirmos que, nestas alturas, eles estão lá para nós. Procuram-nos, quando não os podemos encontrar. Animam-nos para continuarmos, para atravessarmos a estrada. Seguros. Acompanhados. Juntos.
20 de Maio de 2011 – Sócrates na via da derrota
Deve ter sido o debate mais visto de todos, e deve ter sido também o mais surpreendente de todos. De Sócrates, pouco se soube. Não se sabe o que pensa do país, o que pensa para o país, o que pensa com o país. Existe, quer continuar a encenar a sua peça, quer continuar a contar-nos histórias através do seu teleponto, quer continuar a criar uma realidade melhor do que a (dura) realidade. E acusa o PSD, esse «demónio anti-Estado-Social», de querer acabar com tudo quanto é público. E puxa da demagogia, quando sabemos que a saúde não é 100% gratuita. E não diz o que quer fazer com a taxa social única, apesar de ser ter comprometido com o FMI a tomar medidas. Preferiu discutir o programa do PSD, escondendo os 700 mil desempregados, quando tinha prometido 150 mil empregos, com olhar fugaz e certeiro, há seis anos e uns meses. Com serenidade e assertividade, Passos Coelho venceu este debate. Porque ser novo não é necessariamente mau. Porque ser inexperiente não acarreta o fardo de péssimas medidas. Porque não se lhe conhece a mentira. A mentira de Sócrates, por exemplo quanto aos empregos que prometeu, é proporcional à forma como aumentou a dívida pública, desde que é Primeiro-Ministro. E, não nos esqueçamos, prometeu uma estrada a Arouca. Uma estrada por onde ainda há-de voltar, para voltar a prometê-la.
19 de Maio de 2011 – Alvarenga social

Alvarenga inaugurou hoje um equipamento que se assume como uma referência nacional no domínio do apoio social. A Casa do Povo de Santa Cruz de Alvarenga vai servir mais de uma centena de utentes, nas valências de lar, creche e apoio domiciliário, para além de dar emprego a cerca de trinta pessoas. O desafio agora é fazer com que o lado humano e técnico corresponda à obra física, de um bom gosto, funcionalidade e concepção dos espaços absolutamente notável. Num pedaço de Portugal onde o esquecimento se faz sentir de uma forma ainda mais acentuada, dias como este são, de facto, dias de festa. Dias de confiança. Dias de esperança num futuro diferente. Que não obrigue, nem os novos nem os velhos, a terem de sair do local onde têm as raízes. Seja para viver, seja para morrer. De uma forma ou de outra, mais feliz.
18 de Maio de 2011 – Voar como o Falcão entre os centrais…
Zuenir Ventura escreveu, no seu livro «Inveja», que este é um sentimento perverso, porque não se trata de querer o melhor para nós. Trata-se, sobretudo, de querer que o outro não o tenha. A inveja é insidiosa, dissimulada, insaciável. E eu estou cheio de inveja. Inveja de não ver a minha equipa levantar o «caneco». Inveja de não ver a minha equipa jogar futebol assim. Inveja de não poder festejar tantos títulos quantos gostaria. E, sobretudo, inveja de não ver um Falcão voar entre os centrais daquela forma, para poder gritar mais golos. «Voar como o Falcão entre os centrais». Que inveja…
17 de Maio de 2011 – Strauss-Kahn, a esquerda, o FMI, o escândalo
Há algum tempo atrás, Dominique Strauss-Kahn, talvez inebriado e com a visão desfocada, confundiu os papéis de esquerdista e de director geral do FMI, e confessou que trabalhava para a esquerda mundial. Ficámos, na altura, sem saber se a sua preocupação efectiva e quotidiana era o equilíbrio e a «sanidade mental» dos mercados, ou a «sua» esquerda. Nesse dia, pairou a dúvida se podíamos confiar nessa esquerda (já que em Portugal, pelo menos na esquerda menos radical, não podemos confiar, de facto) e, mais, se poderíamos confiar no FMI, que Strauss-Kahn dirigia. Agora, verificamos que não podemos é confiar no próprio Strauss-Kahn. Acusado de vários crimes de natureza sexual, corre o risco de cumprir uma pena perpétua, e de ainda ficar a dever anos à prisão norte-americana. De uma única estocada, deixa de ser director geral do FMI. Deixa de ser símbolo da esquerda. Deixa de ser «presidenciável». Deixa de ser credível. Uma sucessão de acontecimentos nada feliz.
16 de Maio de 2011 – Cacofonias
O jogo de brincar à política está a tornar-se demasiado ruidoso. É «enfartante». Entediante. Irritante. A campanha já deveria ter terminado. Somos, claramente, uma casa onde não há pão. Entretemo-nos a brincar aos países, e os políticos entretêm-se a brincar à política. Fazem, desfazem. Aparecem e desaparecem, como os ilusionistas, perante os nossos «ahs» de espanto e incredulidade passiva. É urgente que acabemos com a farsa, que se eleja alguém que trate disto a sério. É urgente o silêncio.
15 de Maio de 2011 – «Crash»
Como alguém disse, e bem, todos os acidentes de carro são estúpidos. São daquelas coisas para as quais olhamos, olhamos, e nunca conseguimos perceber como foi possível acontecerem. Hoje, aconteceu-me a mim. Lembrei-me, de repente, de uma das cenas do filme sobre Benjamin Button, em que vemos como, na prática, uma sucessão de acontecimentos, pelo menos aparentemente desconexos, desembocam numa determinada situação. Destino, fatalidade, coincidência ou o ter de ser, não sabemos o que será. Sabemos que as coisas acontecem, e que, depois de estarmos «no meio delas», cabe-nos resolvê-las.
«And this cab driver, who dropped off the earlier fare and had stopped to get the cup of coffee, he picked up the lady who was going shopping and had missed getting the earlier cab. The taxi had to stop for a man crossing the street, who had left for work five minutes later than he normally did because he forgot to set his alarm. While that man, late for work, was crossing the street, Daisy had finished rehearsing and was taking a shower.
And while Daisy was showering, the taxi was waiting outside a boutique for the woman to pick up a package which hadn’t been wrapped yet, because the girl who was supposed to wrap it had broken up with her boyfriend the night before and forgot. When the package was wrapped, the woman, who was back in the cab, was blocked by a delivery truck.
All the while, Daisy was getting dressed.The delivery truck pulled away,and the taxi was able to move while Daisy, the last to be dressed, waited for one of her friends who had broken a shoelace. While the taxi was stopped, waiting for a traffic light, Daisy and her friend came out the back of the theater. And if only one thing had happened differently, if that shoelace hadn’t broken or that delivery truck had moved moments earlier or that package had been wrapped and ready because the girl hadn’t broken up with her boyfriend, or that man had set his alarm and got up five minutes earlier or that taxi driver hadn’t stopped for a cup of coffee or that woman had remembered her coat and got into an earlier cab, Daisy and her friend would have crossed the street and the taxi would have driven by.
But, life being what it is, a series of intersecting lives and incidents out of anyone’s control, that taxi did not go by, and that driver was momentarily distracted. And that taxi hit Daisy. And her leg was crushed».
(Excerto do argumento de «The curious case of Benjamin Button»)
14 de Maio de 2011 – Grupo Coral de Urrô, 30 anos
É sempre com muita alegria que vemos os amigos comemorarem as suas datas marcantes. Hoje foi assim, com o Grupo Coral de Urrô, que comemora, este ano, o seu 30.º aniversário. Foi a convite do saudoso José Teixeira que conheci este grupo, onde fizemos coisas magníficas, e que, graças à sua persistência e talento, se continua a fazer muita coisa preciosa, como é o caso da escola de música, onde tenho o prazer de trabalhar. O aniversário foi assinalado com um brilhante concerto, com obras de Marco Frisina, Mozart e o «Gloria» de Vivaldi. Foi bom reencontrar amigos e colegas destas andanças, vindos de Braga. Foi bom relembrar que foi aqui que as coisas começaram a ganhar forma para mim. Está de parabéns o Grupo Coral de Urrô, está de parabéns Arouca, por ter este diamante. Que, esperamos, continue a saber preservar.
13 de Maio de 2011 – Novamente os três «F’s»?
O fado está na moda. Que o digam Camané, Ana Moura, Mariza e outros. Do futebol, nem se fala, com duas equipas portuguesas na final da Liga Europa, com direito a troca de galhardetes entre Pinto da Costa e Laurentino Dias, e tudo. E, hoje, Fátima esteve em todas as televisões. Como ontem. Como sempre que é dia 13 de Maio. De uma forma ou outra, estamos sempre a regressar aos famosos três «F’s». Desta vez, Fátima teve um «sabor» diferente. Pelo excelente documentário, realizado por Manuel Arouca, sobre «Fátima no Mundo», que a RTP transmitiu. Mas, sobretudo, por podermos ouvir, pela primeira vez, o Hino do Centenário das Aparições, composto pelo meu amigo José Joaquim Ribeiro. Porque os três «F’s» não têm de ser, necessariamente, vistos como uma fatalidade ou algo de mau. O dia de ontem foi particularmente vivido em Fátima, e o jornal «Expresso» publicou um interessante vídeo, que «conta a história» do dia em 45 segundos. Vale a pena ver.