Acabo de descobrir um livro que me fez recordar um antigo suplemento do «Diário de Notícias» que, enquanto durou, era absolutamente obrigatório, pela sua elevada qualidade: o «DNa». Todos os sábados, no «DNa», Edson Athayde publicava uma crónica, publicações regulares essas que deram origem ao livro «Os 3Ões». Basicamente, são deliciosas histórias sobre os homens de trinta anos, segundo o tio Olavo. Às vezes mais «machistas», se quisermos adoptar esse ponto de vista, outras mais realistas, umas vezes fantasista, outras nem por isso. São pequenas sagas de quem ultrapassou a fasquia do 3 na casa das dezenas. A leitura é simples, mas é frequente fazermos grandes e surpreendentes descobertas naquilo que é simples. Como por exemplo este regresso bom aos tempos do «DNa». Só para começar. O resto, virá ao longo das páginas.
17 de Abril de 2012 – É urgente «desomenagear» José Sócrates e Paulo Campos
Hoje ouvi, pelas ondas da «TSF», uma sentida referência, em tom de homenagem, que Bragança dizia dever a José Sócrates e Paulo Campos. O líder do PS Bragança, Mota Andrade, exaltou os paladinos do desenvolvimento, porque agora, segundo ele, de Bragança a Lisboa já não eram nove horas de distância, como diziam os «Xutos & Pontapés» em «Para ti Maria». Logo Francisco Assis afinou pelo mesmo diapasão, e atirou forte, dizendo que sempre que se fala nesta gente se desligam as funções cerebrais e se dá um «reflexo pavloviano» de salivar contra tão competentes políticos. Pois é exactamente na junção de um destes argumentos e do contrário do outro que chego à conclusão de que temos, urgentemente, de «desomenagear» esta gente. Se de Bragança a Lisboa já não são nove horas de distância, de Arouca ao Porto continua a ser um tormento, apesar de termos uma auto-estrada fantasma a poucos quilómetros do que temos de suposta ligação ao litoral. É, portanto, lícito que salivemos contra esta gente. Que se desliguem as nossas funções cerebrais, se quiserem. Porque estes senhores prometeram-nos coisas. De viva voz. Em decretos publicados no Diário da República. Salivemos, portanto. Sejamos primitivos, como querem que sejamos. Porque de gente desta na política não precisamos. Muito menos de assistir, impávidos e serenos, a «pseudo-homenagens», hipócritas e provincianas, a gente sem qualquer tipo de nível para o que quer que seja.
«Reconhecer esse grande trabalho que foi feito pelo Governo do PS, com o anterior Primeiro-Ministro José Sócrates, com o Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, e também com o Paulo Campos, que é hoje nosso colega e que teve um papel determinante para que essas estradas fossem construídas e sejam hoje uma realidade no distrito».
(Mota Andrade, líder do PS Bragança, durante as jornadas parlamentares, naquele distrito)
«Mas vejo olhando para alguns analistas, para alguns observadores da vida pública em Portugal, que quando se fala do passado e em particular do principal interveniente desse passado, parece que desligam as suas funções cerebrais e activam puramente as gandulas salivares, num reflexo pavloviano completamente inadmíssivel».
(Francisco Assis, na mesma sessão)
16 de Abril 2012 – A Voz e os políticos
Hoje é Dia Mundial da Voz, e a TSF lembrou-se de pensar sobre como a voz dos políticos pode ser importante para quem os ouve. Verdade seja dita, muitas vezes preferíamos não os ouvir. Eles tentam, até à exaustão (e se for em campanha eleitoral, muito mais), convencer-se a eles próprios, primeiro. Falam alto, desgraçam as cordas vocais, até ficarem afónicos. Sem os vermos, já sabemos quem são, porque os reconhecemos pela voz, pela forma como a colocam nos discursos. A voz é um traço fundamental da identidade. Mas, neste caso, o que nós queríamos mesmo era que eles falassem menos, mais acertado, e, se possível, mais verdade.
15 de Abril de 2012 – Orfeão de Arouca em São Pedro da Cova, Gondomar
O Orfeão de Arouca terminou hoje esta «saga» de dois dias, com a participação no VII Março Cultural, organizado pela Associação Social Estrelas de Silveirinhos, de São Pedro da Cova, Gondomar. O concerto decorreu na cripta da Igreja Paroquial de São Pedro da Cova, com a participação do Grupo Coral da Ala Nun’Alváres de Gondomar e do Orfeão da Associação Social Estrelas de Silveirinhos, que nos visitará, em breve, em Arouca. Foi, acima de tudo e para além do habitual convívio entre todos, muito gratificante rever caras arouquenses no público, especialmente a nossa querida «Anesinha», de quem, entre sorrisos e lágrimas, matámos saudades. O resto, foi música, aqui trazida pela «Gondomar TV».
14 de Abril de 2012 – Orfeão de Arouca no Convento Corpus Christi, em Gaia
O Orfeão de Arouca viajou hoje até Vila Nova de Gaia, onde, em plena Ribeira, no belíssimo espaço da capela octogonal do convento Corpus Christi, deu um concerto com a Orquestra de Gaia. Apesar de tudo, apesar de termos de nos deslocar nos nossos próprios carros, de ter calhado «em cima» de outros compromissos, acabou por ser um belíssimo arranque para um verdadeiro fim-de-semana musical. O grupo vai-se contaminando de boas influências, e a música vai começando a fluir como se quer. Dá trabalho. Muito. Mas vale a pena.
Fotos: Bruno Carvalho
13 de Abril de 2012 – OLA Swing, no aniversário dos Bombeiros de Arouca
Esta foi a forma de melhor nos associarmos ao aniversário dos Bombeiros de Arouca. Com música. Hoje, a Orquestra Ligeira da Banda Musical de Arouca (OLA Swing) deu um concerto no pavilhão da corporação, com um público que acorreu em número bem interessante, apesar da chuva. Está lançado o mote para os festejos, bem merecidos, da associação que, provavelmente, mais dá ao povo de Arouca. Nós, hoje, também tentámos retribuir com um bocadinho de nós. E a «Arouca TV», como não podia deixar de ser, marcou presença. Parabéns, Bombeiros.
12 de Abril de 2012 – Bombeiros Voluntários de Arouca, 35 anos
A fotografia já tem alguns anos, mas não é isso que importa. Antes e depois desta fotografia, houve muita coisa que não mudou. Mudou o espaço do quartel, para melhor. Mudou a operacionalidade, também para melhor, com mais equipamento e viaturas. Mudou o comando, ainda que o professor Carlos Esteves se mantenha ligado à corporação. Mas não mudou a coragem, a disponibilidade, o espírito de serviço a uma comunidade que nem sempre o agradece nem o reconhece. «Vida por vida», é o lema dos bombeiros. Os primeiros a quem recorremos (e os primeiros a chegar) quando precisamos de apoio na doença, quando o fogo teima em consumir a floresta, quando nos deparamos com uma situação de emergência. Abdicam de tudo, até de si mesmos, para o fazerem. Em Arouca, há 35 anos. Mas a história começa antes disso, há cerca de 50 anos, quando um violento incêndio despertou nos arouquenses a necessidade de, com espírito simultaneamente empreendedor e voluntário, constituírem um corpo de bombeiros com a preparação e o equipamento mínimos para poder fazer face às necessidades de um concelho enorme, onde era necessário apoiar a doença e a emergência, e onde era difícil preservar um vasto espaço florestal. Em 1977, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arouca foi oficializada, numa prova de que os arouquenses, quando querem, conseguem fazer as coisas. O quartel passou a funcionar no terreno onde hoje está a central de camionagem, até que, há 21 anos, em 1991, começa a desenhar-se o actual quartel. Inicia-se, então, um novo ciclo de vida da corporação, num espaço sempre aberto à comunidade, onde se vêm promovendo vários eventos, muitos deles marcantes no panorama cultural arouquense. Mas é de homens e mulheres que esta história é feita. Homens e mulheres que, todos os dias, vão dando tudo de si em favor dos outros. Ao longo de 35 anos, muita gente passou, ficou, foi e voltou. Mas as coisas são mesmo assim. De qualquer modo, é uma idade que não se festeja de ânimo leve. E que é justo que se assinale, com letras grandes.
11 de Abril de 2012 – Não ter onde cair nado
Diz o Governo que a Maternidade Alfredo da Costa vai encerrar. Alegadamente porque há menos partos do que se justifica. A Maternidade diz o contrário, e a «guerra» dos números, tão grata à comunicação social, instala-se. É claro, por outro lado, que ninguém gosta de perder uma valência, seja porque trabalha nela, seja porque a tem ao lado da porta, seja, ainda, porque já estão a desaparecer outras coisas, como as freguesias, por exemplo. «Não ter onde cair morto» era já uma expressão conhecida. Agora, «não ter onde cair nado» é algo de muito estranho…
10 de Abril de 2012 – Solidão e poder
Sá Carneiro é um verdadeiro mito da vida política portuguesa. O seu percurso de vida, e sobretudo a forma como o concluiu, deixam em aberto um enorme espaço para um enorme «se». Como seria «se» Sá Carneiro não tivesse mudado de ideias à última da hora, «se» tivesse vivido para perder as eleições presidenciais, «se» muitas das suas ideias tivessem sido (ainda mais) seguidas. Mas um voo repentino para a morte acabou com todos os «ses», e ficou apenas esse imaginário, ainda a preto e branco, de um homem aparentemente frágil, mas imensamente forte. Maria João Avillez, ainda «a quente», escreveu «Solidão e Poder», provavelmente a mais antiga (e mais afectiva) biografia de Sá Carneiro. Um livro a que regresso. Talvez levado pelo título. Ninguém melhor que Sá Carneiro consegue juntar, lado a lado, as palavras «solidão» e «poder».
7 a 9 de Abril de 2012 – Páscoa
A Páscoa é algo que está um pouco para além do cristianismo. Antes mesmo de se comemorar a ressurreição de Cristo, os Judeus comemoravam a libertação do seu povo da escravidão do Egipto. E também antes disso, muitos ritos pagãos estão associados a esta altura do ano. Páscoa significa passagem. Seja da escravidão à libertação, da morte à vida, das trevas para a luz. É um período de renovação, muito associado à Primavera, ao verde que volta às árvores e aos campos, às flores que começam a rebentar, aos dias que começam a ter mais sol e durante mais tempo. É um novo ciclo que se abre, à parte de qualquer primazia religiosa. O resto, são argumentos que ajudam a explicar e a focar o nosso pensamento nesta necessidade. De renascermos.



