27 a 30 de Setembro de 2012 – Feira das Colheitas

A Feira das Colheitas é, todos os anos, objecto de uma relação de quase amor/ódio. Amor, porque há uma ligação genética à “invenção” da festa. Porque há uma identificação histórica. Porque é genético ser-se de Arouca e viver intensamente a Feira das Colheitas. Ódio talvez seja muito forte, mas algo parecido, porque são dias de intenso trabalho, em que temos de estar preparados para qualquer eventualidade, para que a festa corra como tem de correr: sempre melhor que no ano anterior. No meio de tudo isto, foi possível produzir alguns instantâneos, que aqui ficam como recordação dos dias da mais importante festa do concelho de Arouca.

26 de Setembro de 2012 – Um abraço ao Sr. Vaz

O senhor Vaz foi, durante estes seis anos e qualquer coisa em que, nos dias combinados, tive de dar entrada matinal na casa grande ao cimo da avenida, uma espécie de representante de toda a gente que viria a encontrar no resto do dia. Hoje, o senhor Vaz disse-nos até já, e comemorámos a sua entrada nesta nova etapa com um jantar e muito convívio. Fazem falta, às vezes (muitas?) estes momentos de convívio entre quem só se encontra no mesmo local para desempenhar as suas funções. Mas hoje não. Fomos mais longe que isso, e deu tempo para sermos todos amigos. E dizermos ao nosso colega que o tempo continua a contar, continua a haver dias em que podemos encontrar-nos, uns trabalhando, outros já não, mas sempre com a amizade como união. Mais do que simples colegas de local de trabalho.

25 de Setembro de 2012 – Viajar…

É oficial, vou viajar em breve. O ritual da viagem é das experiências mais completas que se pode ter de aprendizagem. Tudo parece novo, desde a roupa que escolhemos levar, até ao sítio para onde vamos pela primeira vez. As dúvidas sobre se iremos gostar mais disto ou daquilo, sobre se a comida nos irá surpreender, sobre tudo. É a abertura total à novidade. Viajar é um acto de libertação. É saber que vamos regressar, que não vamos para ficar. Mas o tempo que ficamos, é todo aproveitado para experimentar essa sensação do novo, do diferente, por vezes do estranho. É o ouvir linguajares diferentes, e procurar perceber o que significam. Ver rituais que às vezes nos parecem estranhos. É um entrar num mundo novo, para, quando se está mesmo no limiar da porta, regressar. É uma fonte de memórias. Recordações. Retratos. Navegar é preciso. Viver.

24 de Setembro de 2012 – Nampula, Coração da Macuana

Nampula, uma das mais antigas cidades moçambicanas, foi o sítio onde o meu avô, uma das pessoas que mais admiro e sigo como modelo, concretizou “o sonho de ser jornalista”. Ali chegou em 1952, e ali ficou até 1975. Na sua actividade, acabou por acompanhar boa parte do desenvolvimento da cidade que o acolheu, e mesmo participar nessa construção. Apesar da turbulência do regresso forçado, e do infortúnio de ter perdido parte substancial dos apontamentos que pretendia coligir, socorreu-se do que tinha e das memórias. E o resultado, está em 164 páginas de uma monografia absolutamente arrebatadora. Pouca gente, talvez ninguém, na verdade, tenha alguma vez lido estas palavras. Talvez seja um privilegiado, e orgulho-me disso. Talvez um dia, como me dizem, a genética me possa levar a escrever assim. Não sei. Sei apenas que estou, cada vez mais, a saber mais sobre esse coração da Macuana, de onde parte de mim, quer eu queira, quer não queira, veio.

“Mesmo assim, decidi, mantendo a forma original, acrescentar esta explicação, porque pode ser que um dia algum dos meus filhos, vasculhando os papéis que aí ficam esquecidos à traça do tempo, encontre estes apontamentos, e, ao lê-los, recorde com nostalgia a terra onde nasceu.”

(Elísio de Azevedo, “Nampula – Coração da Macuana”, edição de autor)

23 de Setembro de 2012 – O litofone funciona

Primeiro, foi preciso escrever um artigo. Depois, apresentar em público. Por fim, comprovar que funciona. Mas, antes de tudo isto, houve muitas experiências. E no processo de tentativa/erro/tentativa/sucesso, chegou-se a qualquer coisa que se pode ouvir. Hoje, apresentei o meu projecto de litofone, durante a 11.ª Conferência Europeia de Geoparques. Creio que será uma forma de, pela música, envolver os mais novos nas questões que dizem respeito aos territórios onde vivem, conhecendo os seus recursos e formas originais de os preservarem. O mote está lançado. A partir daqui, se verá. Ou ouvirá…

22 de Setembro de 2012 – Grande Orquestra de Verão, na Guarda

Depois da primeira experiência, hoje fecha-se o pequeno ciclo de trabalho que fui convidado para desenvolver sob a direcção do maestro António Victorino d’Almeida. Um concerto no Teatro Municipal da Guarda, com os amigos da Orquestra do Norte, mantém vivo e activo o bichinho do palco. Há alturas, quando se está bem no centro da música, em que parece não haver outro caminho senão o de deixar tudo e seguir o que ela pede. Parece que não há tempo para mais nada senão para a alimentar, para a completar, para lhe dar vida. Depois, naqueles segundos de silêncio depois do fim, tudo se suspende. E são esses segundos que sintetizam esta magia. Que quem conhece a música por dentro gosta de sentir. Antes, claro, dos aplausos.

19 a 21 de Setembro de 2012 – Conferência Europeia de Geoparques

Até 21 de Setembro, Arouca estará no centro do mundo, no que diz respeito a uma estratégia de desenvolvimento sustentável, baseada na classificação de geoparque, sob a alçada da UNESCO. Houve muito trabalho a ser desenvolvido, muitas horas por dormir, muita coisa para fazer e resolver, mas valeu a pena. Ficam algumas imagens do que apresentámos na abertura e no encerramento do evento. Feito em parceria com a fabulosa equipa do Arouca TV, incansável na entrega e na ajuda.

18 de Setembro de 2012 – Orfeão de Arouca anima a noite da Conferência Europeia de Geoparques

De regresso a Arouca, tão depressa quanto possível, reunimos rapidamente o Orfeão de Arouca, para uma animação de rua, integrada na Conferência Europeia de Geoparques. Arouca espera mais de 300 pessoas, reputados cientistas nos seus países e em todo o mundo. Muitos deles já cá estão, a conhecer as ruas da vila, a descobrir os encantos de alguns espaços, a deliciarem-se com a gastronomia e a doçaria que não encontrarão em mais nenhum local do mundo. Nós, damos a música que também não encontrarão em mais lado nenhum. Porque em mais lado nenhum têm as nossas histórias do minério, a “Senhora da Laje”, a “Frecha da Mijarela”, e por aí adiante. Mesmo que a língua seja outra, há coisas que se conseguem comunicar através das melodias. Estou certo disso.

17 de Setembro de 2012 – Grande Orquestra de Verão, em Portalegre

E, de repente, atravessamos o país para ir dar a melhor música a quem a quiser partilhar. No âmbito do projecto “Grande Orquestra de Verão”, sob a batuta do maestro António Victorino d’Almeida, a Orquestra do Norte dá hoje um concerto em Portalegre, no Espaço Robinson. Para mim, é o primeiro concerto neste projecto, e a curiosidade (e ansiedade) para partilhar o palco com uma figura que é motivo de mais do que admiração, confesso, é muita. Contudo, independentemente de como correr, este prazer da partilha de um trabalho já ninguém o tira. Vale a pena estar mais perto deste senhor da cultura portuguesa.

16 de Setembro de 2012 – Arouca TV

Hoje apetece-me falar sobre o espírito empreendedor de dois amigos meus. Sem ficarem à espera de apoios ou de mais ideias, sem ficarem presos a projectos ou a dependências, resolveram avançar com um canal local de notícias, com presença na MEO e na internet. Hoje, o Arouca TV não passa despercebido a nenhum arouquense minimamente atento, e nenhum acontecimento minimamente importante passa despercebido à equipa da Cláudia Oliveira e do Franklin Ferreira. Puseram mãos à obra, e aprendendo com o caminhar, estão já a produzir peças jornalísticas muito interessantes e com elevada qualidade nas imagens. Quem os conhece, sabe que nada disto surpreende. Mas, para quem os conhece e para quem não os conhece, resolvi falar sobre eles. Para lhes reconhecer o mérito e para os dar a conhecer.